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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Presbiterianismo Intra-Ecumenico


E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações [...]. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum [...]. Diariamente perseveravam unânimes” (Atos 2:42-46).
A questão da unidade é uma das mais sérias e importantes para a sobrevivência de qualquer grupo. Não é sem motivos que o Senhor Jesus afirmou: “Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (MT 12:25). Unidade de propósitos, objetivos, pensamentos e crenças. Este é o motivo do “sucesso” (ainda que momentâneo e nos limites impostos pela Soberania de Deus) do reino das trevas. Todos os demônios, dentro de suas possibilidade, características e limitações, empregam força e poder para alcançar um único alvo: “matar, roubar e destruir”. Absolutamente nada tira o foco de sua missão. Até mesmo o senso comum sabe da importância da unidade: diz um conhecido dito popular “a união faz a força”.
Por causa da unidade de pensamento, diz o texto “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos (Atos 2:47). Se pararmos para pensar um pouco sobre o neo-pentecostalismo, logo veremos uma das principais razões do seu estrondoso crescimento: a unidade de pensamento nas doutrinas basilares. Já viram algum pentecostal ou neo-pentecostal que não acredita na contemporaneidade dos dons de revelação, profecia ou línguas “estranhas”? É precisamente essa unidade peculiar de pensamento, essa unidade doutrinária que os faz ser “pentecostais” em essência. Se é verdade que a unidade de pensamento promove crescimento, também é mais que verdade que a falta dela – “desunidade” - produz, igualmente, o contrário: diminuição. A equação é mais ou menos assim: Unidade de Pensamento = Crescimento. Por inferência podemos também afirmar: “Desunidade” de Pensamento = Falta de Crescimento. Não precisamos de exemplos externos para a comprovação desse fato. A IPB, ao longo dos seus 149 anos, Têm passado por algumas dolorosas experiências de cismas. Apesar da multiplicidade de condições e motivos que acabaram levando a essas rupturas, um elemento esteve presente em todas elas: a “desunidade” de pensamento. E agora perguntamos: a IPB cresceu ou diminuiu? Obviamente que diminuiu. Acaso não foi também esse o motivo da “desavença tal” (Atos 15:39), entre Paulo e Barnabé, que culminou na sua lamentável separação? Esse fenômeno, inevitavelmente, destrói. Destrói amizades, destrói espiritualidade, destrói a paz, destrói a harmonia e destrói, principalmente, a identidade de uma igreja. Curiosamente o reino das trevas, que têm prazer na promoção dessa “desunidade” de pensamento, é um dos que mais cultiva, em seu meio, a unidade (conf.Mc 3:24-26).
Ter que aprender com o “reino das trevas” é um grave sintoma de que as coisas não andam bem! E agora a pergunta que não quer calar e que ecoa, talvez, como nunca nesses 149 anos de história: A IPB hoje possui “unidade” ou “desunidade” de pensamento doutrinário? O justo cuidado para que não haja um novo “racha” na igreja tem feito surgir um novo modelo de presbiterianismo: “O Presbiterianismo intra-ecumênico”.

Somos forçados a conviver, harmonicamente, com pastores, presbíteros e diáconos (presbiterianos) que acreditam na contemporaneidade dos dons revelacionais (profecias, sonhos, novas revelações, línguas estranhas, etc), quando a própria Confissão de Fé de Westminster, que juraram fidelidade, afirma categoricamente que a escritura é o “único” meio ativo de Deus revelar-se ao seu povo “tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo” (CONFISSÃO I.I).

Somos obrigados a conviver, pacificamente, com bizarras inovações no culto público – com o aval dos conselhos - (como encenações teatrais, coreografias e danças litúrgicas), quando a mesma confissão de fé que os mesmos conselhos devem obediência enfatiza: “o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás” (CONFISSÃO XXI.I). Sem contar ainda os inúmeros “apelos” do Supremo Concílio para que as igrejas “acabem” com tais práticas (mencionadas acima), que no dizer do próprio Secretário Executivo, Rev.Ludgero Bonilha, tem encontrado “por parte de alguns pastores e conselhos, ouvidos mocos, como se estas decisões não carecessem de qualquer observância ou implementação” (CARTA 6041/07-SC). (Quem quiser ter acesso a esse documento enviado aos pastores e conselhos é só mandar um email solicitando que enviaremos uma cópia).

