
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações [...]. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum [...]. Diariamente perseveravam unânimes” (Atos 2:42-46).
A questão da unidade é uma das mais sérias e importantes para a sobrevivência de qualquer grupo. Não é sem motivos que o Senhor Jesus afirmou: “Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (MT 12:25). Unidade de propósitos, objetivos, pensamentos e crenças. Este é o motivo do “sucesso” (ainda que momentâneo e nos limites impostos pela Soberania de Deus) do reino das trevas. Todos os demônios, dentro de suas possibilidade, características e limitações, empregam força e poder para alcançar um único alvo: “matar, roubar e destruir”. Absolutamente nada tira o foco de sua missão. Até mesmo o senso comum sabe da importância da unidade: diz um conhecido dito popular “a união faz a força”.
Por causa da unidade de pensamento, diz o texto “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos (Atos 2:47). Se pararmos para pensar um pouco sobre o neo-pentecostalismo, logo veremos uma das principais razões do seu estrondoso crescimento: a unidade de pensamento nas doutrinas basilares. Já viram algum pentecostal ou neo-pentecostal que não acredita na contemporaneidade dos dons de revelação, profecia ou línguas “estranhas”? É precisamente essa unidade peculiar de pensamento, essa unidade doutrinária que os faz ser “pentecostais” em essência. Se é verdade que a unidade de pensamento promove crescimento, também é mais que verdade que a falta dela – “desunidade” - produz, igualmente, o contrário: diminuição. A equação é mais ou menos assim: Unidade de Pensamento = Crescimento. Por inferência podemos também afirmar: “Desunidade” de Pensamento = Falta de Crescimento. Não precisamos de exemplos externos para a comprovação desse fato. A IPB, ao longo dos seus 149 anos, Têm passado por algumas dolorosas experiências de cismas. Apesar da multiplicidade de condições e motivos que acabaram levando a essas rupturas, um elemento esteve presente em todas elas: a “desunidade” de pensamento. E agora perguntamos: a IPB cresceu ou diminuiu? Obviamente que diminuiu. Acaso não foi também esse o motivo da “desavença tal” (Atos 15:39), entre Paulo e Barnabé, que culminou na sua lamentável separação? Esse fenômeno, inevitavelmente, destrói. Destrói amizades, destrói espiritualidade, destrói a paz, destrói a harmonia e destrói, principalmente, a identidade de uma igreja. Curiosamente o reino das trevas, que têm prazer na promoção dessa “desunidade” de pensamento, é um dos que mais cultiva, em seu meio, a unidade (conf.Mc 3:24-26).
Ter que aprender com o “reino das trevas” é um grave sintoma de que as coisas não andam bem! E agora a pergunta que não quer calar e que ecoa, talvez, como nunca nesses 149 anos de história: A IPB hoje possui “unidade” ou “desunidade” de pensamento doutrinário? O justo cuidado para que não haja um novo “racha” na igreja tem feito surgir um novo modelo de presbiterianismo: “O Presbiterianismo intra-ecumênico”.
Somos forçados a conviver, harmonicamente, com pastores, presbíteros e diáconos (presbiterianos) que acreditam na contemporaneidade dos dons revelacionais (profecias, sonhos, novas revelações, línguas estranhas, etc), quando a própria Confissão de Fé de Westminster, que juraram fidelidade, afirma categoricamente que a escritura é o “único” meio ativo de Deus revelar-se ao seu povo “tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo” (CONFISSÃO I.I).
Somos obrigados a conviver, pacificamente, com bizarras inovações no culto público – com o aval dos conselhos - (como encenações teatrais, coreografias e danças litúrgicas), quando a mesma confissão de fé que os mesmos conselhos devem obediência enfatiza: “o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás” (CONFISSÃO XXI.I). Sem contar ainda os inúmeros “apelos” do Supremo Concílio para que as igrejas “acabem” com tais práticas (mencionadas acima), que no dizer do próprio Secretário Executivo, Rev.Ludgero Bonilha, tem encontrado “por parte de alguns pastores e conselhos, ouvidos mocos, como se estas decisões não carecessem de qualquer observância ou implementação” (CARTA 6041/07-SC). (Quem quiser ter acesso a esse documento enviado aos pastores e conselhos é só mandar um email solicitando que enviaremos uma cópia).
