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sábado, 22 de janeiro de 2011

Teologia Reformada

por

James Montgomery Boice

A Teologia Reformada recebe seu nome da Reforma Protestante do século XVI, com suas ênfases teológicas distintas, mas é teologia solidamente baseada na própria Bíblia. Os crentes na tradição reformada têm alta consideração as contribuições específicas como as de Martinho Lutero, Jonh Knox e, particularmente, de João Calvino, mas eles também encontram suas fortes distinções nos gigantes da fé que os antecederam, tais como Anselmo e Agostinho e principalmente nas cardas de Paulo e nos ensinamentos de Jesus Cristo.

Os Cristãos Reformados sustentam as doutrinas características de todos os cristãos, incluindo a Trindade, a verdadeira divindade e humanidade de Jesus Cristo, a necessidade do sacrifício de Jesus pelo pecado, a Igreja como instituição divinamente estabelecida, a inspiração da Bíblia, a exigência para que os cristãos tenham uma vida reta, e a ressurreição do corpo. Eles sustentam outras doutrinas em comum com cristãos evangélicos, tais como justificação somente pela fé, a necessidade do novo nascimento, o retorno pessoal e visível de Jesus Cristo e a Grande Comissão.

O que, então, distinto a respeito da Teologia Reformada?

1. A Doutrina das Escrituras

O compromisso da reforma para com a Escritura enfatiza a inspiração, autoridade e suficiência da Bíblia. Uma vez que a Bíblia é a Palavra de Deus e, portanto, tem a autoridade do próprio Deus, os reformadores afirmam que essa autoridade é superior àquela de todos os governos e de todas as hierarquias da Igreja. Essa convicção deu aos crentes reformados a coragem para enfrentar a tirania e fez da teologia reformada uma força revolucionária na sociedade. A suficiência das Escrituras significa que ela não necessita ser suplementada por uma revelação nova ou especial. A Bíblia é o guia completamente suficiente para aquilo que nós devemos crer e para como nós devemos viver como cristãos.

Os Reformadores, em particular, João Calvino, enfatizaram o modo como a Palavra escrita, objetiva e o ministério interior, sobrenatural do Espírito Santo trabalham juntos, e o Espírito Santo iluminando a Palavra para o povo de Deus. A Palavra sem a iluminação do Espírito Santo mantém-se como um livro fechado. A suposta condução do Espírito sem a Palavra leva a erros excessos. Os Reformadores também insistiam sobre o direito de os crentes estudarem as Escrituras por si mesmos. Ainda que não negando o valor de mestres capacitados, eles compreenderam que a clareza das Escrituras em assuntos essenciais para a salvação torna a Bíblia propriedade de todo crente. Com esse direito de acesso, sempre vem a responsabilidade sobre a interpretação cuidadosa e precisa.

2. A Soberania de Deus

Para a maioria dos reformadores, o principal e o mais distinto artigo do credo é a soberania de Deus. Soberania significa governo, e a soberania de Deus significa que Deus governa sua criação com absoluto poder e autoridade. Ele determina o que vai acontecer, e acontece. Deus não fica alarmado, frustrado ou derrotado pelas circunstâncias, pelo pecado ou pela rebeldia de suas criaturas.

3. As Doutrinas da Graça

A Teologia Reformada enfatiza as doutrinas da graça.

Depravação Total: Isso não quer dizer que todas as pessoas são tão más quanto elas poderiam ser. Significa, antes, que todos os seres humanos são afetados pelo pecado em todo campo do pensamento e da conduta, de forma que nada do que vem de alguém, separado da graça regeneradora de Deus, pode agradá-lo. À medida que nosso relacionamento com Deus é afetado, nós somos tão destruídos pelo pecado, que ninguém consegue entender adequadamente Deus ou os caminhos de Deus. Tampouco somos nós que buscamos Deus, e, sim, é ele quem primeiramente age dentro de nós para levar-nos a agir assim.

Eleição Incondicional: Uma ênfase na eleição incomoda muitas pessoas, mas o problema que as preocupa não é realmente a eleição; diz respeito à depravação. Se os pecadores são tão desamparados em sua depravação, como a Bíblia diz que são, incapazes de conhecer a Deus e relutantes em buscá-lO, então, o único meio pelo qual eles podem ser salvos é quando Deus toma a iniciativa de mudá-los e salvá-los. É isso que significa eleição. É Deus escolhendo salvar aqueles que, sem sua soberana escolha e subseqüente ação, certamente pereceriam.

Expiação Limitada: O nome é, potencialmente, enganoso, pois ele parece sugerir que os reformadores desejam de alguma forma limitar o valor da morte de Cristo. Não é o caso. O valor da morte de Cristo é infinito. A questão é saber qual é o propósito da morte de Cristo e o que ele realizou com ela. Cristo pretendia fazer da salvação algo não mais que possível? Ou ele realmente salvou aqueles por quem morreu? A Teologia Reformada acentua que Jesus realmente fez a propiciação pelos pecados daqueles a quem o Pai escolhera. Ele realmente aplacou a ira de Deus para com seu povo, assumindo a culpa sobre si mesmo, redimindo-os verdadeiramente e reconciliando verdadeiramente aquelas pessoas específicas com Deus. Um nome melhor para expiação “limitada” seria redenção “particular” ou “específica”.

