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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Cristo O Mediador

A concepção Reformada da Pessoa de Cristo é deveras cristalina. O Solus Christus, um dos lemas da Reforma Protestante, está inserido na nossa Confissão de Fé. O nosso estudo hoje começará abordando a questão de Cristo como sendo o nosso mediador. A doutrina da mediação de Cristo foi discutida na Assembléia de Westminster para responder ao dogma da mediação dos santos pregado pela Igreja Católica Romana, vejamos o que os Puritanos presbiterianos e reformados disseram sobre isso, e aplicar isso a nossa realidade atual.

Base da Confissão: “Aprove a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu unigênito Filho, para ser o Mediador entre Deus e o homem; o Profeta, o Sacerdote, o Rei; o Cabeça e Salvador de sua Igreja; o Herdeiro de todas as coisas; o Juiz do mundo; a quem, desde toda a eternidade, deu um povo para ser sua progênie e para ser por ele, no tempo, redimido, chamado, justificado, santificado e glorificado”.(Seção I).

I – A ORIGEM DO MEDIADOR


A primeira questão que precisamos considerar é a que diz respeito a origem de nosso mediador. Ele não tem sua origem nos dias humanos e limitados pelo tempo em que vivemos, tem sido um erro pensar nestes termos a respeito do nosso mediador.
Por que é um erro pensar assim? A resposta está no fato de que o mediador é Deus e Homem. Deus é eterno, e este Deus penetrou a história assumindo a forma de homem. A obra do Mediador é idealizada desde toda a Eternidade pelo Pai. A nossa Confissão de Fé nos diz que “Aprouve a Deus, em seu eterno propósito eterno, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Unigênito Filho, para ser o Mediador entre Deus e o homem...” A poderosa obra da cruz foi idealizada por Deus na eternidade.
O profeta Isaías descreve essa atividade do Messias, no capítulo 42.1. A obra da Mediação é conhecida desde a fundação do mundo, não é isto que fala Pedro em sua primeira epístola? Veja o que diz Pedro em 1.19-20 de sua primeira epístola.
O que é um mediador? É alguém que está entre duas partes para reconciliá-los. Ou como diz a teologia reformada, trazer Deus aos homens e levar os homens até Deus. Isso é refletido em 1 Timóteo 2.5.
Notemos que Deus poderia escolher qualquer ser para fazer a obra da mediação, mas Ele decidiu escolher o seu Filho Unigênito. Isto é uma prova de amor singular é o que diz o texto de João 3.16. Deus não nos deu qualquer coisa, mas Ele deu a si mesmo ‘ Deus ofereceu Deus aos pecadores’! Isto é grandioso de mais para nós meros mortais. E poderíamos dizer que isto descreve a ‘tal maneira’ do texto de João.

II – OS OFÍCIOS DO MEDIADOR


Cristo como nosso Mediador desempenha três ofícios específicos. Este ofícios apontam para a sua obra mediadora. Alguns teólogos, tais como os luteranos, negam que Cristo tenha exercido três ofícios específicos, mas a evidência bíblica labora contra a concepção luterana.
Cristo é chamado nas Escrituras de Profeta. Qual é função do profeta? Alguns equivocadamente vão sugerir que é vaticinar ou prever, quando na visão da Bíblia o profeta era aquele que proferia a Palavra inspirada de Deus, era aquele que tinha a Lei de Deus em seus lábios. O livro de Atos nos informa que Cristo é profeta 3.22.
Cristo também é reconhecido na Bíblia como Sacerdote. Ele se ofereceu a si mesmos em sacrifício pelos nossos pecados, e intercedeu pelos pecadores, mas continua no céu a interceder por sua igreja no céu. O livro de Hebreus descreve esse oficio de Cristo com muita propriedade veja: 5.5,6.
O nosso Cristo também é contemplado pelas páginas das Escrituras como sendo um Rei Soberano que governa o mundo.(Salmos 2.6; Lc.1.33).

III – O RELACIONAMENTO DO MEDIADOR COM A IGREJA

A Confissão nos ensina que Cristo fez a obra da mediação a favor da Igreja para ser o “Cabeça e Salvador...” Esta linguagem sumiu dos púlpitos modernos, pois, Cristo não visto como “Cabeça...” ou seja, ele é o Senhor da Igreja, aquele que lidera e governa a igreja ao longo dos séculos, e que mantém um relacionamento místico com a igreja – Ele é o Cabeça e nós somos o corpo. (Efésios 5.23)

IV – O RELACIONAMENTO DO MEDIADOR COM A CRIAÇÃO

O pai constituiu o Filho o “Herdeiro de todas as Coisas...” (Hb.1.2) tudo o que há no universo pertence ao nosso mediador. A homologação do Pai ao Filho diz respeito ao Filho ser:
1. Juiz do mundo: Cristo é o Juiz por excelência.(At.17.6)
2. Dono de um Povo ou Progênie: O conflito de Gênesis 3.15 encontra uma resposta satisfatória na obra de mediação de Cristo.

V – O POVO DA ALIANÇA E O MEDIADOR

A Confissão de Westminster nos ensina que Cristo é nosso mediador porque “por ele” somos redimidos, chamados, justificados, santificados e glorificados. Temos alcançado em Cristo a plena salvação de nossas almas, pois, nada depende de nós; somente de Deus e de seu Filho, e pela aplicação do Espírito Santo da obra da redenção (1Tm 2.6; Is 55.4,5; 1 Co.1.30.)


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Por João Ricardo Ferreira de França - jrcalvino9@hotmail.com

sábado, 5 de julho de 2008

Batismo por Aspersão – Uma característica de nossa Identidade


INTRODUÇÃO
Estamos vivendo uma época de crise de identidade em nossa denominação, e por isso, precisamos resgatar a nossa identidade. A Igreja Presbiteriana precisa repensar e regressar as antigas verdades outrora defendidas com afinco na igreja.
O nosso tema de hoje é polêmico, isto porque a comunidade evangélica da atualidade é IMERSIONISTA, sendo assim, talvez alguns de vocês tenham assimilado essa prática e gerado um preconceito contra o batismo por aspersão – digo que isso é natural, mas é desprovido de fundamento. Sabe como a imersão tem sido assimilada? Pelo menos de duas formas básicas:
1) Pela associação com o Batismo Católico Romano – Ser aspersionista é ser católico romano; assim, dizem os crentes modernos.
2) João Batista batizou no Rio Jordão – Esse tem sido o argumento do imersionistas, pois, eles supõem que se João, o Batista, batizou em um rio esse batismo foi por imersão.
O nosso estudo visa mostrar que estas duas premissas estão erradas. O batismo por aspersão não é do catolicismo romano, mas é uma forma bíblica de Batismo; segundo, João, o Batista, jamais praticou a imersão.

A nossa Confissão de Fé declara [1] o seguinte: “Não é necessário imergir o batizando na água; mas o batismo é corretamente administrado ASPERGINDO água sobre o candidato” (Confissão de Fé de Westminster, Cap.23 e Séc.3). Essa é a nossa tese neste estudo.

Vejamos o que podemos aprender sobre este assunto:

I – O QUE É BATISMO?
O nosso Breve Catecismo diz que “o batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, significa e sela a nossa União com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da Graça, e nosso compromisso de pertencemos ao Senhor” (Breve Catecismo pergunta 94).
Nesta definição de Batismo oferecida por nosso símbolo de fé podemos destacar algumas coisas:
1.1 – O batismo é um Sacramento: O termo “Sacramento” significa algo que é Santo. Um sacramento, dentro da definição presbiteriana, é “um sinal visível de uma graça invisível” que tem sido destinada aos crentes em Cristo[2] , devemos levar em consideração este conceito presbiteriano, o batismo não é qualquer coisa, tem valor e muito valor.
1.2 – O batismo significa e sela a nossa união com Cristo: O batismo aponta para a realidade de que fomos alcançados por Cristo, Deus declara-nos que fomos salvos e que lhe pertencemos mediante este sacramento.

II – ANALISANDO O VOCÁBULO BATISMO
Os imersionistas dizem que o termo Batismo significa sempre “Imergir na água”. Dizem que os termos “Baptw”(Baptô) e “Baptizw”(Baptizô) sempre tem essa conotação. É verdade que no grego clássico estes termos significavam “imergir”, todavia, o grego Novo Testamento é o Grego conhecido como Koinê (Aquilo que é comum, aquilo que é do povo). E os termos nunca são empregados no Novo Testamento com esse sentido de imergir.
Vejamos:
1) Batizar nem sempre é imergir: Cristo não se Batizava antes de comer veja o que diz Lucas 11.38, o vocábulo grego empregado é “ebaptisqh”(Ebaptisthê).Outro fato interessante é o que Marcos diz em 7.4 “quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem( baptiswntai - baptisôntai); e há outras cousas que receberam para observar, como a lavagem( baptismouV - Baptismus) de copos, jarros e vasos de metal e camas”.
Ora, se a palavra “Batismo” significa somente imergir, então, como explicar a imersão das camas de dormir – em qual tanque eles praticavam isso? No rio Jordão? Como? Levavam a cama na cabeça até o rio?
Como explicar Dn.4.25? Na versão grega do Antigo Testamento (Conhecida como Septuaginta) diz que “Nabucodonozor foi batizado no Orvalho do Céu”. Ele foi mergulhado no orvalho? Uma gota de chuva prova a imersão ou a aspersão?

2) Batizar não é sepultar: Os imersionistas advogam que o Batismo é símbolo da morte de Cristo. E apelam para Romanos 6.4ss , estes textos fala de nossa identificação com Cristo no Batismo dele que é caracterizado como a sua morte, e este batismo, sela nossa união com Ele. Associam que o descer a sepultura de Cristo, é figura do seu batismo, a pergunta é: Cristo foi sepultado como nós ocidentais somos? Ele foi baixado na cova, ou foi sepultado dentro de uma rocha, ou caverna? Então, o modelo de nosso sepultamento não serve para tal simbolismo do batismo de Cristo.

III – JOÃO, O BATISTA – UM IMERSIONISTA?

Os imersionistas agarram-se a João Batista dizendo que ele praticou a imersão. Será que João praticou a imersão no seu ministério?Alguns argumentam que ele batizou no Rio Jordão, ora se ele batizava em um rio, logo, ele batizava por imersão. Parece-nos uma conclusão lógica.Temos alguns problemas com essa argumentação:

1) Quem era João Batista? Todos nós sabemos que João era o primo de Cristo, e Filho de Isabel e Zacarias. Mas qual é era a função João? Jesus disse que João era Profeta. Por isso, Cristo disse que ele era o Elias prometido conforme profetizado por Malaquias 4.5, isto é fato descrito por Mateus 11.10-13. O que iria fazer o “Elias prometido”? Em Malaquias 3.1,3 diz que ele “purificará os filhos de Levi”, mas como era feita a purificação dos Filhos de Levi? Era por imersão ou aspersão? Veja o que diz Números 8.6-7. Então, João não poderia ser um imersionista.
2) João como profeta não poderia introduzir um novo rito de purificação: É público e notório que todos os ritos de purificação no V.T eram por aspersão, e todos os profetas praticaram a aspersão como rito de purificação, especialmente porque Moisés havia recebido a ordem de Deus para isso, logo, nenhum profeta poderia alterar o rito, como João, sendo um judeu levita, poderia introduzir tal rito estranho? Basta olharmos o primeiro capítulo do Evangelho de João 1.25 (evangelista) para vermos que isso era impossível.

IV – ALGUMAS PASSAGENS DA ESCRITURA E ASPERSÃO PROVADA
Neste momento queremos mostrar alguns textos das Escrituras onde a imersão não aparece, e torna-se evidente que a aspersão é o caso aplicado. Estes textos provam que a imersão nunca foi uma prática bíblica, e assim, a aspersão é bíblica – não pode existir duas verdades quando uma se opõe a outra, vejamos:

1) Paulo não foi imerso: Não há como negar que Paulo foi batizado em pé Atos 9.18; 22.16. A expressão no original grego anastas ebaptisqh(anastas ebaptisthê) o particípio grego “anastas” indica que houve uma ação simultânea entre o levantar e ser batizado. Não há porque supor que havia um tanque batismal na casa para isso, pois, tal não era a prática de judeus já apegados a aspersão.

2) As abluções são traduzidas por batismos: O autor do livro de Hebreus que as várias cerimônias de purificações no V.T são chamadas de “batismos” isso no capítulo 9.10 e as descreve nos versículos 19-22

3) Como explicar a imersão em I Corintios 10.1,2: É possível ser imerso na nuvem? Ou no Mar Vermelho? Os israelitas foram imersos no Mar Vermelho? Não foram os egípcios? Como podemos ser mergulhados em Moisés? Este texto só tem explicação se a aspersão foi admitida no termo “batismo” que é empregado aqui.

4) Atos 2.41 prova a imersão? A resposta é não. Porque os imersionistas não consideram algumas coisas.
4.1) não havia rio dentro da cidade de Jerusalém.
4.2) como mergulhar 3 mil pessoas em um dia, em um local sem águas para a imersão ser praticada..


Conclusão
Este estudo tem o caráter de ser uma introdução ao assunto, solicitamos que todos possam estudar este assunto com afinco, e assim, possamos resgatar a nossa identidade.


[1] A Igreja Presbiteriana do Brasil possui três símbolos de Fé: 1) A Confissão de Fé de Westminster; 2) O Breve Catecismo de Westminster; 3) O Catecismo Maior de Westminster.
[2] Veja-se a Confissão de Fé de Westminster, Capítulo 26, Seção 1.
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Por João Ricardo Ferreira de França - jrcalvino9@hotmail.com