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sexta-feira, 23 de maio de 2008

GUERREIROS DO SENHOR


Um esboço da cosmologia neopentecostal
É notável a perplexidade provocada pelos grupos neopentecostais. As tentativas de explicação, na academia ou na imprensa, muitas vezes têm partido de lugares comuns como ignorância, miséria e desesperança da parte do povo, e eficientes estratégias de marketing, comunicação e gerenciamento empresarial por parte destas igrejas. As ciências sociais e a mídia revelam aqui a dificuldade que nossa sociedade moderna encontra para lidar com a dimensão propriamente religiosa dos fenômenos religiosos. A abordagem dos efeitos políticos ou econômicos das crenças e práticas religiosas ocupa mais espaço que a compreensão das articulações entre tais crenças e práticas numa cosmologia religiosa. No caso das igrejas neopentecostais, em especial, as práticas rituais bem como o comportamento e as atitudes públicas de pastores e organizações eclesiásticas parecem destituídos de sentido ou resultantes de mera "esperteza" e má-fé, quando não são situados em relação a sua visão religiosa de mundo. Quando, porém, inserimos tais práticas, comportamentos e atitudes no quadro de referência da cosmologia neopentecostal, elas passam a fazer sentido. Obviamente seria uma ingenuidade não perceber as implicações culturais, políticas e econômicas do neopentecostalismo. No entanto, tal percepção exige uma investigação prévia: é preciso ouvir com atenção o que crêem e pregam estes crentes, antes de nos apressarmos em avaliar seu impacto social. Proponho-me aqui a descrever sinteticamente a cosmologia neopentecostal, principalmente naquilo em que ela se diferencia da protestante e pentecostal em geral. Ao tomar as diferenças, porém, não pretendo me esquecer que o neopentecostalismo é ao mesmo tempo cristão, evangélico e pentecostal. Uma das maiores dificuldades que estas igrejas apresentam para nossa sociedade está justamente no fato de que as continuidades falam tão alto quanto as rupturas: boa parte de sua pregação e de suas práticas pode ser encontrada também nos mesmos lugares de onde partem as críticas que lhes são feitas. Uma Quarta Pessoa Para indicar os traços característicos do neopentecostalismo desejo recorrer a uma classificação, proposta pelo prof. Rubem César Fernandes, que usa a Trindade como critério. Fernandes distingue três "ondas" da Reforma em função da ênfase que dão a cada pessoa da Trindade: a primeira, ligada aos movimentos de Lutero e Calvino, colocaria sua ênfase no Deus Pai. A segunda, relacionada aos nomes de Spener e Wesley e aos movimentos de avivamento, enfatizaria a pessoa do Filho. A terceira, a pentecostal, destacaria a figura do Espírito Santo. Como se trata de ênfase, a crença na Trindade é comum a todos. Um destaque maior é dado porém a uma pessoa em relação às outras. Torna-se difícil encaixar num esquema triádico um fenômeno que, a meu ver, já se desdobra em quatro. Portanto, sem querer com isto incorrer numa heresia, proponho acrescentar a esta curiosa classificação trinitária uma quarta figura que, mesmo não sendo uma pessoa da Trindade, e mesmo não sendo reconhecida entre os cristãos como divina, representa uma ênfase distintiva do neopentecostalismo: o Diabo. De um modo bastante incômodo para os demais protestantes, o Diabo é referência constante no discurso, no ritual e na cosmologia neopentecostal. Observe-se que, como no modelo proposto por Fernandes, é tudo uma questão de ênfase. A crença no Diabo e em sua ação maligna é comum a todo o protestantismo - e ao cristianismo em geral. Mas no neopentecostalismo ela alcança o status de um fundamento teórico-teológico. O Núcleo da Cosmologia Neopentecostal: A "Guerra Espiritual" No cristianismo o Diabo é o inimigo de Deus. Inferior a este, é na verdade um "anjo decaído", isto é, um ser que deveria ser subordinado a Deus, mas que se rebelou contra Ele. Ainda de acordo com a crença cristã, o Diabo tentou atrapalhar os planos divinos, causando sofrimento ao gênero humano. E hoje ele ainda está "à solta", agindo com a mesma finalidade. Protestantes em geral estarão de acordo com estas idéias. A diferença neopentecostal está na ênfase dada ao Diabo e seus demônios e que se revela mais claramente no conceito de "Guerra Espiritual". A "Guerra" representa uma agudização do conflito entre Deus e o Diabo. Como parte de uma escatologia igualmente aceita por protestantes históricos e pentecostais tradicionais, ela se liga à idéia de que vivemos os "últimos dias" da História. A cada dia se aproxima a Batalha Final em que o Diabo será definitivamente vencido. Sentindo a iminência da derrota, Satanás tenta, de todas as maneiras, reverter a situação. Sua ação é desesperada e, por isto mesmo, incessante, intensa, audaciosa. O Diabo não está apenas solto; ele está fazendo um derradeiro "esforço concentrado". E isto exige da parte do ser humano vigilância redobrada. Observe-se que a idéia mesma de "guerra espiritual contra o diabo" não está ausente do repertório protestante ou pentecostal tradicional, nem mesmo do cristão em geral. Há referências a ela, já no Novo Testamento, e as Cruzadas se nutriram desta inspiração. Em "Castelo Forte" , hino composto no contexto das disputas religiosas do início da Reforma, Lutero chama a atenção para ela e o mesmo clima belicoso é sentido em muitos dos hinos cantados pelos primeiros protestantes no Brasil . Aos olhos dos demais protestantes, afirmar a "guerra" não seria propriamente uma heresia. O problema estaria na sua radicalização como centro de preocupação da Igreja. Uma Religiosidade Agressiva É freqüente a associação entre pentecostalismo e fuga da realidade. Uma das explicações para o seu forte apelo popular estaria em oferecer às camadas menos favorecidas da população um escape dos sofrimentos a que são submetidas. Além disto, para alguns autores o pentecostalismo serviria ao ajustamento e submissão dos mais pobres. No entanto, no caso do neopentecostalismo, É difícil falar em acomodação. A "guerra espiritual" confere um senso de urgência que transforma a maneira como a religiosidade é vivida. A omissão É vista como uma maneira de colaborar com Satanás. Igualmente o desviar a atenção para outras preocupações que não a luta. Por isso o neopentecostal critica a apatia dos protestantes históricos e o moralismo dos pentecostais tradicionais. Eles estão ajudando o Diabo, não fazendo nada diante da ação maligna ou perdendo um precioso tempo com usos e costumes. Quem quer que seja capaz de perceber a urgência do momento presente - e o neopentecostal se imagina capaz disto - só pode desenvolver uma atitude: a de entrar na luta, alistando-se como mais um soldado do Senhor dos Exércitos. Não há lugar aqui para quietismo e acomodação. Pelo contrário, sua crença os leva a buscar intensamente a saúde e a prosperidade. São, aliás, bastante críticos com relação aos que dizem que a doença ou a pobreza são da "vontade de Deus". É o Diabo e não Deus quem promove o sofrimento. Conformar-se É submeter-se ao Diabo. Quem deseja apenas fugir das angústias da vida, viver pacificamente sua fÉ, aguardando o momento de partir, pela morte ou pelo "arrebatamento", não pode ser contado entre estes "guerreiros do Senhor". Esta é uma característica marcante dos neopentecostais: seu atrevimento, sua intrepidez, sua agressividade. Estão em meio a uma guerra e sabem que estão do lado vencedor. Seguem à risca o lema: "a melhor defesa é o ataque". É assim que enfrentam o Diabo: desafiando, provocando, chamando para a briga. Qualquer demonstração de fraqueza ou dúvida diante do Inimigo abre uma brecha perigosa. Portanto, devem ser ousados, agindo "com autoridade". "A terra, Deus a deu aos filhos dos homens" Entre os neopentecostais encontramos não apenas o dualismo "Deus X Diabo". Acreditam também que o universo está dividido em dois reinos: o reino espiritual e o reino material. O reino espiritual é habitado por seres espirituais: Deus, o Diabo, anjos e demônios, em luta constante. O reino material é este nosso mundo, habitado pelos homens e pelo restante da criação divina. É o campo de batalha da "guerra espiritual". É pelo seu domínio que se trava a guerra. E mais: "o reino espiritual É mais real que o material", dizem eles. O que ocorre neste mundo em que vivemos É reflexo dos acontecimentos da ordem espiritual. A doença no corpo ou na mente humana, a misÉria, os conflitos do relacionamento humano são efeitos de eventos do reino espiritual. Revelando uma perspectiva bastante humanista, os neopentecostais introduzem nesta cosmologia um detalhe fundamental. "A terra, Deus a deu aos filhos dos homens", repetem eles o versículo 16 do Salmo 115. Entendem assim, que só a ação humana é eficaz no mundo material. Deus - e o Diabo também - só age no mundo por intermédio do homem. O homem faz a ligação entre os dois reinos. Está no mundo material, mas sua esfera de ação não se restringe a ele. É que no homem encontram-se as duas dimensões. Ser material, possui tambÉm dimensão espiritual. Age no mundo como que conectado a uma orientação espiritual. A posição ocupada pelo homem É, portanto, decisiva na "guerra". Quanto maior o controle sobre o homem, maior o domínio sobre a terra. A "guerra espiritual" pode, então, ser resumida à luta entre Deus e o Diabo pelo controle dos seres humanos. Mas, talvez a caracterização de uma luta bipolar seja um tanto inexata. O papel do homem no conflito está longe de ser o de um passivo joguete nas mãos dos seres espirituais. Dotado de vontade própria, de livre arbítrio, é o homem quem decide, no fim das contas, sob o controle de quem deseja permanecer. Nem sempre a escolha é consciente. E, como "o mundo jaz no maligno", a inclinação natural do homem está orientada para a direção satânica. Assim, mesmo sem o saber, milhões de seres humanos servem aos propósitos do Demônio. Outros, conscientemente optaram por ele. Em qualquer caso, o resultado desta sujeição a Satã é sofrimento: doença, miséria, angústia, dor. O mal é causado pelo Diabo. Temos, então, de um lado o Diabo, literalmente infernizando a vida humana; de outro, Deus, libertando os homens das ciladas do Maligno. E, no meio, o homem, facilitando a ação de um ou dificultando a do outro, desenvolvendo atitudes e tomando decisões que desequilibram a luta para um ou outro lado. Trata-se, na verdade, de uma luta entre Deus, o Homem e o Diabo. O homem, já se disse, é caracterizado por seu livre-arbítrio. Mas o direito de escolha é exercido dentro de estreitos limites. Quem rejeita a oferta de salvação divina, alia-se, com esta decisão, ao Diabo, contra Deus. Quem aceita a salvação, alia-se a Deus, contra o Diabo. O dualismo da "guerra espiritual" não admite uma terceira via. Deste modo, temos 3 conjuntos (Deus e seus anjos / o Diabo e seus demônios / os seres humanos) alinhados em 2 posições (Deus e seus anjos + os homens que a Ele se associam) X (Satanás e seus demônios + os homens que a ele se aliam). Graficamente, teríamos: É portanto entre os homens que a partida é jogada. O homem é o fiel da balança: sua aproximação para um ou outro lado define a "guerra". "Há poder em suas palavras". Quando mergulhamos um pouco mais na cosmologia neopentecostal percebemos o papel fundamental reservado à linguagem. Ela é o instrumento através do qual se faz a ligação entre os dois reinos. A palavra humana, associada à fé, "cria realidades", isto é, faz acontecer coisas neste mundo. A fé é aqui entendida como uma espécie de "vontade sincera". A combinação de fé e palavra ativa forças do reino espiritual, fazendo com que o desejo expresso se realize. Esta premissa dá sentido a dois atos rituais característicos dos pentecostais clássicos, e dominantes entre os neopentecostais: a Oração e a Libertação. Na oração neopentecostal temos o encontro entre Palavra e Fé. Falando ao seu Deus o neopentecostal acredita que está mudando a realidade. Algumas expressões-chave utilizadas na oração reafirmam a crença no "poder mágico das palavras". Por exemplo, freqüentemente ouve-se o verbo "declarar" nas orações neopentecostais. "Declaramos este lugar santo"; "declaro vitória sobre estas vidas". Para eles estas são expressões "performativas", no sentido austiniano do term. Ao declarar santo o local, eles estão efetivamente tornando-o santo. Ao declarar vitória, acreditam estar vencendo o mal. Mas, do mesmo modo que se "declara vitória", é possível também "declarar derrota". As forças do reino espiritual são ativadas pela linguagem, sejam forças divinas ou forças diabólicas. O bom desejo associado à vontade sincera ativa forças divinas; o desejo mau, associado à vontade sincera de que ele se realize, ativa as forças demoníacas. "Há poder em suas palavras", diz o título de um livreto de grande circulação no meio neopentecostal. Por isso é preciso ter muito cuidado com o que se diz. Um pai, que num momento de irritação, "declara derrota" sobre seu filho, dizendo "este menino não presta mesmo: vai ser um marginal", está na verdade convocando as forças do mal para a concretização deste mau desejo. O enfermo que diz que sua cura é impossível está reforçando a ação do demônio causador da doença. A esposa que afirma que seu casamento não tem mais jeito está chamando os demônios para separá-la de seu marido. A comunicação com o reino espiritual, divino ou demoníaco, se faz através da linguagem. Este mesmo pressuposto embasa a "libertação", nome dado pelos pentecostais em geral ao ato de exorcismo. Pessoas que se aliam ao Diabo são por ele possuídas, escravizadas. A expulsão do demônio liberta o possesso. A prática é relativamente comum no pentecostalismo. No neopentecostalismo, dada a centralidade da "guerra espiritual" contra o Diabo, a libertação é mais freqüente e assume outras formas. Para com Deus e seus anjos, a palavra deve ser associada à fé. Diante do Diabo e seus demônios deve-se falar com autoridade, "repreendendo-os em nome de Jesus". A repreensão de espíritos, atitude bastante reveladora da "cosmologia" da espécie de pentecostalismo em questão, pode ser vista como um tipo específico de oração. Trata-se de palavras dirigidas ao diabo ou aos seus demônios com o objetivo de exorcizá-los. Mas o crente que assim o faz não conversa com o demônio. Ele lhe dá ordens. E age assim porque crê estar investido da autoridade e do poder de Deus, conferidos pelo uso do nome de Jesus. Ele se torna, então, um instrumento de Deus que, por seus lábios ordena a saída dos enviados de Satanás. Como na oração é a declaração, na forma imperativa, que "performativamente" faz acontecer a libertação. O demônio é expulso quando se diz "Sai!". A comunicação com o reino espiritual é feita por meio da palavra falada. As forças do Bem ou do Mal são mobilizadas ou desmobilizadas pela palavra humana. A força das idéias religiosas Num primeiro momento é natural que os aspectos mais exóticos sejam os que mais chamem a atenção. Quando, porém, nos aproximamos um pouco mais, vamos perceber que eles fazem parte de uma visão de mundo coerente que lhes dá sentido. O combate a outros grupos religiosos, como os afro-brasileiros, o catolicismo e a “new age” é parte da guerra espiritual contra o Diabo. O exorcismo, a libertação das garras de Satanás, é o modo que estes crentes encontraram para lutar contra as enfermidades, a miséria e os conflitos no lar. A oferta é uma demonstração de fé, mas também uma forma de colocar o dinheiro nas mãos de Deus e desviá-lo das mãos do Diabo. A ocupação de espaços na mídia, na política e na filantropia são parte de uma estratégia de guerra, visando a redução da área de influência e ação de Satã. Estamos, portanto, diante de fortes motivações religiosas que dão impulso à ação destas igrejas. O que há de mais poderoso nas igrejas neopentecostais parece ser não uma questão de marketing ou política, mas justamente o enorme potencial mobilizador que esta cosmologia religiosa guerreira apresenta.

