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sábado, 20 de setembro de 2008

Conferência Reformada...

Os Calvinistas Estão Chegando

O crescimento do interesse pela fé reformada em todo o mundo é um fato que tem sido notado aqui e ali pelos estudiosos de religião. Crescem em toda a parte a publicação de literatura reformada, o ingresso de estudantes em seminários e instituições reformadas, a realização de eventos, o surgimento de novas igrejas e instituições de ensino reformadas e o número de pessoas que se dizem reformadas.

Como se trata de um rótulo, é preciso definir “reformado.” Como já temos dito em outros posts neste blog, por “reformado” entendemos aquele que adere a uma das grandes confissões reformadas produzidas logo após a Reforma protestante no século XVI, aos cinco grandes pontos dessa Reforma, que são Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fides, Solus Christus e Soli Deo Gloria e aos chamados Cinco Pontos do Calvinismo, resumidos no acrônimo TULIP (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança final). Muito embora alguns não gostem do nome, quem adere a tudo isso acima não deixa ser um calvinista.

Como bem me lembrou Mauro Meister quando eu escrevia esse post, existe um grande número de igrejas que são da "tradição reformada" mas que já não crêem de maneira ortodoxa quanto a estas doutrinas. Geralmente essas igrejas não estão experimentando esse crescimento, mas um esvaziamento, como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos e outras denominações historicamente ligadas à Reforma, mas que já não professam de forma estrita seus postulados.
Da Coréia, China, Indonésia, por exemplo, chegam relatórios do florescimento calvinista. É claro que o calvinismo acaba recebendo diferentes interpretações e expressões em tantas culturas variadas, mas os pontos centrais estão lá.

Isso não quer dizer que os reformados calvinistas são muito numerosos, comparados com pentecostais e arminianos, por exemplo. O que eu quero dizer é que os relativamente poucos reformados calvinistas têm experimentado um crescimento que já chama a atenção de muitas denominações e tem provocado alertas da parte de seus líderes.

Vejam o que está ocorrendo na maior denominação evangélica dos Estados Unidos, os Batistas do Sul. A prestigiosa revista evangélica Christianity Today, vol. 52, No. 2 de fevereiro desse ano traz um artigo em que documenta a reintrodução do calvinismo através dos seminários nessa denominação. O ressurgimento do calvinismo entre os Batistas do Sul é mais antigo, leia aqui. Considerados de orientação arminiana de longa data (apesar de alguns documentos fundantes serem calvinistas), os Batistas do Sul estão vendo o calvinismo sendo transmitido nos seminários, não tanto por professores, mas pelos próprios alunos. Alarmada, a Convenção Batista de Oklahoma oficialmente rejeitou a teologia reformada e mandou cópia da condenação para a Comissão Executiva da Convenção Batista do Sul.

De acordo com o artigo da Christianity Today, 10% dos pastores da Convenção já se declaram calvinistas e perto de 30% dos concluintes dos seminários fazem a mesma afirmação. A continuar nesse ritmo, em breve teremos um grande reavivamento calvinista no coração da maior denominação arminiana conservadora dos Estados Unidos. Veja aqui a história de como a doutrina da predestinação chegou a dois seminários arminianos.

A ressurgência calvinista nos Estados Unidos não está ocorrendo somente entre os Batistas, mas entre muitas outras denominações. Leia aqui um artigo da Christianity Today sobre o assunto. Um dos motores é o ministério de pastores reformados populares, como John Piper, R. C. Sproul e John MacArthur, entre outros. Os eventos promovidos por eles recebem milhares de pastores de todas as denominações e seus livros são traduzidos em dezenas de línguas, inclusive em português. No Brasil temos quase todos os títulos destes autores.

Em menor escala, estamos assistindo ao mesmo processo em meio aos batistas brasileiros. Cresce o número de batistas interessados na teologia reformada. Recentemente assistimos à formação da Comunhão Batista Reformada, composta de batistas calvinistas que não conseguiam mais espaço em suas convenções para expressarem as suas opiniões.

Mas, o interesse maior na fé reformada no Brasil parece ser da parte dos pentecostais. Cresce a presença de pastores e líderes pentecostais nos grandes eventos reformados no Brasil. Cresce também o número de pentecostais que estão adquirindo literatura reformada. E cresce o número de igrejas pentecostais independentes que estão nascendo já com uma teologia influenciada pelo calvinismo. Algumas denominações pentecostais também vêm recebendo a influência calvinista a passos largos. Tenho tido o privilégio de pregar e ministrar palestras em eventos de grande proporção organizados por instituições pentecostais interessadas em explorar os grandes temas reformados.

O ministério de editoras que publicam material reformado, como a Editora Cultura Cristã, a Fiel e a Publicações Evangélicas Selecionadas, por exemplo, tem servido para colocar as obras de reformados brasileiros e internacionais nas mãos dos evangélicos brasileiros ávidos por uma teologia consistente, e cansados dos excessos do neopentecostalismo e da aridez do liberalismo teológico.

Não tenho uma explicação definitiva para esse fenômeno do retorno da TULIP, a não ser a de que a providência divina assim o deseja. No mínimo, é curioso que uma fé tão perseguida e odiada como o calvinismo, de repente, passe a ter tanta aceitação. Não há ninguém na história da Igreja tão mal entendido, distorcido, vilipendiado, odiado e amaldiçoado quanto João Calvino. Chamado de tirano, déspota, incendiário de hereges, frio, duro, determinista, criador do capitalismo selvagem, Calvino tem sofrido mil mortes nas mãos de seus detratores, os quais, na maioria das vezes, nunca leram sequer uma de suas obras, e que formaram sua opinião lendo obras de terceiros.

Somente espero que, à medida que o movimento cresça no Brasil, os reformados aprendam a reter o que é essencial e bíblico na Reforma, sem tornar em matéria de fé aquilo que pertenceu a séculos passados em outras culturas, como, infelizmente, já tem acontecido no Brasil com alguns grupos. Que eles lembrem que a fé bíblica, que é a fé da Reforma, também pode se expressar dentro da rica e variada cultura brasileira.

Artigo publicado originalmente no blog: www.tempora-mores.blogspot.com e reproduzido aqui com a devida autorização do autor Augustus Nicodemus Lopes

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Soberania de Deus e a Liberdade humana na perspectiva calvinista

Introdução

Ao analisarmos a história, tanto do pensamento religioso como do pensamento filosófico, perceberemos que existe certo modelo cíclico na abordagem de grandes temas da humanidade e não uma linearidade absoluta, que preconizaria a existência de temas totalmente novos e de número praticamente incontável. Mas, certamente, não é isso que ocorre. As mesmas questões são objeto de investigação nas mais variadas culturas e gerações. Essa recorrência acaba estabelecendo um número extremamente limitado do que podemos chamar de “os grandes problemas da humanidade”.
Segundo Wright, fazem parte dessa lista:

A relação da unidade do mundo com a diversidade de nossa experiência individual, como podemos estar certos do conhecimento que temos, se há Deus ou não, a natureza da “substância” de que o mundo é feito e como devemos navegar nas questões éticas (WRIGHT, 1998, p.19).

Kayper trata esse assunto de forma ainda mais sintética e apresenta a seguinte lista: “Nossa relação com Deus, nossa relação com o homem e nossa relação com o mundo” (KUYPER, 2002. p, 28).
Todas as outras discussões são derivadas, direta ou indiretamente, dessas grandes abordagens. Um dos mais persistentes desses problemas e que tem ocupado a mente dos mais importantes pensadores, é o que trata sobre a liberdade das ações humanas em contrapartida com a causalidade.
É nossa vontade realmente livre de causas e influências, ou são todas as nossas ações “predeterminadas” de algum modo?
Na filosofia, o debate reaparece no binômio paradoxal entre autonomia versus determinismo. A máxima da antropologia socrática: “conhece-te a ti mesmo”, apresenta uma consciência humana autônoma, de forma que o caminho da verdade suprema deve ser encontrado “dentro” do próprio homem. Coube a Nietzsche, entretanto, a libertação absoluta de toda e qualquer forma de transcendência. O criador do “super-homem” chega a “matar” Deus em busca do diploma da liberdade absoluta, para outorgá-lo ao homem:

Eu vos apresento o Super-homem! O Super-homem é o sentido da terra. Diga a vossa vontade: seja o Super-homem, o sentido da terra. Exorto-vos, meus irmãos, a permanecer fiéis à terra e a não acreditar em que vos fala de esperanças supraterrestres. São envenenadores, quer o saibam ou não. Não dão o menor valor à vida, moribundos que estão, por sua vez envenenados, seres de que a terra se encontra fatigada; vão se por uma vez! (NIETZSCHE, 1994, p.30)

E ainda:

Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda história até hoje! (NIETZSCHE. Fredrich. A Gaia Ciência, §125).

