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sábado, 31 de janeiro de 2009

“Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos...”

Bem, queridos irmãos estamos mais uma vez aqui reunidos para estudarmos a fé histórica da Igreja. É curioso que o credo tem sido totalmente desconhecido das Igreja históricas, e consequentemente alguns pastores desconhecem o conteúdo teológico que este credo antigo da Igreja sumariza para nós. Isso é muito triste, pois, estamos vendo a nossa fé sendo esquecida, abandonada, todavia, estamos aqui querendo resgatar este precioso credo em nossas liturgias.
Então, vamos prosseguir em nossa exposição deste credo. Hoje nós iremos considerar o quarto artigo do credo que diz: “Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao hades...”
Olhe para estas palavras atentamente no credo. Nunca houve artigo tão mal compreendido neste credo como esse. É um artigo controverso para a cristandade moderna, pois, criaram uma doutrina que o credo não ensina – uma descida literal de Cristo ao inferno – e assim, descaracterizaram todo o ensino apostólico no credo, mas queira Deus que hoje possamos deixar claro o que de fato este artigo nos ensina.
Pois, bem, que tema poderíamos oferecer para explorarmos este artigo do credo? Penso que o tema mais adequado para este artigo seja:

O CREDO E A HUMILHAÇÃO DO NOSSO REDENTOR.

O credo nos ensina que Cristo veio ao mundo não para viver uma vida de felicidade, mas veio padecer. O estado de humilhação de Cristo consiste em seu nascimento sob a lei. Mas ele é o homem de dores e sabe o que é “padecer” conforme lemos em Isaías 53. Ele é o servo sofredor conforme fora profetizado pelo profeta messiânico.
Mas, algo me chama atenção neste credo ele diz que a doutrina cristã tem raiz na história. O sofrimento de Cristo foi histórico, o padecer de cristo encontrou lugar na história; isto significa que a mensagem cristã tem relevância neste mundo porque tem um pano de fundo histórico. Pois, somos informados aqui neste artigo que Cristo “padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos...” foi sob o governo de Pilatos que Cristo foi humilhado, foi diante de Pilatos que ele foi ridicularizado, desprezado e visto como o mais horrível criminoso, o governador pode ser facilmente identificado; pois em qualquer livro de história podemos ver que existiu um homem governador da Judéia chamado de Pilatos.

Há grandes verdades sob o termo “Padeceu” o que isto significa para nós? O que os crentes primitivos pensavam sobre esta expressão. Alguns tem sugerido que a expressão significa que esta expressão signifique o sofrimento de Cristo na cruz, mas prefiro entender que todo o sofrimento de Cristo está vinculado a sua existência neste mundo. Imaginem aquele que foi traído pelo seu povo, que rejeitou os seus afagos, que de fato “chorou”!
Ele padeceu a negação de Pedro, a fuga de todos os seus discípulos no monte da oração, ficou sozinho. “A vida Completa de Jesus é vivida nesta solidão, e, assim, já na sombra da cruz”. A vida de Cristo é marcada pelo sofrimento, pois, o “filho do homem deve subir a Jerusalém, lá deve ser condenado, torturado e crucificado – ressurgir novamente no terceiro dia. Mas primeiro dominante é este deve que o leva à morte”(BARTH, 2006, p.146).
O que há aqui? Há sofrimento. Isso nos mostra como Deus tem tratado com a questão do mal. Não figura tal perspectiva na criação – isto de principio – mas aqui no ato da encarnação do filho para salvar pecadores, no ato da humilhação de nosso redentor, é na descrição “da existência do Criador que se tornou criatura o mal aparece; aqui a distante morte se torna visível”( BARTH, idem.)
A grande verdade enunciada é que o Filho de Deus gerado pela obra do Espírito Santo e nascido da virgem Maria foi designado para sofrer em um momento específico na história dos homens. A pregação da Igreja é que o seu redentor sofreu profundas humilhações conforme nos mostra o evangelho. Estamos aqui porque Ele sofreu em nosso lugar, foi rejeitado e desprezado entre todos os homens – preferiram Barrabás ao invés de Cristo – amaram mais as trevas do que a própria luz. Isto quer dizer que ele:

Sofreu, ele deixou visível o que é a natureza do mal, da revolta do homem contra Deus. O que conhecemos do mal e do pecado? O que sabemos do que é chamado de sofrimento, ou o que significa a morte? Aqui conseguimos entendê-lo. Aqui aparece esta treva completa em sua realidade e verdade. Aqui as queixas são destacadas e punidas, aqui a relação entre Deus e o homem, é na verdade clarificada (BARTH, 2006, p.147).

