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domingo, 29 de junho de 2008

Batismo Infantil – Uma doutrina peculiar aos Presbiterianos


INTRODUÇÃO
Este assunto é muito polêmico, há muitos que têm preconceito com este assunto.Isso porque muitos de nós temos o pensamento de que o batismo de bêbes é uma prática da Igreja Católica Romana. Outros pensam que é uma prática bíblica. Mas o que diz a Bíblia. E o debate sobre este assunto gira em torno da seguinte pergunta: Será que existe no Novo Testamento um mandamento ou ordenança para batizar os Filhos dos crentes? Os contrários à prática do batismo infantil dizem: Já que no Novo Testamento não podemos achar uma ordenança clara para batizar crianças,então, não devemos batizá-las.Para eles isso encerra o assunto. Na verdade podemos dizer sobre o assunto mais do que se imagina. Há coisas que a igreja crê e que não está claramente mostrado na Bíblia: Por exemplo, podemos citar a doutrina da Trindade – a Bíblia nunca diz que Deus é três Pessoas distintas e co-eternas. Mas, nem por isso deixamos de crer na doutrina ali revelada. Qual é o problema com a doutrina? Podemos sugerir algumas respostas:

1) É um problema de Metodologia: Se nos aproximamos da Bíblia acreditando que a igreja é um fenômeno do Novo Testamento somente, jamais vamos entender o Batismo de Crianças; a Bíblia diz que a igreja sempre existiu em Atos 7.38[1] está escrito “a igreja que estava no deserto”.
2) É um problema de não considerar a unidade da Bíblia: O problema aumenta quando nós não consideramos a unidade entre o V.T e o N.T. Não se conhece que há uma unidade entre os dois testamentos. O Velho Testamento é Palavra de Deus tanto quando o Novo Testamento.
3) É um problema de desconhecimento da eclesiologia: Muitos não aceitam a doutrina do Batismo infantil porque desconhecem o que seja a igreja. Há muita falta de conhecimento sobre isso na igreja atual.

Diante disso, podemos agora considerar o nosso assunto com muita cautela. O que podemos dizer sobre o Batismo Infantil? O que diz o nosso Catecismo maior sobre isso? “A quem deve ser administrado o Batismo? O Batismo não deve ser administrado aos que estão fora da Igreja visível, e assim estranhos ao pacto da promessa, enquanto não professarem a sua fé em Cristo e a obediência a Ele, porém as crianças cujos pais, ou um só deles professarem a fé em Cristo e obediência a Ele,então, quanto a isto, dentro do pacto e devem ser batizadas”(Catecismo Maior, Questão 166)

I – ANALISANDO O ANTIGO TESTAMENTO

Por onde devemos começar o nosso estudo? A resposta é no Antigo Testamento. Nós presbiterianos podemos dizer que este ensino começa com Abraão. Você pode dizer que é um crente do Novo Testamento e que o Antigo Testamento tem nada haver com você.Mas quero dizer-lhe que cada mensagem e doutrina no N.T tem as suas raízes no V.T. Se desejarmos conhecer profundamente a doutrina do pecado, é necessário ir até as páginas do Gênesis. Se quisermos conhecer adequadamente a Cruz precisamos ir aos cinco primeiros livros do V.T. Da mesma forma dizemos que se você quer aprender sobre o Batismo infantil ou Pedobatismo
[2] é preciso começar com o Antigo Testamento.
Deus ao Criar o homem deu-lhe uma ordem de “crescer e multiplicar”(Gn.1.27-78) o propósito desta ordem é que Deus quer trazer ao mundo uma geração santa. Os filhos do primeiro casal devem ser santos. Vocês acham que Deus criou Adão e Eva para ficarem sozinhos? A resposta é Não! Este não é o propósito da família.
Em Gênesis 3 vemos o homem cair do estado em que foi criado, então , Deus vem ao homem vs.9 e pergunta: “onde estás?” é a graça de Deus vindo até o pecador.Antes da queda tínhamos a esperança de se ter filhos santos, mas agora temos uma geração de pecadores. Mas Deus não quer esses pecadores, decide fazer uma promessa de redenção Gn 3.15, Deus vem até a primeira família dizer que há esperança . Existe a esperança de que Ele ainda trata com gerações. Deus quer se relacionar com famílias, e isso, incluem os filhos de Adão e Eva.
Nos dias de Noé temos a mesma coisa.Deus não salva apenas uma pessoa, mas uma família conforme vemos Gênesis 6.9. A redenção vem em termos de família, em termos de gerações. Deus ao longo da História vem tratando com a família.
Alguns exemplos são pertinentes quando a isso: Abraão foi salvo por Deus. Em Romanos 4, Paulo explica que a Salvação de Abraão foi pela graça e pela fé.Gênesis 15.6; Romanos 4.9, então toda a doutrina nasce no Antigo Testamento.
No texto de Gênesis 17.7-14 o pacto é chamado de eterno. Deus escolhe o sinal da circuncisão para simbolizar a salvação. Deus dá um sinal que indica a salvação aos adultos como as crianças. Para alguém se tornar o seguidor de Javé era necessário ser circuncidado Êxodo 12.48. Todo crente do A.T deveria circuncidar o Filho, imagine-se no A.T Testamento e o que você faria? Certamente você circundaria o seu filho