A ciência
[2], por sua vez, toma emprestado, da filosofia, o termo determinismo e o transforma na principal base do conhecimento científico da natureza, para afirmar a existência de relações fixas e necessárias entre os seres e os fenômenos naturais, isto é, o que acontece não poderia deixar de acontecer porque são conseqüências de causas anteriores.
Nosso maior enfoque, porém, neste ensaio, será teológico. O problema é tratado, primordialmente, entre as culturas religiosas, como sendo a relação entre a vontade humana e a soberania divina, ou ainda, mais especificamente, como a relação entre livre-arbítrio e predestinação ou predeterminação.
Não é raro encontrarmos posturas extremadas, ora beneficiando a total soberania divina e a negação total da liberdade humana, o que faria de Deus o autor do pecado e do mal ora evidenciando a total liberdade humana, o que não só nega a soberania de Deus como o reduz a um mero “registrador” da vontade do homem.
Um dos principais exemplos da negação total da vontade humana pode ser encontrado no Hinduísmo. Considerada a mais velha religião ainda existente no mundo, tem no conceito de estratificação social das castas
[3] o exemplo máximo da aceitação do condicionamento, por fatores externos, da vida. Um indivíduo que nasce em uma determinada casta, julgada inferior, jamais pode ascender para uma casta superior, e, isso, determinará todo o seu futuro.
Os mulçumanos
[4] também figuram entre os principais exemplos de negação da vontade humana. Para eles, não há espaço para a atuação “livre” do homem, uma vez que professam um determinismo absoluto, que não deixa lugar no mundo para as verdadeiras relações de causa e efeito, já que todas as ações, boas e más, foram “criadas” pelo insondável decreto de Alá.
Não podemos deixar de citar aqui também, entre aqueles que negam completamente qualquer tipo de liberdade humana, o hipercalvinismo
[5].
Em contrapartida à negação total da liberdade do homem, temos o outro extremo: as tendências religiosas que intensificam o livre-arbítrio de tal forma que chegam a ofuscar a soberania de Deus, como o pelagianismo romano e, principalmente, o arminianismo da maioria das igrejas evangélicas pós-reforma protestante. Nesse sentido, Wright denuncia a “manipulação genética” que essas igrejas estão fazendo em Deus, retirando-lhe atributos que são próprios e exclusivos de sua natureza divina, simplesmente para “acomodar a suposição da autonomia humana” (WRIGHT, 1998, p.14).
Como pudemos perceber acima, a busca cíclica do homem por novas respostas a antigos problemas – ora beneficiando a liberdade do homem ora excluindo-a por completo, em nome da soberania divina, tende a continuar. O homem só se fixará em um sistema de resposta convincente quando entender, como afirma A.W.Pink, em seu famoso livro “Deus é Soberano”, que as duas sentenças são verdadeiras, em certo sentido: O homem é livre e responsável pelos seus atos e, ao mesmo tempo, Deus é Soberano.
O Calvinismo é esse poderoso sistema, não somente teológico, mas de vida. Hermeticamente fechado, atende aos interesses mais profundos da humanidade, tanto da alma quanto da racionalidade. O Calvinismo reconhece Deus como Deus, soberano, acima de tudo e de todos; ao mesmo tempo em que entende o homem, na sua situação pré-queda, como livre e pós-queda, como uma criatura decaída. O Calvinismo entende o homem e o próprio Deus, pelo prisma das Sagradas Escrituras; ao mesmo tempo que se distancia do misticismo, abrindo, com isso, uma importante janela para o desenvolvimento e a racionalidade, aproxima-se, de forma profunda e coerente, com a antropologia e teologia da revelação escrita.
Kuyper, comentando sobre o sistema de vida calvinista, faz a seguinte afirmação:
Não há dúvida, então, de que o Cristianismo está exposto a grandes e sérios perigos. Dois sistemas de vida estão em combate mortal. O Modernismo está comprometido em construir um mundo próprio a partir de elementos do homem natural, e a construir o próprio homem a partir de elementos da natureza; enquanto que, por outro lado, todos aqueles que reverentemente humilham-se diante de Cristo e o adoram como o Filho do Deus vivo, e o próprio Deus, estão resolvidos a salvar a “herança cristã”. Esta é a luta na Europa, esta é a luta na América, e esta também é a luta por princípios em que meu próprio país está engajado, e na qual eu mesmo tenho gasto todas as minhas energias por quase quarenta anos.Nessa luta apologética não temos avançado um único passo. Os apologistas invariavelmente começam abandonando a defesa assaltada, a fim de entrincheirarem-se covardemente um revelim atrás deles. Desde o início, portanto, tenho sempre dito a mim mesmo, -“Se o combate deve ser travado com honra e com esperança de vitória, então, princípio deve ser ordenado contra princípio. A seguir, deve ser sentido que no Modernismo, a imensa energia de um abrangente sistema de vida nos ataca; depois também, deve ser entendido que temos de assumir nossa posição em um sistema de vida de poder, igualmente abrangente e extenso. E este poderoso sistema de vida não deve ser inventado nem formulado por nós mesmos, mas deve ser tomado e aplicado como se apresenta na História. Quando assim fiz, encontrei e confessei, e ainda sustento, que esta manifestação do princípio cristão nos é dada no Calvinismo (KUYPER, 2002, p.19).

Certamente uma análise cuidadosa dos princípios calvinistas acerca da Soberania de Deus e da liberdade humana trará grande luz, capaz de iluminar os recantos mais obscuros desse antigo problema da humanidade.

1.Soberania que cria liberdade


O famoso filme do diretor Stevan Spilberg, “inteligência artificial”, aborda a idéia de um robô criado para ter uma relação de perfeição com seu “dono”. Programado para ter um amor incondicional, o menino-robô surge como um ser “absolutamente perfeito”; criado para fazer tão somente aquilo que agrada aos seus compradores/familiares.
Baseados na idéia do filme, levantamos a seguinte questão: acaso Deus não poderia ter criado o homem com tal nível de programação a ponto de ter como “único” desejo o serviço a seu criador, da maneira como este estabelecesse, previamente, em sua própria programação? É claro que sim.
O fato é que aprouve a Deus, em Sua soberania, diferentemente de Spilberg, criar não somente o homem, mas criar também sua própria liberdade e autonomia. Aprouve a Deus criar o homem livre.
Essa liberdade, porém, outorgada por Deus ao homem, precisa, à luz do calvinismo, ser entendida dentro do contexto histórico-temporal de “antes-queda” e “pós-queda”. Diferentemente da visão pelagiana/arminiana, para o calvinismo a inserção do pecado, via “escolha-livre-do-homem”, que resolveu, pelo seu próprio arbítrio e vontade, transgredir as expressas ordens do seu criador (direito concedido por Ele mesmo), trouxe para si mesmo uma drástica mudança em sua natureza. Mesmo tendo sido solenemente alertado sobre essa conseqüência, pelo seu criador, “decidiu”, sozinho, ser agente ativo e consciente dessa mudança.

1.1 Liberdade que decide não ter liberdade

1.1.1. Situação Pré-queda do homem


Agostinho costuma dizer que a antropologia bíblica poderia ser dividida em três fazes. Na primeira delas, antes da queda, “o homem podia não pecar”. É seguindo esses mesmos passos que o calvinismo entende a situação de liberdade do homem, antes da queda.
Passaremos a analisar os principais documentos calvinistas que tratam da criação da liberdade do homem.
A confissão de Fé de Westminster, formulada no século XVII por cerca de 121 teólogos calvinistas, faz a seguinte afirmação, no capítulo que trata sobre a criação:

Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, e dotou-as de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações, e o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, que era mutável (WESTMINSTER, 1999, IV.II).


Um importante teólogo calvinista comentando sobre o que possibilitou que Adão e Eva pecassem apresenta o seguinte motivo:

Deus os deixou à liberdade da sua própria vontade, em vez de usar da sua onipotência para impedi-los de pecar. Por ser onipotente, Deus com certeza poderia ter impedido a raça humana de cair em pecado. Mas em Sua sabedoria não escolheu impedir a queda. Como Deus conteve a Sua onipotência e deixou Adão e Eva à própria vontade deles, foi-lhes plenamente possível optarem por cometer o pecado (GEERBARDUS, 2007, p.87).


Ainda sobre a criação da liberdade do homem:

O homem é a única das criaturas dentre as que Deus criou que é consciente de si mesma. Deus fez o homem à sua imagem mental e moral. O Dr.Albertus Pieters diz: “isso compreende o poder autoconsciente de raciocinar, a capacidade da autodeterminação e o senso moral. Em outras palavras, ser uma criatura que pode dizer “Eu sou”, eu devo, eu irei” – isso é o que significa ser feito à imagem de Deus (VAN HORN, 2000, p.25).


Outro importante teólogo calvinista, o holandês Berkhof, ainda comentando sobre a criação da liberdade, afirma:

Sua condição era preliminar e temporária, podendo levar a maior perfeição e glória ou acabar numa queda. Foi por natureza dotado daquela justiça original que é a glória máxima da imagem de Deus e, consequentemente, vivia num estado de santidade positiva. A perda daquela justiça significaria a perda de uma coisa que pertencia à própria natureza do homem em seu estado ideal. O homem podia perdê-la e ainda continuar sendo homem, mas podia não perdê-la e continuar sendo o homem no sentido ideal da palavra (BERKHOF, 1990, p.209).


