rss
email
twitter
facebook

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Experiências Espirituais

Nosso contexto mundial de tanta pressão psicológica, tantos problemas econômicos, tantas doenças de toda ordem, que se agravam ainda mais com os meios de comunicação despejando sobre as massas humanas informações detalhadas sobre tudo o que acontece no universo, tem gerado um anseio quase incontido entre o povo religioso e, especialmente entre o povo evangélico, por experiências espetaculares com Deus.

Por todos os lados, surgem líderes movimentando as massas humanas e apelando para milagres, maravilhas e prodígios. Principalmente entre os grupos modernamente chamados "carismáticos", o dom de línguas, doutrina mal interpretada por uma grande maioria, é buscado com ansiedade. E nesse contexto de confusão, muitas das nossas igrejas Batistas estão sendo divididas e, em alguns casos, diluídas aos poucos.

Complexidade Do Assunto: "Experiência"
A natureza humana é passível de experiências, envolvendo os campos: neurológico (doenças e/ou disfunções cerebrais), fantasias mentais cridas como reais, e desajuste/perturbação emocional e mental capaz de criar um universo de experiências ilusórias, mas tidas pelo portador com reais.
Grande número de pessoas, principalmente entre nós, os brasileiros, tem muitos problemas de saúde.
- Partos mal feitos, subnutrição desde a infância, problemas hereditários de alcoolismo e outros fatos da área de saúde, fazem do nosso povo gente facilmente tangível e sugestionável.
Médicos neurologistas afirmam que grande parte da nossa gente hoje em dia é portadora de disritmia cerebral. Toda essa gente, quando emocionalmente excitada por manipulação de certas reuniões, pode sofrer certas "experiências", que poderão chegar até ao êxtase.

O Dr. Hélio Hiller, renomado médico neurologista em Araçatuba, São Paulo, professor universitário, convertido . ... estudou as experiências religiosas ou "pseudo-religiosas", analisando-as à luz da Bíblia e da neurologia.

Visões criadas por anomalias mentais. Uma experiência muito explorada pelos espíritas é aquela em que a pessoa está num lugar e, de repente tem a impressão de que já estivera ali antes. A neurologia explica isto como se o cérebro registrasse o fato de ver o lugar em duplicata, como se fosse uma foto batida em cima da outra. É uma anomalia, e há medicamento para curar este tipo de problema; não tem nada a ver com o campo espiritual.

Experiências sobrenaturais produzidas por disfunção cerebral - Relata ainda o referido médico que tumores no cérebro podem ocasionar experiências parecidas com experiências espirituais.

Experiências sobrenaturais produzidas por auto-sugestão - ... está provado que podemos ser auto-sugestionados. Se admitirmos em nossa mente que devemos e queremos ter certa experiência que alguém nos sugeriu ou que lemos em livros, isto acabará acontecendo conosco.

- A experiência do Rei Saul com a pitonisa de En-Dor, registrada em 1 Samuel 28. - Saul, querendo desesperadamente obter a resposta de Samuel, simulou tudo aquilo para ele mesmo, jogando com dados existentes no seu subconsciente - foi um fenômeno meramente mental (1 Sm. 18.20-25).

- Esse tipo de experiência poderá acontecer com milhares de crentes que estão ouvindo a todo o momento, por todos os meios de comunicação, dos lábios enganadores de pregadores inflamados, que eles precisam ver a glória de Deus; que precisam ver cair fogo do céu; que precisam falar "línguas estranhas" para comprovarem que receberam o "batismo no Espírito Santo". E, dependendo da pessoa e de sua estrutura emocional, isso vai acontecer.

Será que isto tudo vem de Deus?
Bem, a prova de que não é de Deus, é que tais experiências geram confusão, divisão e insatisfação em muitos crentes.

As denominações chamadas "carismáticas" se multiplicam dia a dia. Há, entre líderes destes movimentos, verdadeira competição para ver quem tem mais poder, mais gente nas suas igrejas e mais dinheiro para comprar grandes propriedades.