Por: Rev. Wilson Azevêdo Antropólogo,
Professor da Faculdade Batista Carioca de Filosofia

Artigo extraído de: http://www.ipbguacui.org.br/

quarta-feira, 21 de maio de 2008

QUANTO VALE O EVANGELHO?


Tx; Mt.8; 19 E, aproximando-se um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.
20 Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
21 E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai.
22Jesus, porém, respondeu-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos.
23 E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.
24 E eis que se levantou no mar tão grande tempestade que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.
25 Os discípulos, pois, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Salva-nos, Senhor, que estamos perecendo.
26 Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança.

Olhando para o evangelho do tempo de Jesus, e comparando com o evangelho que se é pregado hoje, e usamos nosso senso crítico, nos desvencilhando de todo tipo de preconceito religioso, chegamos a triste conclusão que a igreja de Jesus cristo, não prega o evangelho de Cristo.

Aliás se prestarmos atenção no tipo de evangelho que se está pregando, e fizermos uma comparação bíblica, percebemos é um sincretismo religioso que não tem nada haver com cristo. As pessoas usam o nome de Jesus somente para dar autoridade religiosa as suas heresias, como que se o evangelho assina se em baixo.

O que percebemos na igreja de hoje é exatamente aquilo que Jesus combatia, a igreja tinha se tornado um lugar de comércio muito lucrativo.

Mt.21. 12 Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;
13 e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores.

Naquele tempo as pessoas haviam sido excluídas da sociedade religiosa, digo as pessoas mais pobres que não tinham poder muito poder aquisitivo.

No templo tinha sido criado a casa da moeda, e o dinheiro do comércio local não valia no templo, pois não era aceito.

Criou-se no templo uma casa de cambio, e os cambistas trocavam o dinheiro, para que as pessoas comprassem os animais para ofertarem como sacrifício por seus pecados.
O animal só podia ser comprado no templo, pois o animal comprado fora, sempre eles colocavam defeito, e o sacerdote que era responsável por fazer o sacrifício rejeitava aquele animal.

O animal comprado no templo era muito caro, se não bastasse a conversão da moeda, e a classe mais carente não podia comprar, por isso eram rejeitados, pois eram considerados como pecadores na sociedade de Israel.

Hoje em dia não está diferente nas igrejas, só que hoje a moeda de troca são bênçãos que o Senhor pode lhes dar, e por isso é cobrado, e em alguns lugares muito caro. Fazem tudo em nome de Deus, pregam em nome de Deus, cantam em nome de Deus, curam em nome de Deus, e cobram bem caro em nome de Deus.

Hoje existe a panelinha dos maçons, uma comunidade fechada para receber bênçãos.
O que eles fizeram, como o salário deles não pode ser muito alto, pois a igreja não aceita, eles fizeram um clube, o clube dos pregadores e cantores.

O que acontece, eu prego na tua igreja e tu prega na minha, e agente arranca uma oferta, não muito grande mais ou menos 6.000,00 por pregação.

Existem muitos pregadores e cantores no meio evangélico que cobram de 10 a 15 mil reais por um show ou uma pregação.

Jesus responde ao moço, que quem quiser segui-lo tem que saber que ele não tem nem onde reclinar sua cabeça, nem onde morar, nem dinheiro, pois não cobrava nada de ninguém, nem pára pagar impostos ele tinha dinheiro.