Chega de exemplos, pois nem mesmo em “todos os livros da casa editora presbiteriana” caberia tudo. Essa cultura “intra-ecumênica” está tão enraizada que ninguém mais denuncia “qualquer decisão doutrinária ou constitucional que flagrantemente aberra dos princípios fundamentais adotados pela Igreja” (Conf.CI- IPB-II, 7, letra a - Código de Disciplina), sob pretexto de não ser taxado de “radical” ou puritano” ou em nome de uma ética que é, em si mesma, a antítese do que é realmente ético. Diante de tudo isso, nos parece irrefutável a existência do binômio antagônico “Discurso X Prática”, por parte de alguns líderes presbiterianos. “Não tampemos o sol com a peneira”: há igrejas presbiterianas cuja única identificação com esse nome está na fachada dos seus prédios. Voltando à nossa pergunta, não precisa ser muito esperto para perceber que a “IPB” possui “desunidade” de pensamento doutrinário. Sejamos claros também como o Senhor o foi: “Todo reino dividido contra si mesmo será assolado” (Lc 11:17). Se é assim, você então pode perguntar: Por que a IPB conseguiu completar 149 anos e caminha a passos largos, com a permissão de Deus, para os 150 anos? Respondemos: não podemos ser injustos a ponto de continuarmos com essa generalização do termo “IPB” que, propositadamente, empreendemos até aqui. A unidade doutrinária da instituição IPB encontra-se “inabalável”, desde a sua fundação. Certamente muitos presbíteros, pastores, diáconos, irmãos, irmãs e igrejas locais, ao longo dessa bela história, não só conhecem como também subscrevem nossos símbolos de fé - e por isso os 149 anos. É extremamente fácil uma igreja “confessional” como a IPB manter-se unida quanto ao pensamento doutrinário e assim tem sido.

O grande problema é que uma também boa quantidade de pastores, presbíteros, diáconos, irmãos, irmãs e igrejas locais, estão “fora de sintonia” com o que realmente é a IPB e com o que realmente é ser presbiteriano. Estão como que “desviados (sob aspectos doutrinários) dentro da própria igreja”; estão “pensando e crendo diferente do que a IPB pensa e crê”. O que nos leva a concluir também que não são, de fato, presbiterianos; estão como que um “peixe fora d’água”. Tudo isso dá a falsa impressão de “desunidade doutrinária”.

Contudo, não podemos negar: (mesmo entendendo que não é a IPB que está vivendo essa situação e, sim, alguns pontuais pastores, presbíteros, diáconos, irmãos, irmãs e igrejas locais), isso não nos é confortável; e por um único motivo: amamos esses irmãos como filhos, servos de Deus e nossos irmãos em Cristo; por isso queremos que tenham um entendimento correto das escrituras sagradas – que julgamos está sistematizado em nossos símbolos de fé -; por isso também não queremos que eles “saiam da IPB”, antes, continuando na IPB, tornem-se “presbiterianos” e venham fazer parte dessa maravilhosa “unidade doutrinária”. Na comemoração dos 149 anos da IPB, a palavra de ordem foi “unidade”. Várias orações suplicavam por unidade, numa tradução coletiva do desejo de todos. Mas, não podemos esquecer o que as Escrituras ensinam: não há unidade com “desunidade” de pensamento doutrinário”.


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Por
Presb.Fábio Correia
Secretário de Educação Religiosa do Presbitério Recife - PRRE. Mestre em Filosofia pela UFPE, Licenciado em Educação Religiosa pelo SPN, Licenciado m Filosofia pela Unicap, Professor de Filosofia da Faculdade Decisão-PE.
fabiocorreia@hotmail.com