Graça Irresistível: Abandonados em nós mesmos, nós resistimos à graça de Deus. Mas, quando Deus age em nosso coração, regenerando-nos e criando uma vontade renovada, então, o que antes era indesejável torna-se altamente desejável, e voltamo-nos para Jesus da mesma forma como antes fugíamos dele. Pecadores arruinados resistem à graça de Deus, mas a sua graça regeneradora é efetiva. Ela supera o pecado e realiza os desígnios de Deus.

Perseverança dos Santos: Um nome melhor seria “perseverança de Deus para com os santos”, mas ambas as idéias estão realmente juntas. Deus persevera conosco, protegendo-nos de deixar a fé, que certamente aconteceria se ele não estivesse conosco. Mas, porque ele persevera, nós também perseveramos. Na realidade, perseverança é a prova definitiva de eleição.

4. Mandato Cultural

A Teologia Reformada também enfatiza o mandato cultural ou a obrigação de os cristãos viverem ativamente em sociedade e de trabalharem para a transformação do mundo e suas culturas. Os reformadores tiveram várias perspectivas nessa área, dependendo da extensão como acreditam que a transformação seja possível. Mas, no geral, concordam com duas coisas. Primeira, nós somos chamados para estar no mundo e não para nos afastarmos dele. Isso separa os reformadores crentes do monasticismo. Segunda, nós devemos alimentar os famintos, vestir os despidos e visitar os prisioneiros. Mas as principais necessidades das pessoas são espirituais, e a obra social não é substituto adequado para a evangelização. Na verdade, o empenho em ajudar as pessoas só será verdadeiramente eficiente se seu coração e mente forem transformados pelo Evangelho. Isso separa os crentes reformados do simples humanitarismo.

Tem-se alegado que, para a Teologia Reformada, qualquer pessoa que crê e faça parte da linha reformada perderá toda a motivação para a evangelização. “Se Deus vai agir, por que devo me preocupar?” Mas não é assim que funciona. É porque Deus executa a obra que nós podemos Ter coragem de nos unirmos a ele, da forma como ele nos ordena a agir. Nós agimos assim alegremente, sabendo que nossos esforços jamais serão em vão.

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Há uma exploração da fé - Entrevista do Rev. Hernandes ao Jornal A Gazeta

A pregação em muitas igrejas evangélicas está voltada para milagres e curas, distante dos princípios cristãos, diz pastor

Por Vilmara Fernandes



O pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, Hernandes Dias Lopes, é taxativo: o protestantismo no Brasil precisa passar por uma nova reforma. Na avaliação dele, as igrejas evangélicas se desviaram da verdade e vêm utilizando as Escrituras Sagradas para interesses e conveniências pessoais.

Entre eles estariam os milagres, as curas, a prosperidade. "Hoje as pessoas se aproximam de Deus não pelo que Ele é, mas pelo que dá. Desejam o que funciona, o que dá certo, o que permite tirar proveito", pontua Lopes.

Parte dessas igrejas, destaca o pastor, é liderada por pessoas que ficam ricas ao explorarem a inocência dos fiéis. "A maioria sem nenhum preparo cultural e moral", diz Lopes. E quando a igreja se afasta dos princípios do Cristianismo, observa o líder dos presbiterianos, "a vida começa a ficar errada: aparecem as dificuldades, os problemas familiares, a depressão, as drogas". Para ele, o caminho para contornar essa exploração é vencer o analfabetismo bíblico. É conhecer a verdade na fonte, nas Escrituras Sagradas. "Quando falta o conhecimento, as pessoas caem na rede das maiores loucuras, das maiores heresias, dos enganos mais sutis da religiosidade", lembra Lopes.

Na próxima quinta-feira, o reverendo aumenta a lista de suas publicações - que já chegaram à casa dos 90 - com o lançamento de mais três livros. Um deles é de devocionais, reflexões práticas que ajudam a entender os textos bíblicos. Veja abaixo mais detalhes da entrevista concedida pelo pastor Hernandes durante suas férias nos Estados Unidos.

Na próxima quinta, o senhor lança um livro com reflexões práticas sobre a Bíblia.

São 52 devocionais, um para cada semana do ano. É uma forma de mostrar para o leitor as riquezas, a atualidade e a pertinência que a Bíblia tem para os nossos dias. Neles trato de assuntos variados: família, casamento, criação de filhos, depressão, ansiedade, igreja, sociedade, cultura.

O Brasil é um dos países onde mais se imprime bíblias, mas também é onde ela é menos lida.

É um paradoxo. Uma cultura de analfabetismo bíblico. E com isso muitos se tornam inocentes úteis nas mãos dos espertalhões, dos aproveitadores. A Bíblia diz: "O meu povo está sendo excluído porque me falta o conhecimento". Quando falta o conhecimento, as pessoas caem na rede das maiores loucuras, das maiores heresias, dos enganos mais sutis da religiosidade.

Há preconceito?

Há quem pense que se trate somente de um livro religioso e que sua leitura pode deixar a pessoa bitolada, o que é uma tolice. A Bíblia é um livro de cultura geral extraordinário e absolutamente prático. Nenhum livro produziu tanta transformação de vida, de caráter, de família, de pessoas, de sociedade, de cultura. Ninguém pode ser dizer culto sem ler a Bíblia. O triste é que até no meio evangélico há quem a utilize de forma mágica.

Como?