Mt.17. 24 Tendo eles chegado a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as didracmas, e lhe perguntaram: O vosso mestre não paga as didracmas?
25 Disse ele: Sim. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, perguntando: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra imposto ou tributo? dos seus filhos, ou dos alheios?
26 Quando ele respondeu: Dos alheios, disse-lhe Jesus: Logo, são isentos os filhos.
27 Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir e, abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-lho por mim e por ti.

Jesus não tinha nem um estater, valor do pagamento diário de um operário.

Hoje podemos ver muito ao contrário, pessoas que se dizem abençoadas por Deus pois tem muito dinheiro, ou seja vale quanto pesa.
Existem grupos de pessoas no reino de Deus que não sabem nem o que tem, e não estão nem um pouco preocupadas com quem não tem nada.

Existem pessoas que não tem o que comer amanhã, e são crentes.

Estas pessoas abastardas no reino dizem que amam a Deus, e louvam a Deus por Deus telas abençoadas, e que vivem dando testemunho do que Deus fez em suas vidas e por isso são muito felizes, fazendo com que as pessoas que não tem nada se sintam constrangidas e menos amadas por Deus.

Mas de uma olhadinha na vida desta pessoa que se diz muito abastarda e veja se foi só Deus que fez isto.

Porque dizem que amam a Deus mas não estão preocupadas com ninguém, não querem nem saber se aquele irmão desempregado conseguiu pagar a luz este mês, se ele comeu, ou comprou aquela roupa que seu filho estava querendo.

Dizem que amam mas não amam a Deus coisa nenhuma, pois João diz;
1Jo.4. 20 Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu.

1Jo.3. 18 Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade.
19 Nisto conheceremos que somos da verdade, e diante dele tranqüilizaremos o nosso coração;
20 porque se o coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.

Exemplo da igreja primitiva;

At.2. 43 Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos.
44 Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum.
45 E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um.

O evangelho vale quanto pesa, e estão gritando vinde benditos de meu pai e possui a terra e tudo que nela há.

O evangelho que tirou Deus do centro e colocou o homem no centro.
Até quando isto vai continuar acontecendo? Até quando Senhor?
Não são ladrões e salteadores que estão no templo?







Por: Pr. Giovani Varela da Silva

segunda-feira, 19 de maio de 2008

ESTUDOS NA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER - 3


Capítulo 10 - Da Vocação Eficaz.


Seção – 1:"Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça."
Introdução: A nossa Confissão passa agora a afirmar uma das grandes doutrinas presbiterianas, conhecida como a Vocação eficaz. Esta doutrina tem sido negligenciada em muitos púlpitos modernos em nossas Igrejas, e precisamos trazê-la mais uma vez para o nosso bojo teológico.
O que esta doutrina significa para cada um de nós? Esta é uma grande pergunta que precisa ser considerada. Ela significa que toda a obra da salvação está vinculada a ação de Deus na vida do pecador. Deus soberanamente decide atrair para si os seus eleitos por meio da ação amorosa e soberana do seu Espírito Santo. É diante desta doutrina que nos encontramos no presente momento. Então, o que podemos de fato aprender sobre isso nesta manhã?

I – APRENDEMOS QUE A VOCAÇÃO EFICAZ É DESTINADA SOMENTE AOS PREDESTINADOS.
Isso nos diz que apenas aqueles a quem o Pai desde toda a eternidade escolheu para encontrar a vida em Cristo. Daqui temos duas grandes verdades:
1. Que essa vocação ocorre no tempo devido de Deus: O criador do universo decidiu o mês, ano e tempo no qual ele chamaria os seus eleitos no tempo para encontrar vida.
2. Que esse chamado, na vida do eleito, é sempre eficaz no tempo estabelecido por Deus.
Mas, antes de tudo isso ocorrer se percebe, segundo nossa Confissão de Fé, que tal vocação ou chamado ocorre após a predestinação. Isso fica claro na passagens que vemos nas Escrituras; destacamos algumas delas:
Romanos 8.30 – o que está envolvido aqui?
a. Está envolvido uma perspectiva escatológica: Ou seja, Deus nos predestinou e nos chamou e o fim último – que é a glorificação – é contemplada neste texto como algo já acontecido; ou seja, apenas os que foram eleitos e chamados têm a esperança escatológica de que já estão glorificados em Cristo.
b. Também está envolvido uma realidade já consumada: Pois, os que foram conhecidos e predestinados são contemplados como chamados – o já e o ainda-não da salvação sendo vivenciado pela Igreja de Cristo, está presente na perspectiva soteriológica de Paulo.
Aprendemos , por várias passagens das Escrituras, que a salvação torna-se real na vida daqueles são chamados. Romanos 11.7 nos ensina que vida salvadora é possível por causa da eleição de Deus.
Também vemos que a eficácia do chamado eficaz tem como base a vontade predestinadora de Deus conforme aprendemos em Efésios 1.10,11.

II –APRENDEMOS QUE A VOCAÇÃO EFICAZ ACONTECE PELA UNIDADE ENTRE O ESPÍRITO E A PALAVRA.

Há algumas pessoas que defendem uma regeneração (sinônimo de vocação eficaz segundo a nossa Confissão de Fé) que pode acontecer sem a instrumentalidade da Palavra –e essa perspectiva é chamada de regeneração imediata – onde apenas o Espírito Santo opera tal ação vivificadora. Essa foi a posição de Zwínglio o grande reformador de Zurique, mas tal concepção ignora a relação existente entre a Palavra de Deus (tanto pregada quanto manifestada de forma visível pelos sacramentos) e o Espírito Santo; e ainda, tal visão está longe do ensino claro das Escrituras. O que a nossa Confissão afirma é que tal vocação deve acontecer pelo Espírito e pela Proclamação da Palavra. O que isso implica para nós?
1. Implica que não existe vocação sem a Palavra escrita e pregada de Deus.
2. E que o Espírito nunca opera sem a Palavra e nem contra a Palavra.
A harmonia entre o Espírito e a Palavra deve ser preservada dentro da Igreja, por isso, não há nada mais perigoso para a Igreja do que uma pneumatologia que ignora a Palavra de Deus. Veja essa unidade em dois textos fundamentais:
2 Tessalonicenses. 2.13,14 “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelos Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”. Perceberam a relação existente entre a santificação do Espírito e o chamado feito pela Palavra de Deus - chamada aqui de evangelho.
O segundo texto é Romanos 10.17 : “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação pela Palavra de Cristo”. Perceberam que há uma relação entre a fé e a pregação? A primeira só é gerada por causa da Segunda.

III – APRENDEMOS QUE CRISTO É O MEIO EFICAZ DA AÇÃO DA PALAVRA E DO ESPÍRITO PARA A CONCRETIZAÇÃO DA SALVAÇÃO.

A nossa Confissão nos ensina que Cristo nos chama pela obra do Espírito e da Palavra nos seguintes termos:

1. Somos salvos do estado de Pecado morte no qual por natureza nos encontramos – isso é chamado de regeneração (Ef.2.1-5).
2. A autêntica vida espiritual tem a sua base na Pessoa de Cristo. (Rm.8.1-2).
3. A vida que encotramos em Cristo é manifestada na vocação eficaz e no poder do Evangelho que revela a justiça de Deus.( 2 Tm. 1.9,10; Rm.1.16-17).

IV – APRENDEMOS COMO ESSA VOCAÇÃO É OPERADA NO HOMEM.

Como é operada tal vocação eficaz na vida do homem? Como o homem é chamado eficazmente para Cristo?
Ela operada da seguinte forma:

1. Mediante a iluminação da mente e do coração mediante a obra do Espírito Santo e da Pregação: A Escritura nos ensina que a vocação é operada na vida do homem por meio da obra iluminadora do Espírito Santo. Paulo diante de Agripa coloca-nos exatamente este ensino de forma cristalina em Atos 26.18; Ef.1.17-18 somos informados que os olhos do coração do homem é iluminado pela atividade do Espírito Santo.
2. O Remover do Coração de Pedra: Essa vocação torna-se uma realidade na vida do homem quando Deus, soberanamente, remove o coração de Pedra dos pecadores e coloca um coração sensível ao seu Espírito (Ez.36.26)
Surge-nos uma pergunta: Qual é o propósito disso tudo? Podemos oferecer duas respostas singulares a essa questão.
a. Humilhá-los por sua incapacidade: A doutrina da vocação eficaz mostra a incapacidade do homem de se mover sozinho para a vida; e mostra, que o homem não pode se auto-vivificar.
b. Para indicar a plena manifestação da graça na vida dos eleitos: A graça da salvação é mostrada aos eleitos de forma muito clara. Pois, Deus fez de tudo para trazê-los à fé em Cristo Jesus.

V – APRENDEMOS QUE A VOCAÇÃO EFICAZ NÃO ELIMINA A VONTADE DO HOMEM.

Se a vocação eficaz opera tudo isso. Então, ela elimina a vontade do homem? Será que haverá pessoas salvas de forma forçada? A resposta é não. Aprendemos em nossa Confissão que a vontade do homem é:
1. Renovada a querer o bem salvador: É exatamente isso que aprendemos no texto de Fp.2.13, Deus opera em nossa vontade para querermos o que é bom e agradável aos seus olhos, ou seja, a nossa vontade é renovada por Deus.
2. Determinada e ordenada a fazer o que é bom: Dois texto nos mostram isso de forma clara. Em Dt. 30.6 – Deus determina o povo que escolham a vida! – e o outro texto que temos em Ez.36.27 a vontade do homem é ordenada a cumprir os decretos de Deus.
3. É atraída para Cristo: Somos iluminados e atraídos segundo a eficácia do poder de Deus em Efésios 1.18-19; e Deus é autor dessa atração somos arrastados a Cristo por meio de Deus, isso é muito claro em João 6.44,45.
4. Mas são livremente achegados a graça de Deus; ou seja eles vêm livre até a graça de Deus revelada em Cristo.