O apóstolo Paulo diz que "virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas..." (2 Tim. 4.3-4).

- A expressão "sã doutrina" refere-se à doutrina que procede de pessoa sadia. "Comichão nos ouvidos", refere-se à insatisfação. Este é, portanto o nosso tempo difícil. E é curioso que a doutrina regula a experiência.

- É por isso que a Bíblia fala muito da importância da doutrina. Por outro lado, quando a experiência começa a regular e a produzir doutrinas, aí saímos dos princípios da Bíblia.


Princípios Bíblicos De Experiências Com Deus
1. Na maioria dos casos, as pessoas que tiveram experiências especiais com deus, não às estavam pedindo ou buscando.
No Velho Testamento
Moisés, por exemplo, quando viu a sarça ardente no Monte Horebe, (Êxodo 3.1-22).
Jacó, diante de situação difícil, foi orar a Deus para resolver o seu problema, mas não estava pedindo nada semelhante à experiência que teve: a de lutar com o próprio Deus e ter até seu nervo da perna tocado pelo Senhor (Gen. 32.22-32).
Ezequiel, que teve aquelas experiências fabulosas relatadas no seu livro, igualmente, havia ido orar, quando as teve. Ele não tinha nada igual na sua mente antes (Ez. 1).
Da mesma maneira podemos pensar de Daniel, Isaías, Jeremias.
As exceções foram os casos de Gideão e Elias - nota-se que ambos pediram um sinal, já dentro de um seguimento de outras experiências e um contexto de exceção e não de regra. Mas em geral, vamos ver que os homens de Deus que tiveram certas experiências espetaculares, não as estavam pedindo, muito menos com modelos prévios em suas mentes.

No Novo Testamento.
No dia de Pentecostes, os discípulos não foram orientados a pedir o Espírito Santo, mas simplesmente a ficar em Jerusalém e esperar (Luc. 24.49).

Pedro - Quando foi orar no terraço da casa de Simão, o curtidor, ele não fazia nenhuma idéia de que iria ter uma visão de um lençol com animais de toda a espécie (Atos 10.9-17); Quando foi libertado da prisão por um Anjo (Atos 12.3-17),

Paulo e Silas, no cárcere de Filipos simplesmente cantavam hinos e oravam, quando Deus mandou um terremoto (Atos 16.23-34);

João, na Ilha de Pátmos, estaria louvando e adorando a Deus no dia do Senhor (domingo - Apoc. 1.9-10). De repente, Deus lhe deu a esplêndida experiência que deu origem à mensagem que temos no Apocalipse.

O Erro dos Líderes do Movimento Carismático

Incutem na mente do povo sofrido dos nossos dias a idéia de que devem pedir o Espírito Santo; que devem falar "línguas estranhas" e a buscar sinais maravilhosos.

Constantemente ouvimos de pessoas quase alucinadas em noitadas de jejum e oração. Elas estão pedindo a Deus que mande fogo do Céu, ou que lhe dê pelo menos um dente de ouro.


2. Uma segunda característica das experiências com Deus, é que nenhuma delas obedecia a um padrão, a um modelo único.
Cada uma delas acontecia de uma maneira, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

- ... chamada de Abraão não foi como a de Moisés. A de Isaías não foi como a de Jeremias, de Ezequiel, nem de Daniel.

No Novo Testamento, a coisa não é diferente.
Nas quatro manifestações históricas do Espírito Santo, não há duas experiências iguais.

- A vinda do Espírito Santo como cumprimento da promessa, foi de uma maneira única.