Abre a Bíblia a esmo, põe o dedo em um versículo e diz: "O que Deus esta falando comigo?" A Bíblia não é um livro mágico, mas lógico, racional. Quem assim age está lendo a Bíblia pelo avesso, de cabeça para baixo, não está entendendo nada.

O senhor também já fez críticas ao meio evangélico por não se saber orar.

Vivemos em uma cultura antropocêntrica ou humanista, onde a própria religiosidade coloca o homem no centro. Hoje as pessoas se aproximam de Deus não pelo que Ele é, mas pelo que dá. Desejam o que funciona, o que dá certo, o que permite tirar proveito. A pregação é a da prosperidade, dos milagres, para o fiel ficar rico. O que leva a uma exploração da fé.

Essa pregação é a marca do neopentecostalismo, responsável pelo surgimento de inúmeras pequenas igrejas evangélicas.

Que pipocam em vários lugares e que são lideradas por pastores que ficam ricos ao explorarem a inocência das pessoas. A maioria deles sem nenhum preparo cultural e moral, o que gera o descrédito na religião, na fé cristã, e com isso não podemos concordar.

Como evangelizar nesse meio?

O que precisamos no Brasil é de uma nova reforma religiosa. A própria igreja evangélica desviou-se da verdade. Uma verdade que está na Bíblia, que precisa ser estudada como ela é, e não como querem que ela seja. O problema é que a estão usando para interesses próprios, para as conveniências pessoais.

Quais?

Prosperidade, sucesso, milagres, curas. Ninguém quer pagar o preço de conhecer a verdade, de viver a ética. Querem algo enlatado, fast food. A igreja evangélica cresce muito, mas em detrimento da ética. A pessoa se diz cristã, mas o seu comportamento não muda, assim como a sua família e a maneira como lida com o dinheiro. Esquecem que o Cristianismo é transformação. Ele muda o caráter, a vida, a família, a sociedade, a política. Quantos políticos no Congresso Nacional se dizem evangélicos e, muitas vezes, estão à frente da corrupção, usando a fé para benefícios pessoais em vez de serem transformados por ela?

A Reforma Protestante veio de um racha com a Igreja Católica por problemas semelhantes.

A Reforma foi uma volta às Escrituras Sagradas, quando Martinho Lutero e os outros reformadores perceberam que a igreja estava seguindo práticas que não tinham amparo nas escrituras. Hoje as próprias igrejas evangélicas têm práticas contrárias à Bíblia, com enganos, mentiras, milagres a granel. Abrem-se igrejas como se abrem franquias de empresas. É completamente contrário ao que a Bíblia ensina.

Essa discussão está ligada à proposta de retorno à chamada igreja primitiva? O que isso significa?

É o retorno à igreja dos apóstolos, fiel à verdade, disposta a morrer pelo Evangelho, que não negociava a verdade, os princípios, que não vendia sua consciência por dinheiro. Nela os cristãos estavam prontos para morrer pelo Cristianismo.

Era também uma igreja marcada pela vivência em comunidade, bem diferente do individualismo presente na atual sociedade.

Como já disse, é um século humanista, com cada um por si e Deus para todos, onde não há princípios do Cristianismo. Quando se abandona a teologia, a ética se perde. Quando a igreja foge da verdade, a vida começa a ficar errada, aparecem as dificuldades.

Quais?

Problemas no casamento, com os filhos, depressão, ansiedade, uso de drogas. No momento em que a sociedade abandona a verdade, perde o rumo na vida moral.

Há algum movimento em prol dessa reforma?

Sim. Não diria que há um movimento articulado, mas as igrejas históricas estão preocupadas com essa situação.

O que o senhor diria para quem busca espiritualidade?

Que não se pode ter uma fé de segunda mão. A grande conquista da Reforma Protestante foi garantir a independência para buscar a Deus, para ler e entender as Escrituras Sagradas. Não é preciso interveniência de ninguém, não é preciso ser dependente de ninguém. A Bíblia diz: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Quem a conhece não se torna presa de lobos, não se torna inocente útil nas mãos dos aproveitadores.

Perfil

Vida.
Hernandes Dias Lopes é de Nova Venécia, Norte do Estado. Casado com Udemilta Pimentel Lopes, tem dois filhos: Thiago e Mariana

Cursos.
Estudou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, São Paulo, e fez doutorado em Ministério no Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos

Igreja.
Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista, em São Paulo, de 1982 a 1984 e, desde 1985, é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória

Atuação.
É conferencista e escritor, com mais de 90 livros publicados. Mantém um programa - Verdade e vida - nas manhãs de sábado, na Rede Vida. É diretor da instituição Luz para os Caminhos, em Campinhas, São Paulo

Contatos.
Teólogo respeitado no meio cristão, possuiu um site hernandesdiaslopes.com.br. Nele é possível encontrar seus sermões, livros, pastorais e vídeos sobre sua atuação

Confira!