II – O NOVO TESTAMENTO
O que o Novo Testamento tem a nos ensinar sobre este assunto? Os anti-pedobatistas dizem que para uma pessoa ser batizada é necessário crer. E citam Marcos 16.15-16. O ato de crer precede o de batizar, e assim, as crianças não podem crer, logo, não devem ser batizadas. Essa é uma conclusão dos anti-pedobatistas, todavia, vejamos o que diz o texto:
QUEM CRER E FOR BATIZADO SERÁ SALVO – esta declaração é correta, mas dizer que isso invalida o batismo de bêbes é um absurdo, pois, os nossos oponentes não leram o resto do versículo que diz:
POREM, QUEM NÃO CRER ESTÁ CONDENADO – isto significa que para ser salva a criança precisa crer, e ela não crer, logo,ela está condenada.
Se o batismo é símbolo da fé, então como entender Romanos 4.11. A circuncisão é vista como o símbolo da fé que Abraão teve, e este símbolo foi aplicado aos bêbes do V.T, logo, a criança deve ser batizada. O batismo é o cumprimento da circuncisão.
Paulo no N.T diz que o “batismo” é a “circuncisão de Cristo” Colossenses 2.11-12. O apóstolo Pedro fala do batismo de Criança quando proclama sobre Cristo em Atos 2.38-39 – A palavra grega usada aqui é teknia (teknia) que significa “criancinhas” filhos pequeninos, crianças de peito.Ele diz isso porque sabe que Deus continua agindo com família ao longo da história redentiva do povo do pacto. E, assim entendemos porque Paulo diz que os filhos dos crentes na igreja são santos em 1 Corintios 7.14.
Há também o batismo de famílias inteiras registradas nas paginas do N.T Atos. 11.14,44-48; 16.14-15; Atos 16.31

III – A HISTORIA E O BATISTMO INFANTIL

Neste momento desejamos mostrar os indícios de que a história confirma o Batismo infantil. Este ponto é importante para mostrar que a igreja sempre praticou o pedobatismo.
IRINEU( do 1 século) - Escreveu sobre o batismo infantil dizendo que Cristo mandou a igreja batizar todos os que foram alvos do evangelho, e assim, as criancinhas deveriam ser batizadas, ele declara isso em seu livro “Contra as Heresias, Livro III, Capítulo 9”.

JUSTINO, O MARTIR – Confirma o testemunho de Irineu dizendo que ele está referindo-se ao batismo de Criancinhas, ele diz isso no seu livro “Apologia I”.,
TERTULIANO – Ele é um teólogo do 3 século, defendia que seria melhor aos homens serem batizados mais tarde, pois, entendia que o batismo perdoa os pecados, e assim diz que as criancinhas deveriam ser batizadas mais tarde. Pelo testemunho de Tertuliano percebemos que o batismo de Crianças era uma prática comum na história da Igreja
Lembremos que isso não é do período da Igreja Católica Romana, mas é muito antes.
ORIGENES – Escreve dizendo que a “Igreja tinha dos apóstolos a tradição(ordem) para administrar o batismo as criancinhas”.
As tradições não devem ser abandonadas, especialmente, aquelas advindas dos apóstolos 2 Tess. 2.15;3.6
O CONCILIO DE CATARGO – Esse concílio responde a uma carta de Fido sobre que tempo deve-se esperar para batizar uma criancinha, o concílio com 66 bispos, decidiram unanimente que a Criança poderia ser batizada antes do oitavo dia de nascido.
PELÁGIO – No ano 350 escreveu o seguinte:”Nunca tive conhecimento de alguém, nem mesmo o mais ímpio herege, que negasse o batismo às criancinhas”.
AGOSTINHO – Conhecido como o doutor da graça escreveu defendendo o Batismo infantil como sendo a fonte de redenção dos pequeninos.

Conclusão
O Batismo infantil é uma prática Bíblica e histórica da Igreja e precisamos resgatá-la em nosso meio, pois, ela nos garante a certeza de que a criança faz parta da igreja de Deus como povo do pacto do Senhor.

BIBLIOGRAFIA:
1) Estudos Bíblicos sobre o Batismo de Crianças – Philippe Landes – Casa Editora Presbiteriana, S.D.
2) Confissão de Fé e Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana do Brasil - Casa Editora Presbiteriana, 1980.
3) Batismo Infantil – O que os Pais deveriam saber acerca deste sacramento – Editora Os Puritanos, 2000.
4) Batismo – O Sinal do Pacto, Rev.Onezio Figueiredo, Sínodo de São Paulo, Presbitério de Casa Verde – IPB, 1993.
5) Revistas Os Puritanos – Vamos a Casa do Senhor & A família do Pacto – Artigo: Batismo Infantil, Kenneth Wieske,2005 & 2006.

[1] O termo grego ekklhsia(ekklesía) significa igreja, Congregação dos chamados para fora do mundo e consagrados para Deus.
[2] A expressão grega “pedobatismoV” significa batismo de bêbes recém-nascidos.
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Por João Ricardo Ferreira de França - jrcalvino9@hotmail.com

sexta-feira, 20 de junho de 2008


De que adiantam frases bonitas, soltas ao vento? De que adianta esse discurso decorado? Tanta retórica se torna algo tão hipócrita... Crer e não praticar o IDE não faz sentido! As pessoas estão famintas, fome e sede de justiça. As pessoas estão sedentas, mas a alma continua vazia! Pois nos calamos! Somos verdadeiros Agentes Secretos de Cristo. Elas querem fatos concretos e, ver, as vezes, é melhor do que ouvir; A nossa mão estendida fala mais que o nosso blá, blá, blá. Tem muita gente falando e muita gente não realizando! A ceara é grande, e onde estão os trabalhadores? Há tanta coisa por fazer! O que a gente faz fala muito mais do que nosso falar !
De que adianta fazer o serviço pela metade ou fingir que faz o serviço? Pra levar a mensagem da Cruz ao mundo tem que ser com a mão no arado! Não podemos ser locutores, espectadores, Nós temos que tem que intervir, construir, participar! Porque como ouvirão se não há quem pregue?



Por: Rafaela Melo - www.raffitas.blogspot.com

sexta-feira, 13 de junho de 2008

REFLEXÕES NO CATECISMO MAIOR DE WESTMINSTER.


Pergunta 1: Qual é o fim supremo e principal do homem?

Resposta: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo plena e eternamente.


