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sábado, 31 de janeiro de 2009

“Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos...”

Bem, queridos irmãos estamos mais uma vez aqui reunidos para estudarmos a fé histórica da Igreja. É curioso que o credo tem sido totalmente desconhecido das Igreja históricas, e consequentemente alguns pastores desconhecem o conteúdo teológico que este credo antigo da Igreja sumariza para nós. Isso é muito triste, pois, estamos vendo a nossa fé sendo esquecida, abandonada, todavia, estamos aqui querendo resgatar este precioso credo em nossas liturgias.
Então, vamos prosseguir em nossa exposição deste credo. Hoje nós iremos considerar o quarto artigo do credo que diz: “Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao hades...”
Olhe para estas palavras atentamente no credo. Nunca houve artigo tão mal compreendido neste credo como esse. É um artigo controverso para a cristandade moderna, pois, criaram uma doutrina que o credo não ensina – uma descida literal de Cristo ao inferno – e assim, descaracterizaram todo o ensino apostólico no credo, mas queira Deus que hoje possamos deixar claro o que de fato este artigo nos ensina.
Pois, bem, que tema poderíamos oferecer para explorarmos este artigo do credo? Penso que o tema mais adequado para este artigo seja:

O CREDO E A HUMILHAÇÃO DO NOSSO REDENTOR.

O credo nos ensina que Cristo veio ao mundo não para viver uma vida de felicidade, mas veio padecer. O estado de humilhação de Cristo consiste em seu nascimento sob a lei. Mas ele é o homem de dores e sabe o que é “padecer” conforme lemos em Isaías 53. Ele é o servo sofredor conforme fora profetizado pelo profeta messiânico.
Mas, algo me chama atenção neste credo ele diz que a doutrina cristã tem raiz na história. O sofrimento de Cristo foi histórico, o padecer de cristo encontrou lugar na história; isto significa que a mensagem cristã tem relevância neste mundo porque tem um pano de fundo histórico. Pois, somos informados aqui neste artigo que Cristo “padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos...” foi sob o governo de Pilatos que Cristo foi humilhado, foi diante de Pilatos que ele foi ridicularizado, desprezado e visto como o mais horrível criminoso, o governador pode ser facilmente identificado; pois em qualquer livro de história podemos ver que existiu um homem governador da Judéia chamado de Pilatos.

Há grandes verdades sob o termo “Padeceu” o que isto significa para nós? O que os crentes primitivos pensavam sobre esta expressão. Alguns tem sugerido que a expressão significa que esta expressão signifique o sofrimento de Cristo na cruz, mas prefiro entender que todo o sofrimento de Cristo está vinculado a sua existência neste mundo. Imaginem aquele que foi traído pelo seu povo, que rejeitou os seus afagos, que de fato “chorou”!
Ele padeceu a negação de Pedro, a fuga de todos os seus discípulos no monte da oração, ficou sozinho. “A vida Completa de Jesus é vivida nesta solidão, e, assim, já na sombra da cruz”. A vida de Cristo é marcada pelo sofrimento, pois, o “filho do homem deve subir a Jerusalém, lá deve ser condenado, torturado e crucificado – ressurgir novamente no terceiro dia. Mas primeiro dominante é este deve que o leva à morte”(BARTH, 2006, p.146).
O que há aqui? Há sofrimento. Isso nos mostra como Deus tem tratado com a questão do mal. Não figura tal perspectiva na criação – isto de principio – mas aqui no ato da encarnação do filho para salvar pecadores, no ato da humilhação de nosso redentor, é na descrição “da existência do Criador que se tornou criatura o mal aparece; aqui a distante morte se torna visível”( BARTH, idem.)
A grande verdade enunciada é que o Filho de Deus gerado pela obra do Espírito Santo e nascido da virgem Maria foi designado para sofrer em um momento específico na história dos homens. A pregação da Igreja é que o seu redentor sofreu profundas humilhações conforme nos mostra o evangelho. Estamos aqui porque Ele sofreu em nosso lugar, foi rejeitado e desprezado entre todos os homens – preferiram Barrabás ao invés de Cristo – amaram mais as trevas do que a própria luz. Isto quer dizer que ele:

Sofreu, ele deixou visível o que é a natureza do mal, da revolta do homem contra Deus. O que conhecemos do mal e do pecado? O que sabemos do que é chamado de sofrimento, ou o que significa a morte? Aqui conseguimos entendê-lo. Aqui aparece esta treva completa em sua realidade e verdade. Aqui as queixas são destacadas e punidas, aqui a relação entre Deus e o homem, é na verdade clarificada (BARTH, 2006, p.147).