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O DESAFIO DE CRESCER COMO UMA IGREJA PRESBITERIANA


Muito se tem falado da “urgência” de se pregar o evangelho ou ainda de se fazer “qualquer” outra coisa para “mudar” a situação da IPB. Fala-se até em “salvar” a IPB da extinção. De fato, as estatísticas não são nada animadoras. No último senso divulgado (1991-2001)[1], a Igreja Presbiteriana do Brasil, em dez anos, teve um acréscimo de apenas 2.000 novos membros. Isso representa um crescimento de 0,40%, em relação ao número de membros da IPB em 1991 (498.000 membros). Se comparado ao número de pessoas que se tornaram “evangélicas” nesse mesmo período (5.809.000 membros), a situação é ainda mais alarmante: desse total, apenas 0,03% ingressaram na IPB. Com relação à representatividade da IPB na população total de “evangélicos”, tendo como parâmetro os anos de 1991 e 2001, os números também em nada defendem nossa igreja: em 1991 a IPB representava 8% da população total de “evangélicos” (6.252.000 membros). Em 2001, quando o número de “evangélicos” chegou aos 12.061.000 de membros, esse percentual caiu para 4%, ou seja, enquanto o total de “evangélicos” quase dobrou, nesse período, a representação da IPB caiu pela metade.
Para onde afluiu então toda essa multidão se não para a IPB? Basta olhar para a estatística que revela o crescimento de algumas igrejas. Em 1991 a Assembléia de Deus tinha 2.400.000 membros; em 2001 esse número chega a 4.500.000 membros, representando um crescimento de 87,5%. A Igreja Internacional da Graça de Deus, em 1991, tinha 100.000 membros; em 2001 chegou a 270.000 membros, um crescimento de 170%. A Igreja Quadrangular que em 1991 tinha 303.000 membros, em 2001 passou a 1.000.000 de membros, um desempenho de 230,3%. A Igreja Deus é amor em 1991 tinha 170.000 membros e passou a 750.000 membros em 2001, numa excelente performance de 341,18%.
Mas nenhum desses crescimentos acima podem ser comparados com as igrejas “tope de linha” no quesito crescimento. Em terceiro lugar temos a Igreja Universal do Reino de Deus, que em 1991 tinha 268.000 membros e em 2001 atingiu a importante “marca” de 2.000.000 membros; isso representa um crescimento de 646,27%. Em segundo lugar aparece a não menos “famosa” Igreja Renascer em Cristo, da “Bispa” Sônia e do “Apóstolo” Estevam Hernandes (Presos nos EUA, por acusações que vão desde a lavagem de dinheiro ao enriquecimento ilícito), que em 1991 tinha apenas 10.000 membros e ao final de 2001 já “contabilizava” 120.000 membros, experimentando um astronômico crescimento de 1.100%. E, finalmente, a grande campeã: a Igreja Sara Nossa Terra, que em 1991 tinha 3.000 membros e em 2001 alcançou nada mais nada menos que 150.000 membros; representando um espetacular crescimento de 4.900%.
Das Igrejas consideradas “tradicionais”, apenas a Igreja Batista conseguiu um índice de crescimento “satisfatório”; cresceu 20% nesses dez anos. Mesmo assim, um crescimento muito inferior das igrejas de tendências Neo-Pentecostais e Neo-Renovadas. A Igreja Luterana, nesse mesmo período, decresceu; perdeu 29.000 membros.
As estatísticas apresentadas acima, bem como sua fácil constatação, são responsáveis pelo surgimento de um novo e triste espírito dentro da IPB: um misto de inveja (das igrejas que estão “explodindo”), amor (pela IPB, no sentido de querer vê-la “grande”) e ódio (pelos princípios doutrinários e litúrgicos da IPB, que supostamente impedem seu crescimento).
Vivemos uma situação muito parecida com a registrada em I Samuel 8:1-22, guardadas as devidas proporções, obviamente. Naquela ocasião, o povo de Deus, de fato, havia identificado que algo não estava andando bem, como relata o texto: “Ora, havendo Samuel envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel [...]. Seus filhos, porém, não andaram nos caminhos dele, mas desviaram-se [...]. Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram ter com Samuel, a Ramá e lhe disseram: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam nos teus caminhos. Constitui-nos, pois, agora um rei para nos julgar, como o têm todas as nações”.
Podemos identificar nesse diálogo os mesmos elementos que constituem o “espírito” que hoje existe na IPB: Inveja (das outras nações que possuíam um rei e que, pelo menos na visão do povo, viviam melhor e sem problemas); amor (no sentido de querer mudar de alguma forma a situação que se apresentava) e ódio (pelos princípios governamentais outrora estabelecidos). Devemos notar que a preocupação do povo era mais que justificável, porém, o problema não estava nos princípios anteriormente estabelecidos e, sim, em alguns elementos destoantes. Tal disposição de coração “[...] pareceu mal aos olhos de Samuel [...]. Então Samuel orou ao Senhor”. Samuel identificou, nas entrelinhas, da justa preocupação do povo, esse estranho e triste “espírito” e buscou orientação na palavra de Deus, que demonstrou também Sua reprovação quanto a essa disposição de coração. “Disse o Senhor a Samuel: Ouvi a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não é a ti que têm rejeitado, porém a mim, para que eu não reine sobre eles”. Mesmo depois de demonstrar todos os problemas que o povo teria que assumir, caso fizesse tal opção (conforme os versículos 9 ao 18), “O povo, porém, não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós um rei, para que nós também sejamos como todas as outras nações”(v.19).
Acaso seria esse também o desejo do coração de muitos membros, pastores, oficiais e líderes da IPB? Será que de fato queremos ser iguais a essas igrejas que estão crescendo? Porque é a elas que nos referimos como um bom exemplo de crescimento. São elas que pomos lado a lado com a IPB para apontar-lhe a falta de crescimento e os defeitos.
Será que realmente acreditamos que Deus tem aprovado o crescimento de 646,27% da Igreja Universal do Reino de Deus? Os 1.100% da Igreja Renascer? Os 4.900% da Igreja Sara Nossa Terra?
Responder afirmativamente significa admitir que Deus está aprovando uma série de esquisitices que são, notadamente, estranhas à Bíblia, como por exemplo “rosa ungida”, “corrente das mais variadas”, “cair na unção”, “raspar a cabeça”, “palavra profética” (escrita, inclusive) etc. Responder afirmativamente significa também admitir que Deus está em pleno acordo com a idolatria hindu dos 33.333 deuses; afinal, são mais de um bilhão de membros. E os budistas? Deus também os têm aprovado? E o que não dizer do Espiritismo? O Brasil é o maior país espírita do mundo. O espiritismo nega a deidade de Cristo, e Deus tem aprovado isso? É o que afirmaremos, caso chegarmos à conclusão que o crescimento dessas igrejas é obra de Deus e conta com Sua bendita aprovação.
O fato, queridos irmãos, é que crescimento numérico não deve e não pode ser um termômetro para medir se a igreja é ou não de Deus, ou ainda se a igreja está bem ou não. Menos ainda quando esse crescimento é fruto de técnicas bem ajustadas e em perfeita sintonia com o pragmatismo. Notem: essas igrejas estão crescendo por causa de técnicas e conceitos filosóficos e não pela pregação da palavra de Deus, aliás, é comum vermos membros dessas igrejas evangelizando? Claro que não! Pregando o evangelho genuíno? Menos ainda!
Sobre essa questão, Phil A. Newton[2], em seu artigo “Minha passagem pelo Movimento de Crescimento de Igrejas”, afirma o seguinte:

Edificar uma igreja seguindo os "princípios do Movimento de Crescimento de Igrejas" significava anuência ao pragmatismo, ao invés de ao cristianismo bíblico. O pragmatismo pode resultar em crescimento numérico, mas não pode regenerar um homem incrédulo.[3]

John. F. MacArthur, em seu excelente artigo “Eu quero uma Religião Show”, também comentando sobre esse assunto, afirma, citando George Peters:

O crescimento quantitativo pode ser enganador. Pode não ser mais do que a proliferação de um movimento social ou psicológico mecanicamente induzido, uma contagem numérica, uma aglomeração de indivíduos ou grupos, um crescimento de um corpo sem o desenvolvimento dos músculos e dos órgãos vitais.[4]


E isso, creiam, não é a velha desculpa presbiteriana: “O importante é a qualidade e não a quantidade”! Você pode afirmar: “sei de todos os problemas doutrinários dessas igrejas e que elas, de fato, se afastam da palavra de Deus, porém, o importante é que vidas estão sendo salvas, jovens estão saindo do mundo das drogas”. Bem, não podemos negar essa “contribuição social”. Assim como os Espíritas, Mórmons e até instituições não religiosas, essas igrejas também têm conseguido livrar muitos do mundo das drogas e do álcool. Contudo, a alegação de que muitos estão sendo salvos é bem questionável. Uma característica marcante dessas comunidades é que seus membros são, predominantemente, jovens (e sempre foi assim, desde a fundação). Esse fato é bastante elucidativo e nos inquieta a pensar qual destas duas alternativas são verdadeiras: ou o “apóstolo” Hernandes e Cia Ltda detém os poderes da “fonte da juventude” (e os membros de sua igreja não envelhecem) ou existe um elevado grau de rotatividade nesse tipo de comunidade (e isso já é totalmente comprovado). Isso revela, de forma inequívoca, o baixo grau de firmeza de fé e verdadeiras conversões. O texto de Mateus 13:3-7, nos ajudará a entender esse fenômeno:

E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear e quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram. E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se.E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram.A erva nasce, mas vindo o sol, logo é eliminada.