Introdução: Quando olho para esta questão do catecismo fico boquiaberto com tamanha simplicidade da resposta, e com a profundidade teológica expressa nestas palavras.
Esta questão é basilar até mesmo em igrejas que não são confessionais, mas que tentam levar o evangelho de forma séria. Muitos teólogos concordam com esta declaração do nosso catecismo, isto devido ao fato de que o que se enuncia aqui é um princípio imperecível.
Para que fomos criados? Essa é a real questão do homem. Muitos homens e mulheres nunca se pegam pesando nisso, na verdade não ponderam sobre este assunto. Qual o propósito de nossa existência?
Algumas respostas foram sugeridas ao longo dos séculos. Alguns dizem que o propósito de nossa existência está no viver para alcançamos a perfeição por meio de diversas re-encarnações – esta é a proposta do espiritismo conforme conhecemos; outros dizem que estamos aqui para vivermos conforme o destino nos traçou – esta é a proposta do determinismo fatalista; e ainda, há os que dizem que a nossa vida não tem propósito porque ela finda na sepultura – o que chamamos de materialismo. Todas elas são interessantes, mas não suprem as necessidades da alma humana.
Outro fato que nos chama a atenção é que o nosso catecismo não pergunta de onde viemos? As perguntas sugeridas pela filosofia e biologia não têm razão para o nosso catecismo. Mas a questão é para que viemos à existência? A resposta oferecida pelo catecismo é simples – A glória de Deus é a razão de nossa existência, ou seja, fomos criados para sua glória. Isso sumariza tudo que somos e porque somos. Mas para o nosso propósito nesta aula vamos tentar trabalhar os conceitos que estão inseridos nesta primeira questão de nosso catecismo.

I – A REALIDADE DO PROPÓSITO.

Tudo o que fazemos na esfera humana tem um objetivo. Nada o que fazemos é desprovido de propósito ou objetivo. Não é diferente com Deus. Desde a história da redenção Deus faz as coisas com um objetivo. Basta olharmos para a criação. Ele cria os luminares para governar. O sol o dia; a lua a noite – tudo Deus fez com propósitos definidos(Gn.1.14-18);ao trazer a mulher à existência Deus tinha como propósito afugentar a solidão do homem (Gn.2.18).
O homem não está no teatro de Deus – na história – com algo sem algum propósito, mas, está para Ter um propósito singular; por que dizemos isso? É o fato singular de o homem ser a única criatura no mundo a carregar a Imago Dei (Imagem de Deus) conforme diz Gênesis 2.26-27. Isso sempre me deixou pensativo. Ora se fomos criados à imagem de Deus, então, temos algum propósito neste mundo. A realidade do propósito é inegável. Este é assunto que não temos como fugir algo dentro de nós sussurra baixinho dizendo: “Você foi criado para realizar algo”. E vezes por vezes fugimos dessa voz – que é a ação sobrenatural do Espírito Santo – procuramos viver a nossa vida longe desse propósito. Uma vida que não tem objetivo deve ser chamada de vida??? Penso que não. É aqui que erramos, sabemos que temos um objetivo e fugimos dele – somos como Jonas – e sempre tentamos enganar a providência divina dizendo que ela não existe, ou mesmo, que Deus não está lá. Fazemos o mundo tornar-se amoral para que a idéia de propósito seja irrelevante para nós, se há moralidade, então, deve haver algum propósito para assim ser. Não posso negar isso. O nosso catecismo deixa claro que o homem foi criado com um propósito.

II – CARACTERÍSTICAS DESTE PROPÓSITO.

O nosso catecismo sugere que este propósito tem duas características fundamentais, ou que pelo menos, deve ser visto desta forma. Isso é deveras importante, pois, tais características mostram a singularidade deste propósito.

1. É um propósito Supremo: Isso é muito importante para cada um de nós. Se considerarmos apropriadamente este assunto iremos Ter um grande beneficio disso.
O que significa a palavra supremo? Esta palavra nós sempre usamos em nossos sermonários, mas quando olhamos para esta pergunta do catecismo temos medo até de pronunciá-la:
S – U – P – R – E – M – O , realmente é uma palavra que assusta. Todavia, é uma palavra que significa: “Superior a tudo em seu gênero” penso que esta definição cabe muito bem neste assunto, pois, estamos falando, não da supremacia de Deus, mas, em um certo sentido, da supremacia do homem. Há vários propósitos nos quais podemos viver – um casamento, um emprego, um bom ministério, bons filhos, riquezas etc... Mas eles não devem ser supremos. Pois só existe um que é supremo. Este é o único momento em que o homem de fato é supremo! Não mais do que isto. Todos os demais são secundários, mas esse deve de fato Ter a supremacia – reinar sobre os demais – Deus conferiu isso ao homem – querendo ou não homem deve fazê-lo como deve ser, caso contrário sofrerá as conseqüências. Esta característica está baseada no fato de que homem foi criado como vice-regente da criação (Gn.1.27-30). Então, o propósito do homem neste mundo deve ser supremo – o para que ele foi criado deve ocupar o lugar de soberania. Este propósito não pode ser destronado e nem corrompido este é o ponto.

2. É um Propósito principal: Prioridade. Esta é a palavra! O catecismo diz que “o fim (propósito) supremo e principal” – ele deve ser não só um propósito supremo, mas deve também ser sempre o primeiro e nunca o último! Nós sempre invertemos. Sempre pegamos o primeiro e colocamos por último, alguém dirá, mas isso é normal, isso é humano – não! Isso não é natural e nem humano é uma conseqüência da queda! Deus exige de nós prioridades e o propósito para qual Ele nos criou exige isso de nós. Se não pode ser o primeiro é melhor que não seja o último! Poderemos ter o propósito de passar no vestibular, em um concurso para melhorarmos de vida, mas isso é secundário – precisamos do principal. Precisamos da prioridade singular. Sem essa concepção sempre viveremos fazendo distinções indevidas e assim estaremos fugindo do real propósito para o qual fomos de fato criados.

III – A NATUREZA DO PROPÓSITO.