Todo o sofrimento na raça humana não se iguala, se equipara ao sofrimento do Filho de Deus neste mundo. Não estamos autorizados a falar de sofrimento a menos que tenhamos compreendido o que sigifica que ele “padeceu”.
Diante dos homens era desprezado é o servo sofredor que vem ao mundo para resgatar os pecadores. O credo não ignora este fato profético que encontra significação na história da Igreja de Cristo. Mas ele não apenas padeceu, mas também foi “crucificado” o termo nos lembra a ignomínia da cruz. A Bíblia nos ensina que a maldição da aliança caiu sobre o nosso redentor. É exatamente isso que nos lembra o credo quando diz que o Cristo foi “crucificado”; não é isto que nos ensina o evangelho? Quando nos diz que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;”(Gálatas 3.13).
A cruz é o centro da fé cristã autêntica. E por quê? É o fato de que apenas a cruz é o instrumento para o cumprimento maior e sublime da obra redentora do Filho de Deus.
A crucificação de Cristo é ato soberano de Deus posto em evidência contra o pecado do homem. Quando o símbolo nos diz que foi crucificado se tem em mente que ele foi exilado da presença de Deus! Foi amaldiçoado, abandonado, não em termos somente de vida, mas da relação pactual com Deus naquele momento na cruz. Sua alma estava sendo rasgada. O que recaiu sobre Cristo era o que deveria estar sobre cada um de nós. Este é ponto aqui.
Mas o credo ainda diz que ele foi “...morto” o que a morte significa na concepção credal. Significa fim da existência. O fim da jornada da vida, assim como os homens foram ordenados a morrer uma única vez (Hb.9.27); de igual, modo Cristo morre uma única vez pelos pecadores. Ele de fato morreu. Sua vida chegou ao fim no dado momento da história

O credo continua nos informando que ele foi “...sepultado”, não existe algo mais humilhante na vida do homem que não seja ser baixado à sepultura; este é o momento mais humilhante da raça humana. Aqueles que foram criados para continuarem vivendo neste mundo são humilhados com o sepultamento; a morte chegará para cada um de nós aqui, e ainda assim, será humilhante. Cristo foi a sepulcro –e isto nos diz que a vida é transitória, que nada somos, pois, até o Rei de todo o Universo deitou na sepultura! Foi humilhado ao ser sepultado em uma rocha, o criador da terra sendo encerrado pela mesma em uma rocha como uma prisão para a vida, ou como um lembre de que todos os homens são passíveis de morte; e para mostrar ainda que o pecado gera a dor da partida neste mundo.
Todavia, o ponto mais controverso deste artigo do credo é a expressão “desceu ao hades;” o que esta expressão significa? Alguns tem apresentado uma doutrina de que se trata de uma descida literal de Cristo ao inferno. Com o propósito de:
1. evangelizar
2. demonstrar sua vitória.
3. Realizar a redenção.

Estas posições fogem da linha histórica e confessional. Podemos apelar para o fato de que a expressão era usada para descrever o “morto e supultado” antes do IX século. Era uma expressão usada pelo outra, mas o problema surgiu quando o “morto e sepultado” apareceu com o “desceu ao hades” o entendimento reformado é que esta expressão descrevem todo o sofrimento de separação de Deus enfrentado por Cristo na cruz, as angustias infernais, Calvino nos diz que:

Cristo tem sofrido em sua alma as dores de nossa maldição.
Neste sentido disse Pedro, que Cristo ressuscitou: “ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela.” Não somente se nomeia meramente a morte, mas que expressamente se disse que o Filho de Deus foi cercado pelas dores e angústias, que são fruto da maldição e a ira de Dios, a qual é o princípio e a origem da morte (CALVINO, Institución de la religión Cristiana, Liv. II cap. XVI, seç.11)

Para Calvino a descida de Cristo ao inferno consiste na maldição divina que caiu sobre Jesus na cruz. Embora alguns sugerem que este artigo refira-se a cristo ir libertar os mortos, o entendimento reformado não é este. Calvino ainda comentando este artigo do credo nos diz que

Outros o expõe de outra forma, e afirmam que Cristo desceu ao lugar onde estavam as almas dos patriarcas mortos antes da vinda de Cristo, para levar-lhes a boa-nova de sua redenção e libertá-los do cárcere que estavam trancafiados. Para ilustrar esta fantasia distorcem algumas passagens da Escritura, fazendo-as dizer o que eles querem; como a passagem do salmo: “Pois arrombou as portas de bronze e quebrou as trancas de ferro.”(Salmos 107.16). (CALVINO, ibid, seç.10).