JERUSALÉM

Atos 2

SAMARIA

Atos 8.13-17

JUDEIA

Atos 10.44-46

DISCIPULOS DE ÉFESO - At 19.4-7

Destinados aos judeus

Destinados aos samaritanos

Destinados aos gentios

Destinados aos batizados por
João

Ação humana:

nenhuma

Sinais do Batismo do Espírito Santo:

Som (vento impetuoso);

Línguas de fogo (visíveis);

Falar em idioma não aprendido

Ação humana:

Imposição de mãos

Sinais do Batismo do Espírito Santo:

Não é mencionado nenhum sinal visível

Ação humana:

Pedro prega

De repente é dito que o Espírito Santo caiu sobre eles

Sinais do Batismo do Espírito Santo:

Falaram "Línguas”

Ação humana:

Imposição de mãos

Sinais do Batismo do Espírito Santo:

Falaram "Línguas”;

profetizaram





3 - Uma terceira característica das experiências com Deus, segundo a Bíblia, é que elas tinham uma finalidade no plano de Deus, e não visavam primeiramente o indivíduo que as experimentava.

No VT
Deus não deu a Moisés a experiência da sarça que ardia e não se consumia, só para satisfazer os caprichos do Seu servo. Antes, Deus tinha um propósito geral para o Seu povo no Egito.
Assim foram todas as outras experiências, como a de Gideão, Isaías, Jeremias, Daniel, e tantos outros.

No NT
A experiência inicial com o Espírito Santo em Atos 2, 8, 10 e 19 foi para demonstrar a todos, e não deixar dúvida, de que a promessa da vinda do Espírito Santo havia se cumprido, e incluía todos os que genuinamente cressem em Cristo, não só judeus, como também, samaritanos, gentios, e até aos batizados só batismo de João, depois não é mais registrada nem um sinal visível do Batismo do Espírito .

A experiência do dom de línguas, tinha apenas um propósito de falar por gente de outras línguas ao povo de Israel, conforme Isaías 28.11; 1 Cor. 14.21-22). - Este era o propósito. E, de acordo com as regulamentações dos "dons espirituais", que eram dados para o que fosse útil (1 Cor. 12.7), uma vez cumprida a profecia e afastada a sua utilidade, o dom cessaria.

4 - Um outro princípio sobre este assunto é que as experiências registradas pela Bíblia foram reais e não fruto de alucinação ou qualquer outro problema humano.
Moisés e a visão da sarça ardente - duas razões principais porque essa experiência foi real, por: a) Moisés, em toda a sua vida, evidenciou-se um homem mentalmente sadio. Com 120 anos de vida, o vigor não havia saído do seu rosto (Deut. 34.7). b) Por outro lado, as instruções dadas por Deus durante a visão, foram cabalmente cumpridas e registradas na Bíblia.
Saulo de Tarso no caminho de Damasco. A despeito de algumas diferenças pequenas nas três narrativas: Atos 9.1-18; 22.1-16 e 26.9-18, nota-se que a experiência não foi meramente mental ou subjetiva, porque: Os homens que estavam com ele viram a luz (22.9); Ouviram a voz que falava com ele; só não entenderam o significado das palavras, uma vez que se falava em Hebraico (Atos 9.7; 22.14); Todos caíram por terra juntamente com Paulo (22.14); Todos constataram que ele ficou cego durante algum tempo (9.8; 22.11).

Conclusão Sobre Experiências De Natureza Sobrenatural:
O que temos que fazer é deixar de procurar e buscar certas experiências e confiar ao Senhor a trajetória de nossas vidas. Na verdade, o crente vive pela fé: "Andamos por fé e não por vista", dizia Paulo (2 Cor. 5.7). E Jesus disse: "... Bem-aventurados os que não viram e creram" (João 20.29).

Fonte: Jornal Batista

Um comentário:

Marcelo Lemos disse...

Muito bom o artigo, Djalma. Precisamos sempre ter o ensino das Escrituras claro em nossas mentes. Eu também faço várias criticas ao movimento carismático - especialmente pentecoslismo - porém não perco de vista o mandamento bíblico para buscarmos a Plenitude do Espírito.

Recentemente escrevi um artigo sobre isso, caso queiram conferir:

Batismo Com Espírito Santo - Uma Análise Teológica!

Resumo:

1. O batismo não é uma segunda benção;
2. "Linguas" não são evidencia do batismo;
3. Mas podemos e devemos buscar os dons, a plenitude do Espírito;
4. Essa vida é marcada não por sinais, mas pelo fruto do Espírito.

Abraços Reformados