Até o presente momento temos discutido a questão da realidade e características do propósito. Mas qual é a natureza desse propósito? No que ele de fato consiste? O nosso catecismo diz: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo plena e eternamente”.
O propósito consiste em o homem “glorificar a Deus”, esta expressão hoje também me assusta, pois, em nossa época se tem praticado muita coisa no âmbito de culto com a desculpa de que tal coisa no culto tem como finalidade glorificar a Deus, por outro, lado se tem tirado do púlpito o autêntico ensino sobre este assunto.
Alguns crentes têm perguntado: Como eu glorifico a Deus? Penso que a pergunta é proveitosa, mas não abarca toda a questão sobre este assunto. A real pergunta seria: “Quando eu glorifico a Deus?”, ou ainda “onde eu glorifico a Deus?” Todas elas parecem perguntas bem parecidas, mas não são. Pois, todas focalizam um ponto da questão, mas penso que as duas últimas sumarizam todo o ensino sobre isso. Penso que muito já se foi dito sobre “Como eu glorifico a Deus?” E por isso, não me demorarei em responder esta questão. Mas gostaria de começar analisando a natureza do propósito com uma questão: “Onde eu glorifico a Deus?”
Alguns de vocês poderão dizer que na igreja. Esta é uma boa resposta. Mas você foi criado para glorificar a Deus apenas na igreja? E os outros lugares? Na escola, na faculdade, no trabalho o que você faz lá. Deixe-me tentar ajudá-lo nesta questão. Na escola você vive para fazer amigos para estudar e ser algum candidato ou candidata para uma universidade de renome, então, quando chega ao Domingo você está pronto para glorificar a Deus na igreja.
Na igreja você deve orar a Deus, mas não em casa, isso porque na igreja você de fato glorifica a Deus! Essa visão é muito linda, romântica, mas está inevitavelmente errada! Na verdade isso é um perigo porque você está de alguma forma corrompendo o propósito para qual você foi criado. Sua vida note o que estou dizendo, sua vida essa única vida que tens foi trazida à existência para glorificar a Deus.
Isso nos leva a Segunda pergunta: “Quando glorificamos a Deus?” Você pode não gostar da resposta, mas você glorifica a Deus exatamente onde acha que não o faz. Quando estuda para fazer a melhor prova, quando namora, quando faz amor com sua esposa, quando almoça, quando toma água, quando toma vinho ou mesmo cerveja, quando faz amizades sinceras, quando dar um beijo de boa noite no seu filho, quando pede a benção do pai e da mãe, quando diz a verdade, quando trabalha, quando diz não! Àquela secretária que não é a sua esposa, quando escuta uma música seja ela “evangélica” ou “não”, quando vai ao teatro, ao cinema, ao shopping, à praia.
Talvez você esteja com uma enorme interrogação no rosto. Como isso é possível? Eu sempre aprendi que os crentes devem ouvir somente músicas de crentes, pois, elas glorificam a Deus! Ou mesmo, estejas dizendo consigo mesmo não concordo com isso! Bem, se você olhasse um pouco na história da igreja iria descobrir fatos interessantes. E saberia que a distinção entre o sagrado e profano, entre natureza e graça é uma doutrina católica romana, e infelizmente o evangelicalismo moderno assumiu essa leitura e quer que cada crente seja obrigado a aceitá-la. Na concepção da reforma não existe esta distinção. Tudo glorifica a Deus. 1 Coríntios 10.31 declara que exatamente isso. O seu trabalho, o seu estudo, a sua vida marital, os seus relacionamentos tudo é para a glória de Deus, e deve ser feito pensando neste objetivo.
Sabe onde está o problema? Está no fato de que nós corrompemos o propósito para o qual fomos criados. Olhe os homens do mundo, quem deu a eles a capacidade para produzir uma boa música – não me venha dizer que foi o diabo – pois não existe nenhuma evidência bíblica para isso – a resposta é que apenas Deus concede dons para os homens! O problema é que os homens corrompem estes dons e conseqüentemente o propósito – é notório, pois que quando existe na musicalidade moderna apologia ao sexo livre, à imoralidade, apologia ao homossexualismo isso não torna a música (de forma geral) pecaminosa, mas me diz o que o pecado fez com a raça humana! Me diz que o homem corrompeu o propósito para o qual foi criado – aquela música não está glorificando a Deus ( não falo no sentido de falar sobre Deus, mas no sentido de que o criador não tem prazer nela, isso porque ela contradiz todos os preceitos da Lei de Deus ), mas está destruindo o objetivo para qual foi criada! E este tipo de música deve ser rejeitada.
Não posso aceitar a separação entre natureza e graça que a igreja abraçou, e, ainda não posso aceitar a idéia de que nós como igreja fiel deva ceder a esta concepção, isto porque ela não é bíblica e não tem apoio na história da reforma. Essa doutrina é tipicamente católica romana. Surpreende-me o fato de que muitos presbiterianos, por não conhecer a história da igreja e nem a doutrina da graça comum e especial, abraçam sem questionamento a distinção entre natureza e graça.

Então, sumarizando esse aspecto da resposta do nosso catecismo podemos dizer que glorificamos a Deus em todos os âmbitos de nossa vida, e não há necessidade de negociarmos a Lei de Deus quando temos esta concepção. Não pulo a catraca de um ônibus não somente porque é um pecado contra o oitavo mandamento, mas porque fazê-lo não glorifica a Deus em primeiro lugar e este deve ser o objetivo soberano de minha vida!

IV – A MANEIRA DE VIVER O PROPÓSITO.

Diante do que já expomos surge uma nova pergunta: de que maneira devemos viver este propósito? O catecismo nos responde dizendo que devemos “gozar a Deus plena e eternamente”. O que isto significa? Significa que a maneira como devemos viver o propósito para qual fomos criados, que é glorificar a Deus, é nos deleitando em Deus. Ter prazer nele!
Isto significa que Quando estivermos estudando, trabalhando e curtindo a vida da forma mais agradável possível possamos nos derramar em Deus. Gozá-lo tem esta conotação aqui na questão do nosso catecismo. Encontrar em Deus o deleite para nossa alma.
A maneira de viver este propósito de glorificar a Deus é tendo segurança em Deus: confiança nele somente. Descansar nele nos momentos de crises, e confiar nele quando tudo pode não ter solução isto de fato glorifica a Deus. Isso significa gozá-lo. Desfrutar de comunhão com Ele é profundamente singular ao nosso propósito de glorificá-lo. Essa concepção nos garante segurança de vida eterna. E, nos lembra que não fomos feitos para morrer distantes dele.
Qual é a profundidade desse deleitar-se em Deus? O catecismo diz que deve ser de forma plena – deve ser algo sem medida – toda a plenitude. Gozar a Deus de forma plena. Nesta vida aqui vivemos para glorificar a Deus quando a fé exige mais de nós! A plenitude disso se revela na comunhão que temos com ele. E esta comunhão reflete o nosso relacionamento com Cristo (Jo.17.22-24). Gozar a Deus de forma plena envolve uma vida cheia de paz com Deus (Rom.5.1) e o reconhecimento que a Glória é dele e que tudo foi criado para ele desde toda a eternidade (Rm.11.36)
Qual é o tempo? Até quando deve durar esse deleitar-se em Deus? A Resposta do nosso catecismo é: “Eternamente”. Isto nos fala que essa comunhão com Deus, e este deleitar-se com Deus rompe as esferas físicas e emocionais; ela dura por toda a eternidade, e tal concepção, só nos traz paz ao coração e profunda segurança em Deus. Pois ele nos recebe na glória e, ainda, é a nossa única herança (Sl.73.24-26).

Conclusão: Precisamos resgatar a nossa visão do propósito para o qual fomos de fato criados. A glória de Deus! Você está aqui porque Deus quer que a sua vida o glorifique. Não adianta correr desse propósito.
E o que você tem feito com os dons que Deus te deu tens usado para de forma correta glorificai-lo ou tens corrompido o seu propósito. Você tem vivido para glorificar a Deus? Tens prazer em Deus, e assim, o tens glorificado? Ou será que já fostes influenciado e iludido por aquela visão de que a tua vida não tem significado algum?
Gostaria de deixar algumas aplicações sobre este assunto.
1. Entenda que glorificar a Deus é objetivo soberano de sua existência.
2. Nunca deixe que outras coisas assumam a prioridade no objetivo para qual fostes criado.
3. Rejeite a distinção entre natureza e graça. Pois ela não tem base na Bíblia e assuma que tudo que você faz glorifica Deus
4. Nunca deixe de deleitar-se em Deus mesmo em situações que não lhe pareçam favoráveis.
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Por : João Ricardo Ferreira de França - jrcalvino9@hotmail.com

segunda-feira, 9 de junho de 2008

ENTENDENDO O CREDO APOSTÓLICO - Parte 2

Estamos mais uma vez aqui para estudarmos o credo apostólico. No nosso último encontro abordamos o primeiro artigo do nosso credo apostólico, que digo com toda a paixão do mundo que ele é o meu credo preferido, não que os outros não tenham a sua importância porque na verdade eles têm; mas porque este credo representa – com muita proximidade – o que os cristãos primitivos acreditavam.

A nossa aula de hoje abordará o segundo artigo do nosso credo que é “Creio[...] em Jesus Cristo se único Filho, o nosso Senhor...” Sempre que leio esta expressão singular do nosso credo fico pensando como a Igreja o negligencia com tanta facilidade que fico literalmente irritado; diletos irmãos estamos aqui nesta noite para entender o que o credo tem a nos ensinar neste segundo artigo, espero que Deus nos ajude a fazê-lo.

A PRIMAZIA DE CRISTO NO CREDO.

Penso que este seja o tema mais adequado para tratarmos deste artigo do nosso credo. Quero mais uma vez chamar a sua atenção para o fato de que o credo não confessa apenas a identidade de crença da Igreja na Pessoa do Pai, ou seja, não é apenas crer em Deus Pai, mas também temos aqui a fé sendo destinada ao seu autor e consumador – A Segunda Pessoa da Trindade – Deus, o Filho.
Por que digo isso? Bem, deixe-me lhe explicar. A fé genuína expressa no credo não pode ser dirigida a um ídolo, jamais o ídolo deve receber a elevação dos nossos corações (Sursum Corda litúrgico), seríamos reputados como idólatras se assim fizéssemos; logo de imediato aprendemos neste segundo artigo que o objeto de nossa fé não pode ser um ídolo, mas também, não pode ser uma criatura, pois, seria usurpar a glória de Deus!
Os primeiros cristãos diziam “Creio em Jesus Cristo nosso Senhor” isto não lhe deixa chocado!? Pois, a Igreja primitiva rejeitava a noção ariana
[1], o povo do pacto seguindo a palavra de Deus, e, entendendo que Deus era o único objeto de sua fé não hesitou em dizer que exercia fé também na Pessoa de Jesus Cristo. A conseqüência lógica disso era que Jesus é Deus! Ter confiança em uma criatura sempre foi visto como uma blasfêmia contra Deus, logo, a Igreja ao invocar, orar e confiar em Jesus Cristo estava de fato chamando-o de seu Deus.
Então, quando recitamos no credo que “Creio em Jesus Cristo seu único filho nosso Senhor” estamos dizendo ao mundo que aquele Cristo da cruz que padeceu ali, não foi um mero homem, mortal limitado, mas foi o próprio Deus que estava na cruz. Essa era a crença comum da Igreja. Espero que isso tenha ficado em vossas mentes.
Pois bem, agora desejo chamar a sua atenção para uma acusação que geralmente é feita contra a recitação do credo, a acusação é a seguinte: “Não vou recitar o credo, porque ele só fala de dogmas que não envolvem a soteriologia (doutrina da salvação) não vejo, dizem eles, no credo nada que trate da salvação”.
Bem, tal acusação é infundada e revela que quem a formula não leu o credo quando diz “[creio...] na remissão dos pecados, ressurreição do corpo e na vida eterna” pois aqui está de fato a doutrina da redenção de forma clara; em um momento propício trataremos disso.
Mas também tal acusação revela o desconhecimento claro da teologia que o credo expõe, é público e notório de todos aqui que o credo está dividido em três partes principais: 1. De Deus, Pai e nossa Criação; 2. De Deus, o Filho e nossa redenção; 3. De Deus, o Espírito Santo e nossa santificação. Estas três verdades estão presentes no credo. Então, a acusação é infundada! Deixe-me lhe mostrar isso de maneira mais detalhada.
Observem o que o artigo que estamos analisando nos diz: “[creio...] Jesus Cristo...”. O nome Jesus não apenas indica a identidade existencial de Cristo, mas indica também a sua função; Lucas (1.21) nos informa que o filho que nasceria de Maria deveria chamar-se Jesus note o que eu disse: “deveria chamar-se”; não foi dado o direito dos pais do menino escolher o nome, mas o nome foi dado por Deus; isto nos revela algumas verdades:
1. Que o nome dado ao filho que estava sendo gerado aponta para um ato da graça de Deus.
2. Que tal nome traz Deus até nós de forma graciosa, amorosa e singular! Não é qualquer nome, é o nome que Deus, o Pai escolheu para dar ao seu Filho.
Por que o menino deveria chamar-se de Jesus? Deus não deixa ao encargo dos homens explicarem a decisão dEle, mas o próprio soberano do universo nos diz que ele se chamará assim porque “ele salvará o seu povo dos pecados deles” a doutrina da expiação limitada não encontra sua justificativa em outro lugar a não ser no significado do nome do Cristo da Cruz. Ele não salva o mundo – ele salva o povo que lhe pertence – os seus eleitos – e assim o seu nome sempre será lembrado.
Esta verdade é confirmada por várias passagens das Escrituras. Entre as quais encontramos Atos 4.12, ali nós encontramos o fato de que não existe nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual devemos ser salvos. Este é o ponto. Ele é salvador, pois, o seu nome significa – Deus é nossa salvação! Ou seja, o próprio Deus em Jesus nos salva de nossos pecados e misérias.
Mas, o credo não termina expondo a significação do nome Jesus; ele também o designa de “Cristo” – “Eu creio em Jesus Cristo[...]”. Quero lembrá-los que pessoas há dizendo e supondo que o nome “Cristo” refere-se ao sobrenome de Jesus –isso é um ledo engano! O nome “Cristo” descreve a função mediatória de Jesus; ou seja, o nome “Cristo” está vinculado a sua função de mediador.
O termo “Cristo” é profundamente escatológico, pois, significa “Messias ou Ungido” apontando para o fato de que Jesus é o Messias de Deus prometido para a redenção do povo do pacto.
A implicação disso é que no momento do culto ao recitarmos o credo estamos de fato dizendo que Cristo é o nosso redentor! Ele é o Messias esperado (Jo.4.25,26). A própria consciência que Jesus tinha de que era o Messias é profundamente evidente no Novo Testamento Lc. 4.17-21 é uma citação de Isaías 61.1,2; e, em Mt. 12.17-21 é uma citação de Isaías 42.1-4.
Então, quando lemos no credo tal verdade estamos diante da realidade de que um evento escatológico que havia se manifestado nos tempos neotestamentários, ou seja, o redentor prometido veio! E, assim, podemos dizer com todas as letras “Eu creio em Jesus, o Cristo...” sendo que desta forma nós percebemos que o credo é supremamente soteriológico (apresenta-nos a doutrina da salvação ao homem) e, por isso, devemos recitá-lo dominicalmente em nossas reuniões litúrgicas porque mostra ao mundo que o nosso Deus em Cristo nos tem trazido a redenção para o nosso corpo e a nossa alma!
Diletos irmãos, o credo continua nos dizendo que como Igreja Católica ( no sentido da Igreja que está em todos os lugares ) nós não apenas cremos em “Jesus Cristo”, mas indica também que cremos que ele é o único Filho de Deus. No Domingo – Dia do Senhor – nós recitamos “[Creio em...] Jesus Cristo seu único Filho...” Alguns aqui nesta noite poderão dizer: “Mas os pais da Igreja sempre chamaram seus paroquianos de filhos de Deus, mas no credo diz que apenas Jesus é o “único Filho de Deus”, como entender isso?” Esta é uma boa pergunta!
Queridos estamos diante de uma grande doutrina cristológica. Vemos aqui uma concepção profunda da cristologia primitiva da Igreja! Percebemos que Cristo não é o Filho de Deus nos mesmos termos que somos filhos, isso requer de nós alguma consideração.
Somos filhos de Deus por meio de uma doutrina chamada adoção
[2], fomos adotados por Deus em sua família por meio de Cristo, este é o ensino claro das passagens bíblicas em Efésios 1.5; Gálatas.4.4,5; Romanos.8.17; todavia, o credo diz que Cristo é o “único Filho de Deus”, o termo grego que o credo utiliza é o “monogenês” este termo é usado para descrever que Cristo é “unigênito”, ou seja, ele possui a mesma natureza do Pai! Quando o credo diz que “Creio em Jesus Cristo seu único Filho” está reafirmando a divindade de Cristo! Ele tem a mesma natureza do Pai. Ele é Deus e por isso deve ser adorado e objeto de fé da Igreja. Ele é o cabeça da Igreja como diz Paulo, isso porque ele é o “unigênito do Pai”(Jo.1.14-18). Apenas Ele tem essa natureza partilhada com Pai, temos aqui a plena certeza de que a Igreja primitiva ensinava isso de forma evidente – que Cristo é Deus.
Quero ressaltar que o termo grego “monogenês” significa ‘único’ , ‘sem igual’, ‘único do seu tipo’ ele expressa de fato a manifestação da divindade em Jesus. Por que isso? A resposta está em João 1.18 – para revelar o Pai – no grego nós temos – exêgésato – “que significa levar para fora, explicar, relatar os fatos” era usado para dar a explicação acurada dos segredos divinos. Ou seja, Cristo é a perfeita exegese de Deus. Olhe bem! Veja o que dizemos quando falamos “Creio em Jesus Cristo seu único Filho...” estamos afirmando que toda a verdade que temos sobre Deus provém da maior revelação dEle mesmo - o seu Filho Jesus Cristo! Isso me deixa pensativo e reflexivo, pois, Deus quis se mostrar a nós pecadores na Pessoa bendita de seu Filho.
Ainda temos algo a considerar no credo. O credo ainda nos afirma algo bastante negligenciado em nossos dias. Ele diz [Creio em...] Jesus Cristo seu único Filho, nosso Senhor...”
Cristo é de fato Senhor da Igreja? E por que a Igreja não obedece a sua palavra? Por que negligencia este principio basilar do credo? A Igreja, ao recitar o credo, reconhece que não é independente, que não é livre, mas que é serva! Ela serve ao Senhor Jesus Cristo, então, quando não obedece a Cristo ela está se condenando quando recita o credo!
Temos uma Igreja em nossos dias que só fala de Cristo como salvador, mas nós como Igreja de Cristo, somos salvos também pelo senhorio de Cristo. Precisamos resgatar essa doutrina dentro de nossas Igrejas. Essa é uma tarefa de cada um de vocês aqui nesta noite, repensar e reafirmar uma redenção pelo Senhorio de Cristo!
Veja como nós tratamos o Domingo! Desprazamos dia de Cristo, fazemos os nossos interesses neste dia que pertence somente a ele. E o que dizer do culto prestado a Cristo? Somos negligentes para com o culto. E os sacramentos? Como consideramos eles? Rejeitamos, não zelamos por eles. E a evangelização? Temos cumprido o ide de Cristo? Não! E ainda temos a ousadia de dizer no culto público “creio em Jesus Cristo seu único filho,
nosso Senhor...”
Queridos precisamos deixar de sermos hipócritas! Precisamos resgatar a doutrina da soberania de Cristo como nosso Senhor, pois, quando dizemos que Ele é o nosso Senhor estamos de fato reconhecendo sua Soberania sobre cada um de nós.
Vocês já leram na Bíblia alguma passagem que fale de Cristo como Salvador sem associá-lo a seu Senhorio? Não. Eu nunca li tal coisa! Veja o livro de Atos 2.21 “...todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo...”; antes de ser meu salvador Cristo é meu senhor esta era a crença da Igreja primeva. Ainda veja Atos 2.36 “...Deus o fez Senhor e Cristo...”, e ainda, temos atos 16.31 – “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa”. veja também as cartas paulinas como elas são introduzidas: “Paulo servo de Cristo” no grego temos a expressão “doûlos” que significa “escravo” de Cristo. Mas, ele também relaciona o senhorio com a redenção manifestada por Cristo. Em Romanos 10.9 “...confessares Jesus como Senhor...serás salvo”, notaram que primeiro existe uma resignação de reconhecer Jesus como “kyrios” – Senhor – antes de vê-lo como “Sôter” – Salvador!? O Novo Testamento não nos autoriza a fazermos tal dicotomia, e quem somos nós para fazê-lo? Uma salvação que não implica em obediência a Cristo, esta deve ser de fato questionada!
Cristo é o Senhor da Igreja. Mas isso implica em mais que obediência devida a Cristo, implica também que Ele preserva e defende a Igreja.
Onde está a segurança da Igreja? Está em Cristo! Cristo é o Senhor da Igreja. Ele não é apenas servido pela Igreja, mas ele defende a Igreja, luta por ela, intercede pela Igreja.
Então, quando recitamos que cremos que Cristo é “nosso Senhor” estamos dizendo que não estamos abandonados neste mundo! Que temos um Deus nos céus que é por nós! E ninguém poderá vencer a Igreja de Cristo. Ele é Senhor, ou seja, nós temos a certeza da providência de Deus sobre a nossa vida, pois, o nosso Senhor habita nos céus cuidando e zelando por cada membro de sua Igreja.
A doutrina do Senhorio de Cristo nos traz paz e conforto ao coração. Um senhor providencia tudo o que é necessário para os seus súditos. E de igual modo o faz Cristo, ele nos deu pastores para nos pastorearem – isso é o reflexo do senhorio de Cristo sobre a Igreja – Ef.4.11; e, também, concede o seu Espírito para nos guiar a toda verdade – Jo.16.13.
A providência nos mostra que Cristo continua sendo Senhor. Então, quando nos reunimos no Domingo a noite estamos dizendo: “Creio...que Cristo é meu Senhor, e por isso, devo obedecê-lo, mas que ele me ama, cuida de mim e derrota todos os inimigos da Igreja”.
No credo estamos dizendo ao mundo que temos um defensor. Um guerreiro real que está disposto a defender a Igreja contra os ataques do mundo e de Satanás. Aqui está a fé da Igreja diante de cada um nós. Bem o que fazer depois de compreendermos tudo isso? Que aplicações podemos fazer deste artigo do credo? Deixe-me dizer-lhes:

1. Devemos abandonar toda e qualquer concepção que não faça de Cristo o objeto de nossa fé – pois, implicitamente se estar negando a divindade de Jesus Cristo. Ele deve ser visto como objeto de nossa Fé isso porque Ele é de Fato Deus “Eu Creio em Jesus Cristo...”
2. Rejeite todo ensino que não apresenta Jesus como redentor de um povo específico – os eleitos – ou seja, rejeite a expiação universal ou universalismo, pois tal ensino contradiz o significado do nome de nosso redentor.
3. Viva na perspectiva escatológica apresentada no nome “Cristo” , pois, ele indica de forma clara que o Messias já veio e realizou uma expiação definitiva e eficaz para os eleitos de Deus, então, viva nesta perspectiva de que de fato você tem um redentor! De que você foi perdoado eficazmente em Cristo e por Cristo!
4. Viva sempre a perceber que a obra da redenção só foi possível por que Jesus é o “Único Filho de Deus” no sentido pleno do termo – Ele é Deus e por isso pôde de fato realizar uma tão poderosa redenção, pois, ele tem a mesma natureza do pai – se você desprezar isso estará perdido de forma clara.
5. E por último assuma um compromisso de aceitar a Cristo como seu Senhor. Entendendo que você deve obedecer-lhe nos mínimos detalhes, e compreender que o Senhorio de Cristo revela sua soberania e o seu cuidado para com a sua vida – jamais esqueça disso!


