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quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Soberania de Deus e os erros doutrinários da CPAD


Este artigo é uma resposta à lição A Soberania e a Autoridade de Deus

Tive contato com a revista Lições Bíblicas da CPAD, usada na EBD das Assembléias de Deus no Brasil e outras denominações pentecostais, através do meu sogro que é membro desta denominação. Ao folhear essa revista, meio que por acaso, enquanto o esperava chegar do culto no domingo, dei de cara com a lição de n° 6 que será utilizada dia 9 de maio deste ano, intitulada: A Soberania e a Autoridade de Deus. Imediatamente, como bom calvinista, o tema me chamou a atenção, e mais ainda o texto áureo: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso? Rm 9:21” que estava em destaque. Em um primeiro momento fiquei surpreso e feliz, por ver um verso desse como tema de uma lição bíblica em uma igreja pentecostal e tendo em vista o grande número de pentecostais que têm entendido e subscrito a soteriologia reformada, imaginei que com esse tema e texto base, não tinha como não se curvar diante da clareza bíblica da soberania divina na eleição. Mas não durou muito a minha alegria, logo na introdução li a expressão: Calvinistas Extremados, então por estar acostumado aos constantes ataques de arminianos em fóruns, artigos e livros, já sabia que tipo de fundamento nortearia todo aquele estudo. Ao continuar a intrigante leitura, as minhas suspeitas se confirmaram, não era um ataque ao hiper-calvinismo, era uma afronta a soteriologia reformada e bíblica, comumente chamada de calvinismo.

A acusação inicial da lição desta revista de lições bíblicas é de que os calvinistas, ignoram o ensinamento bíblico de que Deus age e determina de acordo com seus santos e perfeito atributos, como bondade e santidade, esquecendo-se, como sempre, que a justiça é um dos atributos de Deus. Deus é Justo Juiz e conforme o contexto da parábola do oleiro em Jeremias, Deus retribui a cada um, segundo o proceder, segundo o fruto de suas as ações (Jr. 17:9). Isto também inclui a justa condenação, a reprovação divina é de acordo com o mérito humano, neste caso, a reprovação divina é de acordo com o demérito humano. Até esse ponto parecem todos estarem de acordo, mas o erro está em supor que alguém possa ser um não merecedor da condenação eterna, todos, inclusive os eleitos, são filhos da ira por natureza (Ef. 2:3), ninguém será salvo por mérito próprio . Assim Deus sempre é o Justo Juiz, diante da condição da criatura humana, mesmo que a todos encerrar-se debaixo da condenação eterna, Deus apenas estaria sendo Justo.

O calvinismo ensina que todos os seres humanos são agentes livres no sentido de que eles podem tomar suas próprias decisões a respeito daquilo que querem fazer, escolhendo de acordo com sua própria natureza e consciência. Ai está o problema do homem natural, segundo as Escrituras ele sempre escolhe mal, a não ser que Deus intervenha de forma soberana, quebrando o coração de pedra e dando-lhe o arrependimento para a vida, este continuará em sua rebeldia contra Deus, morto espiritualmente e não podendo escolher as coisas que dizem respeito a salvação da alma, o homem caído ama somente as trevas e jamais escolhe ser de Deus, não pode por si mesmo buscar o bem espiritual (Rom 3:10).
Então as Escrituras ensinam bem mais que somente o cuidado de Deus pelo seu povo, por aqueles a quem molda para serem vasos de honra, exalta também sua soberania, quando de sua livre vontade, resolve endurecer e não usar de misericórdia com alguém (Rom 9:13-18), e acertadamente, diz o autor da lição que para entender a predestinação é necessário ler romanos capítulos 9-11.
O amor de Deus pelos seus, está fundamentado em sua soberana escolha, “Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.” (Rom 9:13), e este aborrecer é mais que “amar menos” conforme Ml 1:3-4 deixa bem claro, ele traz o sentido de rejeição e antipatia.

Curiosamente a revista traz além de vários textos bíblicos maravilhosamente esclarecedores como: ”... O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade” ( Is 46:10), uma definição bíblica e ortodoxa da soberania de Deus, contudo, como é de praxe aos arminianos tentar, a todo custo, condicionar a escolha divina dos que serão salvos ao pré-conhecimento das ações de suas criaturas, isso está também presente no estudo em questão, expresso na frase “levando sempre em conta, naturalmente, o livre-arbítrio com que Ele nos dotou”. Ensino esse que não encontra fundamento nas Escrituras. A eleição segundo a presciência de Deus de que fala as Escrituras, não diz respeito as ações das pessoas, aliais, “presciência” nunca é empregada nas Escrituras em relação a eventos ou ações; em lugar disso, sempre se refere a pessoas. Pessoas é que Deus declara que “de antemão conheceu” (pré-conheceu), não as ações dessas pessoas, vejamos o texto usado na revista:
“Nossa eleição, portanto, tem como base a soberania e a presciência divinas: eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas (1Pe 1:2)”
Quem são “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”? O versículo anterior nô-lo diz: a referência é aos “estrangeiros dispersos”, isto é, a Diáspora, a Dispersão, os judeus crentes. Portanto, aqui também a referência é a pessoas, e não aos seus atos previstos. Se Deus escolhesse os homens baseado nas futuras ações humanas, a salvação seria por méritos previstos, mas o certo é que para as boas obras fomos escolhidos e não por causa delas. (Ef 1:4).

A revista parece mais confusa ainda, quando resolve definir predestinação e como que fugindo do argumento da eleição condicionada ao pré-conhecimento, agora usa João 3:16 para afirmar que Deus predestinou todos os seres humanos à vida eterna, é isso mesmo, o texto usado para falar de predestinação é exatamente o que nada fala sobre isso, mesmo tendo a Bíblia mais de 50 versículos que claramente fazem referência a escolha de Deus daqueles a quem soberanamente salvaria, o único texto que o autor consegue enxergar como resposta a este dilema milenar da cristandade segundo ele de fácil compreensão é que “Deus amou o mundo” como se a expressão de sua benevolência significasse que Deus ama com amor eletivo toda e cada criatura humana, inclusive Esaú, enquanto que nem o verso e nem o contexto a nada disso sugere, pelo contrário, é onde Jesus a muitos confunde com sua assertiva de que ninguém pode ver o reino de Deus, sem antes nascer de novo. Outros textos que falam claramente que os nomes dos eleitos estão escritos no livro da vida antes da fundação do mundo (Ap 17:8), propositalmente ficam fora do estudo que ainda afirma que Deus jamais predestinaria alguém para a condenação eterna, contrariando claramente textos como 1Pe 2:8, Rom 9:22, Jd 1:4, At 13:48 e Prov 16:4.

A predestinação sugerida pelo autor não é a mesma ensinada pelas Escrituras, aquilo que Deus determina, ordena, predestina, tem um fim certo e não pode ser mudado, nem mesmo pela livre agência humana, que não é o mesmo que o livre arbítrio arminiano, onde supostamente Deus abre mão de sua jurisdição e governo para dar ao homem a real oportunidade de escolher e criar realidades, sendo assim uma espécie de co-criador, mas a verdade é que o homem nunca é livre metafisicamente de Deus. A revista ensina que a predestinação para a salvação (mesmo sendo baseada na onisciência como defendido antes), não é garantia de nada, não implica em uma certeza absoluta que aquela pessoa predestinada será salva, enquanto isso as Escrituras Sagradas declaram: Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Rom 8:29-30).
Podemos facilmente perceber que os indivíduos são os mesmos, do início ao fim do processo, desde o conhecimento de nossas pessoas por Deus na eternidade, que entendemos ser o amor eletivo de Deus (pois conhecer no sentido de “tomar ciência”, à todos e tudo Deus conhece) até à justificação, existe uma corrente onde os elos são os mesmos, inquebráveis até o fim, ou seja, os mesmo que são predestinados para a salvação são definitivamente glorificados e levados ao céu, não pode falhar porque faz parte do plano eterno e perfeito de Deus para sua própria glória, e Jesus certamente tem poder para cumprir a vontade do Pai: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.” (Jo 6:39).

A lição da revista Lições Bíblicas da CPAD é uma tentativa tímida e inútil de conciliar doutrinas inconciliáveis, à saber, o ensino clássico da Soberania de Deus com a tese arminiana do livre-arbítrio, para tal, é capaz de recorrer à métodos, em muito, parecidos com o das literaturas sectárias, como a revista sentinela dos Testemunhas de Jeová, onde é comum encontrarmos afirmações teológicas fundamentadas em textos claramente distorcidos, fora de seus contextos ou que simplesmente nada falam sobre o assunto ao qual é associado.
É lamentável ver uma revista aparentemente séria como esta da CPAD, além de claramente distorcer textos bíblicos para sustentar sua posição e de vetar com esse discurso autoritário qualquer possibilidade de debate, e a liberdade de pensamento e consciência de cada crente que se utiliza de seu material para estudar as Escrituras, ainda com tom de chacota distorce as palavras de Calvino, insulta os calvinistas, e estigmatiza em sua literatura a posição soteriológica reformada, sustentada por diversas denominações sérias e históricas de nosso país, isso me faz lembrar as palavras de queixa do irmão A. S. Pettie, quando ele diz: "De lábios hostis, uma afirmação justa e correta da doutrina, nunca é ouvida".

Por Djalma Oliveira Santiago

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Encontrada na Turquia a Arca de Noé

Exploradores dizem ter encontrado na Turquia uma parte da Arca de Noé

Um grupo de investigadores turcos e chineses dizem ter encontrado a Arca de Noé.
O achado foi localizado no Monte Ararat, no Leste da Turquia, perto da fronteira com o Irã. Os exploradores, pertencentes a uma organização evangélica, identificaram uma estrutura de madeira antiga, com 4800 anos.

A antiguidade já foi verificada através do método do carbono 14, um dos mais rigorosos que se conhece.





Embora haja fortes indícios de que os vestígios encontrados - madeira e restos de cordas que se pensa ter servido para prender os animais - pertençam à Arca de Noé, uma vez que “as amostras coincidem com os relatos históricos”, os investigadores não confirmam para já esta tese, até porque “nunca ninguém viu a arca”, sublinha Yeung Wing-Cheung, um dos peritos envolvidos na investigação.

A equipe, formada por seis investigadores de Hong Kong e outros nove da Turquia e que conta com o apoio do Governo turco, revelou ontem que as amostras foram descobertas em Outubro de 2009, durante as escavações no monte Ararat.

As análises realizadas demonstraram que o pedaço de madeira com 38 milímetros encontrado terá 4800 anos, idade que coincide com a data de construção da Arca de Noé apontada pela Bíblia. O investigador alemão Gerrit Aalten, que também integrou a expedição ao Monte Ararat, considera que “há uma grande quantidade de evidências sólidas de que a estrutura encontrada é a lendária Arca de Noé”.