Cremos que já ficou claro o suficiente que o calvinismo entende que o homem, em seu estado natural, possuía o que costumeiramente é chamado de livre-arbítrio. No entanto, não podemos encerrar essa cessão sem antes verificarmos o capítulo da Confissão de Westminster que trata especificamente sobre a criação da liberdade ou do livre-arbítrio do homem:

Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder. Ec. 7:29; Col. 3: 10; Gen. 1:26 e 2:16-17 e 3:6 (WESTMINSTER, 1999, IX. I, II).


1.1.2 Situação Pós-queda do homem



Precisamente neste ponto começam as divergências sobre a antropologia Bíblica. Que o homem (em sua situação pré-queda) era livre em seu arbítrio, agostinianos e pelagianos, calvinistas e arminianos, andam juntos. A bifurcação teológica, entretanto, perpassa pelas conseqüências dessa “escolha consciente” em não obedecer e não levar em conta as ameaças solenes de Deus.
Para Pelágio essas conseqüências foram graves mas, apesar disso, ela não afetou a “natureza do homem”. Para ele, “a liberdade é o bem supremo, a honra e a glória do homem, o bonum naturae, que não pode ser perdido [...]. Essa habilidade é dada ao homem por Deus na criação, e é um aspecto essencial da natureza constitutiva do homem” (SPROUL, 2001, p.32). Ele acreditava que a natureza do homem continuou sendo livre e boa, da mesma forma como foi integralmente criada.
Armínius, não concordava com Pelágio, relativamente às conseqüências da queda para a natureza do homem e entendia, em certo sentido, ser necessário o auxílio da graça divina para o homem voltar a obedecer. No entanto, em sua opinião, essa graça não é um fim em si mesma e que a regeneração é gradativa e não instantânea, depende, inclusive, da santificação enquanto processo. “Ele declara que esta obra da regeneração e iluminação não é completada num momento; mas [...] é elevada e promovida de tempos em tempos, pelo crescimento diário” (SPROUL, 2001, p141).
Em última instância e para finalizar aqui essa exposição da antítese do calvinismo, Armínius acreditava que, de alguma forma, havia restado, mesmo depois da queda, algum tipo de liberdade no homem; uma porção de livre-arbítrio o que, indiscutivelmente, o aproxima de Pelágio, conforme demonstra Sproul, citando Armínius:

Todas as pessoas não-regeneradas tem liberdade de vontade e uma capacidade para resistir ao Espírito Santo, para rejeitar a oferta da graça de Deus, para rejeitar a oferta da graça de Deus, para desprezar o evangelho e para não abrir àquele que bate à porta do coração; e essas coisas eles realmente podem fazer sem qualquer diferença entre o eleito e o répobro (SPROUL, 2001, p.143).


Diferentemente de Pelágio e Armínius a visão calvinista entende que, com a queda, o homem torna-se “totalmente depravado” em todas as suas instâncias e assim como Agostinho, nessa nova realidade o homem “não pode não pecar”.
Sobre os efeitos da queda, afirma a Confissão de Fé de Westminster:


Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma. Gen. 3:6-8; Rom. 3:23; Gen. 2:17; Ef. 2:1-3; Rom. 5:12; Gen. 6:5; Jer. 17:9; Tito 1:15; Rom.3:10-18. IV. Desta corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, é que procedem todas as transgressões atuais. Rom. 5:6, 7:18 e 5:7; Col. 1:21; Gen. 6:5 e 8:21; Rom. 3:10-12; Tiago 1:14-15; Ef. 2:2-3; Mat. 15-19 (WESTMINSTER, 1999, VI.II).


O mesmo documento ainda expõe de forma clara que o homem, que antes era detentor do “livre-arbítrio”, com a queda perde-o inteira e totalmente, nada restando.

O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu pr6prio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5. (WESTMINSTER, 1999, IX.III).

E ainda:

Todo o pecado, tanto o original como o atual, sendo transgressão da justa lei de Deus e a ela contrária, torna, pela sua própria natureza, culpado o pecador e por essa culpa está ele sujeito à ira de Deus e à maldição da lei e, portanto, exposto à morte, com todas as misérias espirituais, temporais e eternas. I João 3:4; Rom. 2: 15; Rom. 3:9, 19; Ef. 2:3; Gal. 3:10; Rom. 6:23; Ef. 6:18; Lam, 3:39; Mat. 25:41; II Tess. 1:9 (WESTMINSTER, 1999, VI.VI).

Os Cânones de Dort, outro documento calvinista, elaborado em 1618 em contra-argumentação ao documento apresentado pelos seguidores de Armínius em 1609, na Holanda, que ficou conhecido como “Remonstrance”, faz a seguinte afirmação acerca da situação pós-queda do homem:

Sua vontade e seu coração eram retos, todos os seus afetos puros [...]. Mas, desviando-se de Deus [...] Pela sua própria livre vontade, ele se privou destes dons excelentes. Em lugar disso trouxe sobre si cegueira, trevas terríveis, leviano e perverso juízo em seu entendimento; malícia, rebeldia e dureza em sua vontade e seu coração; também impureza em todos os seus afetos (DORT, 1996, III.I).


Lutero também subscrevia integralmente o pensamento de Calvino quanto à situação pós-queda. Em sua obra “nascido escravo”, um famoso debate com Erasmo de Roterdan, faz a seguinte afirmação:

Erasmo [...] você assevera que o “livre-arbítrio” é a capacidade que a vontade humana tem, por si mesma, de decidir [...]. Os pelagianos também fizeram isso. Mas você os ultrapassa! [...]. Prefiro até mesmo o ensinamento de alguns dos antigos filósofos aos seus. Eles diziam que um homem entregue a si mesmo só faria o errado. O homem só poderia escolher o bom com a ajuda da graça divina. Eles diziam que os homens são livres para decair, mas que precisam de ajuda para elevarem-se! Porém, é motivo de riso chamar a isso de “livre-arbítrio”. Com base em tais conceitos, eu poderia afirmar que uma pedra tem “livre-arbítrio”, pois só pode cair, a menos que seja erguida por alguém! O ensino daqueles filósofos, põem, ainda é melhor do que o seu. A sua pedra, Erasmo, pode escolher se sobe ou desce! (LUTERO, 1988, p.41).

O Catecismo Maior de Westminster dá a seguinte resposta à pergunta de n° 23: Em que estado a queda deixou a humanidade?: “A humanidade por causa da queda foi deixada em estado de pecado e de miséria” (CATECISMO MAIOR, 2007. 23).
Comentando sobre os resultados imediatos da queda e a situação em que ficou o homem, Berkhof faz a seguinte afirmação:

O concomitante imediato do primeiro pecado e, portanto, dificilmente um resultado dele no sentido estrito da palavra, foi a depravação total da natureza humana. C contágio do seu pecado espalhou-se imediatamente pelo homem todo, não ficando sem ser tocada nenhuma parte da natureza, mas contaminando todos os poderes e faculdades do corpo e da alma [...]. Esta mudança da condição real do homem refletiu-se também em sua consciência [...]. Não somente a morte espiritual, mas também a morte física resultou do primeiro pecado do homem (BERKHOF, 1990.p.227).

1.1.2.1 A decisão que afeta a posteridade
Os principais documentos calvinistas reconhecem que, em Adão, toda a sua descendência pereceu e que as mesmas conseqüências advindas sobre Adão passaram também, numa espécie de “transmissão hereditária”, para sua descendência: “Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito dos seus pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por geração ordinária”. At. 17:26; Gen. 2:17; Rom. 5:17, 15-19; I Cor. 15:21-22,45, 49; Sal.51:5; Gen.5:3; João3:6 (WESTMISNTER, 1999, VI.III).
Os Cânones de Dort afirmam o seguinte, sobre esse assunto:

Depois da queda, o homem corrompido gerou filhos corrompidos. Então a corrupção, de acordo com o justo julgamento de Deus, passou de Adão até todos os seus descendentes, com exceção de Cristo somente. Não passou por imitação, como os antigos pelagianos afirmavam, mas por procriação da natureza corrompida. Portanto, todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer ação que o salve, inclinados para o mal, mortos em pecados e escravos do pecado. Sem a graça do Espírito Santo regenerador nem desejam nem tampouco podem retornar a Deus, corrigir suas naturezas corrompidas ou ao menos estar dispostos para esta correção. (DORT, 1996, III.II, III).


O breve Catecismo de Westminster responde da seguinte forma à pergunta 16: Todo o gênero caiu pela transgressão de Adão? “Visto que o pacto foi feito com Adão, não só para ele, mas também para a sua posteridade, todo gênero humano, que procede por geração ordinária, pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgressão” (BREVE CATECISMO, 2000. 16).