Por: João Ricardo Ferreira de França

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Que é um Evangélico?


Os rótulos geralmente são confusos, especialmente quando o conteúdo da embalagem muda. Suco de uva pode virar vinagre com o passar dos anos na adega, porém o rótulo não muda junto com as mudanças na substância. O mesmo vale para o termo evangélico".
Desde o "Ano do Evangélico", correspondente ao bicentenário de nossa nação (no caso os EUA) em 1976, o termo - pelo menos na América do Norte - veio a identificar aqueles que salientam um determinada marca da política, uma abordagem moralista e freqüentemente legalista da vida, e certo tipo de imitação, "cafona" de estilo de evangelismo. Para alguns o termo compreende o emocionalismo que eles vêem na televisão religiosa. Para outros, hipocrisia e justiça própria. E aí há as memórias que muitos de nós, que fomos criados como evangélicos, temos: ambientes familiares fortes e cuidadosos; um senso de pertencer a um mesmo lugar, com os amigos que gostam de conversar das "coisas do Senhor".
Independente do seu passado, é importante entender o significado do termo "evangélico".
As pessoas só começaram a usar o rótulo no século XVI, designando aqueles que abraçaram o Evangelho que havia - num sentido bem real - sido recuperado pela Reforma Protestante naquele século. "Evangélico" vem de "evangel", que é o termo grego para "evangelho". Deste modo, os "evangélicos" eram luteranos e calvinistas que queriam recuperar o evangel e proclamá-lo dos altos dos telhados. Era uma designação empregada para colocar os Protestantes num agudo contraste com os Católicos Romanos e "seitas". Mas para entender por que estes Protestantes pensavam que eram realmente aqueles que recuperaram o verdadeiro e bíblico Evangelho, temos que entender o que era aquele evangelho.
O "Evangel"
A Reforma era uma coleção de "solas" - esta é a palavra latina para "somente". Eles vibravam ao dizer "Sola Scriptura!", significando, "Somente as Escrituras". A Bíblia era a "única regra para fé e prática" (Westminster) para os reformadores. Você vê que a igreja acreditava que a Bíblia era totalmente inspirada e infalível, mas a igreja era o único intérprete infalível da Bíblia. Os Reformadores acreditavam que a Tradição era importante e que os Cristãos não a deveriam interpretar por eles mesmos, mas que todos os cristãos sejam clérigos ou leigos, deveriam chegar a um comum entendimento e interpretação das Escrituras juntos. A Bíblia não deveria ser exclusivamente deixada aos "espertos", mas isso nunca significou para os Reformadores que cada cristão deveria presumir que ele ou ela pudessem chegar a interpretações da Bíblia sem a orientação e assistência da Igreja.
O principal ponto de "Sola Scriptura" então, era este: Não deveria ser permitido à Igreja fazer regras ou doutrinas fora das Escrituras. Não existem novas revelações, nem papas que ouvem diretamente a voz de Deus, e nada que a Bíblia não apresente deveria ser ordenado aos cristãos.
O segundo "sola" era "Solo Christus", "Somente Cristo". Isto não queria dizer que os Reformadores não criam na Trindade - pois o Pai e o Espírito Santo eram igualmente divinos, mas que Cristo, sendo o "Deus-Homem" e nosso único Mediador, é o "Homem de frente" para a Trindade. "Aquele que me vê a Mim, vê ao Pai que me enviou", disse Jesus. Num tempo em que meros seres humanos estão tomando o lugar de Cristo como Mediador entre Deus e cristãos, os reformadores proclamaram juntamente com Paulo: "Há somente um Deus e um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem" (1 Tim. 2: 5). Eu cresci em igrejas onde tínhamos "apelos ao altar" e esta pode ser a coisa mais próxima que nós cristãos modernos temos do "chamado ao altar" medieval, a missa. Em nossas igrejas, o pastor atuaria como mediador, vendo nossa mão levantada "enquanto cada cabeça está baixa e cada olho fechado", e nós iríamos para a frente onde ele estava, o chamado "altar" e repetiríamos uma oração após ele. Então ele afirmaria que, tendo "feito a oração", nós agora estaríamos salvos. Eu me lembro de ter sido "salvo" novamente, e novamente. Quando me senti culpado após uma particular e desagradável noite de sábado, lá ia eu novamente ao altar. Cristãos medievais estavam sempre apavorados até a morte, por ver que poderiam morrer com pecados não confessados e assim iriam para o inferno. Assim, a missa era uma oportunidade de "estar em dia com Deus" e de "encher a banheira" que tinha tido um vazamento por causa do pecado.
Os reformadores, porém, diriam àqueles dentre nós que vivem ansiosos quanto ao fato de estar ou não dentro do favor de Deus, ou se estamos cedendo demais ou obtendo vitória: "Somente Cristo!" É a Sua vida e não a nossa, que conta para a nossa salvação; foi a Sua morte sacrificial e ressurreição vitoriosa que nos assegurou vida eterna. Porque Ele "entregou tudo"; o Seu mérito cobre totalmente o nosso demérito.
E isso nos traz ao próximo "sola" - "Sola Gracia" (Somente a Graça!) Roma acreditava na graça; de fato, a Igreja insistia que, sem a graça, ninguém poderia ser salvo. Só que a graça era o tipo de "um pó mágico" que ajudava a pessoa a viver uma vida melhor - com a ajuda de Deus. Os reformadores, em contrapartida, diziam que a graça não é uma substância que Deus nos dá para vivermos uma vida melhor, mas sim uma atitude em relação a nós, aceitando-nos como justos por causa da santidade de Cristo, e não nossa.
Por isso eles lançaram o quarto "somente" (sola), que sabemos ser "Sola Fide" (somente a fé). Considerando que somos salvos somente pela graça, como obtemos essa graça? Roma argumentava que essa graça era distribuída pela igreja através dos vários métodos que os "altos escalões" haviam inventado. Fé mais amor, ou fé mais boas obras, ou alguma coisa assim, tornou-se a fórmula para a salvação. Os reformadores ao contrário, insistiam que do início ao fim, "salvação é obra do Senhor" (João 2: 9). "O Espírito dá vida; o homem em nada colabora" (João 6: 55). "Não depende da decisão, nem do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus" (Rom 9: 16). Assim a fé em si mesma é um dom da graça de Deus e não se pode dizer dela que seja "a coisa" que nós fazemos na salvação: Pois nós não somos nascidos da vontade da carne ou da vontade do homem, mas de Deus" ( João 1: 13).
No minuto em que uma pessoa olha para "Cristo somente" para sua salvação, dependendo da Sua vida santa e sacrifício substitutivo na cruz, naquele exato momento ela ou ele é justificado (posto em posição de justiça, declarado justo, santo, perfeito). A própria santidade de Cristo é imputada (creditada) na conta do crente, como se ele ou ela tivessem vivido uma vida perfeita de obediência - mesmo enquanto aquela pessoa continua a cair repetidamente no pecado durante sua vida. O Cristão não é alguém que está olhando no espelho espiritual, medindo a proximidade de Deus pela experiência e progresso na santidade, mas é antes alguém que está "olhando para Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé"( Heb. 12: 2). Resumindo, é o estilo de vida de Cristo, não o nosso, que atinge os requisitos de Deus, e é por Ele que a justiça pode ser transferida para nossa conta, pela fé (olhando somente para Cristo).
Finalmente, os reformadores disseram que tudo isso significa que Deus é quem tem todo o crédito. "Soli Deo Gloria" (Somente a Deus seja a Glória) era a forma que eles colocavam - nosso último "sola", que quer dizer, "A Deus somente seja a Glória" Um evangélico, portanto, era centrado em Deus; alguém que estava convencido de que Deus havia feito tudo e que não restava nada que o homem considerasse seu a não ser seu próprio pecado. Isto não apenas transformou radicalmente a vida devocional dos crentes que o abraçaram, mas toda a estrutura social também.
Numa velha taverna do século XVII em Heidelberg, na Alemanha, lê-se no alto "Soli Deo Gloria!" Johann Sebastian Bach, o famoso compositor, assinou todas as suas composições com aquele slogan da Reforma. Do mesmo modo, um outro compositor, Handel, declarou, "Que privilégio é ser membro da igreja evangélica, saber que meus pecados estão perdoados. Se nós fossemos deixados à mercê de nós mesmos, meu Deus, o que seria de nós?" Grandes e nobres vidas requerem grandes e nobres pensamentos, e a soberania e a graça de Deus são, para o crente, grandes e nobres pensamentos. Os reformadores disseram a Roma o que J.B.Philipps, o tradutor inglês da Bíblia, disse à igreja contemporânea: "O Deus de vocês é muito pequeno".
A Reforma, a qual produziu o termo "evangélico", também recuperou a doutrina bíblica do "sacerdócio universal de todos os santos" e a noção bíblica do chamado e vocação. A igreja tinha dividido os cristãos em primeira classe (aqueles que serviriam no "ministério cristão em tempo integral") e segunda classe (aqueles que estavam empregados em serviços "seculares"). Os reformadores concediam, por direito, que todos os cristãos são sacerdotes e são, por isso, ministros de Deus, independente de estarem varrendo uma sala para a glória de Deus, moldando uma peça de cerâmica, defendendo um cliente na corte, curando um paciente, ordenhando uma vaca, ou conduzindo uma congregação no louvor. Não há o "secular" e o "sagrado" - Deus criou o mundo inteiro e fez a vida neste mundo como algo inseparável de nossa própria humanidade.
Como nós ajustamos as coisas hoje?
A questão, é claro, é se "evangélico" hoje significa o que significou há quinhentos anos.
Em primeiro lugar, muitos dos evangélicos de hoje têm uma visão das Escrituras inferior à que a igreja de Roma tinha no século XVI. Instituições evangélicas de peso duvidam da confiabilidade da Bíblia e de sua infalibilidade - a menos, claro, que se trate daquilo que eles já decidiram que é verdade. Outros acreditam que a Bíblia é inerrante, porém acrescentam novas regras e revelações ao cânon. "A Bíblia é suficiente", nos aconselhariam os reformadores. Os sermões, com muita freqüência, são "pop-inspiracionalistas" discursos superficiais de "Como criar filhos positivos" ou "Como ter uma auto-estima" em detrimento de sérias exposições das Escrituras. De acordo com o Gallup, "Os EUA são um país de iletrados bíblicos", ainda que 60 milhões deles se consideram "evangélicos".
Em segundo lugar, muitos evangélicos modernos também não acreditam que Cristo é suficiente. Às vezes pessoas muito boas e nobres substituem Cristo como nosso único Mediador, assim como o Espírito Santo. Enquanto louvamos o Espírito juntamente com o Pai e o Filho, o Filho tem este papel único de nosso único advogado e Mediador. Não devemos olhar para a obra do Espírito nos nossos corações, mas para a obra de cristo na cruz. Às vezes, nós temos mediadores humanos que não são o Deus-Homem Jesus Cristo. Precisamos de outras coisas pelo meio, como a figura do pastor no "apelo" do altar ao qual me referi anteriormente. Não muito tempo atrás eu vi um tele-evangelista de sucesso tirando o fone do gancho e informando seus telespectadores que "esta é sua conexão com Deus". Uma banda secular, "Depeche Mode", canta sobre "Seu próprio Jesus Pessoal" que pode ser contactado ao se pegar no fone e fazendo sua confissão. Enquanto estivermos neste assunto, também deveríamos mencionar que foi a venda de indulgências de John Tetzel (redução do período no purgatório em troca de valores em dinheiro) que inspirou as "Noventa e Cinco Teses "de Lutero, desencadeando a Reforma. "Quando a moeda bate no cofre", o coro cantava, "uma alma do purgatório é vivificada". Será que isso realmente é diferente da venda da salvação que temos visto na televisão cristã, rádio, e mesmo em muitas igrejas? Dinheiro e salvação têm sido distorcidos para serem uma coisa só no meio de muitos de nós. "Eles vendem salvação a você", canta Ray Stevens, "enquanto eles cantam 'Amazing Grace' ('Graça Maravilhosa')".
Muitos evangélicos hoje crêem que "Somente a Graça" (sola gracia) é algo como livre-arbítrio, uma decisão, uma oração, uma ida até a frente, uma segunda bênção, algo que nós façamos por Deus que nos dará confiança de sermos alvo do Seu favor. Doutrinas como eleição, justificação e regeneração são discutidas quase que nunca, porque elas mostram o quadro de uma humanidade que é incapaz e nem ao menos pode cooperar com Deus em matéria de salvação. Se nós formos salvos é Deus e Deus somente que deverá faze-lo.
E sobre "Somente a Fé" (sola fide)? Muitos evangélicos acham que a fé não é suficiente. Se um indivíduo crê em Cristo e daí sai e o anuncia, será que a fé é suficiente? Alguns insistem que a fé mais a entrega, ou a fé mais a obediência, ou fé mais um sincero desejo de servir ao Senhor servirão como uma fórmula. O fato de que os evangélicos hoje lutam com estas questões indica que nós não ouvimos o "som seguro" de "Somente a Fé" em nossas igrejas. Fé é suficiente porque Cristo é suficiente.
Como se comparariam os evangélicos de hoje com os seus predecessores em matéria de "Somente a Deus seja a Glória"? Auto-estima, glória-própria, centralidade do "eu" parecem dominar a pregação, ensino e a literatura popular do mundo evangélico. Os evangélicos de hoje sabem muito pouco do grande Deus dos reformadores - um Deus que faz tudo conforme o Seu agrado, em relação aos céus e às pessoas sobre a terra e "que faz tudo conforme o conselho da Sua vontade" (Dn. 4; Ef. 1: 11). Os evangélicos hoje, refletindo sua cultura e sociedade mais ampla, estão intimidados por um Deus que é Deus. Porém que outro Deus é digno de confiança? Em poucas palavras, que outro Deus existe? Louvar ao Deus de uma experiência pessoal ou o Deus de preferência pessoal é louvar um ídolo. Os reformadores levaram isso a sério, e aqueles que quiserem ser evangélicos genuínos também devem faze-lo.
Conclusão
Muitas pessoas se perguntam por que o povo da "Reforma" parece bravo. Ninguém quer estar ao redor de pessoas bravas - e eu não gostaria de ser conhecido como uma pessoa "brava". Mas precisamos encarar o fato de que estes são tempos de grande infidelidade para o povo de Deus. A nós foi dada uma fé rica, com Cristo no centro. Porém trocamos nossa rica dieta por um saco de pipocas e estamos mal nutridos. Se os evangélicos terão a mesma saúde espiritual que tiveram em épocas passadas, eles terão que voltar para as verdades que fazem de "evangélicos" "evangélicos". A Bíblia - nosso único fundamento; Cristo - nossa única esperança; Graça - nosso único evangelho; Fé - nosso único instrumento; a Glória de Deus - nosso único alvo; o Sacerdócio de todos os santos - nosso único ministério. Este evangelicalismo original ainda é suficiente para fazer, mesmo de nossas menores vitórias, algo muito grande.