O geólogo turco Ahmet Ozbeck observa que a baixa temperatura e as condições ambientais dos depósitos de glaciar e do material vulcânico ajudaram a preservar a estrutura de madeira encontrada a quatro mil metros acima do nível do mar.

Fonte: Tv1 FOXNews

terça-feira, 27 de abril de 2010

Fiel da Igreja Universal mata pai e mãe para pagar o dízimo


Mulher matou os pais por eles terem se recusado a dar o dinheiro para pagamento do dízimo

Uma jovem de 24 anos assassinou dois idosos, seus pais adotivos, e ainda esquartejou seus corpos na manhã deste domingo, em Timon (MA).


Segundo a Polícia, Lineusa Rodrigues da Silva teria matado Joana Borges da Silva e Lourival Rodrigues da Silva porque eles se recusaram a dar dinheiro a ela. O crime ocorreu por volta das 8 horas da manhã, na Vila Angélica, na cidade maranhense.

Um machado e um pedaço de pau foram os instrumentos utilizados no duplo homicídio.

Ao prestar depoimento à delegada Wládia, da Central de Flagrantes de Timon, a acusada declarou que precisava do dinheiro para pagar o dízimo de sua igreja.



O crime chocou a cidade de Timon neste final de semana. Segundo a delegada, o pastor da igreja Universal será investigado.

De acordo com a delegada Wládia Holanda, que recebeu o caso na Central de Flagrantes, disse que Lineuza teria cometido o duplo homicídio qualificado por fanatismo religioso. “Ela teria débitos de dízimos da Igreja Universal e extorquia os pais para pagá-los, como eles se negaram, era teria praticamente premeditado o crime”, destaca a delegada.

As primeiras investigações da polícia apontaram que Lineusa já vinha extorquindo os pais há algum tempo. Na noite do crime, a estudante teve uma discussão com seu pai Lorival e exigiu ele que desse dinheiro para sanar dívidas com um pastor. Os vizinhos ouviram os gritos e chamaram a polícia.

No momento da prisão, Lineusa reagiu. Ela tentou agredir a delegada Wládia com cabeçadas, mas acabou sendo imobilizada pelos policiais. Na delegacia, a acusada pediu clemência e chegou a ficar de joelhos diante da delegada. “Eu fiz por Deus”, declarou Lineusa Rodrigues.

Delegada

A delegada confirmou ainda que a acusada apresenta indícios de que tenha problemas mentais. “Só um médico pode atestar concretamente. Como o caso foi encaminhado para a Delegacia de Homicídios, o delegado de lá pode pedir o exame de sanidade mental”, explicou Wládia Holanda.

Ela afirmou que além da acusada, outras pessoas também prestaram depoimentos. E o pastor da Igreja, que já foi identificado, também será investigado.

O crime foi considerado pelos próprios policiais como "selvagem e bárbaro". O corpo do pai foi encontrado com a face achatada por um golpe de machado na sala, da residência onde os três moravam juntos, na Vila Angélica. A mãe, que é cadeirante e estava deitada, não pode se defender, das facadas que a filha desferiu. Dona Joana teve o tórax aberto pelo serrote.

Lineuza ainda mutilou os corpos, cortando braços e pernas dos pais. O crime aconteceu na madrugada, mas os vizinhos só encontraram os idosos por volta das 9 horas. A estudante que havia fugido, foi encontrada pouco tempo depois pela polícia.

Após a prisão, a estudante foi transferida para a delegacia de homicídios onde aguarda a transferência para o setor feminino do Centro de Ressocialização Jorge Vieira em Timon. Caso seja condenada, Lineusa pode pegar de 15 a 30 anos de reclusão.


Fonte: Portal O Dia/ Cidade Verde

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fiéis abandonam em massa a Igreja Católica


O número de fiéis que estão abandonando a Igreja Católica após os recentes casos de abusos sexuais e maus tratos envolvendo sacerdotes é classificado de "dramático", segundo reportagem publicada neste sábado pelo jornal "Frankfurter Rundschau".

O quadro é mais grave no Sul da Alemanha, especialmente na Baviera, região com grande número de católicos, segundo pesquisa. Na diocese de Bamberg, as baixas pularam de 200 para 1.400 fiéis por mês. Em Regensburgo, onde foi registrado um caso de maus tratos em coro dirigido por Georg Ratzinger, irmão do Papa Bento XVI, o abandono foi quintuplicado.

A situação não é diferente em Augsburgo. O bispo da cidade, Walter Mixa, renunciou ao cargo esta semana após admitir ter maltratado crianças de um orfanato quando era responsável por uma paróquia. Os registros de baixas já chegam a 4.300.

As regiões de Rottenburg-Stuttgart, Osnabrück, Berlim e Colônia também apresentam situação grave. Só na capital o número de fiéis que abandonaram oficialmente a Igreja triplicou.


Além do abandono de fiéis, a Igreja enfrenta também uma forte pressão da sociedade alemã. O Ministério da Justiça quer aumentar os prazos de prescrição para fazer com que vítimas de abusos possam ter mais tempo para denunciar os autores. O governo lançou um plano de apoio às vítimas de pedofilia.

- Muitos desses delitos prescreveram, mas a responsabilidade de auxiliar suas vítimas não prescreve - afirmou a ministra da Família, Kristina Schroeder, que criou grupos de trabalho para esclarecer centenas de casos de pedofilia no país.

Fonte: O Globo

domingo, 25 de abril de 2010

Malafaia pede trízimo de desempregado e o dinheiro do aluguel

Por Leonardo Gonçalves
e Marcos Vasconcelos

Mãos ao alto, isto é um assalto! Quer dizer, quase isso: Trata-se de mais uma campanha financeira do Silas Malafaia na TV.

Após receber a visita dos badalados -mercenários- pregadores da prosperidade lá da outra América, o pastor presidente da -Assembléia de Deus da Penha- Assembléia de Deus Vitória em Cristo (veja o post) aloprou de vez e catapultou suas ganâncias em ofertas “voluntárias” na TV. Recentemente, ele e o seu compadre Mike Murdock pediram 1000 reais de cada televidente, sob promessa de bênção financeira e salvação de almas. O objetivo é conseguir 1 milhão -de telebobos- de ofertantes e garantir com isso a salvação de 1 milhão de almas qualquer semelhança com a venda de indulgências na idade média não é mera coincidência!).

Mas não bastasse colocar preço nas almas dos perdidos, o telepastor fez um pedido pra lá de ousado. Silas Malafaia quer cobrar o trízimo dos desempregados! Não só isso, mas também anda pedindo o dinheiro do aluguel, sob promessa de casa própria para o corajoso que -cair na lábia- ofertar a vultuosa soma. Confira:



Ao senhor Silas, quero dizer que assisti seu programa na TV, e vi o quanto o senhor está incomodado com o que escrevem os blogueiros. Porém, acrescento que não vamos parar de denunciar suas heresias grosseiras, e iremos alertar a muitos daqueles cuja fé o senhor tem explorado. Sua penúltima cartada, o clube de um milhao de almas, é uma enorme blasfêmia, pois estipula um valor monetário para um bem de inestimável valor:

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado”

1 Pe 1.18-19


“Porque assim diz o SENHOR: Por nada fostes vendidos; também sem dinheiro sereis resgatados”

Isaías 52.3



Silas Malafaia: o senhor deixou de ser evangélico no dia que colocou preço nas almas dos fiéis, ignorando a máxima bíblica e protestante que diz:

“Por graça [de graça... totalmente grátis!] sois salvos, por meio da fé”

Efésios 2.8


Caro (e bota caro nisso!) pregador Silas Malafaia: Converta-se da sua heresia, deixe de enganar os fiéis, e renda-se à Cristo para salvação da sua alma. Venha à Cristo pela graça... E de graça! Ele te salva e te purifica de todo pecado.




***

Leonardo Gonçalves é editor do Púlpito Cristão e missionário no norte do Peru. Marcos Vasconcelos é aprendiz de blogueiro subversivo e encontra-se refugiado nos Estados Unidos. Ambos odeiam a teologia da prosperidade.

Fonte: Púlpito Cristão

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ana Paula Valadão e o tripé do Exu Boiadeiro!


Ana Paula Valadão traz uma nova moda. Agora ela disse que tem um EXU BOIADEIRO no mundo, e um amigo seu de cabelos brancos (não são de sabedoria com certeza) completa a "estória".




Ele, diz que tem um Exu Boideiro no mundo, e ele está fincado em um tripé: Dallas (EUA), Madrid (Espanha) e Barretos (Brasil). Quem disse isso foi "uma profeta" segundo eles, e tudo já foi discutido e apresentado em uma conferência profética por um "apóstolo".

Assista o vídeo das declarações.


Como acabar com isso? Não contavam com a astúcia, não do Chapolim ... mas deles.

Ana se perguntava porque foi morar em Dallas (pra mim porque tem dinheiro), mas agora tem a resposta, lá tem um Exu Boiadeiro, ela precisa está lá. Não... não Jesus Cristo não, ela.

E porque o dvd do "Diante do Trono" foi em Barretos??? Ah, lá também tem um Exu Boideiro, e quem poderá com ele??? você já sabe a resposta. Será que vão para a Espanha?

Ela também agora sabe porque comprou uma bota de couro de cobra (a poderosa Bota de Python) no Rio de Janeiro, foi para com esta poderosa arma pisar as potestades e enfrentar o temível "Principado de Python".

As vezes me pergunto, essas pessoas fazem isso porque realmente acreditam no que dizem? Ou é apenas uma brincadeira?

E quem consome isso? Será que tem pastor, em suas igrejas tem culto doutrinário? Não sei. O que sei é isso passa longe do que é ser Protestante evangélico, ah isso eu sei.

Fonte: Graça Plena

terça-feira, 20 de abril de 2010

Por que somos presbiterianos?


Parte 01 - Por que somos presbiterianos?

Neste mês (Agosto/2007), nós presbiterianos brasileiros, estamos comemorando 148 anos. O primeiro missionário presbiteriano, Rev. Ashbel Green Simonton deixou os EUA, em 18 de Junho de 1859, embarcando no navio “Banshee” rumo ao Brasil. Chegou ao Rio de Janeiro, em 12 de Agosto de 1859, com 27 anos de idade. Em 9 de Dezembro de 1867, o Rev. Simonton morreu em São Paulo de febre amarela (?) aos 34 anos, deixando implantado em nosso amado país, a semente do evangelho de Cristo e o início da Reforma protestante.


Estudaremos a partir de hoje em nossos boletins algumas informações teológicas e históricas respondendo à questão: por quê somos presbiterianos?


O nosso sistema de governo presbiteriano significa que somos regidos pelos presbíteros. Não somos congregacionais (onde todos decidem pelo voto direto), nem episcopais (onde apenas um superior decide sobre os demais), mas somos uma igreja democrática que é representada pelos presbíteros escolhidos pela igreja local. A base do nosso governo é que o concílio é soberano.