Devocionais.
O livro contém 52 reflexões práticas sobre a Bíblia, abordando temas como depressão, família, dinheiro, espiritualidade, ansiedade e amizade. Traz ainda mapas e uma seção que ajuda o leitor a entender melhor questões como os pesos e medidas da época de Jesus. O texto é escrito com uma letra maior, o que pode facilitar a leitura. Lançado pela Editora Hagnos (www.hagnos.com.br), custa R$ 32,90

Outros.
No mesmo dia, o pastor Hernandes Dias Lopes lança outros dois livros: "As Súplicas do Mundo" e "Ouça o que espírito diz às igrejas", também da Editora Hagnos

Local.
O lançamento dos livros acontece na próxima quinta-feira, dia 20, às 16h, na Livraria Moriá, em Vila Velha

Fonte: A Gazeta

domingo, 16 de janeiro de 2011

Resumo dos quatro concílios ecumênicos da Igreja Primitiva

1. Nicéia, 325

Assunto: A Natureza de Cristo dentro da Trindade.

Personagens: Ário, de Alexandria; Alexandre, de Alexandria; Eusébio de Nicomédia.

Resolução: O imperador Constantino, chamou os bispos para Nicéia. Mais de 300 bispos se fizeram presentes. O credo oferecido por Eusébio de Cesaréia foi rejeitado. Escreveu-se o credo de Nicéia, com as declarações “gerado, não feito... consubstancial com o Pai (homo-úsios)”. Foram rejeitadas frases arianas, tais como “havia tempo quando ele não era”, e “feito do que não era”. Foram exilados os poucos que não aceitaram a fórmula nicena. A unidade eclesiástica foi o grande objetivo do imperador.

2. Constantinopola, 381

Assunto: O modo em que a humanidade e a divindade se relacionam em Jesus Cristo. Conflito entre a escola de Alexandria (alegorista) e a de Antioquia (literalista).

Personagens e Ensinos: Apolinário, bispo de Laodicéia na Síria... disse que Jesus teve corpo e alma humanos, mas que não teve espírito (mente) humano... no lugar do espírito (mente) humano estava o “Logos”. Deste jeito, Apolinário procurava destacar a unidade de Jesus e não a dualidade, pois “não existem dois Filhos de Deus” . Do outro lado, Damário, bispo de Roma, e Gregório de Nazianzo (um dos grandes capadócios) argumentaram que Deus salva o homem na sua totalidade... corpo, alma e espírito (mente). Na sua encarnação, Cristo juntou-se ao espírito humano para salvá-lo. Sem tal união, o espírito do homem não seria salvo. Deste jeito, destaca-se mais a dualidade de Cristo... espírito humano e espírito divino.

Resolução: Houve vários sínodos que se pronunciaram contra o apolinarismo, e este foi condenado, por fim, neste 2º concílio ecumênico em Constantinopola . Este concílio também re-afirmou as decisões de Nicéia contra o arianismo.

3. Éfeso, 421

Assunto: O modo em que a humanidade e a divindade de Jesus Cristo se relacionam... qual foi a maneira de Jesus Cristo vir ao mundo, e qual foi a sua natureza na encarnação. O termo mais controvertido foi “theótokos”, termo aplicado a Maria e significando “mãe de Deus/genitora de Deus”.

Personagens e Ensinos: Nestor e Anastácio de Constantinopola, Diodoro de Tarso, Teodoro de Mopsuéstia... ensinaram a plenitude da natureza humana em Cristo (como sempre foi o ensino da escola de Antioquia). Nestor, afirmou a presença em Cristo de duas pessoas, e não somente de duas naturezas. A união que existe entre a pessoa humana e a pessoa divina é uma conjugação ou “união moral”,. Do outro ladi, Cirilo de Alexandria, com o apoio de Celestino I, bispo de Roma. Eles argumentaram que simples união moral entre Deus e um ser humano não pode nos salvar.

Cirilo, era ciumento e tinha ambição inescrupulosa, querendo abalar os patriarcados de Antioquia e Constantinopola.

Resolução: Concílio ecumênico, convocado pelo imperador. Concílio aconteceu em circunstâncias de confusão. Em junho, sessão liderada por Cirilo, e dominada pelos bispos do Egito, condenou e depôs a Nestor. Em julho, João de Antioquia com seus seguidores (todos chegados atrasados) condenaram e depuseram Cirilo e seus seguidores. Em agosto, os legados papais (também chegados atrasados) juntaram-se a Cirilo e seus bispos, e declararam deposto não somente Nestor mas também a João. Ao mesmo tempo condenaram o pegianismo. Mais tarde Cirilo e João fizeram um acordo, mas Nestor não foi convidado a participar e ficou exilado até a morte.

4. Calcedônia, 451

Assunto: A humanidade e a divindade de Cristo. A questão de uma natureza ou duas.

Personagens e ensinos: Da escola de Alexandria... Dióscoro, bispo de Alexandria. Êutico, abade em Constantinopola, mas partidário do falecido Cirilo de Alexandria; Crisápio, capelão do imperador em Constantinopola e político poderoso. Êutico, negou que Cristo existisse em duas naturezas depois da encarnação e que fosse “consubstancial conosco” (da mesma natureza que o homem) por causa da sua humanidade. Da escola de Antioquia... Flaviano, bispo de Constantinopola; Pulquéria, irmã do imperador, e Marciano, marido de Pulquéria... com o apoio de Leão, o Grande, bispo de Roma.