por Michael Horton


Nota Sobre o Autor: Dr. Michael Horton é professor no Seminário Teológico Reformado, Orlando-Flórida e editor da revista Modern Reformation.
Extraído do Jornal "Os Puritanos" Ano V - Número 3

Quem Somos

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Somos presbiterianos, calvinistas e bíblicos. Fazemos coro com aqueles que olham com reserva para as novidades surgidas principalmente entre os neopentecostais que têm deturpado os ensinamentos bíblicos reformados com a inclusão da filosofia humanista da confissão positiva, a rarefação da soberania de Deus com as orações de decreto, a ousadia da teologia da prosperidade que institui o comércio da fé, a afronta à doutrina da graça com o estabelecimento do mérito humano através de rituais e correntes, a retirada do sermão como centralidade do culto transformando-o num programa de entretenimento, a quebra contínua de maldições de quem já recebeu a graça da cruz, a supremacia dos sentidos e das emoções em detrimento da ética cristã, a ausência de boa hermenêutica na leitura e entendimento do sagrado livro entre outras questões.

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Que é um evangélico?

Os rótulos geralmente são confusos, especialmente quando o conteúdo da embalagem muda. Suco de uva pode virar vinagre com o passar dos anos na adega, porém o rótulo não muda junto com as mudanças na substância. O mesmo vale para o termo evangélico".
Desde o "Ano do Evangélico", correspondente ao bicentenário de nossa nação (no caso os EUA) em 1976, o termo - pelo menos na América do Norte - veio a identificar aqueles que salientam um determinada marca da política, uma abordagem moralista e freqüentemente legalista da vida, e certo tipo de imitação, "cafona" de estilo de evangelismo. Para alguns o termo compreende o emocionalismo que eles vêem na televisão religiosa. Para outros, hipocrisia e justiça própria. E aí há as memórias que muitos de nós, que fomos criados como evangélicos, temos: ambientes familiares fortes e cuidadosos; um senso de pertencer a um mesmo lugar, com os amigos que gostam de conversar das "coisas do Senhor".
Independente do seu passado, é importante entender o significado do termo "evangélico".
As pessoas só começaram a usar o rótulo no século XVI, designando aqueles que abraçaram o Evangelho que havia - num sentido bem real - sido recuperado pela Reforma Protestante naquele século. "Evangélico" vem de "evangel", que é o termo grego para "evangelho". Deste modo, os "evangélicos" eram luteranos e calvinistas que queriam recuperar o evangel e proclamá-lo dos altos dos telhados. Era uma designação empregada para colocar os Protestantes num agudo contraste com os Católicos Romanos e "seitas". Mas para entender por que estes Protestantes pensavam que eram realmente aqueles que recuperaram o verdadeiro e bíblico Evangelho, temos que entender o que era aquele evangelho.
O "Evangel"
A Reforma era uma coleção de "solas" - esta é a palavra latina para "somente". Eles vibravam ao dizer "Sola Scriptura!", significando, "Somente as Escrituras". A Bíblia era a "única regra para fé e prática" (Westminster) para os reformadores. Você vê que a igreja acreditava que a Bíblia era totalmente inspirada e infalível, mas a igreja era o único intérprete infalível da Bíblia. Os Reformadores acreditavam que a Tradição era importante e que os Cristãos não a deveriam interpretar por eles mesmos, mas que todos os cristãos sejam clérigos ou leigos, deveriam chegar a um comum entendimento e interpretação das Escrituras juntos. A Bíblia não deveria ser exclusivamente deixada aos "espertos", mas isso nunca significou para os Reformadores que cada cristão deveria presumir que ele ou ela pudessem chegar a interpretações da Bíblia sem a orientação e assistência da Igreja.
O principal ponto de "Sola Scriptura" então, era este: Não deveria ser permitido à Igreja fazer regras ou doutrinas fora das Escrituras. Não existem novas revelações, nem papas que ouvem diretamente a voz de Deus, e nada que a Bíblia não apresente deveria ser ordenado aos cristãos.
O segundo "sola" era "Solo Christus", "Somente Cristo". Isto não queria dizer que os Reformadores não criam na Trindade - pois o Pai e o Espírito Santo eram igualmente divinos, mas que Cristo, sendo o "Deus-Homem" e nosso único Mediador, é o "Homem de frente" para a Trindade. "Aquele que me vê a Mim, vê ao Pai que me enviou", disse Jesus. Num tempo em que meros seres humanos estão tomando o lugar de Cristo como Mediador entre Deus e cristãos, os reformadores proclamaram juntamente com Paulo: "Há somente um Deus e um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem" (1 Tim. 2: 5). Eu cresci em igrejas onde tínhamos "apelos ao altar" e esta pode ser a coisa mais próxima que nós cristãos modernos temos do "chamado ao altar" medieval, a missa. Em nossas igrejas, o pastor atuaria como mediador, vendo nossa mão levantada "enquanto cada cabeça está baixa e cada olho fechado", e nós iríamos para a frente onde ele estava, o chamado "altar" e repetiríamos uma oração após ele. Então ele afirmaria que, tendo "feito a oração", nós agora estaríamos salvos. Eu me lembro de ter sido "salvo" novamente, e novamente. Quando me senti culpado após uma particular e desagradável noite de sábado, lá ia eu novamente ao altar. Cristãos medievais estavam sempre apavorados até a morte, por ver que poderiam morrer com pecados não confessados e assim iriam para o inferno. Assim, a missa era uma oportunidade de "estar em dia com Deus" e de "encher a banheira" que tinha tido um vazamento por causa do pecado.
Os reformadores, porém, diriam àqueles dentre nós que vivem ansiosos quanto ao fato de estar ou não dentro do favor de Deus, ou se estamos cedendo demais ou obtendo vitória: "Somente Cristo!" É a Sua vida e não a nossa, que conta para a nossa salvação; foi a Sua morte sacrificial e ressurreição vitoriosa que nos assegurou vida eterna. Porque Ele "entregou tudo"; o Seu mérito cobre totalmente o nosso demérito.
E isso nos traz ao próximo "sola" - "Sola Gracia" (Somente a Graça!) Roma acreditava na graça; de fato, a Igreja insistia que, sem a graça, ninguém poderia ser salvo. Só que a graça era o tipo de "um pó mágico" que ajudava a pessoa a viver uma vida melhor - com a ajuda de Deus. Os reformadores, em contrapartida, diziam que a graça não é uma substância que Deus nos dá para vivermos uma vida melhor, mas sim uma atitude em relação a nós, aceitando-nos como justos por causa da santidade de Cristo, e não nossa.
Por isso eles lançaram o quarto "somente" (sola), que sabemos ser "Sola Fide" (somente a fé). Considerando que somos salvos somente pela graça, como obtemos essa graça? Roma argumentava que essa graça era distribuída pela igreja através dos vários métodos que os "altos escalões" haviam inventado. Fé mais amor, ou fé mais boas obras, ou alguma coisa assim, tornou-se a fórmula para a salvação. Os reformadores ao contrário, insistiam que do início ao fim, "salvação é obra do Senhor" (João 2: 9). "O Espírito dá vida; o homem em nada colabora" (João 6: 55). "Não depende da decisão, nem do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus" (Rom 9: 16). Assim a fé em si mesma é um dom da graça de Deus e não se pode dizer dela que seja "a coisa" que nós fazemos na salvação: Pois nós não somos nascidos da vontade da carne ou da vontade do homem, mas de Deus" ( João 1: 13).
No minuto em que uma pessoa olha para "Cristo somente" para sua salvação, dependendo da Sua vida santa e sacrifício substitutivo na cruz, naquele exato momento ela ou ele é justificado (posto em posição de justiça, declarado justo, santo, perfeito). A própria santidade de Cristo é imputada (creditada) na conta do crente, como se ele ou ela tivessem vivido uma vida perfeita de obediência - mesmo enquanto aquela pessoa continua a cair repetidamente no pecado durante sua vida. O Cristão não é alguém que está olhando no espelho espiritual, medindo a proximidade de Deus pela experiência e progresso na santidade, mas é antes alguém que está "olhando para Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé"( Heb. 12: 2). Resumindo, é o estilo de vida de Cristo, não o nosso, que atinge os requisitos de Deus, e é por Ele que a justiça pode ser transferida para nossa conta, pela fé (olhando somente para Cristo).