Estes são os princípios doutrinários do nosso sistema de governo: 1) Cristo é a Cabeça da sua Igreja e a Fonte de toda a sua autoridade. Esta autoridade encontra-se escrita na Escritura, de modo que, todos têm acesso ao seu conhecimento. 2) Todos os crentes devem estar unidos entre si e ligados diretamente a Cristo, assim como os diversos membros de um corpo, que se subordinam à direção da cabeça espiritual. 3) Cristo exerce a sua autoridade em sua Igreja, por meio da Palavra de Deus e do seu Espírito. 4) O próprio Cristo determinou a natureza do governo da sua Igreja. 5) Cristo dotou tanto os membros comuns como aos oficiais da sua Igreja com autoridade, sendo que os oficiais receberam adicional autoridade, como é requisito para realização dos seus respectivos deveres. 6) Cristo estabeleceu apóstolos como os seus substitutos, entretanto, eram de caráter transitório. O ofício apostólico cessou, mas a sua autoridade é preservada pelos seus escritos, isto é, o Novo Testamento. 7) Cristo providenciou para o específico exercício da autoridade por meio de representantes (os presbíteros), a quem separou para zelar da preservação da sã doutrina, fiel adoração e disciplina na Igreja. Os presbíteros têm a responsabilidade permanente de pastorear a Igreja de Cristo. 8) A pluralidade de presbíteros numa igreja local é a liderança permanente até a segunda vinda de Cristo.


Parte 02 - Por que somos presbiterianos?


A fiel pregação da Palavra sempre foi uma expressiva característica das Igrejas herdeiras da Reforma do século 16. Por isso, o culto presbiteriano estrutura-se com sólida base nas Escrituras, cheio de interpolações da Escritura [leitura, cânticos e hinos, exposição, etc.], e para a pregação da Escritura. Deus deve falar com o Seu povo, enquanto este O adora com sincera devoção.


Manejar bem a Palavra da verdade tem sido uma referência dos crentes presbiterianos. Temos como alvo o preparo para sabermos dar razão da nossa fé! Os novos movimentos de doutrina, que vêm e vão, e deixam estragos nas igrejas evangélicas, pouco afetam o nosso meio, pois todo ensino estranho à Escritura é rejeitado e abominado com vigor. Olhamos com desconfiança e cautela o espírito de inovação e modismo, todavia, reconhecemos a necessidade de discernir os tempos e aceitar as mudanças necessárias, sem abandonar a nossa essência. Cremos que podemos ter unidade no essencial, liberdade no não-essencial e amor em tudo.


Mantemos a boa preocupação de termos pastores teologicamente bem treinados. Homens com vida piedosa e conhecimento que com amor e zelo, pastoreiem o rebanho de Cristo. Esperamos no Senhor o cumprimento da promessa de que "dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência" (Jr 3:15). Pastores que saibam aplicar as Escrituras à todas as questões da vida com profundidade, coerência e fidelidade. Saibam nutrir as ovelhas, e não se preocupem em entreter os bodes.


A Escritura deve ser corretamente manejada com as mãos, entendida com a mente e guardada no coração. O nosso tema é: a única regra de fé e prática é a Escritura. A Palavra de Deus instruí todas as coisas necessárias para a salvação. Assim, tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como artigo de fé ou julgado como exigido ou necessário para a salvação. Cremos que somente a Escritura Sagrada é autoridade absoluta, definindo as nossas convicções doutrinárias, pois é onde encontramos a verdadeira sabedoria que rege as nossas decisões, e molda o nosso comportamento, como também determina a qualidade dos nossos relacionamentos. Somente obedecendo a Escritura Sagrada poderemos glorificar a Deus.


Parte 03 - Por que somos presbiterianos?


"Eu sei em que tenho crido!" Esta deve ser a postura de todo membro presbiteriano. Para que esta convicção seja possível, temos diversos recursos para capacitar e treinar os nossos membros, como por exemplo, o discipulado, os grupos familiares, a classe de Catecúmenos, a Escola Dominical, estudos durante a semana de doutrina, literatura diversificada, sites, etc. Cada membro tem a oportunidade de conversar com o seu pastor e esclarecer as suas dúvidas.


Não somos uma denominação confusa, nem sem identidade. Desde o século 16, a nossa história tem testemunhado, em períodos, lugares e circunstâncias diferentes que o nosso Deus levantou servos zelosos e fiéis com a verdade e a pureza da Igreja para que lutassem pela fé que foi entregue aos santos (Jd vs.3). Somos Calvinistas. Entretanto, não podemos cair no erro de pensar que somos limitados ao ensino de um único homem. O reformador francês João Calvino nunca teve a intenção, nem permitiu que se criasse uma denominação com o seu nome. Mas, o seu nome foi emprestado à um sistema doutrinário que possuí características que diferem de outros sistemas doutrinários dentro do Cristianismo. Calvinismo é o sistema que "repousa sobre uma profunda apreensão de Deus em Sua majestade, com a inevitável e estimulante realização da exata natureza da relação que Ele sustenta na criação como ela é, e em particular, na criatura pecadora. Aquele que crê em Deus sem reservas, está determinado a deixar que Deus seja Deus em todos os seus pensamentos, sentimentos e volições - em inteiro compasso das suas atividades vitais, intelectuais, morais e espirituais, através de suas relações pessoais, sociais e religiosas" (B.B. Warfield, Calvin and Calvinism in: Works, vol. 5, pp. 354).


A nossa liderança não pode instruir os seus membros conforme as suas predileções pessoais, nem movidos pela moda doutrinária do momento. O nosso princípio básico orientador é: a Escritura Sagrada é a nossa única regra de fé e prática. Os pastores e presbíteros devem ser fiéis ao sistema doutrinário e governo presbiteriano. O direito que a Igreja Presbiteriana do Brasil tem de determinar as qualificações dos candidatos a cargos eclesiásticos e de requerer-lhes fidelidade é constitucional, moral e bíblico. Por isso, quando alguém anseia tornar-se um ministro ou oficial presbiteriano, ele deve prestrar solene juramento público, requerendo-lhe conhecimento, entendimento, obediência e compromisso com a nossa identidade reformada.


A família presbiteriana e reformada no mundo está unida pela adoção dos padrões doutrinários de Westminster. Entre 1643 à 1646, se reuniu em Londres a Assembléia de Westminster, que foi um grupo com mais de 120 teólogos e líderes que vieram de diversas partes do Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda) e visitantes de outros países de confissão Calvinista. Este grupo dividiu-se em comissões e travaram em minunciosos debates, produzindo documentos doutrinários coerentes, precisos, concisos e vigorosos. Estes textos são conhecidos como os Padrões de Westminster: a Confissão de Fé e Catecismos Breve e Maior. Estes livros são usados como referência confessional, recurso de discipulado, treinamento de novos membros e devocional para o culto doméstico, em que cada família pode nutrir o seu lar com sã doutrina.


Além dos textos originais algumas sugestões de leituras adicionais poderão auxiliar o estudo dos nossos Padrões Doutrinários. Estes são comentários expositivos dos símbolos de Westminster publicados pela Editora Os Puritanos:


1. A .A. Hodge, Confissão de Fé de Westminster Comentada, págs. 596;


2. Johannes G. Vos, Catecismo Maior de Westminster Comentado, págs. 656;


3. Leonard T. van Horn, Estudos no Breve Catecismo de Westminster, págs. 198.


Aqueles que desejarem realizar um estudo do nosso sistema de doutrina pode adquirir bons livros da nossa Editora Cultura Cristã ou da Editora Os Puritanos. [Acesse www.ipb.org.br – Igreja Presbiteriana do Brasil]


Parte 04 - Por que somos presbiterianos?


Cremos que o presbiterianismo não é meramente uma parte importante do Cristianismo. A fé reformada é um conjunto de verdades que formam um sistema que modela influentemente a vida dos presbiterianos. Este conjunto de doutrinas sistematizadas são chamadas de Calvinismo. Entretanto, não podemos cair no engano de pensar que ele é um sistema doutrinário útil somente para a religião. Calvinismo é uma cosmovisão! Ou seja, toda a nossa visão de mundo é definida pela nossa convicção bíblica. Isto significa que toda a nossa interpretação de cada experiência que temos com Deus, conosco, com o próximo e tudo o que existe é resultado das nossas convicções.


O Calvinismo é um sistema de vida tão completo que é suficiente para modelar cada esfera da sociedade. Quando falamos em Calvinismo não podemos nos limitar a pensar em religião. O teólogo e estadista holandês Abraham Kuyper palestrando na Univerdade Princeton declarou que "não há um só lugar no Universo, onde Cristo não possa colocar o seu dedo e dizer: 'isto é meu'". Tudo pertence a Deus e Ele soberanamente é Senhor sobre tudo, não apenas a nossa religião, mas a política, a economia, a ciência, a arte e todas as demais esferas da sociedade devem ser submetidas aos preceitos de Deus. Por isso, não podemos viver dois estilos de vida: uma enquanto crente e, outra como uma vida secular. Somos servos de Deus, e onde estivermos, em nossas atividades e relações devemos manifestar uma mentalidade calvinista.


Como um sistema de pensamento o Calvinismo tem forjado indivíduos com um estilo vigoroso de vida, como também tem modelado culturas inteiras. Todos os países que aderiram a Reforma no século 16, sem excessão, se tornaram grandes potências mundiais! Coincidência? Claro que não! O erudito alemão Marx Weber ficou tão impressionado em perceber esta verdade, que em sua obra "A ética protestante e o espírito do Capitalismo" descreveu como a convicção teológica dos calvinistas produziu o seu desenvolvimento social. Mas o Calvinismo somente prospera por causa da sua obediência ao ensino da Escritura Sagrada, que é aplicada a todas as necessidades do ser humano, debaixo da dependência do Senhor. A nossa preocupação não é apenas com a alma e a vida eterna, mas em suprir todas as necessidades do ser humano, oferecendo uma dignidade presente que o pecado rouba e que gera a miséria em todas as esferas da vida.


Parte 05 - Por que somos presbiterianos?