2. A soberania que resgata a liberdade
Como vimos, os principais representantes da doutrina calvinista são unânimes em afirmar a situação do homem pós-queda como uma situação de morte espiritual e total depravação de todo o seu ser.
A expulsão do homem do paraíso, registrada em Gêneses, como uma das conseqüências de seu pecado, tem sido entendida “simplesmente” como um ato punitivo de Deus e de fato foi; mas não só. Esse ato pode ser entendido também como uma providência benevolente de Deus para que o homem, agora decaído, não permanecesse eternamente nessa situação. Nesse sentido, o Breve Catecismo de Westminster responde da seguinte forma à indagação n° 20: Deixou Deus todo gênero humano perecer no estado de pecado e miséria?: “Tendo Deus, unicamente pela sua boa vontade, desde toda a eternidade escolhido alguns para a vida eterna, entrou com eles em um pacto de graça, para livrá-los do estado de pecado e miséria e os levar a um estado de salvação por meio de um redentor” (BREVE CATECISMO, 2000. 20).
Geerbardus, teólogo calvinista, comentando sobre essa questão faz a seguinte afirmação:
Deus salva os seus eleitos tão somente por causa de seu amor e misericórdia. Isso é, nada obriga Deus salvar nenhuma parte da raça humana, mas Ele, na verdade, por causa do Seu amor e misericórdia, desejou e planejou a salvação de alguns deles [...]. E não há parcialidade nem injustiça nisso, pois Deus não deve a salvação a ninguém. Todos pecaram contra ele, perderam todo o direito e Ele nada deve a ninguém senão condenação (GEERBARDUS, 2007. p.110).
Na visão calvinista, para essa situação pós-queda em que o homem se meteu, só há uma esperança de reversão desse tenebroso quadro: uma intervenção externa e soberana que só Deus pode realizar, dando-lhe vida novamente, tirando-lhe do estado de miséria e morte espiritual, devolvendo a vida e com ela a liberdade:
Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa. Ref. Ef. 1:4, 9, 11; Rom. 8:30; II Tim. 1:9; I Tess, 5:9; Rom. 9:11-16; Ef. 1: 19: e 2:8-9 (WESTMINSTER, 1999, III, V).

E ainda:

Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça. Ref. João 15:16; At. 13:48; Rom. 8:28-30 e 11:7; Ef. 1:5,10; I Tess. 5:9; 11 Tess. 2:13-14; IICor.3:3,6; Tiago 1:18; I Cor. 2:12; Rom. 5:2; II Tim. 1:9-10; At. 26:18; I Cor. 2:10, 12: Ef. 1:17-18; II Cor. 4:6; Ezeq. 36:26, e 11:19; Deut. 30:6; João 3:5; Gal. 6:15; Tito 3:5; I Ped. 1:23; João 6:44-45; Sal. 90;3; João 9:3; João6:37; Mat. 11:28; Apoc. 22:17 (WESTMINSTER, 1999, X,I).

Para maiores esclarecimentos sobre esse tópico recomendamos uma análise mais detalhada sobre o segundo e terceiro pontos da sistematização doutrinária do calvinismo: Eleição Incondicional e Expiação Limitada, respectivamente, o que não faremos aqui por motivo de delimitação dessa abordagem.


2.1 A mudança no conceito de liberdade em benefício do homem


Diferentemente da liberdade que dispunha o homem, antes da queda – não tendia nem para o bem nem para o mal -, de forma que essa liberdade não sofria nenhuma pressão de natureza, a liberdade que Deus devolve, tão somente aos eleitos, é uma liberdade segundo sua nova natureza.
Agostinho resumia essa terceira fase de sua antropologia dizendo que após a operação da graça de Deus que Re-vivifica o homem, tirando-o do estado de perdição para o estado de salvação, “o homem não pode pecar”.


Interessante notarmos que no capítulo que trata sobre o livre-arbítrio, a Confissão de Fé de Westminster descreve um novo tipo de liberdade: uma liberdade que conduz o homem, devido à nova semente de vida plantada no seu coração, pelo próprio Deus, a decidir e a querer apenas o bem e às coisas que o conduz cada vez mais próximo de Deus. Contudo, isso não deve ser traduzido como uma “nova escravidão da vontade” e sim como uma Re-criação de uma vontade que agora se coaduna com a sua nova natureza. Essa vontade, no entanto, ainda está condicionada pelas contingências desse mundo, de forma que pode em algum momento variar para o que é mau, mas não de forma “natural” e essencial. Essa espécie de “vontade livre para o bem”, que denota também uma espécie de “homem ideal”, ocorrerá definitivamente tão somente nos céus – habitação final e eterna dos eleitos – mas, ocorrerá. Vejamos textualmente o documento calvinista:

Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o liberta da sua natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o habilita a querer e fazer com toda a liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrupção, ainda nele existente, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau. Col.1: 13; João 8:34, 36; Fil. 2:13; Rom. 6:18, 22; Gal.5:17; Rom. 7:15, 21-23; I João 1:8, 10. É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o bem só. f. 4:13; Judas, 24; I João 3:2 (WESTMINSTER, 1999, IX, IV, V).

No capítulo que trata especificamente da liberdade cristã (dos eleitos, agora regenerados) o mesmo documento anteriormente citado faz a seguinte afirmação:

A liberdade que Cristo, sob o Evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição da lei moral e em serem livres do poder deste mundo. do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado, do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário. Todos estes privilégios eram comuns também aos crentes debaixo da lei, mas sob o Evangelho, a liberdade dos cristãos está mais ampliada, achando-se eles isentos do jugo da lei cerimonial a que estava sujeita a Igreja Judaica, e tendo maior confiança de acesso ao trono da graça e mais abundantes comunicações do Espírito de Deus, do que os crentes debaixo da lei ordinariamente alcançavam. Tito 2:14; I Tess. 1: 10; Gal. 3:13; Rom. 8: 1; Gal. 1:4; At. 26:18; Rom. 6:14; I João 1:7; Sal. 119:71; Rom. 8:28; I Cor, 15:54-57; Rom. 5l: 1-2; Ef. 2:18 e 3:12; Heb. 10: 19; Rom. 8:14. 15; Gal. 6:6; I João 6:18; Gal. 3:9, 14, e 5: 1; At. 15: 10; Heb. 4:14, 16, e 10: 19-22; João 7:38-39; Rom. 5:5 (WESTMINSTER, 1999, XX.I).


A garantia de que essa liberdade jamais terá fim (diferentemente do estado transitório da liberdade inicial) está sintetizada no último ponto da antítese calvinista à Remostrance, sob o título Perseverança dos Santos.



Conclusão

O Calvinismo não só é uma resposta convincente ao grande problema da humanidade, sintetizada no binômio Soberania de Deus versus Liberdade humana, ou ainda, como trata a filosofia: Liberdade versus necessidade.
Ele é um poderoso sistema de vida, hermeticamente fechado, capaz de responder às questões mais difíceis em todos os níveis e áreas do conhecimento humano. O calvinismo é um dos poucos sistemas que evidencia na prática seus pressupostos teóricos: a humanidade caminha a passos largos em direção à maldade, chegando cada vez mais próximo da perfeição, evidenciando, de forma inconteste a sua “depravação total”.
Os eleitos, em contrapartida, (calvinistas e não calvinistas), demonstram com suas vidas uma atitude diferenciada; fruto da inclusão, por amor, de sua “nova vontade” – livre para o bem – no seu coração, pela graça de Deus. Os eleitos calvinistas, por sua vez, desenvolvem uma ética tão peculiar que pode ser vista e não negada, mesmo por aqueles que, intrinsecamente, estão distanciados desse sistema, como bem observa Weber:
O Deus de Calvino exigia de seus crentes não boas ações isoladas, mas uma vida de boas ações combinadas em um sistema unificado. Mas no curso de seu desenvolvimento, o calvinismo acrescentou algo de positivo a isso tudo, ou seja, a idéia de comprovar a fé do indivíduo pelas atitudes seculares. [...] consideramos apenas o calvinismo e adotamos a doutrina da predestinação como arcabouço dogmático da moralidade puritana, no sentido de racionalização metódica da conduta ética.(WEBER, 2004. p.91,94,96).