Finalmente, os reformadores disseram que tudo isso significa que Deus é quem tem todo o crédito. "Soli Deo Gloria" (Somente a Deus seja a Glória) era a forma que eles colocavam - nosso último "sola", que quer dizer, "A Deus somente seja a Glória" Um evangélico, portanto, era centrado em Deus; alguém que estava convencido de que Deus havia feito tudo e que não restava nada que o homem considerasse seu a não ser seu próprio pecado. Isto não apenas transformou radicalmente a vida devocional dos crentes que o abraçaram, mas toda a estrutura social também.
Numa velha taverna do século XVII em Heidelberg, na Alemanha, lê-se no alto "Soli Deo Gloria!" Johann Sebastian Bach, o famoso compositor, assinou todas as suas composições com aquele slogan da Reforma. Do mesmo modo, um outro compositor, Handel, declarou, "Que privilégio é ser membro da igreja evangélica, saber que meus pecados estão perdoados. Se nós fossemos deixados à mercê de nós mesmos, meu Deus, o que seria de nós?" Grandes e nobres vidas requerem grandes e nobres pensamentos, e a soberania e a graça de Deus são, para o crente, grandes e nobres pensamentos. Os reformadores disseram a Roma o que J.B.Philipps, o tradutor inglês da Bíblia, disse à igreja contemporânea: "O Deus de vocês é muito pequeno".
A Reforma, a qual produziu o termo "evangélico", também recuperou a doutrina bíblica do "sacerdócio universal de todos os santos" e a noção bíblica do chamado e vocação. A igreja tinha dividido os cristãos em primeira classe (aqueles que serviriam no "ministério cristão em tempo integral") e segunda classe (aqueles que estavam empregados em serviços "seculares"). Os reformadores concediam, por direito, que todos os cristãos são sacerdotes e são, por isso, ministros de Deus, independente de estarem varrendo uma sala para a glória de Deus, moldando uma peça de cerâmica, defendendo um cliente na corte, curando um paciente, ordenhando uma vaca, ou conduzindo uma congregação no louvor. Não há o "secular" e o "sagrado" - Deus criou o mundo inteiro e fez a vida neste mundo como algo inseparável de nossa própria humanidade.
Como nós ajustamos as coisas hoje?
A questão, é claro, é se "evangélico" hoje significa o que significou há quinhentos anos.
Em primeiro lugar, muitos dos evangélicos de hoje têm uma visão das Escrituras inferior à que a igreja de Roma tinha no século XVI. Instituições evangélicas de peso duvidam da confiabilidade da Bíblia e de sua infalibilidade - a menos, claro, que se trate daquilo que eles já decidiram que é verdade. Outros acreditam que a Bíblia é inerrante, porém acrescentam novas regras e revelações ao cânon. "A Bíblia é suficiente", nos aconselhariam os reformadores. Os sermões, com muita freqüência, são "pop-inspiracionalistas" discursos superficiais de "Como criar filhos positivos" ou "Como ter uma auto-estima" em detrimento de sérias exposições das Escrituras. De acordo com o Gallup, "Os EUA são um país de iletrados bíblicos", ainda que 60 milhões deles se consideram "evangélicos".
Em segundo lugar, muitos evangélicos modernos também não acreditam que Cristo é suficiente. Às vezes pessoas muito boas e nobres substituem Cristo como nosso único Mediador, assim como o Espírito Santo. Enquanto louvamos o Espírito juntamente com o Pai e o Filho, o Filho tem este papel único de nosso único advogado e Mediador. Não devemos olhar para a obra do Espírito nos nossos corações, mas para a obra de cristo na cruz. Às vezes, nós temos mediadores humanos que não são o Deus-Homem Jesus Cristo. Precisamos de outras coisas pelo meio, como a figura do pastor no "apelo" do altar ao qual me referi anteriormente. Não muito tempo atrás eu vi um tele-evangelista de sucesso tirando o fone do gancho e informando seus telespectadores que "esta é sua conexão com Deus". Uma banda secular, "Depeche Mode", canta sobre "Seu próprio Jesus Pessoal" que pode ser contactado ao se pegar no fone e fazendo sua confissão. Enquanto estivermos neste assunto, também deveríamos mencionar que foi a venda de indulgências de John Tetzel (redução do período no purgatório em troca de valores em dinheiro) que inspirou as "Noventa e Cinco Teses "de Lutero, desencadeando a Reforma. "Quando a moeda bate no cofre", o coro cantava, "uma alma do purgatório é vivificada". Será que isso realmente é diferente da venda da salvação que temos visto na televisão cristã, rádio, e mesmo em muitas igrejas? Dinheiro e salvação têm sido distorcidos para serem uma coisa só no meio de muitos de nós. "Eles vendem salvação a você", canta Ray Stevens, "enquanto eles cantam 'Amazing Grace' ('Graça Maravilhosa')".
Muitos evangélicos hoje crêem que "Somente a Graça" (sola gracia) é algo como livre-arbítrio, uma decisão, uma oração, uma ida até a frente, uma segunda bênção, algo que nós façamos por Deus que nos dará confiança de sermos alvo do Seu favor. Doutrinas como eleição, justificação e regeneração são discutidas quase que nunca, porque elas mostram o quadro de uma humanidade que é incapaz e nem ao menos pode cooperar com Deus em matéria de salvação. Se nós formos salvos é Deus e Deus somente que deverá faze-lo.
E sobre "Somente a Fé" (sola fide)? Muitos evangélicos acham que a fé não é suficiente. Se um indivíduo crê em Cristo e daí sai e o anuncia, será que a fé é suficiente? Alguns insistem que a fé mais a entrega, ou a fé mais a obediência, ou fé mais um sincero desejo de servir ao Senhor servirão como uma fórmula. O fato de que os evangélicos hoje lutam com estas questões indica que nós não ouvimos o "som seguro" de "Somente a Fé" em nossas igrejas. Fé é suficiente porque Cristo é suficiente.
Como se comparariam os evangélicos de hoje com os seus predecessores em matéria de "Somente a Deus seja a Glória"? Auto-estima, glória-própria, centralidade do "eu" parecem dominar a pregação, ensino e a literatura popular do mundo evangélico. Os evangélicos de hoje sabem muito pouco do grande Deus dos reformadores - um Deus que faz tudo conforme o Seu agrado, em relação aos céus e às pessoas sobre a terra e "que faz tudo conforme o conselho da Sua vontade" (Dn. 4; Ef. 1: 11). Os evangélicos hoje, refletindo sua cultura e sociedade mais ampla, estão intimidados por um Deus que é Deus. Porém que outro Deus é digno de confiança? Em poucas palavras, que outro Deus existe? Louvar ao Deus de uma experiência pessoal ou o Deus de preferência pessoal é louvar um ídolo. Os reformadores levaram isso a sério, e aqueles que quiserem ser evangélicos genuínos também devem faze-lo.
Conclusão
Muitas pessoas se perguntam por que o povo da "Reforma" parece bravo. Ninguém quer estar ao redor de pessoas bravas - e eu não gostaria de ser conhecido como uma pessoa "brava". Mas precisamos encarar o fato de que estes são tempos de grande infidelidade para o povo de Deus. A nós foi dada uma fé rica, com Cristo no centro. Porém trocamos nossa rica dieta por um saco de pipocas e estamos mal nutridos. Se os evangélicos terão a mesma saúde espiritual que tiveram em épocas passadas, eles terão que voltar para as verdades que fazem de "evangélicos" "evangélicos". A Bíblia - nosso único fundamento; Cristo - nossa única esperança; Graça - nosso único evangelho; Fé - nosso único instrumento; a Glória de Deus - nosso único alvo; o Sacerdócio de todos os santos - nosso único ministério. Este evangelicalismo original ainda é suficiente para fazer, mesmo de nossas menores vitórias, algo muito grande.