O principal emblema teológico do presbiterianismo não é a sua eclesiologia [doutrina da Igreja], mas a sua teontologia [doutrina de Deus]. A doutrina da soberania é o centro da convicção presbiteriana. Todas as demais doutrinas são diretas ou por implicação resultado deste tema unificador. Héber C. de Campos observa que "o Deus que é pregado em muitos púlpitos e ensinado nas escolas dominicais, e lido em grande parte dos livros evangélicos, não passa de uma adaptação da divindade das Escrituras, uma ficção do sentimentalismo humano. Esse Deus, cuja vontade pode ser resistida, cujos desígnios podem ser frustrados e cujos propósitos podem ser derrotados, não é digno de nossa verdadeira adoração. De fato, esse não é o Deus das Escrituras."[1]




A soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. W.E. Roberts de forma quase poética afirma esta verdade, declarando que "quanto mais claramente Deus é compreendido e a sua soberania reconhecida, tanto mais aceitáveis e obrigatórios se tornam os seguintes princípios: o homem é um ser livre, predestinado; a vida reta é um dever perpétuo estabelecido por Deus; a responsabilidade moral do homem foi preordenada pelo Espírito Divino; o juízo de Deus é inevitável e a libertação do castigo e da condenação só é possível mediante Jesus Cristo. A soberania, a lei e a justiça de Deus, em harmonia com a liberdade humana, fazem dos conceitos presbiterianos sobre o dever uma força moral austera e poderosa."[2]


Arminianismo num se aprende..., todo ser humano nasce arminiano! Entender e aceitar o Calvinismo é receber a graça que ofende o nosso orgulho, e repreende a desgraçada pretensão de ser livre [de Deus] e a estupidez de pensar que sou capaz de resistir ao soberano Senhor do universo, numa insensata e inútil crença de que "sou eu quem determina o meu futuro" e não o trino Deus!!! Concluir que o imperfeito, limitado, instável, insensato, confuso, ignorante, inábil, depravado e morto espiritualmente é capaz de frustrar o perfeito, infinito, imutável, sábio, onisciente e soberano Deus, é no mínimo não ter sequer noção de causação. O Arminianismo é uma tolice, se não bastasse ser antibíblico.


Creio que não é ofensivo ao meu Senhor Jesus quem/como deve ser batizado, nem quem/como se governa a igreja local [penso serem assuntos secundários ou periféricos em questão de doutrina, mas não menos importantes para a boa saúde da Igreja], mas entendo que é altamente ofensivo roubar a Sua glória de determinar a administração da Sua graça, bem como cheira blasfêmia dizer que o desgraçado pecador que é merecedor da mais intensa angústia do inferno, pretende ser superior em vontade à Ele.


Notas:


[1] Héber C. de Campos, O Ser de Deus e os seus Atributos (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1999), p. 351


[2] W.E. Roberts, O Sistema Presbiteriano (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 3ªed., 2003), p. 28


Parte 06 - Por que somos presbiterianos?


A Igreja Presbiteriana possuí o seu sistema doutrinário centrado na Escritura Sagrada. Ela se preocupa em andar pautada e regulada pela Bíblia, que é a Palavra de Deus. Desde a Reforma do século 16 foi ensinada a doutrina da Sola Scriptura – ou seja, que a Escritura é a única fonte e regra de autoridade. Isto significa que a base da nossa doutrina, forma de governo, culto e práticas eclesiásticas não está no tradicionalismo, no racionalismo, no subjetivismo, no relativismo, no pragmatismo, ou no pluralismo, mas extraída e fundamentada somente na Escritura Sagrada, por que cremos que ela é a verdade absoluta revelando a vontade de Deus.


Cremos que a Palavra de Deus registrada no Antigo e no Novo Testamento, sendo escrita por autores humanos, foi inspirada por Deus (2 Tm 3:16) garantindo a sua inerrância, autoridade, suficiência e clareza. Absolutas verdades existem na mente de Deus, que através da revelação elas vêm à mente do escritor original, assim na inspiração esta revelação registra-se em Escritura: a Palavra de Deus em palavras humanas. Com a preservação dos manuscritos temos os textos atuais que precisam ser criteriosamente comparados para termos o que foi originalmente escrito pelos autores. Pela tradução obtemos as nossas versões que procuram transmitir fielmente o significado essencial do texto original. Por fim, através da interpretação a verdade chega a mente do leitor representando proposicionalmente a verdade original da mente de Deus.


As Escrituras são a autoridade suprema em que todas as questões doutrinárias e eclesiásticas devem ser decididas (Dt 4:2). Esta doutrina é importantíssima para a purificação da Igreja. Tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como artigo de Fé ou, julgado como exigência ou, necessário para a salvação. Na Bíblia o homem encontra tudo o que precisa saber, e tudo o que necessita fazer a fim de que seja salvo, e viva de modo agradável a Deus, servindo e adorando-O (2 Tm 3:16-17; 1 Jo 4:1; Ap 22:18). Somente a Escritura Sagrada é autoridade absoluta para definir as nossas convicções, porque apenas nela encontramos a verdadeira sabedoria do alto. Ela rege as nossas decisões e molda o nosso comportamento, como também determina a qualidade dos nossos relacionamentos.


Parte 07 - Por que somos presbiterianos?


Cremos que a salvação do homem não decorre de nenhum tipo de boas obras que venha a realizar, nem de alguma virtude ou mérito pessoal, mas sim do favor imerecido de Deus (Rm 3:20,24, 28; Ef 2:1-10). Em decorrência da Queda, todo ser humano nasce com uma natureza totalmente corrompida, de modo que não pode vir a agradar a Deus, a não ser pela ação soberana e eficaz do Espírito Santo, o único capaz de iluminar corações em trevas e convencer o homem do pecado, da culpa, da graça e da misericórdia de Deus em Cristo Jesus (Rm 3:19,20).


Todo ser humano em seu estado natural é escravo do pecado. O teólogo puritano Stephen Charnock observou que “todo pecado é uma espécie de amaldiçoar a Deus no coração. O homem tenta destruir e banir Deus do coração, não realmente, mas virtualmente; não na intenção consciente de cada iniqüidade, mas na natureza de cada pecado.”[1] A dureza de coração lhe é normal, por que ele está rígido como uma pedra (Ez 36:26-27).


O livre arbítrio perdeu-se com a Queda. A capacidade de agir contrário à própria natureza foi perdida com a escravidão do pecado. No início, Adão sendo santo foi capaz de escolher contrário à sua inclinação natural de perfeita santidade e, decidiu pecar. Tornando-se escravo do pecado, o primeiro homem livremente passou a agir de acordo com a escravidão dos desejos mais fortes da sua alma corrompida pela iniqüidade, e por si mesmo é incapaz de não pecar. Ele é livre, mas a sua liberdade é usada tendenciosamente para pecar de conformidade com os impulsos de sua inclinação para o pecado. Se ele for deixado para si mesmo, ele sempre agirá de acordo com a sua disposição interna, ou seja, naturalmente sempre escolherá pecar (Rm 1: 24-32; 3:9-18; 7:7-25; Gl 5:16-21; Ef 2:1-10).


A causa da nossa salvação é devido a ação da livre e soberana graça do nosso Deus. A Confissão de Fé de Westminster declara que "todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça."[2]


Notas:


[1] Stephen Charnock, The Existence and the Attributes of God (Grand Rapids, Baker Books, 2000), vol. 1, pág. 93


[2] Confissão de Fé de Westminster, X.1

Parte 8 - Por que somos presbiterianos?

Cremos que a causa da nossa salvação não depende das nossas virtudes pessoais, nem de qualquer esforço que envolva o merecimento conquistado pelas nossas virtudes. O único meio pelo qual o Espírito Santo aplica a salvação ao coração humano é a fé. Entretanto, deve ser lembrado que a fé é dom de Deus e não uma virtude humana (Rm 4:5; Ef 2:8-9; Fp 1:9). Mas, mesmo que ela fosse uma virtude humana ainda assim seria imperfeita, insuficiente e desmerecedora da graça de Deus. O Breve Catecismo de Westminster define este dom: fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nele para a salvação, como ele nos é oferecido no Evangelho (BCW perg/resp. 86).

A justificação é pela fé somente nas obras de Cristo. Ela é a causa instrumental da nossa salvação. Nenhum homem pode ser salvo, a não ser que creia na eficácia da expiação realizada por Cristo, confiando exclusivamente nele (Rm 1:17; Tt 3:4-7; 1 Jo 5:1). A justiça de Cristo que é imputada sobre nós nos concede, garante e mantém-nos aceitos na comunhão eterna de Deus.

A fé envolve toda a personalidade do indivíduo. Este dom divino move vivificando salvificamente o entendimento, a vontade e as emoções. Entendemos por fé, não um sentimento vago e infundado, ou uma mera credulidade (Hb 11:1-3); mas, ela é o dom do Espírito Santo, que é a capacidade crêr com um correto conhecimento, com uma firme convicção e confiança na Palavra de Deus que aponta para o senhorio de Cristo. Pela fé o eleito de Deus é convencido da culpa e do pecado, e se arrepende com real tristeza e, estende as mãos vazias para receber de Deus o perdão imerecido, descansando na suficiência da justiça de Cristo (Rm 5:1; Hb 11:6).

A verdadeira fé produz santas e boas obras que evidenciam a salvação e glorificam a Deus. A salvação é pela fé somente, mas a fé que salva nunca está sozinha. A fé salvadora produz amor prático ao próximo, santidade pessoal em obediência à Palavra de Deus. A Escritura Sagrada declara que "pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Ef 2:10).

Parte 9 - Por que somos presbiterianos?

Somente através da obra de Cristo poderemos ser salvos. Não temos nenhum outro mediador pelo qual seja possível acontecer uma reconciliação com Deus, a não ser Jesus Cristo, a segunda pessoa da Trindade (1 Tm 2:5). Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1:29). Cremos que a Sua morte expiatória na cruz satisfaz a justiça de Deus e, elimina completamente a culpa de todos aqueles que nEle crêem (Rm 3:24-25), redimindo-os dos seus pecados (Ef 1:7); e, que a Sua humilhação durante o Seu ministério foi perfeitamente justa, santa e obediente à lei de Deus. A Sua obra Lhe confere autoridade para declarar justo todos quantos o Pai Lhe deu (Jo 6:37,39,65). Toda a obra expiatória de Cristo é suficiente para a nossa salvação (Rm 8:1).

O nosso Senhor Jesus se fez um de nós para ser o nosso substituto. Ele é o nosso único representante diante de Deus. A Aliança da Graça estipulava que o Filho viesse ao mundo para cumprir a vontade do Pai, ou seja, que viesse morrer pelos Seus escolhidos (Jo 4:34; 6:38-40; 10:10). A nossa culpa e merecida condenação caiu sobre Ele (Hb 2:10). O Filho de Deus não desceu ao lugar chamado inferno, mas os sofrimentos do inferno se fizeram presentes em Sua alma. O Pai retirou a Sua presença consoladora e derramou sobre Jesus a Sua ira divina punindo o nosso pecado nEle. As nossas iniqüidades estavam sobre o Filho, e a justa ira de Deus veio sobre o nosso pecado na cruz (Hb 2:10). Jesus tornou-se amaldiçoado em nosso lugar sobre o madeiro (2 Co 5:21).

A Confissão de Fé de Westminster declara que "aprouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado" (CFW VIII.1).

A justificação de Cristo sobre nós exige que tenhamos uma vida coerente com a Sua justiça. O apóstolo Pedro declara que “porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados” (1 Pe 2:21-24).

Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (At 4:11-12).


Parte 10 - Por que somos presbiterianos?