Os jovens são atraídos, para essas comunidades, principalmente, pela “qualidade” e “quantidade” dos louvores. Muitos afirmam ter tido um “encontro” com Cristo por intermédio da “gospel music”, diferentemente do que afirma o Apóstolo Paulo em I Cor 1:21: “Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem”. A ênfase desproporcional à adoração, diminui, de forma sensível, o tempo de estudos e pregações da palavra de Deus; ou seja, o que, de fato, produz salvos é relegado a segundo plano.
Diante de tudo que já foi exposto, penso que é uma grande benção crescer. Ninguém é louco o suficiente para afirmar que crescimento numérico não é importante. Contudo, nossa principal preocupação não deve ser essa. Não devemos nem mesmo pensar em encher nossas igrejas. Não devemos ter nenhum tipo de compromisso com a “conversão” dos pecadores, como muitas vezes, movidos pelas estatísticas, somos tentados a ter, como demonstram práticas do tipo: “sejam bem vindos em nome do Senhor Jesus”, “recepcionistas sorridentes”, “apelos” e tantas outras formas de “agradar” o pecador, convencendo-o a ficar em nossa igreja.
Nosso dever, nossa tarefa, é tão somente pregar o puro, simples e genuíno evangelho do Senhor Jesus. Sola Scripture! Se as pessoas vão se converter ou não, isso, caros irmãos, não deve ser nossa preocupação e nem é nossa tarefa.
Nossa preocupação deve estar voltada para o fato de que “muitos” de nossos pastores estão se tornando, cada vez mais, “executivos de gabinetes”, isto é, não evangelizam, não “arregaçam as mangas”, não são exemplos de pessoas que produzem frutos para o crescimento, não da IPB, mas do reino de Deus. Nossa preocupação deve estar voltada para nossos oficiais, presbíteros e diáconos, que vivem na mesma inércia, com um agravante: são responsáveis diretos pela falta de identidade doutrinária da IPB, brecha principal para a criação desse “espírito” negativo. E quanto aos membros que vivem apontando a falta de crescimento da IPB? Bem, esses merecem um certo desconto, pois, não possuem nenhum bom exemplo, porém, só criticam, também não produzem. Esquecem que a responsabilidade de comunicar o evangelho é individual. Vivem dizendo: “a IPB não evangeliza”, quando deveriam dizer: “eu não estou evangelizando, preciso obedecer, urgentemente, ao “ide” do mestre. É claro que, nesse sentido, todos nós - pastores, oficiais e membros da IPB - precisamos obedecer as Escrituras.
Devemos pregar “a tempo e fora de tempo”, como nos diz o verdadeiro Apóstolo[5] de Cristo em II Tm 4:2. Devemos pregar não porque “almas estão indo para o inferno, enquanto estudamos nossa teologia”, como afirmam alguns. Aliás, essa é uma afirmação teológica, saibam as pessoas que dela fazem uso ou não. Estão indo para o inferno aqueles pelos quais Cristo derramou seu precioso sangue? Isso equivale a dizer que o sacrifício de Cristo não foi eficaz. Não podemos esquecer que todos aqueles pelos quais cada gota do Bendito sangue foi derramado, indubitavelmente, serão salvos (nenhum a mais ou a menos). O sangue expiatório do Cristo não escorreu por todos, mas apenas pelos seus eleitos, pela sua igreja: “Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele comprou com seu próprio sangue” (Atos 20:28). Em plena harmonia com esse ensinamento, a Confissão de Fé de Westminster, interpretando as escrituras, afirma que: todos os que foram eleitos, antes da fundação do mundo, serão salvos e virão a Cristo e nenhum deles se perderá; portanto, esse argumento de “almas caminhando para o inferno”, definitivamente, não deve ser nossa motivação para pregar o evangelho e não será nossa pregação que mudará essa preordenação divina, como reafirma a Confissão de Fé de Westminster: “Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são predestinados para a vida e outros preordenados para a morte eterna”.[6]