por Michael Horton


Nota Sobre o Autor: Dr. Michael Horton é professor no Seminário Teológico Reformado, Orlando-Flórida e editor da revista Modern Reformation.
Extraído do Jornal "Os Puritanos" Ano V - Número 3

sexta-feira, 9 de maio de 2008

ESTUDOS NA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER - 2


Capítulo 9 – do Livre-arbítrio.

Seção 4: “Quando Deus converte um pecador e o translada para o estado de graça, ele o liberta de sua natural escravidão sob o pecado e, pela exclusiva instrumentalidade da graça, o capacita graciosamente a querer e a fazer aquilo que é espiritualmente bom; mas isso de tal modo que, em razão de a corrupção permanecer nele, não faz perfeitamente nem deseja somente o que é bom, senão que também deseja aquilo que é mal”.
Seção 5: “ Somente no estado de glória é que o homem será perfeita e imutavelmente livre para fazer somente o bem”.
Introdução: É comum sempre que abordarmos este assunto nos lembrarmos da visão teológica do Santo homem de Deus Agostinho que dizia, no que concerne ao livre arbítrio e o pecado , que Adão no estado em que foi criado era:
1- Capaz de pecar e não pecar.
2- Depois da queda Adão não era capaz de não deixar de pecar;
3- Depois de Cristo o homem volta ao estado de Adão ele pode pecar e pode não pecar.
4- Agostinho também disse que no estado de glória o homem será melhor que Adão, pois, ele ser incapaz de pecar.
Devemos fazer menção que esta noção de Agostinho passou a ser a visão da nossa Confissão de Fé de Westminster. Ou seja, o sistema de interpretação da queda do homem em pecado e a questão do livre-arbítrio apresentado por nossa Igreja é essencialmente agostiniano.
Mas o que nós aprendemos com a nossa confissão de Fé sobre este assunto? O que nos ensinam estas duas seções? Vejamos:

I – A nossa Confissão de Fé nos ensina que a Conversão do Pecador é uma obra de Deus e não do homem.
Este é o ponto aqui. A obra da conversão, aqui usada como sinônimo de regeneração, é exclusivamente de Deus. Uma vez que na seção anterior somos informados que o homem é incapaz de se preparar para a obra da conversão, então, o mais natural era os puritanos justificarem essa sua negação, isso eles o fizeram com respaldo bíblico dizendo que quem converte o homem é Deus.
Como se processa esta obra de conversão? A Confissão de Fé nos diz que há uma mudança radical na vida do homem e na posição no qual se encontra.
1. Ele é trasladado do estado de morte para um estado de graça.
2. Ele é libertado da escravidão natural do pecado.
Vejamos isso de forma mais detalhada: A nossa Confissão declara que Deus converte o pecador, e como isto é percebido? A confissão nos diz que Deus age de forma soberana tirando o homem de um reino para outro. O texto que descreve isso de forma clara é Colossenses 1.13: “O qual nos retirou do império das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”. Isso é deveras interessante para nós, o grego nos traz a seguinte idéia: “O qual nos removeu do domínio das trevas e nos moveu para o reino do Filho do seu próprio amor”.
Paulo escreve este texto valendo-se de um paralelismo sinonímico antitético. O paralelismo sinonímico descreve palavras que possuem a mesma equivalência semântica – sinônimos – que são paralelas; e o termo atitético indica que são realidades contrárias, veja:
O qual nos removeu do império das trevas e,
Nos moveu para o reino do Filho do seu amor
Império e Reino são sinônimos que são contrapostos entre trevas e amor. Paulo está mostrando o que Deus fez pelos seus eleitos. Esta obra é toda dele e nada cabe a nós pecadores, o nosso “livre-arbítrio” não fez nada!
Qual o segundo aspecto aqui em nossa confissão? A resposta é que Deus nos liberta daquela escravidão natural ao pecado que tínhamos. É exatamente isso que nos lembra o texto de João 8.34,36. Jesus diz que todo o que vive na prática – no grego tem a idéia de criar – porque é importante salientar que é o que vive praticando? Porque no grego o verbo está no tempo presente que indica uma ação contínua. Quem vive de tal forma está escravizado pelo pecado. Quando Deus vem e converte o homem ele deixa de ser escravo do pecado e passa a ser escravo de Deus. A verdadeira liberdade do homem está em Cristo e não no “livre-arbítrio” (Jo.8.36).

II – Aprendemos que o meio pelo qual o homem é Convertido por Deus é unicamente a sua graça salvadora.

Qual é o instrumento que Deus usa para converter o homem de seus maus caminhos? Bem é somente a Graça Soberana , que “capacita o homem graciosamente a querer e a fazer aquilo que é espiritualmente bom...”
A vontade do homem é vivificada pela obra do Espírito Santo e é tornada capaz de querer o que é bom espiritualmente. Este é o ensino da Bíblia sagrada em Fp.2.13: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”. No texto grego podemos traduzir o texto da seguinte forma: “Deus é o que trabalha de forma ativa em vós a vontade e o efetuar de acordo com a vontade dEle”.
1. O desejo e a vontade são frutos da vontade de Deus.
2. O realizar ou concretizar a decisão da vontade é também fruto da vontade soberana de Deus. Não há como negar isso aqui neste texto.
Isso pressupõe que ainda somos servos ou escravos de Deus quando somos convertidos a ele Romanos 6.18,22. Nos mostra isso forma muito clara.

III – Que mesmo os que são Convertidos por Deus ainda praticam pecados contra Deus em razão dos vestígios da corrupção que ainda habita na natureza humana.

Ao sermos convertidos não significa que temos a nossa natureza aniquilada e que nasce uma nova – este é o erro do perfeccionismo que diz que como nascidos de novo não temos pecado – esse é o ponto!
Essa corrupção nos puxa para baixo para que não contemplemos a Deus da forma como ele deveria ser contemplado. Essa corrupção pode, e tem feito, fazer com que cada um de nós corrompa o culto a Deus, blasfeme de Seu nome e de Sua providência, mas por que? Por que não desejamos somente o que é bom, mas também porque ainda desejamos o que é mal para nós e para o nosso semelhante.
Gálatas 5.17 há uma luta entre a minha natureza e o Espírito de Deus que deseja me guiar, esta luta foge aos domínios de nossa vontade, pois, ora queremos satisfazer os desejos de nossa natureza corrompida por vezes queremos fazer a vontade de Deus – vivemos em constante queda. Isso nos lembra Paulo em Romanos 7.15,18,19,21,23.

IV – Aprendemos que apenas no estado de Glorificados deixaremos de pecar Contra Deus, pois, a nossa vontade será de fato inclinada a fazer somente o que é bom para com Deus.

A última verdade que aprendemos com estas duas seções da nossa Confissão de Fé é que apenas no estado de glória nós de fato deixaremos de pecar contra ele, pois, a vontade do homem regenerado será de fato perfeita e imutável para fazer e desejar o que é somente bom. Santos aqui visam o aperfeiçoamento (Ef.4.13) isso pressupõe que na eternidade isso ser de fato concretizado.
A igreja triunfante é vista desta forma (Hb.12.23).

O apóstolo João nos lembra que o nosso alvo é sermos semelhante a Cristo que não pecou e não fez nada que ofendesse a Lei de Deus (1 Jo.3.2).