Calvino chama esta abordagem de fantasiosa, pois, ignora a mensagem real das passagens citadas, todavia, a passagem mais comum usada para defender uma descida literal de Cristo ao inferno é 1 Pedro 3.19-20 :

“ No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; 20 Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água;”

O entendimento dessa passagem é que Cristo nos dias de Noé foi e pregou ao espíritos em prisão, ou seja, as almas que estavam escravisadas pelo pecado, e que foram rebeldes à mensagem de Noé, mas estes não estão sem desculpas, pois, a palavra profética de Noé comunicava de fato Cristo. Cristo experimentou as angústias do inferno na cruz. O mundo dos mortos ou a mansão dos mortos lhe foi manifestada.
Aplicação: Que aplicações podemos fazer deste estudo para nossa vida.

1. Que O cristo da cruz padeceu para termos liberdade.
2. Que o padecer de Cristo nos mostra a malignidade do pecado.
3. Que o seu sofrimento foi real e verdadeiro por causa de nossos pecados.
4. Que a descida ao inferno de Cristo refere-se a sua angústia na ausência de Deus na cruz; era cada um de nós que deveria sentir a ausência de Deus, mas ele sentiu isso em nosso lugar.

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Por Prof. João Ricardo Ferreira de França

sábado, 17 de janeiro de 2009

É Calvinista a Confissão de Westminster?


Ainda que os hipócritas e outros não regenerados podem iludir- se vãmente com falsas esperanças e carnal presunção de se acharem no favor de Deus e em estado de Salvação 1 , esperança essa que perecerá 2 ; contudo, os que verdadeiramente crêem no Senhor Jesus e o amam com sinceridade, procurando andar diante dele em toda a boa consciência, podem, nesta vida, certificar-se de se acharem em estado de graça 3 e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus, nessa esperança que nunca os envergonhará 4 . (C.F.W CAP 18.1)

Ref.:
1- Dt 29. 19; Jo 8. 41.
2- Mt 7. 22,23.
3- II Tm 1. 12; I Jo 2. 3; I Jo 5. 13; I Jo 3. 14,18,19,21,24.
4- Rm 5. 2,7.

Exposição:
O capítulo 18 de nossa Confissão pode ser estruturado da seguinte forma:
I – A possibilidade de Segurança.(18.1)
II – O Fundamento da Segurança (18.2)
III – O Cultivo da Segurança (18.3)
IV – A Renovação da Segurança (18.4).

Hoje nós vamos estudar a primeira seção que abarca a questão da Possibilidade de Segurança..
Três verdades são enunciadas nesta seção da Confissão de fé de Westminster. O tema desta seção é Triplice possibilidade a respeito da segurança da salvação.
1. A Falsa Segurança
2. A Verdadeira Segurança.
3. A Falta de Consciência de Segurança.

Estas três realidades deve estar em nossa mente quando adentrarmos no estudo mais acurado desta seção da Confissão de Fé.

A POSSIBILIDADE DE SEGURANÇA.
Em tempos recentes alguns teólogos passaram a discutir se este capítulo é de fato calvinista; pois, muitos confundem a certeza da salvação com a doutrina da perseverança, e, assim, argumentam que os puritanos aqui se desviaram do calvinismo clássico de Calvino e dos demais reformadores. Todavia, olhando um pouco mais de perto este capítulo podemos perceber que tal argumentação não se sustenta, sendo, assim vamos ver as bases apropriadas nas quais as distinções entre perseverança e certeza da salvação estão alicerçadas:
I – A Possibilidade de Falsa Segurança.
A primeira realidade que a nossa confissão reconhece é que pode haver uma falsa segurança naqueles que professam o cristianismo. O nosso coração é enganoso, como já disse o profeta em Jeremias 17.9.
O professar o cristianismo não diz muito se o indivíduo está no estado permanente de graça. Ele pode julgar-se salvo, mas está profundamente perdido, ele pode até ser membro da Igreja, mas Cristo nunca o conheceu (Mt.7.23).
O AT nos ensina exatamente esta verdade (Dt.29.19). Cristo nos ensina a mesma verdade em Jo. 8. 41-43 confiar na membresia da Igreja, ou nas orações que fazemos, nada nos garante. Uma falsa confiança é um prejuízo total para a alma humana.
“A falsa segurança é exposta pela ausência de efeitos, tais como pequenos “diligentes usos dos meios”, pela falta de um real ardor do “coração inflamado pelo amor de Deus” ,e por uma falta de habilidade para “guardar o coração quando sob desencorajamento e desolações”. Alguém ainda disse que a falsa “segurança será abalada mais por tribulações externas do que pelo pecado, enquanto que a verdadeira segurança permanece firme no meio das tribulações”. (BEEKE, 2003, p.165).
O que se percebe aqui? É que a falsa segurança é manifestada pela ausência do uso dos meios ordinários pelos quais a segurança é fortalecida – oração e pregação, juntamente como os sacramentos – uma vida que não leva isso em consideração corre um sério risco de estar-se no caminho da falsa segurança de salvação.
Mas, não é apenas isso, pois, faz-se necessário entender que enquanto houver um traço de dependência em minha própria justiça, meu serviço, meu conhecimento da Escritura – enquanto eu confiar em minha fé em vez de na obra de Cristo somente – serei possuidor de um segurança falsa e temporal. As areias do tempo estão cobertas pelos destroços espalhados de homens e mulheres que tiveram a alma naufragada , que prosseguiram com falsa segurança, não tendo o fundamento de Jesus Cristo e, este, crucificado. Esse é um tremendo perigo(FERGUSON,1972, p.47)