Chega de exemplos, pois nem mesmo em “todos os livros da casa editora presbiteriana” caberia tudo. Essa cultura “intra-ecumênica” está tão enraizada que ninguém mais denuncia “qualquer decisão doutrinária ou constitucional que flagrantemente aberra dos princípios fundamentais adotados pela Igreja” (Conf.CI- IPB-II, 7, letra a - Código de Disciplina), sob pretexto de não ser taxado de “radical” ou “puritano” ou em nome de uma ética que é, em si mesma, a antítese do que é realmente ético. Diante de tudo isso, nos parece irrefutável a existência do binômio antagônico “Discurso X Prática”, por parte de alguns líderes presbiterianos. “Não tampemos o sol com a peneira”: há igrejas presbiterianas cuja única identificação com esse nome está na fachada dos seus prédios. Voltando à nossa pergunta, não precisa ser muito esperto para perceber que a “IPB” possui “desunidade” de pensamento doutrinário. Sejamos claros também como o Senhor o foi: “Todo reino dividido contra si mesmo será assolado” (Lc 11:17). Se é assim, você então pode perguntar: Por que a IPB conseguiu completar 149 anos e caminha a passos largos, com a permissão de Deus, para os 150 anos? Respondemos: não podemos ser injustos a ponto de continuarmos com essa generalização do termo “IPB” que, propositadamente, empreendemos até aqui. A unidade doutrinária da instituição IPB encontra-se “inabalável”, desde a sua fundação. Certamente muitos presbíteros, pastores, diáconos, irmãos, irmãs e igrejas locais, ao longo dessa bela história, não só conhecem como também subscrevem nossos símbolos de fé - e por isso os 149 anos. É extremamente fácil uma igreja “confessional” como a IPB manter-se unida quanto ao pensamento doutrinário e assim tem sido.
O grande problema é que uma também boa quantidade de pastores, presbíteros, diáconos, irmãos, irmãs e igrejas locais, estão “fora de sintonia” com o que realmente é a IPB e com o que realmente é ser presbiteriano. Estão como que “desviados (sob aspectos doutrinários) dentro da própria igreja”; estão “pensando e crendo diferente do que a IPB pensa e crê”. O que nos leva a concluir também que não são, de fato, presbiterianos; estão como que um “peixe fora d’água”. Tudo isso dá a falsa impressão de “desunidade doutrinária”.
Contudo, não podemos negar: (mesmo entendendo que não é a IPB que está vivendo essa situação e, sim, alguns pontuais pastores, presbíteros, diáconos, irmãos, irmãs e igrejas locais), isso não nos é confortável; e por um único motivo: amamos esses irmãos como filhos, servos de Deus e nossos irmãos em Cristo; por isso queremos que tenham um entendimento correto das escrituras sagradas – que julgamos está sistematizado em nossos símbolos de fé -; por isso também não queremos que eles “saiam da IPB”, antes, continuando na IPB, tornem-se “presbiterianos” e venham fazer parte dessa maravilhosa “unidade doutrinária”. Na comemoração dos 149 anos da IPB, a palavra de ordem foi “unidade”. Várias orações suplicavam por unidade, numa tradução coletiva do desejo de todos. Mas, não podemos esquecer o que as Escrituras ensinam: não há unidade com “desunidade” de pensamento doutrinário”.
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Por Presb.Fábio Correia
Secretário de Educação Religiosa do Presbitério Recife - PRRE. Mestre em Filosofia pela UFPE, Licenciado em Educação Religiosa pelo SPN, Licenciado m Filosofia pela Unicap, Professor de Filosofia da Faculdade Decisão-PE.
fabiocorreia@hotmail.com



