A nossa (única) motivação para pregar o evangelho deve ser outra. Devemos pregar porque Cristo mandou pregar e pronto. Devemos pregar por obediência aos mandamentos do senhor, sabendo que esse foi o meio pelo qual Deus decidiu chamar eficazmente seus eleitos.
Pregar o evangelho é um imperativo de Cristo. Assim aprendemos, conforme registrado em Mateus 28:19-20: ”Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado”.
Nesse texto, devemos observar que a ordem para “ensinar todas as coisas que Cristo ordenou” é tão imperativa quanto o próprio “ide”. Esse, queridos, deve ser nosso grande desafio. Queremos crescer, podemos crescer; mas não como muitas igrejas estão crescendo! Podemos e queremos crescer como Igreja Presbiteriana do Brasil. Uma igreja que tem a bíblia como Única Regra de Fé e Prática; uma igreja que põe o homem no seu lugar de criatura decaída e que reconhece a total Soberania de Deus.
Caros irmãos, não nos interessa crescer de qualquer forma, com uns membros atrofiados e outros desproporcionalmente alongados, como muitas igrejas “mutantes” estão crescendo. Queremos crescer o crescimento que provém de Deus:

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor. (Efésios 4: 11-16)
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Por Presb.Fábio Correia fabiocorreia@unicap.br


Presbítero da Igreja Presbiteriana do Jordão – Recife-PE, Licenciado em Educação Religiosa pelo SPN e em Filosofia pela Unicap. Mestre em Filosofia pela UFPE.



[1] Fonte: Revista Veja, Edição Nº 26

[2] Um dos pastores que estudaram no Instituto de Crescimento de Igreja, fundado por McGravan, que em 1965 se uniu ao Seminário Teológico Fuller, em Passadena (Califórnia), principal reduto do “movimento de crescimento de igreja” (de onde as “super-igrejas” tiram toda sua base filosófica para apoiar suas práticas). Phil chegou a ser aluno de C. Peter Wagner, o principal porta-voz do Movimento de Crescimento de Igrejas.

[5] O Apóstolo Paulo, mesmo tendo escrito, pela inspiração divina, quase metade do Novo Testamento, precisou defender e reafirmar seu apostolado, pois muitos não o tinham como tal, a exemplo do que está registrado em II Coríntios capítulo 11. Muito me estranha o fato de alguns se auto-denominarem “apóstolos”, tendo, inclusive, a ousadia de Escrever o que chamam de “palavra profética” e ninguém questionar isso. Membros, inclusive da IPB, têm se referido a esses “falsos apóstolos” com um certo tom de sacralidade, e, isso é extremamente preocupante.

[6] Confissão de Fé de Westminster, Capítulo III

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A Teologia Reformada ao Alcance de Todos

A Faculdade Internacional de Teologia Reformada tem por objetivo propagar a fé reformada, através do ensino superior de teologia e outras disciplinas gerais, utilizando o método da educação a distância através da internet, a fim de que pessoas de língua portuguesa em todo o mundo tenham a oportunidade de se prepararem para a defesa da "...fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (Judas 1:3 RA).

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Dois sacerdotes do sexo masculino casam-se no primeiro “casamento alegre” da igreja anglicana