II – A Verdadeira Segurança.
Este capítulo também nos apresenta a verdadeira segurança. A nossa confissão indica que há de fato uma segurança que não pode ser negligenciada, mas algo de imediato nos alerta a Confissão: a segurança não pode ser obtida aparte de Cristo. Pois, esta seção se relaciona com Cristo, ou seja, a segurança está baseada no “cristocentrismo”, veja, como a Confissão trabalha essa questão de forma clara: a verdadeira segurança está destinada aos que possuem:
1. Fé em Cristo: A segurança que a confissão fala tem Cristo como o seu objeto por meio da fé .
2. O amor sincero a Cristo: Não é apenas crer em Cristo e tudo está resolvido, a real segurança deve Ter Cristo como centro de sua vida. Sem o amor a Cristo o homem não pode Ter certeza de que encontra-se no estado de graça e salvação.
Isto significa que a segurança é “um fenômeno cristocêntrico”(BEEKE, 2003, p.166).
Os mandamentos das Escrituras nos inclinam para a validade do ensino de nossa Confissão de Fé de Westminster nos apresenta.
Um texto bastante claro de 2 Pedro 1.10 parece nos indicar isso: “ Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum.” O apóstolo exorta o seu público às seguintes atitudes:
1. Procurai – indicando a responsabilidade do crente em certificar-se de que estão no estado de graça.
2. Com diligência – Não pode ser algo de forma negligente, ou seja, não deve haver a negligência dos meios de graça estabelecido por Deus para que haja de fato a segurança.
3. Propósito: Confirmar o chamado e a eleição.
4. Resultado: Não tropeçar em tempo algum.
Este tipo de silogismo é deveras encontrado com muita frequência nas Escrituras.
Os sacramentos entram nesta nossa abordagem exatamente porque por meio deles Deus comunica-nos o Cristo que alimenta a nossa fé.
A certeza da segurança não pode ser negada , pois, a própria palavra de Deus a ensina pelo testemunho paulino em sua Segunda epístola a Timóteo. 1.12.
Cristo continua sendo aquele que alimenta a nossa vida e fé, pois, é por meio dele que a vida se manifesta na alma.

III – A Falta de Consciência de Segurança.
A nossa Confissão de Fé sugere que os crentes podem possuir a fé salvadora sem que sintam a segurança de que a possuem.
Mas, a questão é: a certeza da salvação é essencial à fé? A resposta a esta questão deve ser negativa. Isso é importante, pois, devemos lembrar que existem muitos crentes que não creem na salvação eterna, mas que vemos evidências neles de uma verdadeira fé. A questão da certeza da salvação não é algo intrínseca à natureza da fé.
A segurança aumenta a alegria da fé, mas não é essencial à salvação. É bom lembrar que apenas a fé justifica, mediante Cristo somente, o pecador.
A questão da segurança é um conforto dado aos crentes, mas existe alguns crentes que não tem a certeza desta segurança, isto não os desqualifica como crentes, pois, apoiam-se somente no Cristo da cruz.
1 João 5.13 nos apresenta uma segurança confortável à vida cristã. Ter a vida eterna está fundamentada na fé em Cristo somente – Solus Christus e Sola Fide – andam de mãos dadas nesta questão.
Beeke nos diz que a “segurança é necessária para a saúde espiritual, mas não é, de forma alguma, necessária à salvação”(BEEKE, 2003,p.167). porque a segurança é necessária à vida cristã?
1. Pela natureza da fé. – Dom divino.
2. Pela glória de Deus
3. Para promover paz e conforto ao coração do crente.
Conclusão:
A certeza da segurança de fé é fundamentada na Palavra de Deus que nós não podemos mudar esse ensino bíblico, pois, as opiniões humanas não podem anular a doutrina de Deus.
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Referências Bibliográficas.