Cremos no único Deus, que é Senhor da história e do universo, "que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade" (Ef 1:11). A nossa convicção está em que a finalidade principal da vida humana não é somente o bem-estar, a saúde física, a prosperidade, a felicidade, ou mesmo a salvação do homem, mas, a glória de Deus, o louvor da santidade, justiça, fidelidade, poder, sabedoria, graça, bondade e de todos os Seus atributos. Deus não existe para satisfazer as necessidades do homem, embora Ele o faça por amor de Si mesmo (Ez 20:14). O homem foi criado para o louvor da Sua glória (Rm 11:36; Ef 1:6-14).[1] O Rev. Johannes G. Vos comentando o Catecismo Maior de Westminster observa que "quem pensa em gozar a Deus sem O glorificar corre o risco de supor que Deus existe para o homem, e não o homem para Deus. Enfatizar o gozar a Deus mais do que o glorificar a Deus resultará num tipo de religião falsamente mística ou
emocional".[2]

É certo que ela transcende ao nosso entendimento, mas ela pode ser percebida pela Sua manifestação na criação e pela revelada Palavra da Deus. João Calvino no início de suas Institutas escreve que "a soma total da nossa sabedoria, a que merece o nome de sabedoria verdadeira e certa, abrange estas duas partes: o conhecimento que se pode ter de Deus, e o de nós mesmos. Quanto ao primeiro, deve-se mostrar não somente que há um só Deus, a quem é necessário que todos prestem honra e adorem, mas também que Ele é a fonte de toda verdade, sabedoria, bondade, justiça, juízo, misericórdia, poder e santidade, para que dele aprendamos a ouvir e a esperar todas as coisas. Deve-se, pois, reconhecer, com louvor e ação de graças, que tudo dele procede."[2]

Mas, por que a nossa felicidade depende da glória de Deus? Porque a nossa dignidade e felicidade depende de vivermos sem a insensatez, vícios e destruição que o pecado causa. Somente quando obedecemos a vontade de Deus, segundo as Escrituras, podemos andar aceitáveis em Sua presença e desfrutar dos benefícios das Suas promessas. Aurélio Agostinho em suas Confissões declarou que "Tu o incitas para que sinta prazer em louvar-te; fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti".[3]

O soberano Senhor não compartilha a Sua glória com ninguém! O nosso orgulho é uma ofensa gravíssima ao nosso Deus. Não é em vão que Ele denúncia a Sua rejeição aos soberbos (Tg 4:6-10). Somente Ele é o Altíssimo, enquanto o pecador consegue em suas fúteis pretensões ser apenas uma ilusória altivez. Não podemos esquecer de que somos chamados para ser servos do Seu reino, e de que toda a abrangência de nossa vida está a Seu serviço (Rm 11:36).

O profeta Jeremias disse que "assim diz o SENHOR: não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR." (Jr 9:23-24).

Notas:
[1] Breve Catecismo de Westminster, perg./resp. 1
[2] Johannes G. Vos, Catecismo Maior de Westminster Comentado (Editora Os Puritanos), pág. 32
[3] João Calvino, Institutas, (edição estudo de 1541), vol. I, pág. 55
[4] Santo Agostinho, Confissões (Editora Paulus), vol. 10, pág. 19

Autor: Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki


Fonte: http://tokashiki.blogspot.com/

A IMPOSSIBILIDADE PRÁTICA DO ATEÍSMO


A única solução que um ateu pode oferecer é que enfrentemos o absurdo da vida e vivamos com coragem. Bertrand Russell, por exemplo, escreveu que temos de construir nossa vida sobre “o firme fundamento do desespero incessante”[9]. Somente reconhecendo que o mundo é realmente um lugar terrível é que podemos lidar bem com essa vida. Camus disse que devemos reconhecer honestamente o absurdo da vida e depois viver com amor uns pelos outros.


O problema fundamental com essa solução, porém, é que é impossível viver de modo coerente e feliz com uma cosmovisão assim. Quem vive de modo coerente, não será feliz; quem vive de modo feliz, apenas o é porque não é coerente. Francis Schaeffer explicou bem esse ponto. Ele diz que o homem moderno mora num universo de dois andares. No andar de baixo está o mundo finito sem Deus; ali a vida é um absurdo, como vimos. No andar de cima estão sentido, valor e propósito. Muito bem, o homem moderno mora no andar de baixo porque acredita que Deus não existe. Só que não pode viver feliz num mundo absurdo; por isso, dá constantemente saltos de fé para o andar superior para afirmar sentido, valor e propósito, apesar de não ter direito a isso por não crer em Deus. O homem moderno é totalmente incoerente quando dá o seu salto, porque esses valores não existem sem Deus, e o ser humano no andar de baixo não tem Deus.

Olhemos mais uma vez, então, para cada uma dessas três áreas em que vimos que a vida sem Deus é um absurdo, para mostrar como o ser humano não pode viver de modo coerente e feliz com seu ateísmo.


O sentido da vida

Primeiro, a área do sentido. Vimos que, sem Deus, a vida não tem sentido. Todavia, os filósofos continuam a viver como se a vida tivesse sentido. Por exemplo, Sartre argumentou, que é possível criar sentido para a vida escolhendo livremente certo curso de acção. O próprio Sartre escolheu o marxismo.

Bem, isso é de uma incoerência completa. Não há coerência em dizer que a vida é objectivamente um absurdo e depois afirmar que se pode criar sentido para a vida. Se a vida é realmente um absurdo, o ser humano está preso no andar de baixo. Tentar criar sentido na vida significa saltar para o andar superior. Mas Sartre não tem base para dar esse salto. Sem Deus, não pode haver sentido objectivo na vida. O programa de Sartre é na verdade um exercício de auto-engano. O universo na verdade não adquire sentido só porque eu lhe atribuo algum sentido. Isso é fácil de ver: imagine que eu dou um sentido ao universo e você lhe dá outro. Quem tem razão? A resposta, claro, é nenhum dos dois. O universo sem Deus permanece sem sentido em termos objectivos, não importa como nós o consideremos. Sartre na verdade está dizendo: “Vamos fazer de conta que o universo tem sentido”. E isso equivale a enganar-se a si mesmo.

A questão é esta: se Deus não existe, a vida, em termos objectivos, não tem sentido; acontece que o ser humano não pode viver de modo coerente e feliz sabendo que a vida não tem sentido; assim, com o propósito de ser feliz, ele finge que a vida tem sentido. Isso, claro, é uma incoerência a toda prova pois, sem Deus, o ser humano e o universo não têm nenhum sentido real.


O valor da vida

Agora volte-se para o problema do valor. É aqui que ocorrem as incoerências mais flagrantes. Em primeiro lugar, os humanistas ateus são totalmente incoerentes ao afirmar os valores tradicionais de amor e fraternidade. Camus foi criticado com razão por defender de modo incoerente o absurdo da vida ao lado da ética do amor e da fraternidade humana. Esses dois elementos são logicamente incompatíveis. Bertrand Russell também foi incoerente. Apesar de ateu, era um destacado crítico social e denunciava a guerra e as restrições à liberdade sexual. Russell admitiu que não podia viver como se os valores éticos fossem uma simples questão de gosto pessoal, e que por isso não considerava as suas próprias posições passíveis de se crer. “Não sei a solução”, confessou[10]. A questão é que, se não há Deus, não podem existir certo e errado objectivos. Como disse Dostoyevsky: “Todas as coisas são permitidas”.

Dostoyevsky, porém, também mostrou que o ser humano não pode viver dessa maneira. Ele não pode viver como se não houvesse problema algum no fato de soldados massacrarem crianças inocentes. Ele não pode viver como se não houvesse problema algum nos regimes ditatoriais que adoptam um programa sistemático de tortura física de prisioneiros políticos. Ele não pode viver como se estivesse tudo bem com ditadores como Pol Pot, que exterminam milhões dos seus próprios compatriotas. Todo o seu ser grita para dizer que esses actos são errados - realmente errados. Mas se não há Deus, ele não pode fazer isso. Então, ele dá um salto de fé e afirma esses valores mesmo assim. E ao fazê-lo, revela a inadequação de um mundo sem Deus.

O horror de um mundo sem valores ficou claro para mim, e com muito mais intensidade, há alguns anos quando assisti a um documentário da BBC na televisão chamado “A reunião”. Era sobre sobreviventes do Holocausto que se encontraram em Jerusalém, onde redescobriram amizades perdidas e compartilharam as suas experiências. Bem, eu já havia ouvido histórias do Holocausto e até visitara Dachau e Buchenwald, e pensava que não me chocaria com mais histórias de horror. Mas descobri que estava enganado. Talvez eu estivesse mais sensível por causa do nascimento recente da nossa linda filha, transferindo-lhe as situações relatadas na televisão. Seja como for, uma prisioneira, enfermeira, contou como fora transformada em ginecologista em Auschwitz. Ela observou que as mulheres grávidas eram agrupadas por soldados sob a direcção do Dr. Mengele e abrigadas nos mesmos barracões. Passado algum tempo, ela notou que não via mais nenhuma daquelas mulheres. Começou então a fazer perguntas: “Onde estão as mulheres grávidas que foram colocadas naqueles barracões?” “Você não sabe?”, foi a resposta. “O Dr. Mengele usou-as para vivissecção.

Outra mulher contou como Mengele enfaixara os seus seios para que não pudesse amamentar seu bebé. O médico queria saber quanto tempo um bebé podia sobreviver sem alimento. Desesperada, essa pobre mulher tentou manter seu bebé vivo dando-lhe pedaços de pão molhados no café, mas sem resultado. A cada dia ele perdia peso, facto acompanhado com precisão pelo Dr. Mengele. Então uma enfermeira veio em segredo dizer a essa mulher: “Dei um jeito de você sair daqui, mas você não pode levar o seu bebé. Eu trouxe uma injecção de morfina para você pôr fim à vida dele”. Diante dos protestos da mulher, a enfermeira foi insistente: “Veja, o seu bebé vai morrer de qualquer jeito. Pelo menos salve-se a si mesma”. E assim aquela mãe tirou a vida do seu próprio filho. O Dr. Mengele ficou furioso quando soube do facto porque perdera a sua cobaia, e procurou entre os cadáveres até achar o corpo do bebé para poder pesá-lo pela última vez.

Fiquei arrasado com essas histórias. Um rabino que sobreviveu ao campo fez um bom resumo de tudo, quando disse que em Auschwitz era como se existisse um mundo em que os Dez Mandamentos haviam sido invertidos. A raça humana nunca havia testemunhado um inferno como aquele.

Mesmo assim, se Deus não existe, em certo sentido o nosso mundo é um Auschwitz: não há certo nem errado absolutos; todas as coisas são permitidas. No entanto, nem o ateu nem o agnóstico podem viver de modo coerente com essa postura. O próprio Nietzsche, que proclamou a necessidade de viver “além do bem e do mal”, rompeu com o seu mentor Richard Wagner exactamente por causa da questão do anti-semitismo e do nacionalismo germânico estridente do compositor. De modo semelhante, Sartre, escrevendo logo depois da Segunda Guerra Mundial, condenou o anti-semitismo, declarando que uma doutrina que leva ao extermínio não é uma mera opinião ou questão de gosto pessoal, de igual valor do seu oposto[11]. No seu importante estudo “O existencialismo é um humanismo”, Sartre luta em vão para disfarçar a contradição entre sua negação de valores divinamente pré-estabelecidos e oseu desejo urgente de afirmar o valor dos seres humanos. A exemplo de Russell, ele não conseguia conviver com as implicações da sua própria negação dos absolutos éticos.

Um segundo problema é que, se Deus não existe e não há imortalidade, todos os actos maus das pessoas ficam sem punição e todos os sacrifícios das pessoas boas ficam sem recompensa. Quem pode viver com essa postura? Richard Wurmbrand, que foi torturado em prisões comunistas por causa da sua fé, afirma:

A crueldade do ateísmo é difícil de aceitar para quem não crê na recompensa do bem ou na punição do mal. Não há razão para sermos humanos. Não há impedimento para a profundidade do mal no ser humano. Os torturadores comunistas diziam muitas vezes: “Deus não existe, não existe além, não existe punição para o mal. Podemos fazer o que quisermos”. Ouvi um torturador chegar a dizer: “Agradeço a Deus, em quem não creio, por poder viver até esta hora em que posso expressar todo o mal que há no meu coração”. Ele expressava isso com brutalidade e tortura inacreditáveis infligidas aos prisioneiros.[12]

O teólogo inglês Newman disse certa vez que, se acreditasse que todos os males e injustiças da vida em toda a história não fossem corrigidos por Deus na vida do além, “bem, acho que eu ficaria louco”. E com razão.

O mesmo se aplica a actos de auto-sacrifício. Há alguns anos ocorreu um terrível desastre aéreo durante o Inverno, em que um avião que saiu de Washington, nos Estados Unidos, bateu em uma ponte sobre o rio Potomac e arremessou os passageiros na água gelada. Quando chegaram os helicópteros de resgate, a equipe de salvamento percebeu que havia um homem que ficava a atirar a escada de cordas para outros passageiros, em vez de se deixar puxar para a segurança do helicóptero. Seis vezes ele atirou a escada a outros. À sétima vez que a escada desceu, ele não estava mais lá. Dera a sua vida espontaneamente, para que outros pudessem viver. Toda a nação voltou os olhos para esse homem em respeito e admiração pelo acto de bondade e altruísmo. Mesmo assim, se o ateu tem razão no que afirma, aquele homem não fez nada de nobre - ele fez a coisa mais estúpida possível. Ele devia ter-se lançado em direcção à escada e até empurrado os outros, se necessário, a fim de sobreviver. Mas morrer por gente que ele nem conhecia, desistir da breve existência que ainda lhe restava - para quê? Para um ateu, não pode haver razão que justifique tal ato. Mesmo assim, o ateu, como qualquer um de nós, instintivamente reage com louvor a esse ato desinteressado do homem. De fato, provavelmente nunca encontraremos um ateu que viva em coerência com o seu sistema. Pois um universo sem responsabilidade moral e sem valores é incalculavelmente terrível.


O propósito da vida

Por último, vejamos o problema do propósito na vida. As únicas duas maneiras pelas quais a maioria das pessoas que negam o propósito da vida podem viver felizes é inventando um propósito, o que equivale ao auto-engano como vimos em Sartre, ou não levando a sua posição às conclusões lógicas. Observe o problema da morte como exemplo. De acordo com Ernst Bloch, a única maneira pela qual o homem moderno pode viver em face da morte é valendo-se inconscientemente da crença na imortalidade que os seus antepassados tinham, mesmo sem ter ele mesmo base para essa crença, já que não crê em Deus. Bloch constata que a crença de que a vida termina em nada dificilmente é, em suas palavras, “suficiente para manter a cabeça erguida e trabalhar como se não houvesse fim”. Ao se valer dos resquícios de uma crença na imortalidade, escreve Bloch, “o homem moderno não sente o abismo que o cerca por todos os lados e com certeza acabará por tragá-lo. Com esses resquícios, ele salva o seu senso de identidade própria. Por meio deles surge a impressão de que o ser humano não está a perecer, mas apenas um dia o mundo terá o capricho de não mais se mostrar a ele”. Bloch conclui: “Essa coragem bastante superficial saca de um cartão de crédito emprestado. Ela vive de esperanças anteriores e da sustentação que elas antigamente proporcionavam”[13]. O homem moderno não tem mais o direito a tal sustentação, já que rejeita a Deus. Mas, a fim de viver com propósito, dá um salto de fé para afirmar uma razão para a vida.

Encontramos frequentemente a mesma incoerência entre aqueles que dizem que o ser humano e o universo vieram a existir sem qualquer razão ou propósito, apenas por acaso. Incapazes de viver num universo impessoal em que tudo é produto do acaso cego, essas pessoas começam a atribuir personalidade e motivos aos próprios processos físicos. Essa é uma maneira bizarra de falar e representa um salto do andar de baixo para o de cima. Por exemplo, os brilhantes físicos russos Zeldovich e Novikov, ao contemplarem as propriedades do universo, perguntam porque é que a “natureza” decidiu criar esse tipo de universo e não outro. A “Natureza” obviamente tornou-se num tipo de substituto de Deus, preenchendo o papel e a função de Deus. Francis Crick, no meio do seu livro The origin of the genetic code, começa a escrever “natureza” com N maiúsculo, e em outras passagens diz que a selecção natural é “inteligente” e que “pensa” no que fará. Fred Hoyle, astrónomo inglês, atribui ao próprio universo as qualidades de Deus. Para Carl Sagan, o “cosmos”, que ele sempre escreve com C maiúsculo, obviamente tem o papel de um substituto de Deus. Apesar de todos esses homens professarem não crer em Deus, eles contrabandeiam um substituto de Deus pela porta dos fundos, porque não suportam viver num universo em que tudo é resultado do acaso de forças impessoais.

E é interessante ver muitos pensadores traírem as suas posições quando são empurrados em direcção às suas conclusões lógicas. Por exemplo, certas feministas levantaram uma tempestade de protestos contra a psicologia freudiana porque é machista e degradante para as mulheres. Então alguns psicólogos abaixaram a cabeça e revisaram as suas teorias. Acontece que isso é totalmente incoerente. Se a psicologia freudiana é realmente verdadeira, não importa se ela degrada as mulheres. Você não pode mudar a verdade porque não gosta das suas conclusões. Contudo, as pessoas não conseguem viver coerentes e felizes num mundo onde outras pessoas são desvalorizadas. Se Deus, porém, não existe, ninguém tem valor. Somente se Deus existe alguém pode com coerência apoiar os direitos das mulheres. Pois se Deus não existe, a selecção natural dita que quem é dominante e agressivo na espécie é o macho. As mulheres não poderiam ter mais direitos do que uma cabra ou uma galinha. Na natureza, tudo o que existe está certo. Mas quem consegue conviver com essa postura? Ao que parece, nem mesmo os psicólogos freudianos, que traem as suas teorias quando levados às suas conclusões lógicas.

Observe, também, o comportamento sociológico de alguém como B. F. Skinner. Essa posição leva ao tipo de sociedade imaginada em 1984, de George Orwell, em que o governo controla e programa os pensamentos de todo mundo. Se é possível fazer o cão de Pavlov salivar quando soa uma campainha, pode-se fazer o mesmo com um ser humano. Se as teorias de Skinner estão certas, não pode haver objecção para tratar as pessoas como os ratos na caixa de Skinner, que correm pelos labirintos atraídos por comida e impelidos por choques eléctricos. De acordo com Skinner, todas as nossas noções são predeterminadas. E se Deus não existe, não se podem levantar objecções morais contra esse tipo de programação, pois o ser humano não é qualitativamente diferente de um rato, já que ambos são apenas matéria mais tempo mais acaso. Mas repito: quem consegue conviver com uma postura tão desumanizadora?

Ou, por fim, pense no determinismo biológico de alguém como Francis Crick. A sua conclusão lógica é que o ser humano é igual a qualquer outro espécime de laboratório. O mundo ficou horrorizado quando soube que em campos como Dachau os nazis tinham usado prisioneiros para experiências médicas em seres humanos. E por que não? Se Deus não existe, não pode haver objecções ao uso de pessoas como cobaias humanas. Um memorial em Dachau traz a inscrição Nie wieder - “nunca mais” - mas esse tipo de coisa continua a acontecer. Há alguns anos foi revelado que, nos Estados Unidos, várias pessoas haviam recebido de pesquisadores médicos drogas esterilizadoras, sem o conhecimento delas. Não temos nós de protestar que isso está errado - que o ser humano é mais que uma máquina electroquímica? O fim dessa posição é o controle populacional em que os fracos e indesejados são eliminados para abrir espaço para os fortes. No entanto, a única base para podermos protestar com coerência é a existência de Deus. Somente se Deus existe pode haver propósito na vida.

Portanto, o dilema do homem moderno é realmente terrível. Enquanto negarem a existência de Deus e a objectividade de valor e propósito, esse dilema continuará insolúvel também para o homem “pós moderno”. Na verdade, é exactamente a consciência de que o modernismo conduz inevitavelmente ao absurdo e ao desespero que constitui a angústia da pós modernidade. Em alguns sentidos, a pós modernidade nada mais é que a percepção da falência da modernidade. A cosmovisão ateia é insuficiente para proporcionar uma vida feliz e coerente. O ser humano não pode viver de modo coerente e feliz como se a vida no fim das contas não tivesse sentido, valor ou propósito. Se tentarmos viver de modo coerente dentro da cosmovisão ateia, acabaremos profundamente infelizes. Se, porém, conseguirmos viver felizes, será apenas contradizendo nossa cosmovisão.

Confrontado com este dilema, o ser humano procura pateticamente alguma escapatória. Num discurso marcante à Academia Americana para Desenvolvimento da Ciência, em 1991, o Dr. L. D. Rue, confrontado com o predicamento do homem moderno, defendeu corajosamente que nos enganemos a nós mesmos com alguma “Mentira Nobre” para que pensemos que nós e o universo ainda temos valor[14]. Ao afirmar que “a lição dos últimos dois séculos é que o intelectualismo e o relativismo moral são o problema”, o Dr. Rue especula que a consequência dessa constatação é que a busca da integralidade (ou realização) pessoal e a busca da coerência social se tornam independentes uma da outra. Isso é assim porque, em vista do relativismo, a busca da realização pessoal fica radicalmente individualizada: cada pessoa escolhe o seu próprio conjunto de valores e significado. “Não existe uma explicação definitiva e objectiva do mundo ou da pessoa. Não existe um vocabulário universal para integrar cosmologia e moralidade.” Se quisermos evitar a “alternativa do hospício”, em que a realização pessoal é buscada à custa da coerência social, e a “alternativa totalitária”, em que a coerência social é imposta à custa da integralidade pessoal, não temos outra escolha senão adoptar alguma Mentira Nobre que nos inspire a viver além dos interesses egoístas, para chegar à coerência social. Mentira Nobre “é aquela que nos engana, nos ilude, nos impele além do interesse próprio, além do ego, além de família, nação [e] raça”. É uma mentira porque nos diz que o universo é dotado de valor (o que é uma grande ficção), porque alega ser uma verdade universal (o que não existe) e porque me diz que não devo viver para os meus interesses (o que é obviamente falso). “Sem essas mentiras, no entanto, não conseguimos viver.”

Esse é o terrível veredicto pronunciado sobre o homem moderno. A fim de sobreviver, ele tem de viver enganando-se a si mesmo. Contudo, mesmo a alternativa da Mentira Nobre, no fim de contas, não funciona, porque, se o que eu disse até aqui está correcto, a crença na Mentira Nobre seria necessária não apenas para atingir coerência social e integralidade pessoal para as massas, mas também para alcançar a própria integralidade pessoal. Isso porque ninguém pode viver de modo feliz e coerente com uma cosmovisão ateia. A fim de sermos felizes, temos de crer em sentido, valor e propósito objectivos. Entretanto, como se pode crer nessas Mentiras Nobres e ao mesmo tempo crer em ateísmo e relativismo? Quanto mais convencido se estiver da necessidade de uma Mentira Nobre, menos se será capaz de crer nela. Como um placebo, uma Mentira Nobre funciona apenas para aqueles que acreditam que ela é a verdade. Uma vez que desmascaremos a ficção, a Mentira perde o seu poder sobre nós. Assim, por ironia, a Mentira Nobre não pode solucionar o predicamento humano em todos aqueles que compreenderam esse predicamento.

A alternativa da Mentira Nobre, portanto, na melhor das hipóteses conduz a uma sociedade em que um grupo elitista de illuminati engana as massas em proveito próprio, perpetuando a Mentira Nobre. Mas porque é que os que estamos iluminados deveríamos seguir as massas na sua ilusão? Por que haveríamos de sacrificar o interesse próprio por uma ficção? Se a grande lição dos últimos dois séculos é o relativismo moral e intelectual, por que fingir (se pudéssemos) que não sabemos essa verdade e, em lugar disso, viver uma mentira? Se alguém responder: “Por amor à coerência social”, podemos legitimamente perguntar por que deveria eu sacrificar meu interesse social por amor à coerência social? A única resposta que o relativista pode dar é que a coerência social é do meu interesse - mas o problema com essa resposta é que o interesse próprio e o interesse do rebanho nem sempre coincidem. Além disso, se (por interesse próprio) eu me importo com a coerência social, a alternativa totalitária sempre está aberta para mim: esquecer a Mentira Nobre e manter a coerência social (assim como a minha realização pessoal) à custa da integralidade pessoal das massas. Gerações de líderes soviéticos que enalteciam virtudes proletárias enquanto circulavam em limusinas e jantavam caviar nas suas dachas ou casas de campo acharam essa alternativa bastante interessante. Rue sem dúvida consideraria essa alternativa repugnante. Mas nisso é que está o problema. O dilema de Rue é que ele obviamente valoriza tanto a coerência social quanto a integralidade pessoal por amor a ambas; em outras palavras, elas são valores objectivos, o que, de acordo com a sua filosofia, não existe. Ele já saltou para o andar superior. A alternativa da Mentira Nobre, portanto, afirma o que nega e refuta a si mesma.


O SUCESSO DO CRISTIANISMO BÍBLICO

Entretanto, se o ateísmo fracassa nesse aspecto, o que dizer do cristianismo bíblico? De acordo com a cosmovisão cristã, Deus existe, e por isso a vida do ser humano não termina no túmulo. No corpo ressurrecto, o ser humano pode gozar da vida eterna em comunhão com Deus. O cristianismo bíblico, portanto, proporciona ao ser humano as duas condições necessárias para uma vida com sentido, valor e propósito: Deus e a imortalidade. Por causa disso, podemos viver de modo coerente e feliz. Assim, o cristianismo bíblico é bem sucedido exactamente onde o ateísmo fracassa.


CONCLUSÃO

Agora quero deixar claro que ainda não demonstrei que o Cristianismo bíblico é verdadeiro. O que fiz foi enunciar claramente as alternativas. Se Deus não existe, a vida é inútil. Se o Deus da Bíblia existe, a vida tem sentido. Somente a segunda dessas duas alternativas nos possibilita viver felizes e coerentes. Por isso, parece-me que, mesmo que as evidências para essas duas alternativas fossem exactamente iguais, uma pessoa racional haveria de escolher o Cristianismo bíblico. Parece-me positivamente irracional preferir morte, ausência de sentido e destruição em lugar de vida, sentido e felicidade. Como disse Pascal, não temos nada a perder e ganhamos o infinito.


William L. Craig


Extraído do livro “A Veracidade da Fé Cristã”, William Lane Craig, Editora Vida Nova.


NOTAS

9 Bertrand RUSSELL, “A free man’s worship”, em Why I am not a Christian, ed. por P Edwards. Nova York, Simon & Schuster, 1957, p. 107.
10 Bertrand RUSSELL, carta ao Observer, 6 de Outubro de 1957.
11 Jean Paul SARTRE, “Portrait of the antisemite”, trad. por M. Guiggenheim, em Existentialism, p. 330.
12 Richard WURMBRAND, Tortured for Christ. Londres, Hodder & Stoughton, 1967, p. 34. 13. Ernst BLOCH, Das Prinzip Hoffnung, 2ª ed., 2 vols. Frankfurt, Suhrkamp, 1959, 2:360361.
13 Loyal D. RUE, “The saving grace of noble lies”, palestra para a American Academy for the Advancement of Science, em Fevereiro de 1991.


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Sobre o autor: Willian Lane Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, e actualmente é professor-pesquisador de filosofia na Escola de Teologia Talbot. É membro de nove sociedades de profissionais, entre as quais a Academia Americana de Religião, a Sociedade de Literatura Bíblica e a Associação Filosófica Americana, e escreve artigos para New Testament Studies, Journal for the Study of the New Testament, Journal of the American Scientific Affiliation, Gospel Perspectives, Philosophy e outras publicações académicas. Escreveu vários livros, entre eles A Veracidade da Fé Cristã e Filosofia e Cosmovisão Cristã (em co-autoria), ambos publicados pela Editora Vida Nova.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A Mãe de Deus


A igreja corretamente chama Maria pelo título de “Mãe de Deus”. Mas o termo é um tanto ambíguo e pode ser facilmente mal interpretado. Alguns protestantes podem precisar de uma pequena explicação, enquanto alguns católicos podem se beneficiar com uma gentil admoestação contra seu uso incorreto.

O Credo de Calcedônia, 451 d.C., inclui o termo grego “theotokos” para definir a identidade de Cristo. “Theotokos” significa literalmente “portadora de Deus”, que é imprecisamente traduzido para o latim como “Mater Dei” – Mãe de Deus. O termo foi usado para realçar o fato de que a criança nascida de Maria era realmente Deus e assim evitar o erro de dizer que Cristo era duas pessoas em um corpo ao invés de uma. Esta heresia, “Nestorianismo”, foi condenada no Primeiro Conselho de Éfeso em 431 d.C.

O Credo afirma que Cristo foi “gerado segundo a divindade pelo Pai antes de todos os séculos, e nestes últimos dias, por nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade.”

O credo não ensina que Maria é a mãe da divina natureza de Cristo. Como Deus, Cristo não tem início nem mãe. De fato o credo explicitamente diz que Ele foi gerado “antes de todos os séculos”. Além disso, o credo qualifica o significado de “theotokos” com a frase “segundo a humanidade”, ou, numa outra tradução, “nascido da virgem Maria, que é portadora de Deus em respeito a humanidade dele”. É apenas a natureza humana de Cristo que se relaciona com Maria, de quem Ele nasceu e era descendente.

Reconhecidamente Católicos e Evangélicos estão unidos na doutrina de Cristo. Nós cremos que nosso Senhor é uma Pessoa única. Ele é eternamente Deus; Ele também se tornou homem. Então é igualmente correto lhe chamar de ambas as formas, “Deus” e “homem”, e por esta razão, não hesitamos em chamar a sua mãe de Mãe de Deus.

Infelizmente alguns têm usado esse termo de forma errada para atribuir a Maria um papel o qual o Senhor nunca pretendeu. Alguns católicos acham que Maria tem uma autoridade maternal sobre seu Filho e por isso pedem à Maria que interceda por eles, porque crêem que Ele nunca vai desobedecer as ordens de sua mãe.

Surpreendentemente em seus dias de humilhação, o filho de Deus não apenas se tornou um bebê, mas como criança se submeteu à autoridade de suas criaturas – seu suposto pai, José, e sua mãe, Maria. Claro que Ele não mais se encontra sob tal autoridade paternal. Até mesmo durante seu ministério público terreno, Ele foi guiado apenas pelo Espírito Santo para fazer a vontade do Pai. Agora, após a ressurreição e ascensão, Cristo está sentado à direita da Majestade e tem todo poder sobre sua igreja e criação. Maria não tem autoridade sobre Jesus, pelo contrário, Jesus é o Senhor e Salvador de Maria.

Portanto, vamos manter nossos olhos fixos em Jesus. Lembremo-nos que para nossa salvação Ele nasceu da abençoada virgem mãe, e foi feito humano como nós, para que pudesse ser pregado em uma cruz e derramar seu sangue inocente por nossa redenção. Também devemos lembrar que o homem Cristo Jesus não é nenhum outro senão o eterno Filho de Deus. Ele não ignora as súplicas de seu povo, nem reluta em salvar aqueles que vão ao Pai através dEle. Vamos com confiança para Cristo. Devemos crer nEle com nossas almas e O louvar como nosso Deus.

por Dr. Joseph Mizzi

Fonte: Monergismo

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Câmara aprova projeto de lei que transforma em crime a homofobia

A lei do privilégio
Trata-se de um projeto que, a título de coibir a discriminação de homossexuais, tipificando os crimes de “homofobia” e aplicando penalidades, cria uma casta na sociedade e coloca a maior parte da sociedade civil constituída de cidadãos de segunda classe.



Consequências

Na prática, há diferentes consequências desse projeto: Uma patroa não poderá dispensar os serviços de uma babá lésbica, nem um empregador demitir um empregado homossexual sob penas da lei, caso venha o empregado alegar que foi demitido por ser homossexual. Se em um restaurante alguém almoçando com sua família se sentir constrangido diante de um casal homossexual se beijando ou trocando carícias, reclamar ou abandonar o restaurante por esse fato, poderá ser acusado por crime de discriminação. Se o padre ou um pastor protestante pregar em sua igreja contra o homossexualismo, mesmo citando a Bíblia, cometerá crime e como já tem acontecido em países como a Suécia, com o Pr. Ake Green, de uma igreja pentecostal, que já tem uma lei semelhante. O reitor de um seminário para padres não poderá deixar de receber, como aluno, um homossexual sob pena de prisão. Essas são, por exemplo, apenas algumas das conseqüências.