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[1] Ário foi um presbítero da Igreja que negava a divindade de Cristo dizendo que Jesus Cristo era a primeira criatura de Deus , isto no IV-V século d.C – este ensino foi absorvido pela seita Testemunhas de Jeová.
[2] Veja-se a Confissão de Fé de Westminster capítulo 12


Por: João Ricardo Ferreira de França

terça-feira, 3 de junho de 2008

A GRAÇA QUE TRAZ A PAZ

Rm. 1.7,8. a todos que estais em Roma, amadas de Deus, chamados santos; graça e paz de Deus nosso pai, e do senhor Jesus Cristo, primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vos todos, porque em todo mundo é anunciada a vossa fé.Romanos 1:7,8.
A partir do versículo 1, até a metade do versículo 7 podemos dizer que Paulo termina a sua introdução geral e passa agora, até o versículos 15, a tratar de algumas questões particulares.Podemos dizer que Paulo começa a tratar de questões pessoais.
Paulo já tinha lhes feito lembrar que eles são “amados de Deus”, que são “chamados” e que são “santos”. Mas essa é a verdade a respeito de todos os cristãos.
Mesmo Paulo não salientando nenhuma grande doutrina e tratando tão somente de questões pessoais, podemos perceber que mesmo Paulo não pretendendo ser doutrinário ele o é.
Neste caso podemos considerar que a vida cristã é una e indivisível.
Consiste de fé e obras, crer e praticar, e ambas as coisas são inseparáveis; nunca devem ser separadas.
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A vida cristã é resultado de tudo aquilo em que cremos.
Não podemos separar a vida da doutrina.
Devo querer aprender, para viver uma vida de prática.
Em todas as epistolas do novo testamento são assim que elas são. Após saudação preliminar, doutrina, doutrina e doutrina e depois aplicação... portanto, Por isso...
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Uma pessoa pode ser um moralista sem ser crente, pode fazer muita coisa boa sem ser crente.
A característica peculiar do crente é, pois, que todas as suas ações estão diretamente ligadas a sua doutrina e crença.
Por isso Paulo não podia separar a doutrina da vida pessoal.
Assim é que, mesmo que Paulo esteja escrevendo de maneira puramente pastoral e pessoal, não procurando esboçar nenhuma doutrina, mas falando diretamente as pessoas, o tempo todo ele é obrigado a faze-lo em termos doutrinários.
Vamos então começar hoje observando o que Paulo diz no meio doVs.7.
“graça e paz de Deus nosso Pai e do senhor Jesus cristo”.Graça, a definição de graça geralmente aceita é, naturalmente, “favor imerecido”. Significa bondade para com alguém que absolutamente não merece. - inteiramente imerecida – não há absolutamente nada que a motive.Um exemplo claro de graça é Noé. Noé achou graça aos olhos do senhor. “Gn.6,8.” (rm.9,11,12.)Paulo quando fala graça tem em mente não só a salvação, mas todos os benefícios que ela nos traz, e que é possível ao crente experimentar.Paulo também escreve aos (efesios 3, 19) que ele ora para que sejam cheios de toda a plenitude de Deus.E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.Que essa maravilhosa atitude de Deus para conosco em amor, apesar do nosso pecado, se manifeste a eles em toda a sua plenitude e em toda a sua glória. Que eles tenham essa benção, que a experimentem, que ela seja derramada sobre eles, que, portanto, eles conheçam e experimentem o amor de Deus em toda a sua plenitude.“Paz” aquele que experimenta a graça, tem acesso a paz, as duas coisa andam juntas nunca a paz antes da graça.Qual é o verdadeiro significado de paz?Muitas pessoas têm paz como sensação de satisfação interior, plenitude, alegria extremo ou certo bem estar interior.E a paz é o oposto de infelicidade, o oposto de inquietação, e o oposto de conflito e insegurança.O mundo inteiro prega a paz.Existem prêmios para certos homens.Certas mulheres.Jesus disse bem aventurado os pacificadores, ou os que promovem a paz. Mt. 5,9.Só que a paz que os espíritas pregam, que muitas religiões pregam é a paz entre os homens, porém Paulo quando fala de paz ele esta falando da paz de Deus.Pessoas que tem paz com Deus.Rm. 5,1 sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus.Aqui mais uma vez a paz nos da acesso a esta graça, elas andam juntas, a partir do momento que eu encontro graça eu encontro paz com Deus, e a partir do momento que tenho esta paz devo desfrutar cada dia mais desta graça.Fomos reconciliados com Deus. 2co.5.18.Éramos por natureza inimigos de Deus. V.10. Cl.1,21.Deus é nosso amigo e isto não pode ser mudado.Mas eu lhe pergunto você tem gozado desta paz com Deus?Você tem algum ressentimento contra Deus?Ou seja, muitas vezes pecamos e então, fizemos como fez adão, queremos nos esconder de Deus em vez de pedir perdão e desfrutar desta paz.Se há algum, questionamento você não esta gozando desta paz.Estar em paz com Deus significa;O nosso coração a nossa mente, todo o nosso ser está aberto e fruímos Deus.Então se eu tenho paz com Deus, também há tenho no meu interior, o que isso significa?Significa ausência de inquietação no ser interior! Quão inquietos somos, em conseqüência do pecado!Muitas vezes enrugamos a testa, nossos semblantes carregados. Rostos de homens e mulheres cheios de ansiedade!Vivem ansiosos, perturbados, aflitos; andam inquietos, inseguros, infelizes. Um sentimento de culpa nos golpeia o dia todo, e estamos rodeados de tormentos que querem nos destruir.Ficamos preocupados. O que haverá se não realizar tal coisa? O que acontecerá comigo? Isso tudo é inquietação. Não estamos em paz com nós mesmos.É inconcebível alguém experimentar a graça na sua totalidade e mesmo assim ter estes sintomas de inquietações. A graça acaba a guerra.Devemos tomar o exemplo de um homem que conhecia bem a graça.Felipenses. 4,11.Não digo isto como por necessidade, mas já aprendi a contentar-me com o que tenho.Vamos tentar caminhar mais um pouquinho nesta passagem, observem que existe uma doutrina, uma profunda doutrina ainda neste versículo 7. a palavra “e” colocada no meio do pai e do filho,. Graça e paz de Deus nosso pai e do nosso senhor Jesus Cristo.Reparem que aqui Paulo coloca Jesus do lado do pai, na mesma posição de conceber graça, e paz.Nenhum homem ou poder ou qualquer outra coisa pode ser colocada do lado de Deus, com a mesma intensidade.Somente poderemos ter paz com Deus através de Jesus, nisso esta o sentido da graça.
Não poderemos ter paz sem encontramos a graça de Deus, podemos viver frustrados por conta disto.Temos que entender que fomos salvos quando éramos os piores pecadores, quando Deus nos tratava como seus inimigos, muito mais agora estando reconciliados seremos por ele salvo. Ele te AMA.

Por Giovani Renato Varela da Silva.