BEEKE, Joel R. A Busca da Plena Segurança – O Legado de Calvino e Seus Sucessores, São Paulo: Os Puritanos, 2003.
CALVINO, João. Hebreus, São Paulo: Parakletos, 1997.
FERGUSON,Sinclair B. Taking the Christian Life Seriously, Grand Rapids: Zondervan,1972.
HODGE, A.A. A Confissão de Fé de Westminster Comentada, São Paulo: Os Puritanos, 1998.
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Por Prof. João Ricardo Ferreira de França

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Palmas no Culto e o Princípio Regulador



A questão sobre a liceidade do uso de palmas no culto público deve ser decidida à luz das Escrituras, à luz do que ela diz sobre a adoração a Deus. É certo que volumes espessos poderiam ser escritos sobre o assunto, por isso procurarei delinear o ensino bíblico sobre o princípio fundamental do culto público (adoração comunitária).

No livro de Êxodo encontramos a ordenação de Deus para a construção do Tabernáculo, onde seguramente se encontra o esteio sobre o qual a adoração a Deus deve ser ofertada: “Segundo tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis” (Êxodo 25:9 RA). Então, após o levantamento do Tabernáculo, é-nos dito que “...tudo fez Moisés segundo o SENHOR lhe havia ordenado; assim o fez” (Êxodo 40:16 RA).

Em Números, há também ordenanças sobre a consagração dos levitas e o serviço levítico na tenda da consagração (Tabernáculo), obviamente se referindo à adoração pública a Deus. Mais uma vez a tônica é: “E assim fez Moisés, e Arão, e toda a congregação dos filhos de Israel com os levitas; segundo tudo o que o SENHOR ordenara a Moisés acerca dos levitas, assim lhes fizeram os filhos de Israel” (Números 8:20 RA).

Embora as passagens bíblicas pudessem ser multiplicadas, apenas as que já transcrevi nos ensinam que o culto de Deus é absolutamente definido pela Sua vontade revelada, a Sua Palavra: “...tudo [...] segundo o SENHOR [...] havia ordenado...”, isto é, todo elemento do culto, tudo que deve constar nele, é absolutamente definido pela Palavra de Deus. Esse princípio bíblico da adoração pública que determina que os elementos do culto devem ser segundo o que o SENHOR ordenou é o que os reformados apodaram de “Princípio Regulador do Culto”. Tal princípio é, talvez, a marca mais distintiva dos reformados em relação a outras correntes do protestantismo e dos evangélicos.

Agora, pois, vejamos alguns exemplos bíblicos da aplicação desse princípio na vida de certas pessoas dos tempos bíblicos. A Escritura nos relata a história de dois filhos de Arão, portanto, de linhagem sacerdotal, chamados Nadabe e Abiú: “Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara” (Levítico 10:1 RA). Esse texto nos ensina que esses dois homens apareceram diante do SENHOR trazendo fogo estranho, e tal fogo era estranho porque o SENHOR “...lhes não ordenara”. Nadabe e Abiú, pois, violaram o “Princípio Regulador”, adicionando ao culto algo que Deus não havia ordenado. Deve-se perceber que não havia uma proibição para o que Nadabe e Abiu trouxeram “...perante a face do SENHOR...”, mas o problema residiu no fato de eles “adorarem” a Deus introduzindo um elemento que não havia sido expressamente ordenado.

O que aconteceu com os dois? Que a própria Palavra de Deus dê a resposta: “Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR” (Levítico 10:2 RA). O mesmo é dito em outro lugar nas Escrituras: “Mas Nadabe e Abiú morreram perante o SENHOR, quando ofereciam fogo estranho perante o SENHOR, no deserto do Sinai...” (Números 3:4 RA).

Outro exemplo clássico de aplicação do “Princípio Regulador” é o caso de Uzá. Para sua melhor compreensão é necessária a análise do contexto bíblico mais imediato, transcrito abaixo:

“Tornou Davi a ajuntar todos os escolhidos de Israel, em número de trinta mil. Dispôs-se e, com todo o povo que tinha consigo, partiu para Baalá de Judá, para levarem de lá para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o Nome, o nome do SENHOR dos Exércitos, que se assenta acima dos querubins. Puseram a arca de Deus num carro novo e a levaram da casa de Abinadabe, que estava no outeiro; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo. Levaram-no com a arca de Deus, da casa de Abinadabe, que estava no outeiro; e Aiô ia adiante da arca. Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o SENHOR, com toda sorte de instrumentos de pau de faia, com harpas, com saltérios, com tamboris, com pandeiros e com címbalos. Quando chegaram à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus e a segurou, porque os bois tropeçaram. Então, a ira do SENHOR se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta irreverência; e morreu ali junto à arca de Deus” (2 Samuel 6:1-7 RA).