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Presb.Fábio Correia
Secretário de Educação Religiosa do Presbitério Recife - PRRE. Mestre em Filosofia pela UFPE, Licenciado em Educação Religiosa pelo SPN, Licenciado m Filosofia pela Unicap, Professor de Filosofia da Faculdade Decisão-PE.
fabiocorreia@hotmail.com
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[2] O determinismo constitui um princípio da ciência experimental que se fundamenta pela possibilidade da busca das relações constantes entre os fenômenos. Essa teoria afirma que o comportamento humano é condicionado por três fatores: genética, meio e momento. Os deterministas pensam que todos os acontecimentos do universo estão de acordo com as leis naturais, ou seja, que todo fenômeno é condicionado pelo que precede e acompanha. Não crêem no acaso, nem no sobrenatural, propondo sempre uma investigação na causa dos fenômenos, sem aceitar que aconteceu porque tinha de acontecer. Uma bola de bilhar arremessada com determinada força e direção só poderá percorrer um único caminho que poderá ser traçado com perfeição se todas as variáveis puderem ser levadas em conta, portanto, seu comportamento é determinado pela acção que a causou. Assim, segundo o determinismo, você não pode optar por um sorvete de chocolate ou baunilha, o que ocorre é a ilusão de escolha. Seja qual for a opção que tomar, ela já estaria pré-determinada por toda a sua trajetória de vida e de toda a humanidade antes dela. O que acontece é que as variáveis ocorridas no ato tendem ao infinito, causando, assim, a ilusão de livre-arbítrio ou escolha, conforme: http://pt.wikipedia.org/wiki/Determinismo.
[3]A sociedade de castas é marcada pela rigidez na hierarquização. Baseia-se na hereditariedade, na profissão, na etnia, na religião, determinando uma situação de respeitabilidade. A definição desses critérios ocorre a partir de um conjunto de valores, hábitos e costumes definidos pela tradição. O sistema de castas assenta-se numa relação de privilégios que alguns indivíduos possuem em detrimento dos demais. Esse tipo de organização social parte do pressuposto de que os direitos são desiguais por natureza, uma vez que os elementos que os caracterizam são definidos fora dos indivíduos - por exemplo, o critério para a definição de cargos e profissões se dava pela hereditariedade (o guerreiro, o sacerdote fariam os seus filhos também guerreiros e sacerdotes). Pode-se dizer que, nas sociedades antigas, a organização social baseava-se no sistema de castas. As desigualdades políticas, jurídicas, religiosas, etc. expressavam-se através do lugar que o indivíduo ocupava na estrutura de cargos e profissões, definidos pela hereditariedade, em primeiro plano. Ainda hoje existe na Índia o sistema de castas, embora modificado, pois coexiste com um sistema de classes sociais; mesmo assim, o estudo dessa sociedade pode nos oferecer vários elementos para a compreensão dessa ordem social. Uma das características que marcaram a estratificação social hindu foi a hereditariedade; o nascimento era a condição básica para se definir uma dada posição na ordem social Os pertencentes à casta inferior eram considerados impuros e não podiam nem sequer prestar serviços aos membros das outras castas superiores. A idéia era de que tudo o que os impuros tocassem ficava contaminado, seja alimento, água ou roupa. Apenas as castas puras (superiores) eram consideradas aptas a desempenhar funções públicas e a participar de determinadas atividades religiosas. As castas impuras eram praticamente segregadas, a elas não sendo permitido freqüentar escolas, templos etc. De forma absolutamente generalizada, é possível dizer que as quatro castas principais na Índia, durante muito tempo, foram: brâmane (casta superior a todas), chátria (casta intermediária formada pelos guerreiros), vaixiá (casta intermediária, mas abaixo da chátria, formada pelos comerciantes, agricultores e pastores) e a sudra ou pária (casta mais inferior), conforme: http://ialexandria.sites.uol.com.br/textos/israel_textos/conceito.htm.
[4] Os muçulmanos acreditam no qadar, uma palavra geralmente traduzida como predestinação, mas cujo sentido mais preciso é "medir" ou "decidir quantidade ou qualidade". Uma vez que para o islão Deus foi o criador de tudo, incluindo dos seres humanos, e sendo uma das suas características a onisciência, ele já sabia quando procedeu à criação as características de cada elemento da sua obra teria. Assim sendo, cada coisa que acontece a uma pessoa foi determinada por Deus, confome: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mul%C3%A7umano#Apredestina.
[5] Posição extremada dos argumentos teológicos do calvinismo. Como o próprio sufixo denota, não se trata da posição doutrinária calvinista. Os calvinistas, inclusive, reputam como não bíblicas as argumentações dos hipercalvinistas, que negam qualquer possibilidade de causa e contingência, e afirmam que o homem jamais possuiu livre-arbítrio, nem mesmo antes da queda, e que foi predestinado para cair.


BIBLIOGRAFIA

AGOSTINHO. A Graça II. São Paulo: Paulus, 1999. VI.13. p

BÍBLIA. Português. Bíblia de estudos de Genebra. Trad. de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Cultura Cristã, 1999. 1710 p.

BREVE CATECISMO. Westminster. São Paulo: CEP, 2000, 56p

CATECISMO MAIOR. Westminster. São Paulo: CEP, 2007, 115p

DORT: Os Cânones. Contra o Arminianismo. São Paulo: Ed.Cultura Cristã, 1996. p
GEERBARDUS, Jabannes. Catecismo Maior comentado. São Paulo: Puritanos, 2007, 656p

KUYPER. Abraham. Calvinismo. Trad.Ricardo Gouvêa. Cambuci-SP: 2002. 208p

LUTERO. Fragmentos. In: Nascido escravo. Trad.Born Slaves. São José dos Campos: Fiel, 1988, p

NIETZSCHE,W.F. Assim Falou Zaratustra. Trad. Mário da Silva. Rio de Janeiro: 1994. 7ª Edição

SPENCER. Duane Edward. Tulip. Trad.Walter Graciano.Cambuci-SP: 1992. 117p

SPROUL, R.C. Sola gratia: a controvérsia sobre o livre arbítrio na história. São Paulo: editora Cultura Cristã, 2001. 239 p.

HORN VAN. Leonard. Estudos no Breve Catecismo. São Paulo: Puritanos, 2000, 198p

WEBER. Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo-SP: Martin Claret, 2002. 230p

WESTMINSTER. Confissão de Fé. São Paulo: CEP: 1999, 96p

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Evento Imperdivel...


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

AS TRÊS IGREJAS SEM NOME




Qual o “nome” de nossa igreja? Presbiteriana? Como bem sabemos existe uma infinidade de nomes de igrejas, desde os mais esquisitos como “Igreja Bola de Neve” (http://www.boladenevechurch.com.br/) e “Igreja Pentecostal Cuspe de Cristo” até aos mais conhecidos como “Igreja Batista”, “Assembléia de Deus”, etc. A revista Eclésia, em sua edição Nº 91, publicou uma reportagem sob o título “Igrejas para todos os gostos” onde lista mais de 70 nomes estranhos de igrejas. Dentre os citados nessa matéria destacamos alguns: “Congregação Anti-Blasfêmia”, “Igreja Chave do Édem”, “Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo”, “Igreja da Pomba Branca”, “Igreja ‘A’ de Amor”, “Igreja E.T.Q.B (eu também quero benção)”, “Igreja Pentecostal do Pastor Sassá” e por aí vai. A lista completa pode ser conferida no seguinte endereço eletrônico: http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=366. Diante de tudo isso nos vem uma pergunta: será a Igreja Presbiteriana apenas mais uma igreja a fazer parte dessa imensa lista de nomes “engraçados”, “esquisitos” ou até “normais”? Temos que admitir que essa “palavra” (Presbiteriana) não é nada convencional e até difícil de ser pronunciada. Há pessoas que não conseguem pronunciá-la corretamente, e, quando tentam, sai algo parecido com “prebisteriana” (na melhor das hipóteses). O fato é que nossa igreja é uma das três igrejas sem “nome”. Os termos “Presbiteriana”, “Presbiterial”, “Presbiterianimo” e “Presbiteriano” fazem referência a uma das formas existentes de “governo eclesiástico” e não ao nome (propriamente dito) de uma igreja.


O dicionário Houaiss dá a seguinte definição desses termos: “sistema eclesiástico preconizado por Calvino, que dá o governo da igreja a um corpo misto (de pastores e leigos)”. Essa definição está em harmonia com a CI-IPB artigo 8: “O governo e a administração de uma igreja local competem ao Conselho, que se compõe de pastor ou pastores e dos presbíteros”. Em síntese, de “Presbiteriana” entende-se por aquela que adota o sistema de governo eclesiástico “Presbiterial”, também conhecido como “Representativo” ou “Parlamentarista”, onde “alguns” são eleitos por “todos” para governar e administrar a igreja local. Esse sistema de governo, “originalmente apenas eclesiástico”, é utilizado também pelos governos seculares, em países democráticos, e aceito como a forma de governo mais justa, até agora conhecida. As outras duas igrejas sem “nome” são: Igreja Episcopal (que também faz referência a um tipo de regime de governo onde “um” governa “todos”) e Igreja Congregacional (que igualmente refere-se a uma forma de governo, onde “todos” governam). Infelizmente a falta de conhecimento dos padrões de governo e fé da IPB têm levado muitos pastores e conselhos a erros primários. Não é muito raro sabermos de histórias de pastores que agem como verdadeiros “epíscopos”, passando por cima dos conselhos e dos presbíteros, cometendo torpezas que vão desde ordens descabidas à disciplinas inconstitucionais (e que muitas vezes são acatadas por todos pela simples falta de conhecimento). Por outro lado, muitos conselhos acabam transmutando a IPB em verdadeiras igrejas “congregacionais”, no que diz respeito ao seu “governo”. Há conselhos que não tomam uma decisão importante sequer sem antes consultar a igreja, num flagrante de descaracterização do ofício para o qual a própria igreja já o elegeu: governá-la e administrá-la. Somos “Presbiterianos” (os que adotam a forma de governo “Presbiterial” ou “Representativa”) não por uma opção ao acaso, mas porque entendemos que é a forma de governo eclesiástico que as escrituras ensinam: “Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi” (Tito 1:5 além de muitas outras referências). Esperamos em Deus colaborar cada vez mais para a criação de uma “cidadania presbiteriana”, com todos – Pastores, Presbíteros, Diáconos e demais membros – conscientes de seus “direitos” e “deveres” enquanto membros da IPB, a fim de construirmos uma igreja cada vez mais justa, propósito principal da nossa forma de governo.