Resolução: Este concílio, foi convocado em substituição a um concílio realizado em Éfeso, em 449, que foi presidido por Dióscoro... Êutico foi reabilitado e Flaviano foi condenado. Dióscoro, recusou ler carta doutrinária de Leão (“O Tomo”). Flaviano, foi batido e pisado, e morreu poucos dias depois. Leão chamou o concílio de Éfeso de “conciliábulo de ladrões”. Depois da morte do imperador, Pulquéria e Marciano convorcaram este novo Concílio em Calcedônia, 451. Estiveram presentes 520 bispos. Condenaram a Êutico e a Dióscoro. O Tomo de Leão foi lido e aprovado com aclamação. A definição aceita foi a de existir: “duas naturezas em uma só pessoa”.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Quarto Mandamento

por


Solano Portela

O dia de descanso foi instituído por Deus e não pelo homem. O mandamento tem grande importância na Palavra de Deus. Bênçãos ocorreram, por sua guarda, e castigos severos, por sua quebra. Isso deveria provocar a nossa reflexão sobre a aplicação dos princípios bíblicos relacionados com o quarto mandamento nos dias atuais, discernindo, em paralelo, a mudança para o domingo, na era cristã. O povo de Deus sempre foi muito rebelde e desobediente com relação a essa determinação, e necessita convencimento da importância do mandamento, bem como entendimento da visão neo-testamentária, para a conseqüente modificação do seu comportamento atual.

O quarto mandamento fala de um dia de descanso e de adoração ao Senhor. Deus julgou essa questão tão importante que a inseriu em sua lei moral. O descanso requerido por Deus é uma prévia da redenção que ele assegurou para o seu povo (Dt 5.12-15). Os israelitas foram levados em cativeiro (Jr 17.19-27) por haver repetidamente desrespeitado este mandamento.

Gostaríamos de examinar as bases desse conceito de descanso e santificação e de ir até o Novo Testamento verificar como os cristãos primitivos guardavam o dia do Senhor.

Não podemos, simplesmente, ignorar esse mandamento. Como povo resgatado por Deus, temos a responsabilidade de discernir como aplicar essa diretriz divina nas nossas vidas e nas de nossas famílias. Por outro lado, nessa procura, não devemos buscar tais diretrizes nos detalhamentos das leis religiosas ou civis de Israel, que dizem respeito ao sábado. Essas leis eram temporais. Ao estudar o sábado, muitos têm se confundido com os preceitos da lei cerimonial e judicial e terminado com uma série de preceitos contemporâneos que se constituem apenas em um legalismo anacrônico, destrutivo e ditatorial. Devemos estudar este mandamento procurando discernir os princípios da lei moral de Deus. Com esse objetivo em mente, vamos realizar nosso estudo com a oração de que Deus seja glorificado em nossa vida e por nosso testemunho.

1. Um dia de descanso

Em nossas bíblias o quarto mandamento está redigido assim – "Lembra-te do dia de sábado para o santificar...". A palavra que foi traduzida "sábado", é a palavra hebraica shabat, que quer dizer descanso. É correto, portanto, entendermos o mandamento como "... lembra-te do dia de descanso para o santificar".

Esse "dia de descanso" era o sétimo dia no Antigo Testamento, ou seja, o nosso "sábado". No Novo Testamento, logo na igreja primitiva, vemos o dia de ressurreição de Cristo marcando o dia de adoração e descanso. Isso é: o domingo passa a ser o nosso "dia de descanso". Os apóstolos acataram esse dia como apropriado à celebração da vitória de Jesus sobre a morte (At 20.7; 1 Co 16.2; Ap 1.10). A igreja fiel tem entendido a questão da mesma maneira, ou seja: não é a especificação "do sétimo", que está envolvida no mandamento, mas o princípio do descanso e santificação.

Já enfatizamos que essa questão de um dia especial de descanso, de parada de nossas atividades diárias, de santificação ao Senhor, foi considerada tão importante por Deus que ele decidiu registrar esse requerimento em sua lei moral, nos dez mandamentos. Com certeza já ouvimos alguém dizer: "...não existe um dia especial, pois todo o dia é dia do Senhor...". Essa afirmação é, num certo sentido, verdadeira – tudo é do Senhor. Mas sempre tudo foi do Senhor, desde a criação e mesmo tudo sendo dele, ele definiu designar um dia separado e santificado. Dizer que todos os dias são do Senhor, como argumento para não separar um dia especial e específico, pode parecer um argumento piedoso e religioso, mas não esclarece a questão nem auxilia a Igreja de Cristo na aplicação contemporânea do mandamento. Na realidade, isso confunde bastante os crentes e transforma o quarto mandamento, que é uma proposição clara e objetiva e que integra a Lei Moral de Deus, em um conceito nebuloso e subjetivo, dependente da interpretação individual de cada pessoa.

Não devemos procurar modificar e "melhorar" aquilo que o próprio Deus especifica para o nosso benefício e crescimento. Deus coloca objetivamente – da mesma forma que ele nos indica a sua pessoa como o objeto correto de adoração; da mesma forma que ele nos leva a honrar os nossos pais; da mesma forma que ele nos ensina o erro de roubar, o erro de matar, o erro de adulterar – que é seu desejo que venhamos a separar para ele um dia específico, dos demais (Is 58.3).