Essa perícope das Escrituras nos mostra uma série de violações do “Princípio Regulador”. A arca foi colocada “num carro novo”, enquanto Deus havia prescrito que: “Farás também varais de madeira de acácia e os cobrirás de ouro; meterás os varais nas argolas aos lados da arca, para se levar por meio deles a arca” (Êxodo 25:13-14 RA). Não obstante a clara ordenação divina, Davi, querendo inovar e copiar o modo como os filisteus transportaram a arca, desconsiderou o mandamento divino, e procurou “adorar a Deus” ao seu gosto, segundo a melhor intenção do seu coração. Afinal, Deus não merece o melhor? Para que carregar a arca nos ombros, pensou Davi, com simples varas de acácia, se a tecnologia foi Deus quem nos deu através da Sua “graça comum”?

No caminho os bois tropeçaram e, para que a arca não caísse, Uzá, na melhor das intenções, estendeu a sua mão para segurá-la. Todavia, a Palavra de Deus já prescrevia claramente: “...nas coisas santas, não tocarão, para que não morram...” (Números 4:15 RA). Como Deus reagiu à boa intenção de Uzá? Pensou, tal homem teve zelo e bom desígnio em relação à arca que simboliza a minha presença, apesar de quebrar meu mandamento, então receberei a boa intenção do seu coração? Não, a Palavra nos diz que “...Deus o feriu ali por esta irreverência...”.

Então, da aplicação do “Princípio Regulador” nos casos de Nadabe/Abiú e Uzá, temos que os primeiros foram mortos por Deus porque introduziram no culto aquilo que Deus não ordenou, e o segundo também foi morto porque violou aquilo que Deus explicitamente havia proibido. Deus, de forma clara, explícita, indubitável, estabeleceu que no Seu culto só deve constar aquilo que ele ordenou. Introduzir outros elementos não prescritos é violação desse princípio, assim como não fazer conforme aquilo que foi determinado, resultando, em ambos os casos, conseqüências gravíssimas.

Não obstante, o alvo principal do desagrado divino sobre a conduta de Uzá foi o rei Davi, o qual, diz a Escritura, “Desgostou-se [...] porque o SENHOR irrompera contra Uzá; e chamou aquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje” (2 Samuel 6:8 RA). Por que o escritor bíblico foi tão cuidadoso em relatar esse desgosto de Davi? Porque Davi seria o grande responsável pela confecção da instrumentação a ser utilizada no Templo. Davi seria o grande homem que influenciaria o culto no Templo a ser construído, assim como Moisés o fora com o culto no Tabernáculo. Senão vejamos:

Está escrito que a arca foi levada, segunda vez, agora da forma ordenada por Deus: “Chamou Davi os sacerdotes Zadoque e Abiatar e os levitas Uriel, Asaías, Joel, Semaías, Eliel e Aminadabe e lhes disse: Vós sois os cabeças das famílias dos levitas; santificai-vos, vós e vossos irmãos, para que façais subir a arca do SENHOR, Deus de Israel, ao lugar que lhe preparei. Pois, visto que não a levastes na primeira vez, o SENHOR, nosso Deus, irrompeu contra nós, porque, então, não o buscamos, segundo nos fora ordenado. Santificaram-se, pois, os sacerdotes e levitas, para fazerem subir a arca do SENHOR, Deus de Israel. Os filhos dos levitas trouxeram a arca de Deus aos ombros pelas varas que nela estavam, como Moisés tinha ordenado, segundo a palavra do SENHOR” (1 Crônicas 15:11-15 RA).

Davi aprendera, da forma mais dramática possível, a necessidade de ser absolutamente fiel ao “Princípio Regulador”, pois ele seria o encarregado por Deus de introduzir outros elementos no culto, a instrumentação musical que seria usada no Templo, conforme nos é dito no contexto em que o rei Ezequias restaurou o culto após o reinado do ímpio Acaz: “Também estabeleceu os levitas na Casa do SENHOR com címbalos, alaúdes e harpas, segundo mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do SENHOR, por intermédio de seus profetas” (2 Crônicas 29:25 RA).

A Escritura é bem clara que até mesmo os instrumentos musicais que seriam utilizados no Templo foram rigorosamente determinados por Deus a Davi através dos seus profetas Gade e Natã. Certamente, Deus utilizou o incidente com Uzá para preparar Davi para a grande obra litúrgica que ele faria para a implementação da música no Templo. Deus demonstrou a Davi a absoluta e imperiosa necessidade de conformidade ao “Princípio Regulador”. Não ficou ao alvedrio do músico Davi determinar, por seu “bom senso” artístico, qual seriam os instrumentos a serem usados no Templo no culto de Deus.

De todo o exposto acima resta demonstrado que tudo o que foi introduzido no culto público sempre o foi por expressa determinação de Deus, cada elemento cúltico, por mais insignificante que parecesse. Deus nunca aceitou qualquer coisa em Seu culto que tivesse iniciativa humana.

Estabelecido o “Princípio Regulador” a partir das Escrituras, mostrarei que tal princípio é o que os reformados (continente europeu) e presbiterianos (ilhas britânicas) sempre defenderam, não tendo direito algum aqueles que violam esse fundamento da fé, da teologia e da liturgia reformadas de pensarem que fazem parte do grande povo descendente da Reforma Protestante, mesmo que eles acreditem em algumas coisas comuns ao que os calvinistas acreditam. Reformados são aqueles, e somente aqueles, que primam por manter a santidade, a reverência e a ordem do culto bíblico, segundo o padrão explicitamente estabelecido por Yahweh em Sua Palavra, e reconhecido nas confissões e catecismos compostos pela influência e determinação da teologia da Reforma.

Começarei pela Confissão de Fé da Igreja Presbiteriana do Brasil, a de Westminster, a mais bem elaborada confissão presbiteriana-puritana-reformada. Nela está estabelecida o “Princípio Regulador” da seguinte forma: “...o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás...” (CFW, cap. XXI, I).

Essa mesma Confissão estabelece, com base no ensino das Escrituras, quais são os elementos constituintes do culto público: A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos com graças no coração, bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo - são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso” (CFW, cap. XXI, V). Além desses, a CFW diz que “A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do culto religioso, é por Deus exigida de todos os homens...” (CFW, cap. XXI, III). Onde estão as palmas nesse rol? Será se todos os puritanos tinham as mãos amputadas?

Podemos encontrar referência ao “Princípio Regulador” em um importante documento confessional da Reforma, mais antigo que a CFW, a Confissão Francesa de 1559, que diz em seu prefácio:

“Nós devemos tal respeito e reverência à Palavra de Deus quanto devemos nos prevenir para não lhe acrescentar nada de nós mesmos, mas devemos nos tornar inteiramente conformes às regras que ela prescreve. E visto que a Igreja Romana, abandonando os usos e costumes da igreja primitiva, introduziu novos mandamentos e uma nova forma de culto a Deus, nossa consideração a respeito dessas coisas é que é razoável preferir os mandamentos de Deus, que são em si mesmos verdade, aos mandamentos de homens, que por sua natureza são inclinados ao engano e vaidade”

Ensino idêntico encontramos em uma confissão traçada por João Calvino para as igrejas reformadas da França, no ano de 1562, que reza o seguinte:

“De nossa parte, de acordo com Sua declaração, de que obedecer é melhor que sacrificar (1 Sm 15:22), e com Sua injunção uniforme para ouvirmos o que Ele ordena, para rendermos um sacrifício bem regulamentado e aceitável, acreditamos que não devemos inventar o que nos pareça bom, ou seguir o que pode ter sido criado na mente de outros homens, mas nos limitarmos simplesmente à pureza das Escrituras. Por conseguinte, nós cremos que qualquer coisa que não seja proveniente dela, mas seja ordenada somente pela autoridade de homens, não deve ser considerada como culto a Deus”.

Para não ser muito extenso, citarei mais uma referência de um documento reformado histórico sobre o “Princípio Regulador”, a “Ordem de Genebra”, um diretório para o culto da igreja dos refugiados ingleses em Genebra, no tempo de João Calvino, que em seu prefácio também deixa claro o que os reformados sempre creram sobre o culto público:
“Nós, portanto, não como os maiores clérigos de todos, mas como os menos capazes de muitos, apresentamos a vocês que desejam o crescimento da glória de Deus, e a simplicidade pura de Sua Palavra, uma forma e ordem de uma igreja reformada, limitada ao compasso da Palavra de Deus, que nosso Salvador nos deixou como única suficiente para governar todas as nossas ações; de modo que qualquer coisa que lhe seja acrescentada por artifício de homens, por melhor, por santo ou bonito que isto pareça, todavia diante de nosso Deus, que é zeloso e que tem ciúmes e não pode admitir nenhuma sociedade ou conselheiro, isto é mau, iníquo e abominável”.

Portanto, o entendimento dos reformados sempre foi o de que somente o que foi expressamente ordenado por Deus para fazer parte do seu culto público é que Lhe agrada, sendo o resto, aquilo que Ele não ordenou como elemento cúltico, abominável, tanto a prática em si quanto aquele que a pratica.

Onde ficam as palmas, então? Ora, se o "Princípio Regulador", retirado das Escrituras, ensina que somente o que Deus ordenou para fazer parte do culto público deve constar dele, então nos últimos quinhentos anos os cristãos reformados foram os mais desgraçados e desobedientes homens dentre todos os outros, porque não obedeceram ao mandamento divino de bater palmas no culto, se tal mandamento se encontra nas Escrituras. Aliás, os crentes dos últimos dois mil anos deveriam ser considerados culpados desse gravíssimo pecado, de não baterem palmas no culto público de Deus, pois não há nenhum registro histórico ou arqueológico que mostre que os cristãos primitivos e aqueles que os seguiram no tempo praticavam o bater palmas na adoração comunitária.

Se palmas fossem um elemento lícito no culto, teríamos que olhar com tristeza para os últimos dois milênios do povo de Deus na terra, pois seríamos forçados a reconhecer que os crentes desse período foram Abinadabes, Abiús e Uzás da vida, violadores da lei de Deus, e merecedores da Sua mais severa manifestação de desagrado. Contudo, se a igreja de Cristo por dois mil anos sempre teve por repugnante bater palmas no culto, o fez pela convicção plena de que tal é abominação ao SENHOR, e porque não há em nenhum lugar em toda a Escritura um único mandamento ordenando bater palmas nas reuniões em que o povo de Deus se agrupa para adorá-lo.

A irracionalidade dos que defendem as palmas no culto reside no fato de que, como vimos, o culto deveria ser exatamente como Deus prescreveu, havendo sido vedado alguém acrescentar o que não foi ordenado (Nadabe e Abiú) ou fazer o que foi proibido (Uzá) ou suprimir o que foi prescrito. Diante disso, se todo aquele que não prestava culto exatamente como Deus ordenou era fulminado, por que os crentes do AT não batiam palmas no Templo? Por que não há uma única menção deles batendo palmas nas reuniões públicas de adoração a Deus? Não teriam todos sido exterminados por causa disso? O próprio Jesus Cristo, que não bateu palmas nenhuma vez, não teria sido desqualificado como Redentor, haja vista que teria cometido o pecado gravíssimo de haver violado o “Princípio Regulador”? Tal pensamento é blasfemo, e essa é a inferência lógica do ensino dos batedores de palmas. Se algumas passagens de Salmos que os batedores de palmas distorcem para fundamentar seu ponto de vista são mandamentos para o acompanhamento musical ao ritmo das palmas, então o povo de Deus do tempo dessa revelação, e também posterior a ela, foi absolutamente infiel, e Deus ficou todo esse tempo sem adoradores obedientes, até que chegassem os sábios, santos e zelosos cristãos do final do século XX e início do século XXI.

Na verdade, os batedores de palmas estão apenas satisfazendo as suas próprias concupiscências, e não adorando a Deus como prescrito pelo SENHOR, pois o próprio Jesus nos disse: “...em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:9 RA).

Isto posto, resta-me dizer que, de um certo ponto de vista, não são os verdadeiros reformados e verdadeiros presbiterianos quem têm o ônus de provar biblicamente que bater palmas é uma violação abominável do culto público prescrito pelas Escrituras, pois tal é uma novidade na longa história do povo de Deus. Os batedores de palmas é que têm que provar exegeticamente que bater palmas é um elemento integrante do culto de Deus, haja vista que eles estão introduzindo um elemento que nunca, repito, nunca, jamais, nos dois mil de igreja cristã, fez parte das reuniões comunitárias do povo santo do SENHOR. Isto eles não farão, pois não há nenhum mandamento nas Escrituras para que os cânticos sejam ritmados pelas palmas, nem no AT nem no NT. Porém, por causa do compromisso com a verdade, e com a glória de Deus, os reformados têm se esmerado em repudiar essa prática litúrgica espúria.

Que Deus dê a graça a seus eleitos de não serem enganados por vãs sutilezas contidas no ensino de homens de mentes corrompidas pelo pecado da ignorância.

Estudo do Pb Célio Lima.
Devidamente autorizado.