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Presb.Fábio Correia


Secretário de Educação Religiosa do Presbitério Recife - PRRE. Mestre em Filosofia pela UFPE, Licenciado em Educação Religiosa pelo SPN, Licenciado m Filosofia pela Unicap, Professor de Filosofia da Faculdade Decisão-PE. fabiocorreia@hotmail.com

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A Réplica...

( Caros leitores , o nosso blog através deste artigo visa responder aos questionamentos do artigo: Uma refutação de Ebenezer J. Oliveira ao livro: C. H. Spurgeon. Livre arbítrio – um escravo. Ed. Pes.
Artigo este publicado no site arminianismo.com. Devido a ambos os textos serem longos, segue o link onde pode ser lido o artigo do Ebenezer .)




Segue agora a "Réplica" , por Sérgio Moreira




REFUTAÇÃO AO PONTO I

“Mas não tem escopo acadêmico”. Devo lembrar que isto é um sermão e não um tratado teológico.

“Não afirma quem conseguiu provar isto”. Todos os reformados provaram o que ele afirma em seu sermão e pelo menos cita o nome de Lutero.

REFUTAÇÃO AO PONTO III

A conclusão de Spurgeon em dizer “...desafiar a doutrina da inspiração?”, deve ser entendida a luz do contexto do seu texto. Ele argumenta que Jesus não quis dizer que os homens não querem ir a Ele por opção, mas porque não querem outra coisa. Que ir contra a doutrina da graça é ir contra a inspiração divina. O que de fato é a doutrina do “livre-arbítrio”, senão que a “não-morte (Gên.2.17)” do homem é fator integrante e decisivo, ao ponto de sujeitar Deus e Sua graça. Posso até concordar que ele errou e não se expressou adequadamente, pois não se trata apenas de desafiar a inspiração, mas de desafiar o próprio Deus, e sua graça, de fato ele errou em não dizer que se trata de blasfêmia. R. K. McGregor Wright colocou como título bem apropriado de seu livro: “A Soberania banida”.

As institutas que você cita mutilando-a do seu contexto, é colocada maliciosamente contra Spurgeon, os Cânones de Dort e uma gama de outros reformados, querendo mostrar contradição e dissonância com Calvino. Fazer biblicismo gera falsa doutrina, fazer “instituticismo” é malícia e maldade. Calvino, no capítulo I do vol. I pág. 55, da edição especial, começa completando o que falta na filosofia e na religião dos homens, Sócrates postulou: “Conheci-te a ti mesmo” , e Calvino, muito verdadeiramente diz: “A soma de nossa sabedoria, a que merece o nome de verdadeira e certa, abrange estas duas parte: o conhecimento que se pode ter de Deus, e o de nós mesmos”. Portanto a doutrina do livre-arbítrio do homem é o conhecimento do homem somente, produzindo uma religião do homem, uma falsa religião, blasfemando contra Deus. De fato, Spurgeon errou.

O que foi combatido em Dort, a “Remonstrance” (Representação), era a posição oficial dos seguidores de Armínio, por isso, todos os pontos do texto foram conhecidos como Arminianismo.
Muito embora ele não defendesse todo o texto da remonstrance, porém, como você leu (o certo é, como foi lido) no livro de Sproul, Sola Gratia, Armínio atribuiu ao homem autonomia e poder de resistir a Deus, desprovido de base do conhecimento de Deus na Bíblia, que resultou no desenvolvimento da remonstrance, Armínio não é menos responsável que seus sucessores.


REFUTAÇÃO AO PONTO IV

Citação fora do contexto é malícia. Busca-se mostrar contradição entre os reformados, a doutrina da dicotomia (embora que o homem seja um ser completo e uma unidade) e Spurgeon. Spurgeon não está errado quando afirma que “o homem em seus delitos e pecados está legalmente morto, espiritualmente morto e está tão morto quanto um corpo depositado no túmulo”. Isto não contradiz a dicotomia, a imortalidade da alma, nem as confissões, nem as institutas, o problema é a mutilação de textos e usá-los fora do contexto. Se você voltar duas linhas antes desta citação, verá que o entendimento de morte espiritual para Spurgeon é absolutamente Bíblico, ele diz: “virtude, santidade, integridade: estas eram a vida do homem, e quando elas se foram o homem tornou-se morto”. Isto está em harmonia com Gen. 2.17; Ef. 2.1. Sugiro que leia o livro “Criados à Imagem de Deus” de Antony Hoekema. Cristo é a perfeita imagem de Deus Col. 1.15; Hb. 4.15; Col. 3.9,10; Rom. 8.29, e Cristo veio restaurar esta imagem, que é o estado de perfeição, ou seja de impecabilidade. A pecabilidade nos liga a morte, por isto, que só temos vida EM Cristo, gemendo por causa do pecado a que nós ainda estamos atrelados esperando a redenção final. Por isto que tudo converge EM Cristo, quem está Nele é nova criatura, está vivo. Spurgeon não errou.

Rom. 8.10-13
“E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”.


REFUTAÇÃO AO PONTO V

João 10.28
E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.
(Almeida Corrigida fiel. Ed. 1994)

Eu lhes dou a vida eterna, e nunca jamais hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.
(Sociedade Bíblica Britânica)

Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.
(Almeida Revista e Atualizada. Ed. 1993)

Eu lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão.
(Versão Católica)

Eu lhes dou a vida e elas não perecerão para sempre e ninguém as arrebatará de3 minha mão.
(Bíblia Pão Nosso. Editoras Vozes e Santuário, 26ª Ed. 1994).

Eu lhes dou a vida eterna e elas jamais perecerão, e ninguém as arrebatará de minha mão.
(Bíblia de Jerusalém, editora Paulus. Ed. ? 2002)

καγω ζωην αιωνιον διδωμι αυτοις και ου μη απολωνται εις τον αιωνα και ουχ αρπασει τις αυτα εκ της χειρος μου
(Textus Receptus . Ed. 1894)

καγω διδωμι αυτοις ζωην αιωνιον και ου μη απολωνται εις τον αιωνα και ουχ αρπασει τις αυτα εκ της χειρος μου
(Westcott/Hort Ed. 1881)


Διδωμι: Presente do indicativo ativo; 1ª pessoa do singular = DOU.
Απολωνται: Aoristo do subjuntivo médio; 3ª do plural de απολλύμι = PERECERÃO, DESTRUIRÃO.
Αρπασει: Futuro do indicativo ativo; 3ª pessoa do singular de αρπαζϖ = ARREBATARÁ, TOMARÁ A FORÇA, SAQUEARÁ.
O aoristo no subjuntivo enfático de negação (a dupla negação, que só pode ser vista no original, é o único caso onde o subjuntivo torna-se mais forte que o próprio indicativo, e segui-se o verbo no futuro. (COINÊ – Pequena gramática de grego neotestamentário, Francisco Leonardo Schalkwijk. 8ª Ed. 1998, parág. 584, pág. 138). A exegese feita foi um descuido e um desastre. O que foi feito aqui, sem entrar em mais detalhes, foi jogar gasolina para apagar o fogo


REFUTAÇÃO AO PONTO VI

É um argumento insuficiente achar que mortos (Gên. 2.17; Ef. 2.1; 1Cor. 2.14; Ez. 37.1-14; 1Cor. ROM. 8.10-12; 9.10-18; ) podem INTRODUZIR-SEM em Cristo, na verdade não pode nem arrepender-se At. 11.18; 2Tim. 2.25; Tt. 1.1-3. Tudo isto fala da incapacidade do homem em nascer de novo Jo. 3.3-8, o Senhor Jesus diz que o homem deve nascer de novo (vs. 3) e diz também que não depende do próprio homem (vs. 6 “o que é nascido da carne é carne”), mas unicamente da vontade de Deus (vs. 6 “e o que é nascido do Espírito é espírito”). Por isto digo, esta doutrina ANÁTEMA nega a obra do Espírito Santo, na regeneração e na introdução de agraciados em Cristo.