Uma igreja anglicana realizou um “casamento homossexual” pela primeira vez em um movimento que aprofundou as divergências entre liberais e tradicionais.
Dois sacerdotes homens trocaram votos e anéis em uma cerimónia que foi conduzida usando um dos ritos os mais tradicionais do casamento da igreja - uma decisão considerada como blasfema por conservadores.
A cerimónia quebrou a igreja de directrizes de Inglaterra e foi realizada no mês passado no desafio do Bishop de Londres, cuja na diocese ocorreu. A notícia do “casamento” emergeu dias antes de uma cimeira crucial dos bishops conservadores e dos arcebispos da igreja anglicana, que estão ameaçando rachar a igreja mundial sobre a introdução de cleros homossexuais.
Embora alguns cleros liberais realizem a “bênção de cerimónias” para pares homossexuais no passado, este é a primeira vez que um vigário executou de “uma cerimónia casamento”, usando uma liturgia tradicional da união, com leituras, hinos e um Eucharist.
As asas conservadoras e liberais do comunhão anglicano expressaram choque a noite passada.
A maioria de Rev Henry Orombi, arcebispo de Uganda, disse que a cerimónia era “blasfema.” Convidou o Dr. Rowan Williams, arcebispo de Canterbury, para tomar a ação decisiva se a igreja anglicana não era “se desintegra”. O arcebispo Orombi adicionou: “O que me choc realmente é que isto está acontecendo na igreja de Inglaterra que nos trouxe primeiramente o evangelho.
“A liderança tentada negar que esta aconteça, mas agora a verdade está para fora. Nosso respeito para a igreja de Inglaterra corrmoer-se-á a menos que nós virmos um retorno ao ensino tradicional.”
O Rev Michael Scott-Joynt do Rt, Bishop de Winchester - uma figura conservadora poderosa - dito que o serviço representou um casamento “em tudo com exceção do nome”. Disse: “Estritamente falá-lo não é uma união, mas a língua é modelada claramente no serviço de união e a ocasião é modelada no serviço de união. Isto escarneça claramente directrizes da igreja e agravará divisões dentro do comunhão anglicano.”
O bishop disse que era até o Rev Richard Chartres do Rt, o Bishop de Londres, actuar, adicionando que se transformaria uma situação de teste destacado da autoridade da igreja.
“Podemos nós representamos o ensino desobstruído da igreja de Inglaterra ou somos nós impotentes face a estas ações, que eu lamento enorme ocorri,” disse.
O serviço foi prendido em St Bartholomew a grande em Londres - uma das igrejas as mais velhas de Inglaterra, que caracterizaram em quatro casamentos e em um funeral - e conduzido pelo reitor da paróquia, o Rev Martin Dudley.
Os pares, o Rev Peter Cowell, que é um clero em uma das igrejas da rainha, e o Rev Dr. David senhor, tinham registado sua parceria civil antes da cerimónia.
O Sr. Dudley abriu o serviço dizendo: “Cara amado, nós somos recolhidos junto aqui na vista do deus para juntar-se a estes homens em uma obrigação contratual santamente do amor e da fidelidade. Tal obrigação contratual mostra-nos o mistério da união entre povos do deus e do deus e entre Christ e a igreja.” Nos votos, o Sr. Cowell e o Dr. senhor prometeram “para realizar deste dia para diante, para melhor para mais mau, para mais rico para mais pobre, na doença e na saúde, amar e estimar, até que morte nós para fazer a parte”.
O Sr. Dudley abençoou a união com as palavras: “Porque as almas de David e de Jonathan eram malha junto, assim que estes homens podem certamente executar e manter o voto e concordá-los betwixt fizeram.”
As figuras principais da igreja expressaram a admiração na língua e na grandiosidade do serviço, reivindicando que era um ato altamente provocante. Embora, o uso de uma cerimónia tão tradicional não constitua uma união nos olhos da lei, a igreja figura em todos os lados disse que o evento foi mais do que todas as cerimónias alegres da bênção que vão antes.
A “união” revive a guerra sobre o clero homossexual que tragou a igreja desde 2003 quando o gene Robinson foi feito a Bishop de de New-Hampshire e de Jeffrey John, um outro clero alegre, que estivesse a ponto de se transformar Bishop da leitura, foi feito para step-down.
É provável alentar os cleros liberais que foram relutantes oferecer do “um serviço cheio casamento” e abrirá as comportas a outros homossexuais que querem uma cerimónia tradicional.
O Sr. Dudley concorda conduzir o serviço apesar do aviso do Bishop Chartres que as directrizes da igreja - elaboradas quando o ato civil das parcerias foi introduzido - não permitem bênçãos formais de relacionamentos alegres. Discutiu que era um não casamento mas uma bênção e que “não estava oferecendo” abençoando serviços, mas respondendo aos pedidos pessoais dos amigos. “Eu acredito que a união é uma união entre um homem e uma mulher, mas eu não ver nada erradamente com bênção de um par que queiram fazer life-long um compromisso a um outro.”
Uma igreja do orador de Inglaterra disse: “Onde os cleros são aproximados pelos povos que pedem a oração com relação a participar em uma parceria civil devem responder pastorally e sensìvel à vista das circunstâncias. Mas a casa dos Bishops afirmou que os cleros não devem proporcionar serviços da bênção para aqueles que registam uma parceria civil.”
Por Jonathan Wynne-Jones, casos religiosos correspondentes Último actualizado: 7:10 PM BST 15 junho 2008
Extraído e traduzido livremente de: