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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A SUPREMACIA DA LEI DE DEUS

A SUPREMACIA DA LEI DE DEUS:
A IMPORTÂNCIA DO PREFÁCIO DOS DEZ MANDAMENTOS
PARA A IGREJA DE CRISTO.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.*

Texto Bíblico: “Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”.(Êxodo 20.1-2).
Introdução:
A Lei de Deus tem sido totalmente rejeitada em nossa sociedade atual, e o triste disso tudo é o fato de que tem sido rejeitada pela igreja atual também. A Influência dispensacionalista em nossos dias é muito grande. Muitos presbiterianos dizem que não são dispensacionalistas, mas todas as vezes que negligenciamos os mandamentos de Deus, por menor que nos pareça, ou mesmo, diminuímos o valor de qualquer destes mandamentos da Lei de Deus, já nos tornamos dispensacionalistas práticos.
Uma forma notória de dispensacionalismo é contemplada quando lemos comentários bíblicos sobre os Dez Mandamentos e não encontramos uma abordagem detalhada do prefácio ao Decálogo.
É aqui no prefácio à Lei de Deus que temos uma profunda visão da divindade que servimos; é precisamente aqui onde aprendemos mais sobre Deus do que imaginamos, pois, neste texto as verdades a respeito de Deus são colocadas de forma singular diante de nossos olhos, e assim, somos tomados por um senso de grande gratidão para com o Deus que a Bíblia de fato revela. A gratidão exercida em nossos corações não é por aquilo que Deus nos pode oferecer, mas pelo quê Ele é. Algumas verdades podem ser extraídas deste texto exegeticamente, e recebemos algumas informações fundamentais ao nosso cristianismo:
I – O TEXTO NOS INFORMA SOBRE A ORIGEM DA LEI.

Alguns intérpretes da Bíblia possuem o entendimento que a Lei deve ser considerada como tendo a sua origem em Moisés. É verdade que a Lei pode ser considerada assim, mas não significa que é fruto dele, mas que ele registrou a vontade de Deus, e apenas neste sentido a lei pode ser atribuída a Moisés.
Por que falamos isso? É porque os que dizem ser a lei fruto de Moisés tendem a rejeitá-la por sustentarem um conceito dispensacional das Escrituras; o texto que temos diante de nos indica a origem da Lei: “ então, falou Deus...” no texto hebraico nós temos: Vaydaber Elohim. E a idéia transmitida é a seguinte: “E verbalizou, proferiu, ditou como regra Deus....” O substantivo - Elohim – indica que a Lei tem um autor que é o próprio DEUS.
Então, as dez Palavras do Sinai não são frutos da criação legal de Moisés. Isso implica em algo fundamental ao cristianismo que tem sido a noção de que a Lei não é de origem humana, mas divina. Não é da terra, mas é celestial. O texto pressupõe o fato de que a Lei é revelacional, pois ela nasce em Deus.
Sendo uma revelação não é algo opcional. O homem não tem o direito de dizer qual mandamento deve guardar ou não. Devemos nos lembrar que para o cristianismo tradicional a revelação infalível é a essência do Teísmo. E o negar a revelação é o mesmo que negar a existência de Deus.

II – O TEXTO NOS INFORMA SOBRE A SUFICIÊNCIA DA REVELAÇÃO:

O segundo aspecto que devemos levar em consideração é que este prefácio do Decálogo nos informa a suficiência da revelação de Deus ao homem.
O texto nos diz que Deus não falou algumas palavras, mas o texto nos informa que ele falou “todas estas palavras”. No texto temos a expressão “Eth kol haddevarim”.
No texto hebraico a palavra “kol” aponta par a idéia de completude, este termo está no construto que indica uma relação de posse; em outras palavras, todas as palavras pertencem a Deus, e são suficientes. O termo “haddevarim” – regras, palavras – são suficientes para o homem viver no mundo, são suficientes para oferecer uma direção ao povo do pacto, eles não precisam ir em busca de novas revelações, de novas regras para viverem a vida, eles não precisam de novas revelações para saberem qual é a vontade de Deus para as suas relações com o divino e com o seu semelhante, pois, a Lei sumariza e revela tudo isso de forma clara.
O “êth” (vocábulo hebraico sem tradução) é colocado no inicio da sentença para indicar a diretividade, pois, ele serve para indicar o objeto direto da sentença. Os homens precisam apenas encontrar-se com Deus na Lei para conhecerem a vontade dEle para as suas vidas. A única regra de vida está sendo apresentada ao povo da aliança – O Decálogo.
Isto implica no fato de que não devemos aumentar nenhum “til” ou “iod” à Lei, pois ela é suficiente e pela mesma razão não podemos diminuir nada da Lei. Ela é suficiente para cada um de nós.
A Lei não pode ser substituída pela subjetividade profética vazia do conteúdo da Lei de Deus; um profeta que profetizasse algo que se cumprisse, mas que introduzia erros no povo da aliança, não levando em consideração o Decálogo, tal profeta deveria ser morto diante do povo da aliança este é o teste de Deuteronômio 18, a pedra de Toque é Lei de Deus.
Mas porque isso? Porque Deus falou tudo o que era suficiente para o seu povo e expressou isso em sua Lei. E o que nós aprendemos no prefácio desta Lei?

III – PODEMOS APRENDER A RESPEITO DA PESSOALIDADE DE DEUS.
O teísmo apresenta um Deus pessoal. Assim também o faz o Cristianismo. No prefácio aos dez mandamentos nós aprendemos sobre a pessoalidade de Deus nas palavras “Eu sou”, no texto hebraico nós temos um pronome independente na primeira pessoa do singular Anoki, este pronome é sempre usado para descrever a existência pessoal de alguém, é usado aqui para enfatizar a pessoalidade o soberano da terra.
Indica que Deus não é uma força ativa, uma energia elétrica, ou coisa do tipo, mas a designação pessoal diz que ele mantém um relacionamento com o seu povo. Devemos nos lembrar que os pronomes independentes “servem como substitutos para uma um substantivo antecedente ou implícito”. Deus está sendo o centro do texto logo ele deve ser visto como pessoa. Deus não é uma grande energia. Aqui o panteísmo é rejeitado e o teísmo bíblico é confirmado. Deus é pessoa no sentido mais pleno da palavra.
Outra verdade que podemos aprender aqui é o fato de que não é apenas o teísmo que tem sido confirmado aqui, mas o próprio monoteísmo que é o fundamento da verdadeira religião . Se existe um Deus Ele deve ser pessoal, pois, os homens inevitavelmente irão buscar refúgio nEle. Os homens orarão a Ele na mais solene convicção que hão de ser ouvidos em suas preces, e isto, só pode ser possível se Deus for uma pessoa.
IV – PODEMOS APRENDER QUE O NOME DESSA PESSOA REVELA UMA RELAÇÃO PACTUAL COM O SEU POVO.
O texto que temos diante de nós informa que o Deus que é pessoal é chamado de SENHOR no texto hebraico temos “yahweh”. Esse nome revela não só o próprio nome de Deus, mas aponta para o nome pactual no qual Deus tem se revelado através da história da redenção. Deus não é isolacionista – ele chama o homem a ter uma relação pactual consigo mesmo.
Mas algo precisa ser dito sobre esse nome Yahweh não significa somente uma relação pactual, mas indica também a existência eternidade desse Deus e aponta para a realidade de que Deus sempre existiu.
O nome “yahweh” é derivado a raiz hyh no hebraico que pode significar uma existência intemporal conforme Êxodo 3.13-14. O texto claramente indica que Deus é eterno, mas indica que ele é suficiente como Deus que é. A expressão “Eu sou o SENHOR” aponta para o fato de que o SENHOR E O QUE ENTRA EM ALIANÇA COM O POVO.

V – APRENDEMOS QUE ESSA PESSOA É O OBJETO DE CULO

O nosso texto nos informa que antes de considerarmos a lei precisamos entender que a pessoa que nos ordena estas dez palavras é digna de nosso culto e adoração. O texto diz: “Eu sou o SENHOR teu Deus...”
Chamo a atenção para a expressão “Teu Deus” no hebraico temos “elohika”,o termo é uma junção de um substantivo “Elohim” mais um sufixo “ka” que tem a função de indicar a posse, mas pode também apontar para a questão da autoridade. Aqui o termo pode ser entendido como colocando Deus como o objeto de todas as nossas afeições, ou seja, todo o sentimento religioso deve ser movido para ele somente – ele é o teu Deus.
Deus é ensinado nos dez mandamentos como sendo o único digno de louvor e da adoração – aqui se anula os ídolos e toda forma de objeto de culto que não seja Deus somente. Aqui Deus é contemplado como sendo suficiente como objeto de culto e o centro de nossas afeições. O texto nos diz que devemos ter confiança nEle somente, e sermos submissos a Ele somente. Não devemos olhar para outro objeto de culto, e por isso, devemos nos submeter à sua lei.
VI – APRENDEMOS QUE DEUS TEM SE REVELADO COMO DEUS SALVADOR E REDENTOR DO POVO SEU.
O prefácio dos dez mandamentos nos mostra que o Deus que declara a Lei é “Redentor”, penso que falar de Deus como sendo um resgatador é apropriado. Note como Moisés coloca-nos isso “teu Deus, que te tirei da terra do Egito da casa da servidão”.
A expressão hebraica “asher hotser’thika” que significa “te tirei” no original tem o sentido de “te fazer sair”, também pode ser entendido como “colocar a mão para tirar”, Deus manifesta a sua redenção ao libertar o povo do estado de escravidão. Aqui somos informados que o autor das dez palavras não é um tirano que impõe a Lei sobre um povo desconhecido, mas mostrar que é um Deus amoroso, libertador de um povo indigno que não merecia a revelação deste Deus que nos revela as Escrituras Sagradas.
Mas aqui não é somente um resgatador que se nos apresenta aos olhos, mas que Ele se envolve na história dos homens. Ele é o Senhor da história. A história é a manifestação dos atos redentivos de Deus. E o fato histórico narrado neste texto é a libertação do povo hebreu do cativeiro egípcio.
Isto indica que Deus se envolve na criação, age na história para salvar o seu povo. Os dez mandamentos são um resumo da verdade suprema de que Deus está no controle de tudo; da história do povo da aliança como da vida religiosa e moral deste mesmo povo. Deus governa as nossas vidas, o nosso culto até nosso comportamento na sociedade. Aqui se desprende as seguintes verdades:
• A soberania de Deus na salvação: Deus como salvador manifesta o seu braço redentor ao tirar o povo da casa da servidão. Aqui o prefácio nos diz que Deus dá a Lei ao povo regenerado, ou seja, foram resgatados para receberem a Lei de Deus como norma de vida. Isto indica que os dez mandamentos são dirigidos especificamente à Igreja.
• Que Deus é Senhor da História: O deísmo é condenado aqui porque o prefácio nos diz que Deus age no mundo para libertar o seu povo que estava oprimido.
• Que Deus é suficiente em si mesmo: O prefácio dos dez mandamentos nos ensina que Deus é suficiente, pois, é o único que pode dar sentido à nossa existência (Atos 17.24,28).
• Que Deus é o único que pode ser adorado: Deus como se revela a nós pecadores deve ser visto como nosso único objeto de culto. E precisamos desejar adorá-lo como prescreveu em sua Lei. Lc.1.74-75.
Conclusão:
O prefácio aos dez mandamentos nos aponta para que cada sentença que é mencionada em cada mandamento está centrada em Deus e não no homem. Cada mandamento deve ser obedecido e guardado porque Deus tem o direito de criação e redenção.
De criação porque como Deus único e soberano que é, trouxe esse mundo à existência, por isso, cada pessoa individualmente, deveria submeter-se à sua lei eterna; de redenção porque sempre se revelou redentor do seu povo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Erro Pré-Milenista

Por Rev. D. H. Kuiper

Como uma pessoa vê os eventos que cercam o retorno de Jesus Cristo em glória é determinado largamente pela interpretação dada ao termo milênio (mil anos – veja Apocalipse 20:1-7). Como foi apontado no artigo prévio, há três interpretações: pós-, pré- e a-milenismo. Temos visto que pós-milenismo é aquela visão otimista que sustenta que Cristo retornará depois do milênio (um longo período de tempo, não necessariamente de mil anos exatos), e encontrará o mundo completamente Cristianizado com somente uns poucos vestígios de pecado remanescente. Será uma era dourada de justiça e paz, a maioria da humanidade será salva, e as guerras desaparecerão da face da terra. Foi mostrado que tal conceito não pode ser harmonizado com muitas porções das Sagradas Escrituras e, portanto, deve ser rejeitado.

Considerando o pré-milenismo, a primeira dica que alguém recebe de que esta visão não pode ser o ensino da Palavra de Deus é a assombrosa falta de acordo entre os próprios pré-milenistas. Se as Escrituras apresentam as últimas coisas como esta visão insiste, não deveria haver unanimidade em tudo, exceto, talvez, em alguns pontos menores? Mas este não é o caso. A definição que ofereceremos não é, portanto, representativa de todos pré-milenistas, mas é suficientemente geral para incluir a maioria: o pré-milenismo histórico é a visão das últimas coisas que sustenta que a segunda vinda de Cristo será seguida por um período de paz (exatamente mil anos) durante o qual tempo Cristo reinará sobre esta terra num reino terreno; então, virá o fim. Uma forma mais radical desta visão é o dispensacionalismo. Os dispensacionalistas dividem a história da humanidade em sete períodos ou dispensações distintas, e ensinam que Deus trata com a raça humana durante cada período de acordo com um princípio distinto: inocência, consciência, governo humano, promessa, lei, graça e reino. Além do mais, esta visão insiste que a Igreja será removida da terra antes da grande tribulação (veja Mateus 24:29). Esta última visão, desenvolvida por John N. Darby na Inglaterra por volta de 1830, e disseminada neste país pela Bíblia de Referência Scofield, é realmente o fenômeno único chamado Pré-Milenismo Americano. Ele não é ensinado na Bíblia, mas na Bíblia de Referência Scofield. Não confundam as duas. A Bíblia é a infalível Palavra de Deus; a Bíblia de Referência Scofield é um comentário enganoso que contém “notas explicativas” na mesma página do texto da Escritura. O Pré-Milenismo nunca foi incorporado em nenhum dos credos, mas é uma interpretação privada de indivíduos de muitas denominações. Nunca foi mantido por teólogos destacados, nem ensinado em seminários onde a erudição e a exegese são proeminentes, mas por vários grupos Pentecostais e de Santidade, e Institutos Bíblicos. Hoje, isto parece ter mudado um pouco. O Pré-Milenismo parece estar invadindo aos poucos a comunidade Reformada. E é para contra-atacar esta tendência, e para oferecer ao povo de Deus algumas diretrizes escriturísticas para julgamento, que examinaremos brevemente esta visão errônea.

Tenhamos claramente em mente o seguinte. Seus principais distintivos são: 1. Os judeus são originalmente o povo de Deus, pelo qual Deus se interessou; eles são Seu povo do Reino. A eles Deus falou o Antigo Testamento inteiro e a eles Ele prometeu o Messias. 2. Quando Cristo veio, Ele não foi reconhecido nem crido pela maioria dos judeus. Esta contingência não tinha sido prevista pelos profetas, nem era o plano original de Deus. Contudo, visto que Israel, as dozes tribos, rejeitou o Cristo, como um expediente Ele lançou mão dos gentios, cujo povo constitui a Igreja em distinção do Reino. Dessa forma, a Igreja é um parêntese na história. Ela começou na cruz e terminará no começo do milênio. Além do mais, isto implica que a Escritura foi escrita para dois receptores distintos. Parte é para os judeus – o Antigo Testamento inteiro, a maior parte dos Evangelhos e especialmente o Sermão do Monte, e partes do Apocalipse. As epístolas mais outras partes do livro de Apocalipse são para a Igreja. 3. Em qualquer momento, sem sinais ou anúncio, haverá um Rapto. Veja 1 Tessalonicenses 4:13-17, Mateus 24:40-41 e Mateus 25:13. Por Rapto se quer dizer a vinda súbita e secreta de Cristo para tomar para Si, nos ares, os corpos dos santos vivos e ressuscitados. Os ímpios permanecerão no túmulo. Esta é a segunda vinda de Cristo para os Seus santos e é conhecida como a primeira ressurreição. 4. Depois se segue um período de sete anos chamado a Tribulação (a septuagésima semana de Daniel 9:24-27). Durante este tempo todos os eventos de Apocalipse 4:9 e Mateus 24 acontecerão. A Igreja, contudo, não estará sob a tribulação, mas estará com seu Senhor nos ares. 5. Então Cristo virá com os Seus santos para esta terra novamente na Revelação [Manifestação]. Neste tempo há uma segunda ressurreição daqueles santos que morreram durante a tribulação. A segunda vinda de Cristo introduz o Milênio. 6. Com o advento do Milênio, os tempos proféticos retornam, pois Deus se volta para o Seu povo favorecido, os judeus. Cristo vem para esta terra e reina num reino terreno de paz e prosperidade, um reino que tem o seu centro em Jerusalém. Os judeus são restaurados a Palestina, e à vista do Messias se voltam para Ele numa grande conversão nacional. No princípio deste período Satanás é amarrado, e Cristo destrói o Anticristo na batalha do Armagedon. A maldição é removida da natureza: os desertos florescem e os animais selvagens são amansados. Grandes números de gentios são também convertidos e incorporados a este Reino. 7. No final do Milênio, Satanás é solto por um pouco de tempo. 8. Então acontece a terceira ressurreição, a dos ímpios no final do mundo. Eles são julgados com o Diabo e seus anjos, achados em falta e designados a sentir para sempre o aguilhão do inferno. 9. Finalmente, o estado eterno com toda a plenitude do céu e a ausência do inferno é introduzido. Alguns dizem que todos os redimidos são reunidos num Novo Céu e Nova Terra. Outros mantêm que o Reino e a Igreja estarão separados para sempre; um na Palestina terrena, e a outra no céu.

O exposto acima é uma apresentação altamente condensada e grandemente simplificada do assunto. Alguns autores listam até 22 eventos separados. Muitos pregadores pré-milenistas devem utilizar quadros complicados espalhados na fachada do edifício da igreja para estarem seguros de que eles estão sendo seguidos. Um catálogo curto dos pontos importantes do pré-milenismo é o seguinte: sete dispensações, oito pactos, duas segundas vindas, três ou quatro ressurreições, e pelo menos quatro julgamentos. É difícil conceber isto como sendo o ensino da Bíblia, que foi escrita numa linguagem simples para pessoas simples; sim, para crianças. Agora, nos dirigiremos à refrescante, não complicada e clara Palavra de Deus, para obter luz nestes assuntos.

Como fundamento para todo pensamento Pré-Milenista, está a separação feita entre a velha dispensação de Israel e a nova dispensação da Igreja. A questão é: Israel é o povo do Reino de Deus e os gentios Sua igreja? Ou Israel é um conceito espiritual, de forma que Israel é a Igreja e a Igreja é Israel? Se a unidade básica do pacto da graça pode ser estabelecida; se Abraão, por exemplo, e os gentios do Novo Testamento são um aos olhos de Deus; se Deus trata com Seu povo em todas as épocas de acordo com um mesmo princípio – fé, então o Pré-Milenismo cai, e pode somente ser chamado de um engenhoso mal-uso das Escrituras. Com aquele homem de Fé, Abraão, a quem os judeus orgulhosamente traçam sua ancestralidade, Deus estabeleceu Seu pacto eterno de graça. Gênesis 17:7. Esse pacto foi estabelecido mais adiante com a descendência de Abraão. Gênesis 22:17. O Senhor deixa claro que em Sua semente (Cristo) todas as nações da terra serão benditas. Gênesis 22:18. No livro de Gálatas, Paulo (o apóstolo dos gentios), toma o exemplo de Abraão quando repreende os insensatos gálatas por sua tentativa de justiça pelas obras. Ao deixar claro que Deus toma a fé em Cristo por justiça, o apóstolo fala estas maravilhosas palavras: “Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão” (Gálatas 3:7). Mais tarde escreve: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a benção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo”. Ele concluiu este capítulo com as palavras: “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (Gálatas 3:28-29). Pode alguém deixar de nota a unidade da obra de redenção de Deus? A semente de Abraão, o verdadeiro Israel espiritual, é composta de todos aqueles a quem foi dado fé em Seu Filho amado. Em íntima conexão com o acima exposto está o fato que Paulo também enfatizou a unidade da Igreja de todas as eras em passagens tais como Romanos 9:6-9, Efésios 2:19-22, Efésios 4:4-6 e Colossenses 1:16-20. O próprio Jesus como o Bom Pastor estava intensamente consciente da unidade daqueles que Deus lhe havia dado para redimir; Ele disse aos judeus no pórtico de Salomão: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor” (João 10:16).

Em segundo lugar, o texto mais referido pelos Pré-Milenistas, 1 Tessalonicenses 4:13-17, simplesmente não prova um “rapto” súbito e silencioso e uma ressurreição separada dos justos e ímpios. Em vez disso ensina: um retorno visível e notável (grito, voz, trombeta) de Cristo; a ressurreição dos corpos dos santos mortos seguida imediatamente pela translação daqueles que estiverem vivos na vinda de Cristo, sem dizer nada sobre os ímpios; que os santos estarão para sempre com o Senhor deles, sugerindo não que eles retornem a esta terra mundana novamente em seus corpos glorificados, espirituais e incorruptíveis, mas que eles permanecerão com Cristo em glória celestial! Além do mais, o próprio Cristo deixa claro que haverá apenas uma ressurreição: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5:28,29). As Escrituras revelam UMA segunda vinda de Cristo, UMA ressurreição em Sua vinda e UM julgamento.

O método de interpretação seguido pelos aderentes deste sistema é um tanto defeituoso. Uma regra muito conhecida é que as passagens difíceis da Palavra, e certamente Apocalipse 20 o é, devem ser explicada à luz de textos mais simples. Contudo, alguém não pode escapar do sentimento de que com esta visão, uma teoria preconcebida é trazida à Escritura, passagens difíceis são apeladas como prova e então, se tenta fazer com que as passagens mais simples se encaixem com a teoria. O resultado é uma divisão violenta da Palavra e, portanto, da obra redentora de Deus! Sua Palavra é uma (apresentada em dois testamentos, profecia e cumprimento), e a redenção de Jesus Cristo é uma!

Positivamente, vivemos perto do fim do que Apocalipse chama de “mil anos”. Este milênio começou em Pentecostes e terminará quando o tempo e a história terminarem. Cristo retornará pessoalmente e visivelmente, chamará os mortos dos sepulcros e dos mares, julgará todos os homens de acordo com suas obras, e colocará Suas ovelhas num só rebanho, a casa celestial com muitas moradas! Que a verdade Reformada continue sendo proclamada que “o Filho de Deus reúne, protege e conserva, dentre todo o gênero humano, sua comunidade eleita para a vida eterna. Isto Ele fez por seu Espírito e sua Palavra, na unidade da verdadeira fé, desde o princípio do mundo até o fim” (Catecismo de Heidelberg, Domingo XXI). Benditos aqueles são membros vivos dela!

O Rev. Dale H. Kuiper é pastor da Igreja Protestante Reformada Sudeste em Grand Rapids, Michigan.
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Monergismo

sábado, 18 de dezembro de 2010

Batistas, presbiterianos, assembleianos, episcopais... Quem tem o melhor governo?

Por Antônio Carlos Costa

Quais são os principais sistemas de governo eclesiástico e quais são as suas características?

Existem três formas de governo eclesiástico: o episcopal, o presbiteriano e o congregacional. O primeiro pode ser visto no sistema de governo das igrejas Metodista e Anglicana. O segundo, na igreja Presbiteriana, e o terceiro, nas igrejas Batista e Congregacional.

O que os difere? O sistema de governo episcopal - palavra que deve sua etimologia ao grego, "episcopos", que significa superintende, traduzida para o português pela palavra bispo - tem como característica um maior peso posto sobre a pessoa do bispo-, que o permite governar a igreja com um grande nível de independência, tanto em relação aos membros da igreja, quanto em relação aos demais pastores. Sua decisão é soberana. Na igreja Metodista, por exemplo, um bispo pode remover o pastor da igreja local, livremente, sem consultar a assembléia.

O modelo episcopal foi levado ao seu extremo no sistema de governo da Igreja Católica, que poderíamos chamar de episcopal-monárquico. A autoridade que o Papa exercer sobre a igreja não tem paralelo na história do cristianismo.

O sistema presbiteriano é um sistema de presbíteros. A vida da igreja é conduzida por presbíteros eleitos, que através de concílios, zelam pela vida espiritual da igreja. O bispo, na igreja metodista, é eleito pelo colégio episcopal, porém, uma vez eleito, goza de uma autoridade que o pastor presbiteriano não conhece nem de longe.

O sistema congregacional é o mais democrático de todos. As decisões são tomadas em assembléias. A igreja é convidada a opinar sobre tudo. O pastor, que no sistema presbiteriano, depende do ponto de vista dos seus pares para decidir, que no sistema episcopal depende da decisão do bispo, no sistema de governo congregacional, fica bastante à mercê da membresia da igreja.

Logo, percebe-se, que o sistema episcopal é mais ágil, o presbiteriano, mais lento do que o episcopal, e o congregacional, o mais lento de todos. O primeiro, lembra a monarquia, o segundo, o parlamentarismo democrático,e o terceiro, a democracia plena não representativa.

O sistema episcopal dá poder demais ao ser humano. Se o bispo for mau caráter, o estrago será imenso e mais difícil de ser corrigido. O presbiteriano, faz o pastor depender no processo decisório, do ponto de vista de presbíteros que não trabalham de tempo integral, não tem formação em teologia, não vivem a vida da igreja na mesma extensão da autoridade de que gozam. O sistema congregacional é lento, leva problemas da igreja para pessoas que não têm maturidade para resolvê-los, e corre o risco de atribuir a Deus a voz do povo -o que nem sempre acontece.

Os três funcionariam muito bem se todos fôssemos bons. Um bispo santo, um conselho de presbíteros consagrados a Deus e uma congregação piedosa, tornariam a vida da igreja uma maravilha. Contudo, não somos perfeitos. Por isso, devemos procurar saber qual desse três sistemas de governo é o que mais se ajusta as demandas da natureza parcialmente santa da igreja. Não apenas isso, mas temos que saber também qual deles vemos presente nas páginas das Sagradas Escrituras.

Esse questão não é fácil. Todos os membros das referidas igrejas vão procurar apresentar base bíblica para o seu sistema de governo. Essa é uma questão de difícil decisão, e ao mesmo tempo periférica, pois não toca na essência do cristianismo. Há santos na igreja Metodista - John Wesley-, há santos na igreja Presbiteriana -John Knox-, e há santos nas igrejas congregacionais -Martin Lloyd-Jones.

Ousarei me posicionar. Minha resposta, para estar à altura de tema tão polêmico, demandaria um livro. Contudo, permita-me dizer porque julgo o presbiteriano o mais bíblico.

Primeiro, ele é o que melhor se ajusta às necessidades impostas pela natureza humana. Ele é mais equilibrado. Não coloca muita carga sobre os ombros de um ser humano caído (episcopal) e não leva assunto sério para gente que não está preparada para lidar com ele (congregacional). Não é tão rápido como o episcopal -"a pressa excessiva conduz à pobreza"-, e, não tão lento quanto o congregacional -tem hora que a decisão tem que vir de modo rápido.

O sistema presbiteriano pode ser facilmente encontrado na Bíblia. Nas Escrituras Sagradas vemos a liderança da igreja local sendo eleita, e uns poucos homens exercendo superintendência sobre um grupo maior de cristãos.

O problema com o presbiterianismo no mundo, tem a ver com a autoridade que é posta sobre homens que não tem preparo teológico; ao mesmo tempo, incapazes de pregar ou ensinar, e que não devotam à igreja a quantidade de atenção que precisam dedicar a fim de que fosse justificada a autoridade de que gozam. O ideal seria que só fosse presbítero quem fosse capaz de pregar e tivesse vida intensa com a igreja.

Em suma, Deus tem usado as três formas de governo. A história dos Estado Unidos (que passou por dois grandes despertamentos espirituais), por exemplo, mostra que todas essas igrejas podem ser igualmente usadas por Deus: o primeiro avivamento foi calvinista e originado entre presbiterianos e congregacionais (há congregacionais, calvinistas na teologia, embora não o sejam na forma de governo). Já o segundo grande despertamento, foi arminiano e originado entre metodistas e batista.

Gostaria de fazer duas ressalvas, apesar de haver manifestado minha simpatia pela forma de governo presbiteriana: amigos, que desperdício nos dividirmos por ninharia. Como o homem é mais importante do que a forma de governo. Se o homem for santo, a graça haverá de ser derramada sobre o bispo, o concílo e a assembléia.

Rev. Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra e presidente do Rio de Paz

Fonte: O Observador Cristão

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

É pecado beber vinho?

Sou abstêmio convicto, motivado especialmente por caso de alcoolismo na família e por compreender o dano social causado pelo consumo de bebidas alcoólicas. Portanto, este texto não pretende ser uma apologia a nada, exceto talvez ao equilíbrio bíblico, tendo em conta a advertência: “Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando” (Dt 4:2). A obediência aos mandamentos começa por não ficar aquém nem ir além de onde a própria Bíblia vai.

Fiz uma busca rápida por vinho no Novo Testamento e a encontrei em cerca de 30 versículos. Algumas palavras importantes são estudadas a seguir.



Oinos

Esta palavra aparece 33 vezes em 25 versículos (em alguns versículos ocorre repetidamente), e é traduzida “vinho” em todas as ocorrências pela Revista e Atualizada. Que vinho [oinos] contém álcool fica claro na seguinte passagem: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). A Septuaginta usa oinos para traduzir os hebraicos yayin, chemer, ieqev, sove, asis, shekar, shemer e tirosh, indistintamente.

Quanto ao vinho usado na última ceia, não é dito de que tipo era, visto que a palavra vinho não ocorre nesse contexto. De qualquer forma, as igrejas apostólicas celebravam a ceia com vinho inebriante, pois é dito que “ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague 1Co 11:21. Note que em suas repreensões à forma desordenada na qual a igreja corintiana celebrava a ceia do Senhor, Paulo não inclui o tipo de vinho utilizado.

Interessante notar, também, que Jesus foi acusado de bebedor de vinhos [oinopotes]: “Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” (Lc 7:34). Em uma passagem da primeira epístola de Pedro, bebedices é tradução de um termo derivado de oinos [oinophlugia]: “Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias” 1Pe 4:3

A conclusão é de que o termo mais comumente traduzido vinho no Novo Testamento refere-se a uma bebida capaz de causar embriaguez se consumida em grande quantidade. É possível que o vinho feito por Jesus em Caná e o utilizado na última ceia fossem do mesmo tipo consumido comumente pelos judeus de seus dias, que bebido puro e em grande quantidade era embriagante. No caso da ceia em Corinto, é-nos permitido concluir que a mesmo continha álcool, pois ninguém se embriaga com suco de uva.

Gleukos

Em Atos 2:13 a Revista e Corrigida traduz gleukos como mosto, um suco doce de uva espremida: “Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” (At 2:13.) Tecnicamente, mosto é o vinho ainda não totalmente fermentado. De qualquer forma, deveria ser embriagante, visto que a Revista e Atualizada traduz “cheios de mosto” como “embriagados”. A própria expressão dos ouvintes requeria que eles estivessem alterados.

Oxos

Outra palavra traduzida por vinho é oxos: “deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber” (Mt 27:34). Era uma mistura de vinho azedo ou vinagre e água que os soldados romanos estavam acostumados a beber. De fato, a palavra só ocorre nos Evangelhos e somente no episódio da crucificação de Jesus (Mt 27:34, 48; Mc 15:36; Lc 23:36; Jo 19:29-30), sendo traduzida mais comumente como vinagre. Logo, este seguramente não era o vinho utilizado na última ceia, na ceia do Senhor da igreja primitiva e nem mesmo o vinho consumido normalmente pelos judeus nos dias de Jesus.

Sikera

É uma palavra traduzida como bebida forte na única vez que ocorre: “Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno” (Lc 1:15). Não era vinho, mas uma bebida forte e intoxicante. Era um produto artificial, feito de uma mistura de ingredientes doces, derivados de grãos ou legumes, ou do suco de frutas (tâmara), ou de uma decocção do mel.

Methe

A palavra beberrão, bêbado, bebedices, etc. deriva de methe que significa embriaguez bebedeira, intoxicação: “Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais” (1Co 5:11. Ver ainda 1Co 6:10). Methe e seus derivados estão associados ao consumo excessivo de bebidas. E este excesso é claramente proibido nas Escrituras, como por exemplo Ef 5:18 onde a proibição não é quanto ao consumo de vinho [oinos], mas à embriaguez [methusko], pois como demonstrado acima, Jesus bebia vinho (Lc 7:34, citado acima), mas o irmão beberrão deveria ser evitado (1Co 5:11, citado acima). Não há uma proibição do tipo “não beberás vinho”. Parece que o ensino bíblico é mais no sentido da moderação. Por exemplo, nas descrições dos requisitos para os oficiais da igreja, a proibição é quanto ao excesso: “É necessário, portanto, que o bispo seja... não dado ao vinho” (1Tm 3:2-3), “semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam... não inclinados a muito vinho” (1Tm 3:8) e “quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam... não escravizadas a muito vinho” (Tt 2:3).

A proibição geral é quanto ao embriagar-se, não quanto ao consumo em si, feito com moderação. É neste sentido que temos advertências do tipo “não vos embriagueis com vinho” (Ef 5:18), “acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da... embriaguez” (Lc 21:34), “Andemos dignamente... não em orgias e bebedices” (Rm 13:13), pois “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5:21).

Ao lado disso, há a recomendação do experiente Paulo ao jovem Timóteo para que este bebesse um pouco de vinho, devido a seus problemas de saúde. “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1Tm 5:23) É interessante aqui observar duas coisas, a quantidade e a finalidade. Era para tomar “um pouco” de vinho e “por causa” de seus problemas gástricos, ou seja, com finalidade terapêutica.

Concluindo, se alguém me perguntar o que eu acho sobre o crente beber com moderação, direi que o mesmo deve evitar, pelas razões que expressei na introdução. Mas se alguém me perguntar se a Bíblia proíbe ao crente beber de forma moderada, para ficar em paz com minha consciência, direi que não. Pois de fato ela não o faz. Ela proíbe a embriaguez, mas não o consumo moderado.

Fonte: Cinco Solas

sábado, 11 de dezembro de 2010

Batismo infantil, prática da igreja primitiva

A prova de que esta prática existia, pelo menos desde cedo, está na condenação que dela faz Tertuliano.
Perto do ano 200, este severo teólogo condenou o costume de batizar crianças.
Não haveria a condenação se a prática não estivesse difundida.
Hipólito (169-235), em sua obra “Tradição Apostólica” (215 d.C), recomenda: "Sejam batizadas, primeiramente as crianças"


A oposição regular veio dos Anabatistas. Estes condenavam os Reformadores porque, tendo recebido o batismo na Igreja Católica, ao tornarem-se protestantes não se tinham voltado a batizar e ainda mantiveram nas novas Igrejas a prática pedobatista. Calvino, que também fora batizado na infância e nunca aceitou um rebatismo, teve o cuidado de dedicar um longo capítulo das suas Institutas a este assunto (Livro IV, cap. XVI),
para mostrar o erro das conclusões anabatistas, que, como outros radicalismos, ameaçavam a obra da Reforma. Até por esse capítulo de Calvino podemos ver que os argumentos dos anabatistas eram os mesmos que hoje são usados contra as Igrejas que batizam crianças, mas ao grande teólogo de Genebra não faltaram textos bíblicos para justificar aquela prática.
Os Pais da Igreja, como Irineu ( século II ), por exemplo, se referem ao batismo infantil ; sendo que o próprio Orígines ( século III ) foi batizado quando criança.
Afirma Orígenes (185 - 255) sobre o batismo infantil: "A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos". (Epist. ad Rom. Livro 5, 9). E Cipriano, em 258, adverte: "A graça do batismo não deve ser apartada de ninguém e especialmente das crianças". (Carta a Fido).
Clemente de Alexandria (155-225), diz que o batismo se destina "a crianças pequenas"(0 Pedagogo, 195 d.C, 3:11);
No século III, um sínodo do Norte da África determinou que era permitido batizar as crianças "já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento" (Epístola 64 de Cipriano).
O Sínodo de Elvira (306-312 d.C) recomenda: "As crianças devem receber o banho do batismo"
Em 418, o Concílio de Cartago declara: "Também os mais pequeninos, que não tenham ainda podido cometer pessoalmente algum pecado, são verdadeiramente batizados para a remissão dos pecados, a fim de que, mediante a regeneração, seja purificado aquilo que eles têm de nascença" (Dz.-Sch., Enquirídio, nº 223).
Já no século II a patrística trata o batismo infantil com naturalidade: Irineu de Lião (+ 202) considera óbvia, entre os batizados, a presença de "crianças e pequeninos" ao lado dos jovens e adultos (Contra as Heresias II-24,4).
Os pais da igreja de um modo geral sempre aceitaram o batismo infantil como uma prática vinda desde os tempos apostólicos e pelo menos 9 dentre 12 pais da igreja, o aceitaram foram eles: Justino Mártir, Irineu, Orígenes e posteriormente Agostinho.
Justino o Mártir (89-166), em sua "Primeira Apologia"(150 d.C), afirma que no batismo, "muitos homens e mulheres se tornaram discípulos desde crianças"(15:6); e em seu "Diálogo com Trifo"(160 d.C), diz que o batismo é uma "Circuncisão Espiritual"(43:2).
A argumentação é muito maior e forte para quem aceita essa prática do que para aqueles que não a vêem com bons olhos. Se por um lado os opositores a essa doutrina dizem não haver exemplos explícitos disso em o NT, também não há a menor referência a batismos de adultos nascidos e criados em lares cristãos.

Calvino usa os seguintes argumentos:

“O Senhor disse expressamente que a circuncisão que se administra às crianças lhe servirá de confirmação do pacto que temos exposto. Se pois, o pacto permanece sempre o mesmo, é de todo certo que os filhos dos cristãos não são menos participantes dele do que foram os judeus do AT. E se participam da realidade significada, por que não lhes a de ser comunicado também o sinal.”

“Alguns espíritos mal-intencionados se levantam contra o nosso hábito de batizar crianças, como se essa prática não tivesse sido instituída por Deus, mas se tratasse de algo inventado pelos homens recentemente, ou ao menos pouco tempo depois dos apóstolos. Em face disso, achamos que, por dever de ofício, é preciso confirmar e fortalecer, nesse ponto, as consciências fracas e refutar as falsas objeções dos enganosos oponentes, com as quais eles poderiam perverter a verdade de Deus no coração das pessoas simples, não suficientemente preparadas para contestar suas astúcias sutis e hipócritas.”

"Assim como os filhos dos judeus eram chamados linhagem santa, porque eram herdeiros da aliança e eram separados dos filhos dos incrédulos e dos idólatras, assim também os filhos dos cristãos são chamados santos, ainda que só o pai ou a mãe seja crente."

Portanto o batismo infantil é bíblico e não podemos negar ou passar desapercebidos a esse fato que é tão importante para a edificação dos membros, para o conforto de saber que nossos filhos pertencem ao pacto e traz sobre nós pais, a responsabilidade de ensinarmos os nossos filhos no caminho do Senhor.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brasil: um protestantismo neoanabatista?

Robinson Cavalcanti

Samuel Escobar, um dos fundadores da Fraternidade Teológica Latino Americana (FTL), escreveu sobre a “anabatistização” do protestantismo do nosso continente, não importando a denominação. Não é só o fato de apenas aqui as igrejas evangélicas rebatizarem católicos romanos e ortodoxos orientais, contrariando os reformadores e sua prática em outros continentes. Trata-se do anabatismo como ideologia, formada a partir da Reforma Radical, com desdobramentos históricos. Vejamos suas marcas.

1. A “apostasia da igreja” como leitura histórica. Da morte de João ao nascimento de Lutero, tudo o que a igreja fez foi errado e a fez se afastar de sua “pureza” original. Isso se chocava com a Primeira Reforma (Lutero, Cranmer) e a Segunda (Calvino), que consideravam os velhos corpos cristãos não-reformados, a despeito de seus “erros, desvios e superstições”, autênticas expressões do Corpo de Cristo. Essa ideologia desqualifica quinze séculos de história e retira dela a presença do Espírito Santo.

2. O “restauracionismo” como princípio re-fundante. Se todo o passado foi de erros, o novo grupo vai “restaurar” a pureza da igreja, segundo entende (séculos depois) o que era a igreja primitiva. Temos tido ciclos de expressões restauracionistas, dentro do espectro da igreja, na fronteira (adventismo) e fora dela (Testemunhas de Jeová).

3. O “presentismo”. C. S. Lewis denuncia as gerações que, movidas por um sentimento anti-histórico, não levam em conta a tradição apostólica nem o consenso dos fiéis, e querem reinventar a roda, em sua superficialidade.

4. Uma eclesiologia dualista e minimalista. Um dualismo neoplatônico entre organismo (bom, de Deus) e instituição (má, dos homens), entre “igreja invisível” e “igreja visível” que, em uma concepção minimalista, é a “igreja local” (congregação), crendo em uma Igreja de Jerusalém regida pelas regras parlamentares de Westminster. Um conjunto dessas “igrejas locais”, com suas peculiaridades, forma uma “denominação” (conceito novo e extrabíblico), com a demonização das organizações históricas, a negação dos sacramentos e o desprezo pela hierarquia ministerial.

5. Iconoclastia. Rejeição de toda a arte sacra: arquitetura, escultura, pintura, símbolos, vestes, ritos. O inestético é o espiritual; a informalidade, a recuperação da pureza. A psicanálise tem estudado a relação entre neuroses e rejeição à arte, por repressão ao prazer. O “teológico” como fachada para o psicológico. A ideologia anabatista perpassou vários momentos na história da igreja, desde os “entusiastas”, encontrados (e combatidos) no luteranismo e no anglicanismo do século 16, ao menonismo de vários matizes (Amish, huteritas), o pietismo, os Quackers, os Irmãos Livres (Irmãos de Plymouth), o “Pequeno Rebanho” (Watchman Nee/Witness Lee) e suas “igrejas locais”, “igrejas sem nome”, “comunidades evangélicas”, “igrejas nos lares” (House Churches), igrejas emergentes e novas iniciativas. Algumas dessas expressões se pretendem pós-denominacionais, ou não-denominacionais (são apenas variações de igrejas batistas e/ou pentecostais), sem usar esse título, outras mantêm vínculos mínimos, ou estão “hospedadas” nas igrejas históricas ligadas a movimentos ou redes de ideologia de fundo anabatista, que poderíamos denominar de neoanabatismo. Algumas mantêm uma ênfase nas doutrinas históricas, outras afirmam que “as pessoas querem saber de vida e não de doutrinas”, havendo até quem negue o apóstolo Paulo e se resuma à pretensa radicalidade do reino, aos ensinos de Jesus. Uma das marcas do neoanabatismo contemporâneo foi herdada do liberalismo: tornar o evangelho palatável para o homem pós-moderno, como aqueles pretendiam fazer para o moderno. A cultura secular termina por impor a agenda da igreja, na linguagem, nos métodos, nas abordagens e no próprio conteúdo. “O homem pós-moderno não aceita essas coisas. Não faz sentido.” Um setor tem a preocupação em estabelecer “igrejas locais” para as tribos urbanas. E se esses jovens amadurecerem? Billy Graham, sem menosprezar a importância da comunicação transcultural, diz que atrás de qualquer “casca” está um pecador que necessita se arrepender e depositar a sua fé em Jesus Cristo, e que para todas as culturas há um eterno evangelho a ser anunciado. Será que as pessoas mais refinadas, artisticamente sensíveis, terão de ficar presas aos extremos da idolatria e da iconoclastia, sem lugar para uma igreja reformada valorizadora da história, do consenso dos fiéis, da reverência e da beleza na adoração, incluindo os símbolos e a liturgia? Quem rejeita a idolatria está condenado ao empobrecimento estético, à iconoclastia do presentismo informalista? O pretensamente “novo” não é apenas um “remake” de velhas iniciativas. O neoanabatismo é um fenômeno crescente, que atinge, mais ou menos, todas as denominações, como rolo compressor em nosso continente e nosso país. Os histórico-estéticos, porém, insistem em sua identidade. As outras expressões do protestantismo, histórico-estéticas, continuam a afirmar outras alternativas para a fé reformada.

Edward Robinson de Barros Cavalcanti é um teólogo, político e bispo da Igreja Anglicana do Cone Sul da América, comandando a diocese de Recife. Foi professor da Universidade Federal de Pernambuco e escreveu dez obras sobre religião. Em 1997 foi eleito bispo da diocese de Recife. Como bispo diocesano, ordenou 57 diáconos e 49 presbíteros. Nesses sete anos foram abertas 34 das presentes 44 comunidades da Diocese Anglicana do Recife.

Fonte: Ultimato

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Os Cristãos Devem Celebrar o Natal?

por John MacArthur

As Escrituras não ordenam especificamente que os crentes celebrem o Natal — não há “Dias Sagrados” prescritos que a igreja deva celebrar. De fato, o Natal não era observado como uma festividade até muito após o período bíblico. Não foi antes de meados do século V que o Natal recebeu algum reconhecimento oficial.
Nós cremos que o celebrar o Natal não é uma questão de certo ou errado, visto que Romanos 14:5-6 nos fornece a liberdade para decidir se observaremos ou não dias especiais:
Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus (Romanos 14: 5-6).
De acordo com esses versos, um cristão pode, legitimamente, separar qualquer dia — incluindo o Natal —  como um dia para o Senhor. Cremos que o Natal proporciona aos crentes uma grande oportunidade para exaltar Jesus Cristo.

Primeiro, a temporada de Natal nos lembra das grandes verdades da Encarnação. Recordar as verdades importantes sobre Cristo e o evangelho é um tema prevalecente no Novo Testamento (1 Coríntios 11:25; 2 Pedro 1:12-15; 2 Tessalonicenses 2:5). A verdade necessita de repetição, pois nós facilmente a esquecemos. Assim, devemos celebrar o Natal para recordar o nascimento de Cristo e nos maravilhar ante o mistério da Encarnação.
O Natal também pode ser um tempo para adoração reverente. Os pastores glorificaram e louvaram a Deus pelo nascimento de Jesus, o Messias. Eles se regozijaram quando os anjos proclamaram que em Belém havia nascido um Salvador, Cristo o Senhor (Lucas 2:11). O bebê deitado na manjedoura naquele dia é nosso Senhor, o “Senhor dos senhores e Rei dos reis” (Mateus 1:21; Apocalipse 17:14).

Finalmente, as pessoas tendem a serem mais abertas ao evangelho durante as festividades de Natal. Devemos aproveitar desta abertura para testemunhar a eles da graça salvadora de Deus, através de Jesus Cristo. O Natal é principalmente sobre o Messias prometido, que veio para salvar Seu povo dos seus pecados (Mateus 1:21). A festividade nos fornece uma maravilhosa oportunidade para compartilhar esta verdade.
Embora nossa sociedade tenha deturpado a mensagem do Natal através do consumismo, dos mitos e das tradições vazias, não devemos deixar que estas coisas nos atrapalhem de apreciar o real significado do Natal. Aproveitemo-nos desta oportunidade para lembrar dEle, adorá-Lo e fielmente testemunhar dEle.

Fonte: Monergismo


O Renovo que renova

"Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo" (Isaías 11.1).

Neste segundo domingo do Advento, preparando-nos para as celebrações do Natal, somos remetidos a esta passagem do Antigo Testamento que fala de renovação. É tempo de renovar. Alguns vão renovar o guarda-roupa, outros vão renovar o passaporte, visando alguma viagem ao exterior, já que os preços se acham bastante competitivos. Há quem vá renovar a frota, podendo se apresentar de carro novo.

Mas nem só de renovação material viverá o homem. Algumas pessoas estão pensando numa repaginação, neologismo criado para identificar uma mudança escultural, que afeta o rosto e demais partes do corpo. Bem, já estamos quase chegando lá. Da renovação exterior, viemos para a renovação que toca o ser humano em sua superfície. Resta, ainda, a renovação que vai ao âmago do ser, a renovação espiritual.

Natal é tempo de renovação, não por causa do mercantilismo das compras, ou das viagens de férias. Natal é oportunidade de renovação porque brotou o renovo. A ideia é muito cara ao Profeta Isaías. No capítulo que narra a sua vocação, ele menciona que "como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco" (Isaías 6.13). Uma árvore envelhecida, cujo tronco se acha envergado e sem viço, fatalmente tombará. Ainda ligada às suas raízes, porém, já deitada, a árvore se tornará um peso morto. No entanto, se for cortada até às raízes, restará um toco, a partir do qual a velha árvore se renovará. Aprouve a Deus ungir ao Senhor Jesus como este toco, o renovo que brota, para constituir-se na santa semente, na qual nos achamos enxertados. Ele propicia a verdadeira renovação, a renovação do coração, do íntimo do ser, que nos transforma de dentro para fora, que muda os nossos valores, que estabelece os nossos novos princípios, agora, centrados em Deus.

"Se alguém está em Cristo é nova criatura" (II Coríntios 5.17). O Natal nos desafia a ser e a viver como novas criaturas. Mas isto só é possível se estivermos em Cristo. Portanto, a mensagem central do Natal é a convocação para estar em Cristo, para viver em comunhão com Ele, para depender da sua vida em nós. Ele é a santa semente, o toco que restou, o renovo que se faz brotar. Não há outra esperança. Não se trata de uma renovação sazonal, baseada num calendário sentimentalista. Como ficamos sensíveis no período natalino! Reatamos relacionamentos rompidos, incrementamos a nossa filantropia, somos capazes de derramar uma lágrima que insiste em não ser contida. Mas o novo ano chega e, com ele, toda a sua agenda de preocupações, e o espírito natalino vai embora.

O renovo que resistiu ao corte da árvore concede uma renovação que não se prende aos espasmos do nosso calendário. Com Ele passamos a viver uma continuada renovação

Por Rev. Juarez Marcondez Filho.

Fonte: IPC


domingo, 5 de dezembro de 2010

Kaká rompe oficialmente com a Igreja Renascer

Kaká e Caroline durante o casamento na Igreja
Renascer (Foto: Getty Images)

Kaká e sua mulher Caroline Celino romperam com a Igreja Renascer em Cristo. A informação é da revista "Veja", em reportagem publicada neste domingo. A própria igreja confirmou que, na última quinta-feira, Kaká ligou para Estevam Hernandes e comunicou sua saída por motivos pessoais. De acordo com a publicação, eles se afastaram no último mês de agosto. Carol foi quem confirmou a saída dos dois.




- O meu tempo na Igreja Renascer acabou. E o que posso afirmar é que hoje minha busca constante é somente por Deus - disse esposa de Kaká à revista.

O craque do Real Madri, que teve a cerimônia de casamento na Renascer, sempre demonstrou sua proximidade com a instituição. Em 2007, depois de receber o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa, ofereceu o troféu para ser exposto na igreja em São Paulo.

Donos da Renascer foram condenados em 2009

Estevam e Sonia Hernandes, fundadores da Renascer, foram condenados em dezembro de 2009 pela Justiça Federal, em São Paulo, a quatro anos de reclusão pelo crime de evasão de divisas. A condenação se referiu ao fato de o casal ter deixado o país com destino aos Estados Unidos, em janeiro de 2007, com US$ 56,4 mil (R$ 95,5 mil atualmente).

Estevam e Sonia esconderam o dinheiro em uma bolsa, na capa de uma Bíblia, em um porta-CD. Ao chegarem em Miami, os dois foram detidos e depois condenados pela Justiça local pelos crimes de contrabando e conspiração de dinheiro.

No mesmo ano, em 18 de janeiro, o teto da antiga sede da igreja desabou, deixando sete mortos e mais de 100 pessoas feridas no local. O lançamento da pedra fundamental do novo templo aconteceu em setembro de 2009, com um valor de R$ 10 milhões. Kaká esteve presente na cerimônia ao lado dos líderes Estevam e Sônia. Segundo o jornal "O Dia", jogador teria contribuído com pelo menos US$1,4 milhão (R$ 2,3 milhões atualmente) de dízimo para a igreja.

Fonte: Globo Esporte

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Calvinistas não existem: são lenda!


O Allen já  havia dito que somos unicórnios da fé. Agora o Hélio descobriu que estamos extintos! Veja um trecho de sua postagem:
Descobri que sou uma lenda. Na verdade não existo mais, sou uma estranha memória encarnada do passado. Eu e alguns milhões que andam por todo o mundo. Deixem que eu explique melhor...
Meu jovem primo aprendeu na sala de aula (do colégio Darwin, de ensino fundamental) que não existem mais calvinistas, e que os calvinistas acreditavam que quem se salvavam eram os ricos. Tal ensinamento foi ministrado por uma ignorante professora de história. Ao tentar rebater a “sábia” afirmação para corrigir a professora, obviamente ele (meu primo) foi ignorado.
Leia mais em Eu sou a lenda, no blog do Hélio, o Visão Pessoal. (Eu garanto que vale a pena!)
SOLI DEO GLORIA!



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ninguém nunca viu um milagre

Os movimentos de sinais e maravilhas estão se alastrando por todo o Brasil. Como cria do movimento pentecostal, os pastores milagreiros estão invadindo o cenário religioso nacional e ocupando grandes espaços nos veículos de comunicação. Tais milagreiros garantem que curam todos os tipos de doenças e resolvem todos os tipos de problemas que assolam os brasileiros. A proposta deles é a mesma do catolicismo de massas do Juazeiro do Norte-CE, do espiritismo, do esoterismo, da umbanda e candomblé, bem como dos pentecostais protestantes e católicos carismáticos. Para credenciar seus movimentos curandeiros, eles usam os milagres como forma de atestar que eles são verdadeiros e que o movimento é de Deus. Mas esses movimentos não resistem a uma boa análise, por mais simples que seja, em comparando-se o que os apóstolos fizeram nos tempos bíblicos com o que esses falsos apóstolos modernos afirmam fazer. Nos tempos bíblicos era possível VER o milagre sendo realizado por Cristo e pelos apóstolos; nos dias de hoje, NINGUÉM vê qualquer milagre desses milagreiros sendo realizado na hora. O que se presencia nessas reuniões de supostas curas é o relato que as pessoas contam que foram curadas. Essa é a razão principal porque eles não se aventuram em visitar um hospital para curar pessoas doentes lá. Suas curas são sempre histórias de pessoas que dizem que foram curadas. Todo mundo acredita nessas histórias porque aquela “verdade” só é crida naquele momento em que a pessoa conta. Como ninguém vai atrás de quem contou, nem acompanha a vida da pessoa que disse que foi curada, as pessoas acreditam numa “verdade” sem ser investigada. Na maioria, esses milagres contados não passam de interpretações particulares de pessoas cheias de doenças psicossomáticas. É possível observar na televisão que as curas de R.R. Soares são apenas de dores musculares ou ósseas; os milagres são contos e histórias mirabolantes que as pessoas atribuem aos curandeiros. Como todos estão dentro do movimento de curas, qualquer coisa que acontece em suas vidas é interpretada como milagre, e é atribuído ao movimento. Essas são as mesmas histórias contadas pelos seguidores do padre Cícero, pelos católicos carismáticos, e pelos espíritas. Para quem vive naquele universo, tudo na vida deles é interpretado como milagre. Há muitos casos de pessoas que estão em tratamento médico ao mesmo tempo em que freqüentam as reuniões de curas; se o tratamento médico surtir efeito, ou o diagnóstico tinha sido errado, ou a doença não era o que se pensava, ainda assim tais pessoas dizem que foram curadas pelos curandeiros, e levam seus exames para mostrar nas reuniões. Assim, os milagres modernos é uma questão de interpretação, e não de visão. Os milagres são interpretados, mas nunca foram vistos.


Por: Rev. Moisés Bezerril

Fonte: Teologia Hoje