“Presciência”. Os testemunhas de Jeová e os mórmons dizem que Deus erra, com base em Gên. 6.6; 2Sam. 24.16; 1Cro. 21.15 etc., porém com base nos atributos incomunicáveis de Deus (evidenciados no AT e no NT) e em Num. 23.19, e Tg 1.17 entendemos que se trata de uma linguagem antropopática, etc, etc, etc, então com base no termo presciência (Gr. Προγνϖσις), que basicamente significa conhecimento antecipado, prévio, não significa que Deus agi de acordo com a vontade do homem, como dissemos, a luz do contexto mais amplo e dos atributos do próprio Deus, o sentido do termo “prognôsis”, que comumente é traduzido por conhecimento previu , não se coaduna com o ensino geral da Bíblia, e sabedores que o termo hebraico “yada” pode expressar a idéia de “fazer alguém objeto de amoroso cuidado ou amor eletivo” (Berkhof). Assim as passagens terão sentido apropriado:
Rom. 9. 11-16 “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece”; Amar, conhecer e o verbo hebraico “yada” estão bem relacionados, Rom. 8.29 “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”;

Se entendermos que Deus age baseado nos nossos atos visto previamente, então: 1. A salvação não foi pela graça e sim por mérito ou obra (Rom. 4.4; Ef. 2.8); 2. A obra do Espírito Santo não é do Espírito Santo e sim do próprio homem Jo. 3; Ef. 2.1); 3. O homem por si só deixa de ser incrédulo e passa a ser crente em Jesus (Rom. 3.9-12); 4. que o homem não morreu, sim segundo este argumento, porque Deus previu que o homem MESMO MORTO iria ter vida sozinho (Gên. 2.17; Ef. 2.1). Já pensou, o Pai conversando com Jesus Cristo, você vai salvar Zezinho, porque eu estou vendo em minha “bola de cristal futurista” que ele pelas próprias forças vai querer a salvação e vai permanecer fiel. Portanto devemos entender o termo presciência a luz dos atributos incomunicáveis de Deus, do ensino geral das Escrituras, pois exegese não é blibicismo, e sim harmonia da Bíblia como um todo. Os próprios contextos destes versos não indicam autonomia humana, e este morto, que é base para o entendimento da eleição segundo a presciência, ou seja segundo o conhecimento antecipado da vontade do próprio homem. Baseados na ontologia do Ser de Deus, Ele decretou o que conhecia ou conhecia o que decretou?

Dizer outra coisa é colocar o carro na frente dos bois, é fazer de Deus servo da vontade depravada do homem, o conhecimento prévio de Deus é o mesmo que dizer que: “O CONHECIMENTO DO QUE O PRÓPRIO DEUS DECRETOU NA ETERNIDADE”.

Se Deus fica a mercê da vontade do homem para elegê-lo, então como Deus poderia garantir suas profecias? Se Ele teria de depender de bilhões e bilhões de decisões que são tomadas todos os dias, sem nenhuma garantia que daria certo, seria um jogo de xadrez inimaginável e até impossível mesmo para Deus, já que foi “expulso” de Seu trono e limitado de Seu poder. Isto nos leva a outro problema. Onde na Bíblia há espaço para um mundo paralelo? O ensino do conhecimento previu nos leva a um mundo desconhecido para Deus, onde Ele não governa, mas apenas faz consultas. Somos levados a crer que o que a Bíblia diz do Deus que criou os céus e a terra, nela colocou o homem, que este homem pecou, que Ele vem salvar alguns, não é o Deus que criou este planeta em que vivemos?

Outro exemplo:
Se nós formos aplicar todas as expressões a Deus e a nós identicamente, no mínimo teremos que nos curvar diante das seitas ou abandonar o conceito Bíblico de Deus. Os testemunhas de Jeová (mais uma vez eles aqui de novo), dizem que Jesus Cristo é o primeiro ser criado por Jeová, usam versos que, isoladamente do restante das Escrituras, diríamos amém, mas quando lemos a revelação de Deus de Si mesmo, sua singularidade e divindade e também do Seu filho Jesus, não podemos chegar a outra conclusão senão o da trindade (triunidade). E o peso, é que os seus atributos incomunicáveis são singular, e só pertence a Ele mesmo. Isto é o fundamento, pressuposto, premissa, princípio, etc, etc..., que Deus não se submete à falsa teologia relacional que O “mutila”, tornando-o subserviente da corrupção humana.

Calvino Foi muito citado fora do contexto, duas coisas está acontecendo: ou Calvino se contradiz entre as obras que escreveu, ou o que foi dito é fruto de uma leitura absolutamente mal feita. Obviamente, e sem sombras de dúvidas é a 2ª opção. Falo isto, recomendando o comentário dele do livro aos efésios, os primeiros versos do 1º capítulo.

Vejo que há muita confusão sobre vocação universal e salvífica. Bem, uma parábola expõe claramente este assunto que não é diferente do que Calvino diz. A parábola do semeador: Mateus 13.3-23. Na verdade nós só temos dois tipos de pessoas que são os tipos de solos, o bom o e que não é bom. Vemos que todos foram semeados, ou seja, todos são chamados pela pregação da Palavra, uns nem vão a igreja, outros até se tornam membros, mas também vão embora, e os que permanecem fieis são os eleitos, a boa terra, estes crescerão na fé e se fortalecerão cada vez mais no Senhor. As analogias citadas do cão e da porca, claramente estão incluídas nesta parábola, pois quem muda a natureza do homem? O homem?. Pois não eram boas terras, não foram regeneradas, nem eleitas segundo o beneplácito eterno e ininfluenciável.

De fato, a eleição baseada na presciência, não tem base Bíblica, nem foi a intenção dos que escreveram as Sagradas Letras.

Quem tem condições de estando fora de Cristo, ir a Ele? Senão aqueles que o próprio Deus levar, Jo. 6.44-47 “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim. Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna”.

Sugiro que leia “Por quem Cristo morreu” de John Owen; “A Soberania Banida” de R. K. McGregor Wright; “Calvinismo – as antigas doutrinas da graça’ de Paulo Anglada.


REFUTAÇÃO AO PONTO VII

Na página 69, Calvino fala do desejo de Deus em salvar a todos, mostrando que não são todas as pessoas, uma a uma, mas de todas as classes sociais, onde o verso 2 de 1Tim. 2, diz. Nesta mesma instituta, desde a pág. 61, Calvino fala dos eleitos de Deus para a salvação e da rejeição de outros para a perdição, e isto na eternidade, na pág. 67 diz: “Assim como o Senhor, em virtude de sua vocação, conduz os seus escolhidos à salvação, para a qual os preordenou segundo o Seu conselho eterno, assim também, por outro lado, ele tem seus juízos contra os réprobos, e por esses juízos executa o que se havia determinado a fazer. Portanto, com relação aos que ele criou com vistas à condenação e morte eterna, a fim de serem instrumentos da sua ira (PV. 16.4; Rom. 9.22) e exemplos da sua severidade, eis como Ele procede para fazê-los chegar a seu fim: ou os priva da faculdade de ouvir a sua Palavra, ou pela pregação da mesma, cega-os e endurece-os ainda mais”. O problema é que, frases tiradas de seus contextos podem dizer qualquer coisa, menos a verdade, gerando heresias e blasfêmias. Outro exemplo é quando a Escritura diz que Deus não faz acepção de pessoas (At. 10.34; Rom. 2.11; Ef. 6.9; Tg. 2.1). Mais uma vez não são citados outros trechos de Calvino, na própria págnina da citação feita (pág. 71). Ele (Calvino), para lhe ajudar cita Rom. 11.32 “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia”. Primeiro, se não tiver a interpretação correta, obrigatoriamente, todas as pessoas individualmente, de todas as épocas e lugares, ordinariamente seriam salvas. Porém, não é este o ensino das Escrituras, se você voltar para o capítulo 9.9-18, verá que a misericórdia salvífica (este texto fala de eleitos para a salvação e dos rejeitados), não se estende a todos. A grande Nínive que Deus teve misericórdia, onde não clamava e não buscava ao Senhor. Não me surpreendo, pois, se até agora não foi entendido a qualidade e a extensão da morte em Adão, não entendem o linguajar dos escritos de Calvino.

Se há expiação ou redenção universal, então, no inferno só haverá o diabo e seus anjos, ou até eles mesmos não estarão lá. A palavra redenção significa ato ou efeito de resgatar, salvar; a palavra expiação significa pagamento de uma pena ou dívida. Se pela Sua morte Cristo resgatou, salvou, pagou a pena e a dívida por todos, então o que resta mais? Não sobraria ninguém para ocupar o inferno e ele fecharia. Estamos numa tenção do já e o ainda não, somos de Cristo, temos o Espírito Santo, somos herdeiros com Cristo dos céus, mas ainda pecamos. Isto não muda o fato, como diz o escritor aos hebreus 10.12-18:
“Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: Esta é a aliança que farei com eles Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, E as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado”.

Uma coisa é o anuncio universal do evangelho chamando TODOS ao arrependimento outra coisa é a expiação e redenção, que só pertence ao povo (MT. 1.21; 1Pe. 2.9; 2Tm. 2.10; Rom. 8.23; Mc. 13.20. Este é justamente o entendimento equivocado de Rm. 5.18; 1Tm. 2.1-4; 4.10.11; 1Jo. 2.2.


Os objetivos da pregação da Palavra, tanto dentro quanto fora da igreja são dois, e geralmente distorcido pelos inimigos da graça de Deus. Pela pregação fiel, Deus condena os rebeldes e chama eficazmente os escolhidos; pela pregação fiel, Deus exorta os seus usando as ameaças da aliança, chamando-os ao arrependimento e a santificação, por isto as advertências, que os inimigos da graça de Deus pensam que salvação se perde e que o homem pode resistir, ao poder de Deus.

Lutero teve suas limitações, porém, fora dito que os cânones de Dort entraram em divergência com Calvino, mas como mostramos antes, e agora novamente, no mesmo texto de Berkhok donde fala de Lutero (teologia sistemática pág. 104), no mesmo parágrafo fala da consonância dos Cânones de Dort e os escritos de Calvino, “Calvino sustentou firmemente a doutrina agostiniana da predestinação dupla e absoluta. Ao mesmo tempo, em sua defesa da doutrina contra Pighius, deu ênfase ao fato de que o decreto concernente à entrada do pecado no mundo foi um decreto permissivo, e que o decreto de reprovação deve ter sido elaborada de maneira que Deus não fosse o autor do pecado, nem responsável por este, de modo nenhum. As confissões reformadas (calvinistas) são notavelmente coesas na incorporação desta doutrina, conquanto não a apresentem todas com igual plenitude e precisão. Em conseqüência de investida arminiana contra a doutrina, os Cânones de Dort contêm uma minuciosa exposição dela. Nas Igrejas do tipo arminiano, a doutrina da predestinação foi suplantada pela doutrina da predestinação condicional”.


Tentaremos fazer uma análise bem simples e contextual de alguns versos.

Sobre o contexto de romanos 5.18
“Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida”.

Queria que você me acompanhasse-se usando o entendimento de TODOS no texto de Paulo em romanos 5.18: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio à graça sobre todos os homens para justificação de vida”.


uma só ofensa = um só ato de justiça


todos os homens para condenação = sobre todos os homens para justificação que dá vida

- No cap. 1 versos 6 e 7 ele diz que todos os amados foram chamados para serem de Jesus
- No cap. 3 verso 22 diz: para todos [e sobre todos] os que crêem.
- No cap. 4 versos 2-5. Paulo quer mostrar que a justificação não é pelo cumprimento da Lei e sim por meio da fé (1Cor. 12.9, é don; Rom. 12.3, “repartiu”; Efé. 2.8, fé é dada por Deus e também é a manifestação natural dos nascidos de novo; 2Pe. 1.1 “obtiveram fé”; Jd. 3 “fé que foi dada aos santos”).
- No cap. 5.12 “Em razão disto”. O que ele passa a falar é resultado do que vem expondo desde o verso, o sacrifício substitutivo de Cristo.
- Nos versos 15,18,19, Paulo usa as palavra todos e muitos intercambiavelmente. Das duas uma, ou todos que caíram em Adão, irão todos, absolutamente serrem salvos, ou o próprio contexto imediato e o mais amplo, qualificará e distinguirá as palavras. A leitura descuidada, apressada e maliciosa, geralmente usam a primeira opção. A luz do que já vimos do contexto imediato, já nos dá um entendimento de que todos os mortos em Adão, são literalmente todos os indivíduos da raça humana e que o todos justificados e salvos por meio da fé em Cristo Jesus são todos os amados de Deus.
- No cap. 6.1-14. O apóstolo fala de outra morte, que absolutamente nem todos os que estão mortos (em adão), terão o privilégio gracioso de passar, como também os que são ressuscitados como ele (Paulo se refere, já aqui, a vidas regeneradas). Acredito que não necessita de uma análise mais extensa, busque agora nos livros indicados para uma discussão mais prolongada.

Sobre o contexto de 1Timóteo 2.4
"que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade"

1Tm .2.1-6 "...por todos os homens... pelos reis e todos os que detêm a autoridade. Eis o que é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens sejam salvos... pois há... um só mediador... Cristo Jesus, que se deu em resgate por todos".

Timóteo 2.3. “diante de Deus, nosso salvador (σωτηρος), 4. que quer que todos os homens sejam salvos (σωθηναι) e cheguem ao conhecimento da verdade”



Este todos, bem qualificado a luz do que vimos em romanos, como o resgate não pode ser pago aos não salvos, e que de fato, ele é efetivo e irrevogavelmente aplicado aos eleitos e amados de Deus onde hebreus fala bem disso no cap. 2 versos 9-16:
“Vemos, todavia, Jesus, que foi feito, por um pouco, menor que os anjos, por causa do sofrimento da morte, coroado de honra e de glória. É que pela graça de Deus provou a morte em favor de todos os homens. Convinha, de fato, que aquele por quem e para quem todas as coisas existem, querendo conduzir muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois tanto o que santifica quanto os santificados, todos, descendem de um só; razão por que não se envergonha de os chamar irmãos, dizendo: anunciarei o teu nome a meus irmãos; em plena assembléia te louvarei; e mais: porei nele a minha confiança; e ainda; eis-me aqui com os filhos que Deus me deu. Uma vez que os filhos têm em comum carne e sangue, por isso também ele participou da mesma condição, a fim de destruir pela morte o dominador da morte, isto, é , o diabo; e libertar os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte. Pois não veio ele ocupar-se com anjos, mas, sim, com a descendência de Abraão”.
O apóstolo Paulo diz quem são os filhos de Abraão, Lucas 3.8; Rom. 8.14; 9.8; Gál. 3.7.

Sobre o contexto de 1Timóteo 4.10
"Pois se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, sobretudo dos que têm fé"

vs. 3 "pelos que têm fé e conhecem a verdade"
O único contexto desta sentença é o do cap. 2 verso 1 e 2, que coaduna com o texto de romanos e o de Tito:“Recomendo, pois, antes de tudo, que se façam pedidos, orações súplicas e ações de graças, por todos os homens, pelos reis e todos os que detêm a autoridade, a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda piedade e dignidade”


Sobre o contexto de Tito 2.11
"Com efeito, a graça de Deus se manifestou para a salvação de todos os homens"

Tito 1.3,4. “... por ordem de Deus nosso salvador (σωτηρος)... 4. da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso salvador (σωτηρος)”

Tito 2.10,11,13. 10.“Jamais furtando, ao contrário, dando prova de inteira fidelidade, honrando, assim, em tudo a doutrina de Deus, nosso Salvador (σωτηρος). 11. Com efeito, a graça de Deus se manifestou para a salvação (σωτηριος) de todos os homens. 13. Aguardando a nossa bendita esperança, a manifestação da glória do nosso grande Deus e salvador (σωτηρος), Cristo Jesus”

vs. 13. "aguardando a nossa bendita esperança, a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus, o que se entregou a si mesmo por nós, para remir-nos de toda iniqüidade, e para purificar um povo que lhe pertence". Se este contexto imediato, não qualifica a salvação deste todos, então o biblicismo passa a ser regra de interpretação.

- Cap. 3.1-7. “Lembra-lhes que devem ser submissos aos magistrados e às autoridades, que devem ser obedientes e estar sempre prontos para qualquer trabalho honesto, que não devem difamar a ninguém, nem andar brigando, mas sejam cavalheiros e delicados para com todos. Porque nós antigamente éramos insensatos, desobedientes, extraviados, escravos de toda sorte de paixões e de prazeres, vivendo em malícias e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas, quando a bondade e o amor de Deus, nosso Salvador, se manifestaram, ele salvou-nos, não por causa dos atos justos que houvéssemos praticado, mas porque, por sua misericórdia, fomos lavados pelo poder regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados pela sua graça, e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna”.

Tito 3.4,6. 4.“Mas, quando a bondade e o amor de Deus
nosso salvador (σωτηρος), se manifestaram, ele salvou-nos (έσωσεν ήμας) 6. que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso salvador (σωτηρος)...”


Vs. 12-15. “Mandarei ao teu encontro Ártemas ou Tíquico. Quando tiver chegado aí, faze o possível para vir ter comigo em Nicópolis, onde resolvi passar o inverno. Esforça-te por ajudar Zenas, o jurista, e Apolo, de modo que nada lhes falte.
Todos os da nossa gente precisam aprender a praticar belas obras, de sorte que se tornem aptos a atender às necessidades urgentes e, assim, não fiquem infrutíferos. Todos os que estão comigo te saúdam. Saúda a todos os que nos amam na fé. A graça esteja com todos vós”.



Conclusão:

Não me surpreendo com textos que, desequilibradamente aparecem para desqualificar as doutrinas Bíblicas/reformadas, isto é só para querer ganhar algum tipo de reconhecimento, como se tivesse descoberto a pedra filosofal, a fonte da juventude, o guarda-roupas de Nárnia ou algo parecido. Na verdade são aventureiros que atacam de fora (as idolatrias das nações pagãs) e atacam de dentro (ataques de falsos mestres dentro das próprias fileiras do evangelicalismo). Tudo o que foi dito contra a verdade não tem valor nenhum. Reconheço que há texto mais difíceis que requer mais atenção, porém chegam a sua devida claridade.
Permanece, mesmo que não sejam canônicas, as palavras de Spurgeon no seu livreto “livre arbítrio – um escravo”, pois se trata de verdades Bíblicas.




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Por Sergio Moreira