Projeto de lei:

Art. n.º 4 - Praticar o empregador ou seu preposto atos de dispensa direta ou indireta: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos; Art. n.º 5 - Impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público: Pena: reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos. Art. n.º 6 - Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional: Pena - reclusão de 3 (três) a 5 (cinco) anos. Art. n.º 8 - A Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no art. n.º 1 desta Lei: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. Art. n.º 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero: n.º 5 O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica. “Art. n.º 8 - B. Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

terça-feira, 13 de abril de 2010

Em vídeo, Bispo da Universal ensina a arrecadar durante a crise


Um vídeo entregue ao Ministério Público de São Paulo por um ex-voluntário da Igreja Universal revela a pregação combinada entre os bispos da cúpula da igreja para obter dízimos dos fiéis em meio à crise econômica de 2008.

As gravações são de duas reuniões feitas por videoconferência, conduzidas pelos líderes na sede, em São Paulo, e acompanhadas em tempo real nos Estados.

Segundo a reportagem de Rubens Valente publicada nesta terça-feira na Folha, as reuniões foram coordenadas pelo bispo Romualdo Panceiro, considerado o segundo nome mais importante na igreja e apontado pelo líder Edir Macedo como o seu sucessor.

Em um dos vídeos, Panceiro orienta outros bispos a recorrerem a trechos da Bíblia nos quais se narra que o personagem biblíco Isaac, para escapar de uma grande fome, recebeu orientação divina para semear no solo ruim, e por isso foi agraciado.

A outra gravação mostra o bispo Romualdo contando que um carro-forte que transportava R$ 52 mil arrecadados pela igreja entre os fiéis havia sido assaltado na Grande SP por um grupo de 15 homens armados. Ele atribui a autoria do crime a policiais e narrou que os pastores e bispos deveriam buscar contato com a criminalidade.

Vídeos

Veja a seguir a íntegra dos vídeos, que foram entregues ao Ministério Público pelo ex-voluntário da Universal e ourives Eduardo Cândido da Silva. Ele obteve os CDs de um amigo, um ex-pastor regional que hoje atua em outra igreja.

O ourives move uma ação para o ressarcimento de R$ 232 mil referentes a supostos cheques sem fundos passados por pastores pela venda de joias.





Outro lado

A Igreja Universal do Reino de Deus informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os fiéis têm "liberdade absoluta" e "da maneira que acharem correta" para fazer ou não doações financeiras à igreja.

"Como já explicado reiteradas vezes à Folha de S. Paulo, a Iurd é uma denominação evangélica neopentecostal que possui como doutrina a Teologia da Prosperidade. Ou seja, acredita na intervenção divina também para o bem-estar material do homem. O exercício de fé pregado por seus bispos e pastores tem como único fundamento a prática dos ensinamentos da Bíblia", informou a igreja, em nota.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O que penso sobre as comunidades de presbiterianos no orkut



De vez em quando algumas pessoas me perguntam: o que o senhor acha da comunidade de presbiterianos no orkut? Bem, essa é uma pergunta relativamente simples, afinal de contas, que pode haver de tão complexo em uma comunidade que reúne presbiterianos de todo o Brasil por meio de um site de relacionamentos?




Preferi não responder logo de cara as indagações que foram feitas. Determinei pesquisar, avaliar, discernir certos mecanismos para somente então emitir minha opinião. E hoje escrevo, sobre algumas coisas que devem ser observadas acerca dos presbiterianos no Orkut.

1. A natureza dos relacionamentos virtuais. Não como negar ou como fugir, as redes sociais chegaram para ficar. Basta ver a onda inevitável da inclusão virtual e a explosão de blogs, sites, perfis e tudo o que pode estar direta ou indiretamente relacionado à exposição virtual nessa grande aldeia global chamada internet. Nesse contexto relacional o Orkut é uma ferramenta de diálogo, conhecimento e interatividade viva. Cada palavra expressa um mundo, uma história, uma personalidade em toda a sua dinâmica existencial imersa na confluência da razão, emoção e sensibilidade, por isso, na medida em que o “ser” é jogado a vida aparece com verdade, mentira, amor, ódio, virtude, vício, bondade, maldade, fé, desespero, alegria e tristeza. A boca fala do que está cheio o coração. Assim sendo o Orkut é um laboratório da alma e uma grande oportunidade. Basta ver o que o mestre nos ensinou sobre o coração;

“Jesus disse: — Vocês também ainda não entenderam? O que entra pela boca vai para o estômago e depois sai do corpo. Mas o que sai da boca vem do coração. É isso que faz com que a pessoa fique impura. Porque é do coração que vêm os maus pensamentos, os crimes de morte, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, as mentiras e as calúnias. São essas coisas que fazem com que alguém fique impuro. Mas comer sem lavar as mãos não torna ninguém impuro”. (Mateus 15:16-20, NTLHE)

2. Sobre as comunidades. As redes virtuais do Orkut oferecem aos seus participantes a chance de criarem comunidades em torno de assuntos variados e um deles é atrelado à religião. Nada mais lógico para um presbiteriano do que criar, ingressar e postar numa comunidade ligada aos assuntos pertinentes ao mundo dos presbiterianos. Hoje os presbiterianos no Orkut se dividem em três grandes comunidades. A maior comunidade de presbiterianos possui uma gênese singular que tem um rastro desde 2004, sendo inclusive celebrada e anunciada nos meios oficiais da IPB, no entanto por razões enigmáticas, foi deletada sem, contudo, conseguir perder de vista o ideal de uma comunidade livre, aberta ao diálogo, sem polícia ou patrulha que pudesse podar ou mesmo castrar os que pensam diferente até mesmo da instituição. Nessa comunidade a bandeira da liberdade é hasteada e envergada no peito para justificar quase tudo, desde o direito de opinião sobre sexo antes do casamento, descriminalização da maconha até a defesa ardorosa dos símbolos da identidade presbiteriana e a denúncia de tudo aquilo que deprecia a moral cristã. Embora seja a maior comunidade, nem todos participam dela, alguns personagens sempre postam e quando falam definem o discurso da liberdade como elemento fundante da comunidade. Existem ainda outras duas comunidades de presbiterianos que é razoavelmente bem freqüentada e que historicamente se definem em relação à maior comunidade. Uma delas até pouco tempo se definia como oficial, mas agora se contenta em se afirmar como a primeira. Muita gente da comunidade maior posta nessa comunidade definida como a pioneira. A outra comunidade que carrega o nome de “presbiterianos” se afirma firmemente como defensora da moral e da doutrina cristã. Lá não se aceita palavras de baixo calão, ou criticas a instituição e seu credo reformado. O interessante dessa comuna é o posicionamento político de direita e conservadorismo. Bem, eu poderia falar mais e mais meu caro jovem, mas essas são minhas impressões sobre cada uma delas.

3. Preste atenção nos detalhes. O diálogo é uma forma de “ser” jogado no mundo enquanto sentido criado simbolicamente. Em alguns momentos prevalece a relação EU-TU, em outros a relação EU-ISSO e em outros a relação EU-EU. Nesse pequeno campo relacional nascem vários recessos que se instalam na circunferência do diálogo externado várias atitudes que vão do pólo da compreensão até a intolerância. Sendo assim, procure entender e interpretar porque alguns gostam de falar palavrões, vomitar amarguras do passado, defender o direito de pensar diferente, ou mesmo porque não fazem mais parte da IPB e etc. Observe atentamente as posturas legalistas e conceitualistas atreladas simbioticamente aos donos das consciências dos outros que patologicamente não sabem lidar, dialogar e debater com que pensa diferente. Considere ainda o espírito moderado e brando daqueles que sabem amar os outros e por isso mesmo sabem expressar a linguagem do amor e da candura até quando exortam com firmeza. Preste atenção nessas vozes evangélicas que usam o Orkut para repartir a ciência do evangelho, aconselhar, discordar, concordar com verdade e amor. Lembre do que disse São Paulo:

" Sejam amáveis com todos. O Senhor virá logo. Não se preocupem com nada, mas em todas as orações peçam a Deus o que vocês precisam e orem sempre com o coração agradecido. E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente. Ponham em prática o que vocês receberam e aprenderam de mim, tanto com as minhas palavras como com as minhas ações. E o Deus que nos dá a paz estará com vocês. " (Filipenses 4:5-9, NTLHE)

4. As alternativas. Hoje a IPB não tem presença oficial no Orkut através de seus órgãos de comunicação. Acho isso uma pena, pois vejo a presença oficial da igreja através de seus representantes extremamente importante para a edificação do povo de Deus. Poderia existir uma comissão especial designada pela LPC ou RPC para participar dos fóruns ou da moderação das comunidades prestando relatório sobre a dinâmica das redes sociais. É bem verdade que cada pastor, presbítero, diácono ou membro da IPB quando fala de certa forma expressa em parte sua denominação, todavia a presença da instituição de faz importante para evitar boatos falsos, distorções e abusos. A presença da IPB nessas redes necessariamente não seria sinônimo de limitação dos fóruns, pelo contrário, vejo uma grande oportunidade de estabelecer o testemunho do amor cristão sendo educado e afável com os que pensam de forma diferente, entendendo que as redes sociais são apenas lugares apropriados para debates. Enquanto essas mudanças não ocorrem, se é que um dia ocorrerão, meu conselho é que para que você ame os outros, fuja da aparecia do mal, denuncie o pecado, e pregue o evangelho da graça e do amor de Deus. O Orkut é uma vitrine que exibe o que está dentro do coração e que de alguma forma tem sido ensinado e reproduzido dentro das comunidades reais. Não proibirei você de postar, participar ou ler o que é escrito nessas comunidades. Peço apenas que você siga Jesus Cristo em todos os lugares que estiver caminhando. Quando as comunidades serão oficiais e se é que um dia serão, não me importa tanto. O que de fato importa é que o seguir Jesus seja de fato a tarefa oficial e existencial mais importante que possa existir nessa vida.

"Jesus disse: — Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas. — Felizes as pessoas que choram, pois Deus as consolará. — Felizes as pessoas humildes, pois receberão o que Deus tem prometido. — Felizes as pessoas que têm fome e sede de fazer a vontade de Deus, pois ele as deixará completamente satisfeitas. — Felizes as pessoas que têm misericórdia dos outros, pois Deus terá misericórdia delas. — Felizes as pessoas que têm o coração puro, pois elas verão a Deus. — Felizes as pessoas que trabalham pela paz, pois Deus as tratará como seus filhos. — Felizes as pessoas que sofrem perseguições por fazerem a vontade de Deus, pois o Reino do Céu é delas. — Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês. Porque foi assim mesmo que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês. — Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. — Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu. " (Mateus 5:2-16, NTLHE)

Rev. Francisco Macena da Costa.
Igreja Presbiteriana do Brasil.
Congregação Presbiterial no Cambeba - Fortaleza-CE
http://observareformado.blogspot.com/