2. Um dia santificado

Devemos notar que o requerimento é que nós nos lembremos do dia de descanso, para o santificarmos. Santificar significa separar para um fim específico. Isso quer dizer que além do descanso e parada de nossa rotina diária, Deus quer a dedicação desse dia para si. Nessa separação, o envolvimento de nossas pessoas em atividades de adoração, ensino e aprendizado da Palavra de Deus, é legítimo e desejável. A freqüência aos trabalhos da igreja e às atividades de culto, nesse dia, não é uma questão opcional, mas obrigatória aos servos de Deus. O Salmo 92, que é de adoração a Deus, tem o título em hebraico – "para o dia de descanso".

3. Uma instituição permanente

Uma expressão, do quarto mandamento, nos chama a atenção. É que ele inicia com "Lembra-te...". Isso significa que a questão do dia de descanso transcende a lei mosaica, isto é: a instituição estava em evidência antes da lei de Moisés. Semelhantemente, estando enraizado na lei moral, permanece, como princípio, na Nova Aliança. Vemos isso, por exemplo, no incidente bíblico da dádiva do Maná. Deus requerendo o descanso e cessação de trabalho durante a peregrinação no deserto, quando ele alimentava o seu povo com o Maná, antes da dádiva dos dez mandamentos. Estes seriam recebidos somente por Moisés no monte Sinai (veja, especificamente, Ex 16.29, 30).

4. Paulo faz um culto de louvor e adoração, no domingo, em Trôade

Paulo nos deixou, além das prescrições de suas cartas, um exemplo pessoal – reuniu-se com os crentes no domingo (At 20.6-12), na cidade de Trôade, na Ásia Menor. O versículo 6 diz que a permanência, naquele lugar, foi de apenas uma semana. Lucas, o narrador que estava com Paulo, registra, no v. 7: "... no primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão...". Ele nos deixa a nítida impressão de que aquela reunião não era esporádica, aleatória, mas sim a prática sistemática dos cristãos – reunião periódica no primeiro dia da semana, conjugada com a observância da santa ceia do Senhor. Estamos há apenas 15 a 20 anos da morte de Cristo, mas a guarda do domingo já estava enraizada no cristianismo.

Paulo pronunciou um longo discurso, naquela noite. À meia noite, um jovem, vencido pelo cansaço, adormece e cai de uma janela do terceiro andar, vindo a falecer (v. 9). Deus opera um milagre através de Paulo e o jovem volta à vida (v. 10). Paulo continuou pregando, naquele local até o alvorecer (v. 11).

5. O entendimento da Reforma sobre o dia de descanso

A Confissão de Fé de Westminster captura o entendimento da teologia reformada sobre o dia de descanso ordenado por Deus. Nela não encontramos desprezo pelas diretrizes divinas, nem uma visão diluída da lei de Deus, mas um intenso desejo de aplicar as diretrizes divinas às nossas situações. O quarto mandamento tem uma consideração semelhante aos demais registrados em Ex 20, todos aplicáveis aos nossos dias. Nas seções VII e VIII, do capítulo 21, sob o título – "Do Culto Religioso e do Domingo" lemos o seguinte:

Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também, em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último dia da semana; e desde a ressurreição de Cristo já foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado de domingo, ou Dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.

Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus empregos seculares e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.

6. O Quarto Mandamento Hoje – Qual o nosso conceito do domingo?

É necessário que tenhamos a convicção de que o chamado à adoração, o desejo de estar cultuando ao Senhor, e o descansar de nossas atividades diárias, por intermédio de um envolvimento com as atividades da igreja, encontra base e respaldo bíblico. É mais do que uma questão de costumes, do que uma posição opcional. É algo tão importante que faz parte da lei moral de Deus.

Normalmente nos perdemos em discussões inúteis sobre detalhes, procurando prescrever a outros uma postura de guarda do quarto mandamento conforme nossas convicções, ou falta delas. Assumimos uma atitude condenatória, procurando impor regras detalhadas e, muitas vezes, seguindo restrições da lei cerimonial, em vez do espírito da lei moral. Antes de nos perdermos no debate dos detalhes, estamos nos aprofundando no princípio? Temos a postura de tornar realmente o domingo um dia diferente, santificado, dedicado ao Senhor e à nossa restauração física?

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Apêndice: Qual o dia de descanso – sábado ou domingo?

Sempre que estudamos o quarto mandamento surge a pergunta: quem está certo? São os Adventistas, que indicam o sábado como o dia que ainda deveríamos estar observando, ou a teologia da Reforma, apresentada na Confissão de Fé de Westminster, e em outras confissões, que encontra aprovação bíblica e histórica para a guarda do domingo? Alguns pontos podem nos ajudar a esclarecer a questão:

1. Os pontos centrais de cumprimento ao quarto mandamento são: o descanso, a questão da separação de um dia para Deus, e a sistematização, ou repetibilidade desse dia. O dia, em si, é uma questão temporal, principalmente por que depois de tantas e sucessivas modificações no calendário é impossível qualquer seita ou religião afirmar categoricamente que estamos observando exatamente o sétimo dia. Nós usamos o calendário Gregoriano, feito no século 16. Os judeus atuais usam o calendário ortodoxo, estabelecido no terceiro século, e assim por diante.

2. Os principais eventos da era cristã ocorreram no domingo:

• Jesus ressuscitou (Jo 20.1)

• Jesus apareceu aos dez discípulos (Jo 20.19)

• Jesus apareceu aos onze discípulos (Jo 20.26)

• O Espírito Santo desceu no dia de pentecostes, que era um domingo (Lv 23.15, 16 – o dia imediato ao sábado), e nesse mesmo domingo o primeiro sermão sobre a morte e ressurreição de Cristo foi pregado por Pedro (At 2.14) com 3000 novos convertidos.

• Em Trôade os crentes se juntaram para adorar (At 20.7).

• Paulo instruiu aos crentes para trazerem as suas contribuições (1 Cr 16.2).

• Jesus apareceu e João, em Patmos (Ap 1.10).

3. Os escritos da igreja primitiva, desde a Epístola de Barnabé (ano 100 d.C.) até o historiador Eusébio (ano 324 d.C.) confirmam que a Igreja Cristã, inicialmente formada por Judeus e Gentios, guardavam conjuntamente o sábado e o domingo. Essa prática foi gradativamente mudando para a guarda específica do domingo, na medida em que se entendia que o domingo era dia de descanso apropriado, em substituição ao sábado. Semelhantemente, a circuncisão e o batismo foram conjuntamente inicialmente observados, existindo, depois, a preservação somente do batismo, na Igreja Cristã. O domingo não foi estabelecido pelo imperador Constantino, no 4º século, como afirmam os adventistas. Constantino apenas formalizou aquilo que já era a prática da igreja.

4. Cl 2.16-17 mostra que o aspecto do sétimo dia era uma sombra do que haveria de vir, não devendo ser ponto de julgamento de um cristão sobre outro.

Para um estudo mais detalhado do assunto, sugerimos o livro de J. K. VanBaalen, O Caos das Seitas.

Fonte: Monergismo

domingo, 2 de janeiro de 2011

Os presbiterianos nas redes sociais

Por Rev. Francisco Macena da Costa.


Nos últimos anos, tenho observado com atenção a dinâmica interativa dos presbiterianos nas redes sociais. Algumas das minhas impressões já foram publicadas, e tiveram uma relativa repercussão, por parte dos interessados no fenômeno relacionado à participação dos presbiterianos nas redes sociais.

Hoje, a realidade da participação virtual dos presbiterianos no Orkut, reflete outros desafios e requer outras demandas. Em pouco mais de um ano houve uma verdadeira redescoberta do poder das redes sociais, ao mesmo tempo em que se concretizou uma espécie de “desgaste” no antigo padrão interativo que cerceava a dinâmica dos presbiterianos no Orkut. Para que haja uma melhor compreensão dos fatos, irei destacar alguns pontos que considero cruciais para entender o novo momento dos presbiterianos nas redes sociais.

A consolidação das mídias sociais.

Primeiramente quero destacar o papel das mídias sociais no universo da comunicação em nosso país. De modo inequívoco, o último pleito mostrou a capacidade de instrumentalização das redes sociais no processo eficiente de formação de opinião e expansão da informação. Existe uma grande praça virtual, onde as pessoas se encontram para dizer algo e essa forma de relacionamento veio para ficar.

No Brasil, além do Orkut, temos a possibilidade de interagir através do Facebook, Twuitter, Myspace e tantos outros sites de relacionamentos que já marcam presença em vários dispositivos móveis que cada vez mais, fazem parte do cotidiano das pessoas. O crescimento das redes sociais e seu uso dinâmico indicam um caminho sem volta onde os relacionamentos se desprendem em certo sentido das amarras de tempo e espaço, favorecendo a rapidez, a agilidade, a qualidade da informação e a competência linguística.

Apesar dessa universalização do saber, se revestir de um manto impessoal, ainda assim, as redes sociais conseguem preservar uma lâmina da condição humana traduzida em palavras que expressam ansiedades, paixões, recalques, doçura, amargura e afeto. A digitalização do saber e da informação não teve o poder de des-humanizar os usuários, pelo contrário, o que se vê nas redes sociais é apenas o retrato digital da condição humana em toda a sua precariedade e ambigüidades.

Considerando que as redes sociais foram incorporadas ao cotidiano das pessoas e que esse processo é irreversível, cabe às instituições históricas incrementar formas planejadas do uso estratégico das redes sociais. Através das redes as igrejas históricas no Brasil terão uma grande possibilidade de interagir, dialogar e fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas. Contudo, para que de fato haja um encontro das instituições com o público das redes sociais é preciso contar com a qualidade e o engajamento na cultura virtual. Efetivamente não basta apenas criar uma comunidade ou um perfil, antes é necessário investir em tempo, recursos, qualificação, conteúdo e qualidade da informação.
As redes sociais não podem mais ser julgadas como uma febre. Elas não devem ser descartadas em nome de instrumentos arcaicos bancaristas. As redes sociais vieram para ficar e certamente serão mais bem aproveitadas quando as instituições despertarem no tocante ao poder exponencial das redes no processo de multiplicação e construção do saber através da virtualidade.

A criação da comunidade oficial da IPB.

Depois de um longo tempo sem participação oficial a IPB finalmente em 2010 abraçou as mídias sociais como ferramenta de comunicação. O simples fato de criar um perfil nas redes sociais, em especial no Orkut, trouxe um impacto relevante no contexto das mídias sociais que apresentavam seus sítios relacionais com uso e a logo marca da IPB, ainda que as mesmas não fossem sequer geridas por oficiais da IPB. Antes da criação de uma comunidade oficial, várias comunidades usavam a marca da igreja para patrocinar fóruns de debates onde algumas particularidades construíram um fenômeno virtual interessante.

A título de exemplo, uma comunidade em específico é usada por alguns membros para divulgar com maior veemência o ecumenismo, a ordenação de mulheres, a defesa da maçonaria como livre associação, a mecânica da alta liturgia, os ideais comunistas, as premissas do liberalismo teológico, as tendências da teologia protestante do séc. XX e até o viés contemporâneo de teologia inclusiva, fazendo uso indistinto da liberdade de pensamento como principal lente hermenêutica.
No outro extremo, existe outra comunidade que mais parece com um partido conservador de direita onde qualquer forma de pensamento alheio ao conservadorismo “julio-severiano” é de pronto repelida por alguns membros como se fosse a própria encarnação do demônio.

Como vivemos num estado democrático de direito, acima de tudo todos tem direito a liberdade de expressão, por isso, não estou defendendo ou constrangendo os que pensam diferente ao silêncio e a censura. Estou apenas constatando que dependendo do sítio virtual que você venha conhecer nas redes sociais, irá de pronto perceber que existem influencias majoritárias em cada comunidade que não representam as convicções da IPB, ainda que as mesmas comunidades utilizem a marca oficial da igreja.

Embora essas comunidades, no ano de 2010, nem de longe espelhem o entusiasmo que as moviam entre 2006-2009, penso que a criação da comunidade oficial serviu para purgar o uso não-oficial da marca de nossa IPB nas redes sociais.

O fato é que existem hoje comunidades oficiais da IPB nas mais diversas mídias digitais que estruturam o universo virtual dos internautas. Antes de qualquer coisa os presbiterianos possuem agora, uma comunidade gerida pelos oficiais da IPB e que prezam pela manutenção da ordem, da ética cristã e pelo respeito as Sagradas Escrituras e símbolos de fé da IPB.

O novo espaço virtual criado em 2010, já passou por grandes desafios, logo em seu nascedouro participantes oriundos de outros sítios virtuais testaram a moderação da comunidade no tocante à manutenção da ordem e da decência que favorecesse um ambiente de debates, informação e interatividade. Ainda que de forma tensa, essa etapa de construção da moderação foi superada e a comunidade hoje possui um código regulador simples que pune a des-ordem e promove o debate livre e cortez. Destaco essa atividade moderadora como fundamental tendo em vista que a qualidade de uma comunidade depende da qualidade da moderação. Esquemas a-narquistas ou de auto moderação na prática não preservam o debate puro e criam uma dinâmica inútil em torno de polêmicas superficiais.

Com o crescimento da cultura virtual em nosso país e com o maior acesso dos presbiterianos as redes sociais, creio que a invenção da comunidade oficial da IPB foi o grande evento dos últimos anos no cenário virtual dos presbiterianos brasileiros. Quando muitos pensavam ser impossível a apresentação midiática da IPB, a comunidade surgiu, trazendo a esperança de representar o verdadeiro simbolismo da tradição reformada brasileira ostentada pela IPB nesses 151 anos de implantação no Brasil.

Os desafios na cultura virtual.

Ainda precisamos de tempo para discernir com maior clareza toda a dinâmica que envolve a engenharia dos recursos de comunicação que promanam das redes sociais. Tempos atrás, apenas os doutores da igreja que ocupam cátedras nos centros de formação acadêmica dispunham do ônus docente em nossa denominação, mas com o advento das redes sociais anônimos se ergueram como editores profícuos para os leitores assíduos das mídias virtuais, provendo uma resposta rápida para os seus questionamentos, dúvidas e conflitos.

Evidentemente que não estou aqui desprestigiando os centros de formação teológica de nossa denominação e nem o mérito e a qualidade de nossos doutores, apenas estou constatando o fato de que através das redes sociais anônimos se tornaram docentes de numa cultura virtual, formando opiniões e gerando um campo relativamente sólido de influência. Esses anônimos dos ambientes tradicionais de ensino são na virtualidade personalidades prestigiadas pela lisura, coerência, inteligência e rapidez de raciocínio que são virtudes prementes nas redes sociais.

Penso que o passo posterior à criação da comunidade oficial nas redes sociais, depende de um avanço no sentido de encarar o diálogo virtual como um ministério da Igreja a fim de promover edificação no corpo de Cristo. Certamente nossa denominação colherá frutos promissores se uma equipe for efetivamente formada no intuito de promover ensaios teológicos de qualidade, tirar dúvidas on-line, promover o debate de temas pertinentes de nossa realidade. É evidente que nossos ministros e doutores possuem ocupações e compromissos, mas creio que não lhes será pesado dedicarem alguns minutos para atender a multidão que consulta todos os dias as redes sociais.

Espero que a APECOM esteja sensível aos novos valores que regulam os processos de construção dos saber e da informação em nossos dias. Igualmente anseio que seja dada a devida continuidade no tocante ao projeto da comunidade oficial da IPB nas redes sociais e que a participação e gestão dos fóruns sejam encaradas antes de tudo como um ministério urgente que seja usado como instrumento para a glória do Senhor. Com esperança aguardamos uma nova dinâmica para os presbiterianos em 2011.

No amor daquele que realiza em nós tanto o querer como o realizar,


Rev. Francisco Macena da Costa.
Moderador da comunidade oficial da IPB no Orkut.
Cambeba, 1 de janeiro de 2011.
Fortaleza-CE

Fonte: Fides Quaerens Intellectum