Por: João Ricardo Ferreira de França

ENTENDENDO O CREDO APOSTÓLICO


Um dos grandes dilemas enfrentado pela Igreja Cristã da pós-modernidade está no fato de que a mesma não tem mais paradigmas para seguir e observar.
A ausência de um credo dentro da igreja nos dias de hoje nos deixa tão vulneráveis a toda sorte de doutrina e heresia; os ventos de doutrinas mencionadas pelo apóstolo (Ef.4.14) é uma temática em nossos dias, daí surge uma necessidade de se confessar a nossa fé. Por isso, há uma profunda busca pela confessionalidade em nossos dias.
Nesta aula nós vamos iniciar transcrevendo os doze artigos de fé que temos diante de nós; estes artigos sumarizam tudo o que cremos como Igreja ao longo destes curtíssimos 21 séculos de igreja neotestamentária. Friso isso porque em nossos dias o credo apostólico é tão esquecido em nossa geração que não se fala sobre ele nas igrejas, não se há um doutrinamento acurado dele nas reuniões de instrução nas igrejas protestantes no geral.
O que é o credo? É uma forma individualizada na qual afirmamos aquilo que cremos; pode-se ser chamado como conjunto de doutrina particular de alguém. Isso é deveras importante para nós. As doutrinas fundamentais do cristianismo se encontram neste precioso credo antigo. Então, vamos à exposição do primeiro artigo do credo.

A SOBERANIA DE DEUS E SUA PARTENIDADE DESCRITA NO CREDO.
O nosso credo começa com a seguinte afirmação grandiosa: “Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso criador dos céus e da terra;...”
Estas palavras me deixam preocupado, não com as verdades que aqui se encontram, mas pela ausência destas verdades nos púlpitos das igrejas atuais; Deus não é visto nos termos descritos no credo apostólico! O que houve com a nossa geração? Parece que ela perdeu todo o senso de quem é Deus; e, assim, caiu no total abandono de tudo que se expressa nestas palavras.
O que estas palavras nos ensinam de forma muito clara? Esta pergunta deve ser respondida da forma clara e simples possível. Aqui se enuncia a fé do homem em um objeto superior a ele. A realidade da fé é inegável para o homem.
Quando a Igreja Antiga confessava “Eu creio...” estava muito claro de que era uma igreja de pessoas que crêem. Antes de tudo precisamos crer. Fé é o imperativo singular na vida cristã.
O credo só possui razão de existência por causa da fé. Fé é confeccionada no credo! “Eu creio nisso, mas não creio naquilo” esta confecção não é apenas o sistematizar da fé, mas a revelação clara da mesma. O conjunto de doutrinas expressa a fé que professamos ter. E nesse sentido a fé é uma expressão verdadeira da igreja.
No que se crer no credo? “... em Deus...” Vocês já pensaram sobre isso? A fé não é vazia de conteúdo! Note-a segue uma direção, esta direção é Deus. Quando lemos e confessamos “Creio em Deus” o pressuposto por trás disso é “revelação”! Deus se revelou a mim no tempo e na história – nas obras da criação – a fé sempre tem a “Revelação de Deus” para se fundamentar, então, uma vez solapada a revelação de Deus se destrói a base da fé, e assim, somos jogados ao desespero! Isso porque não temos objeto de fé.
Fé aqui não é um salto desesperado em algo, mas em um ser pessoal – Deus! Precisamos levar em consideração que a fé é plantada em nós por Deus, sua revelação é necessária para isso.
Mas como Deus nos é apresentado no credo? Ele é apresentado como “Pai” no credo nós lemos “Creio em Deus Pai...” Note que Ele não é mais um desses deuses de barro, que não expressa seu amor seu cuidado. Nenhuma divindade é chamada de “Pai” com tanta propriedade como o é o Deus da Igreja!
Deus deve ser visto como Pai porque ele nos criou. O seu direito de paternidade está vinculado ao seu direito de criação. Antes de ser visto como Criador ele deve ser visto como pai. Que cuida, que zela e que ama.
Ora, se Deus deve ser visto como Pai, o pressuposto por trás disso é que nós somos seus filhos. Filhos pressupõem obediência ao Pai. Mas não fazemos isso. É triste, mas sempre estamos dispostos a negligenciar toda a revelação de Deus em nome de alguma coisa que nos proporciona lucratividade na vida.
A paternidade de Deus nos leva até a sua providência. O seu cuidado sobre cada um de nós; ele está sempre nos dirigindo, ele está sempre escolhendo o melhor caminho para a nossa vida; esse cuidado providencial é um forte indicador que de fato estamos, de forma bastante clara, nos cuidados de um Pai amoroso; então, a igreja quando confessa crer em Deus como Pai ela entende que ele a ama.
Então, você nunca deveria pensar que Deus não lhe ama. O nosso credo o chama de Pai é seu dever confiar no amor dEle. Negligenciar este princípio é professar uma fé vacilante! O que estou querendo dizer é que quando, no culto público, você recita “Eu Creio em Deus Pai...” na verdade você está dizendo: “Eu creio em Deus Pai que me ama, que cuida de mim”. Isso deve encher os nossos corações da mais terna gratidão! Isto não lhe deixa comovido como faz comigo? Deus que é Pai nos ama! Isso por si só é suficiente para continuarmos a vida cristã.
O credo não termina nestes termos. Ele confessa que crer em “Deus Pai Todo-Poderoso”. O que está incluído aqui? Aqui se nota a questão da soberania de Deus. Isto nos leva para o governo absoluto de Deus sobre todas as coisas. Ele, e somente ele pode de fato realizar o que quer, e o que deseja. Os céus e terra cumprem suas ordens.
A idéia fundamental de soberania pertence exclusivamente ao teísmo, pois, se há um Deus ele deve ser Todo-Poderoso. O texto de Apocalipse(1.8) nos informa exatamente esta realidade. Não há quem se atreva a negar esse atributo de Deus – todo o poder - , pois, seria ir contra toda a evidência que nos cerca.(Salmos 62.11;18.13-15;89.6; Daniel 4.35)
Há um Deus soberano no Universo e que o nosso “livre-arbítrio” nada é diante do Deus Todo-Poderoso. Na verdade toda a nossa vida está escrita em suas mãos, e todos os nossos dias foram planejados por Ele, o que isso significa? Bem, significa que é um mito pensar que somos livres! É um erro pesar que temos uma liberdade, não nós não temos tal liberdade, pois, nossa vida é a vida que Deus planejou.
Isso exclui nossa responsabilidade? Não. Deus continua sendo o Deus Todo-Poderoso que nos deu sua imagem, e esta imagem nos torna responsáveis diante do grande Rei do Universo, e nós somos seus súditos e devemos fazer a sua vontade, caso contrário seremos de fato punidos por ele.
Mas como os crentes do segundo século percebeu que Deus é Todo-Poderoso. O credo nos informa, pois, Deus é visto como tal por é “...criador dos céus”. Este é outro aspecto que precisa ser considerado com muita propriedade em nossos dias, pois, pessoas há que defendem que não há um criador no universo. Deus é banido da escola, da faculdade e Darwin é colocado no centro. Sim! Falo da doutrina evolucionista – que não passa de uma teoria – que está corrompendo os nossos jovens.
Muitos jovens que antes eram cristãos abandonaram a crença em um Criador. O credo nos ensina que a fé da Igreja é que este universo não é fruto de um big-bang, pois, como poderia haver uma explosão no espaço lugar que não tem oxigênio? Ou como poderia a vida humana, tão complexa em sua constituição, ser fruto de um processo evolutivo onde a ameba começa como o proto-ser para tornar-se em um homem? Tudo contrário a razão.
Não queridos! Nada surgiu sem uma mente inteligente. Aliás, Deus se faz necessário na existência humana exatamente porque não há outra explicação plausível para a criação da alma humana – uma evolução? Nada! – pois, a Imago Dei no homem é a melhor explicação.
Creio em Deus “criador”, ele nos criou e nos trouxe a existência por sua vontade deliberativa. Como os primeiros cristãos chegaram a esta afirmação? Como perceberam Deus como criador. O credo nos diz que “Deus é criador dos céus e da terra”.
Aqui o gnosticismo tem sido frontalmente rejeitado. Pois, este ensino criou um dualismo entre o mundo do Espírito e o Mundo da matéria. Onde havia um Deus – lógos – criou o mundo do Espírito; e o Dimiurgo criou um mundo material. O credo nos mostra que Deus, que é infinitamente bom por ser Pai, e todo amoroso pela mesma razão, criou o mundo angélico e espiritual ( Céus ) como também criou o “mundo da matéria” (terra). O dualismo é negado pela Igreja de Cristo. Deus é visto como sendo Todo-Poderoso porque criou os céus e a terra – então, tudo é bom. “Todo Dom perfeito vem dEle”(Tg.1.17-18).
Aplicações:
Que aplicações podemos deixar sobre este primeiro artigo do nosso credo? Vejamos:
1. Fé envolve mais que os elementos subjetivos – creio em Cristo para a salvação – ela carrega um elemento objetivo – conjunto de verdades – e assim, que possamos de fato Ter uma fé que não vacila.
2. Perceber que Deus é o objeto de nossa fé isso implica que nada pode ser superior a ele em nossas vidas.
3. Entender que Deus nos ama – pois, ele é o nosso Pai, e quando recitarmos o credo jamais devemos esquecer disso.Viver sob a soberania de Deus realizando a sua vontade, é assim que deve ser a vida cristã. Deus para ser Deus deve ser plenamente soberano no mundo que ele mesmo criou.

Por: João Ricardo Ferreira de França