Todo o sofrimento na raça humana não se iguala, se equipara ao sofrimento do Filho de Deus neste mundo. Não estamos autorizados a falar de sofrimento a menos que tenhamos compreendido o que sigifica que ele “padeceu”.
Diante dos homens era desprezado é o servo sofredor que vem ao mundo para resgatar os pecadores. O credo não ignora este fato profético que encontra significação na história da Igreja de Cristo. Mas ele não apenas padeceu, mas também foi “crucificado” o termo nos lembra a ignomínia da cruz. A Bíblia nos ensina que a maldição da aliança caiu sobre o nosso redentor. É exatamente isso que nos lembra o credo quando diz que o Cristo foi “crucificado”; não é isto que nos ensina o evangelho? Quando nos diz que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;”(Gálatas 3.13).
A cruz é o centro da fé cristã autêntica. E por quê? É o fato de que apenas a cruz é o instrumento para o cumprimento maior e sublime da obra redentora do Filho de Deus.
A crucificação de Cristo é ato soberano de Deus posto em evidência contra o pecado do homem. Quando o símbolo nos diz que foi crucificado se tem em mente que ele foi exilado da presença de Deus! Foi amaldiçoado, abandonado, não em termos somente de vida, mas da relação pactual com Deus naquele momento na cruz. Sua alma estava sendo rasgada. O que recaiu sobre Cristo era o que deveria estar sobre cada um de nós. Este é ponto aqui.
Mas o credo ainda diz que ele foi “...morto” o que a morte significa na concepção credal. Significa fim da existência. O fim da jornada da vida, assim como os homens foram ordenados a morrer uma única vez (Hb.9.27); de igual, modo Cristo morre uma única vez pelos pecadores. Ele de fato morreu. Sua vida chegou ao fim no dado momento da história

O credo continua nos informando que ele foi “...sepultado”, não existe algo mais humilhante na vida do homem que não seja ser baixado à sepultura; este é o momento mais humilhante da raça humana. Aqueles que foram criados para continuarem vivendo neste mundo são humilhados com o sepultamento; a morte chegará para cada um de nós aqui, e ainda assim, será humilhante. Cristo foi a sepulcro –e isto nos diz que a vida é transitória, que nada somos, pois, até o Rei de todo o Universo deitou na sepultura! Foi humilhado ao ser sepultado em uma rocha, o criador da terra sendo encerrado pela mesma em uma rocha como uma prisão para a vida, ou como um lembre de que todos os homens são passíveis de morte; e para mostrar ainda que o pecado gera a dor da partida neste mundo.
Todavia, o ponto mais controverso deste artigo do credo é a expressão “desceu ao hades;” o que esta expressão significa? Alguns tem apresentado uma doutrina de que se trata de uma descida literal de Cristo ao inferno. Com o propósito de:
1. evangelizar
2. demonstrar sua vitória.
3. Realizar a redenção.

Estas posições fogem da linha histórica e confessional. Podemos apelar para o fato de que a expressão era usada para descrever o “morto e supultado” antes do IX século. Era uma expressão usada pelo outra, mas o problema surgiu quando o “morto e sepultado” apareceu com o “desceu ao hades” o entendimento reformado é que esta expressão descrevem todo o sofrimento de separação de Deus enfrentado por Cristo na cruz, as angustias infernais, Calvino nos diz que:

Cristo tem sofrido em sua alma as dores de nossa maldição.
Neste sentido disse Pedro, que Cristo ressuscitou: “ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela.” Não somente se nomeia meramente a morte, mas que expressamente se disse que o Filho de Deus foi cercado pelas dores e angústias, que são fruto da maldição e a ira de Dios, a qual é o princípio e a origem da morte (CALVINO, Institución de la religión Cristiana, Liv. II cap. XVI, seç.11)

Para Calvino a descida de Cristo ao inferno consiste na maldição divina que caiu sobre Jesus na cruz. Embora alguns sugerem que este artigo refira-se a cristo ir libertar os mortos, o entendimento reformado não é este. Calvino ainda comentando este artigo do credo nos diz que

Outros o expõe de outra forma, e afirmam que Cristo desceu ao lugar onde estavam as almas dos patriarcas mortos antes da vinda de Cristo, para levar-lhes a boa-nova de sua redenção e libertá-los do cárcere que estavam trancafiados. Para ilustrar esta fantasia distorcem algumas passagens da Escritura, fazendo-as dizer o que eles querem; como a passagem do salmo: “Pois arrombou as portas de bronze e quebrou as trancas de ferro.”(Salmos 107.16). (CALVINO, ibid, seç.10).

Calvino chama esta abordagem de fantasiosa, pois, ignora a mensagem real das passagens citadas, todavia, a passagem mais comum usada para defender uma descida literal de Cristo ao inferno é 1 Pedro 3.19-20 :

“ No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; 20 Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água;”

O entendimento dessa passagem é que Cristo nos dias de Noé foi e pregou ao espíritos em prisão, ou seja, as almas que estavam escravisadas pelo pecado, e que foram rebeldes à mensagem de Noé, mas estes não estão sem desculpas, pois, a palavra profética de Noé comunicava de fato Cristo. Cristo experimentou as angústias do inferno na cruz. O mundo dos mortos ou a mansão dos mortos lhe foi manifestada.
Aplicação: Que aplicações podemos fazer deste estudo para nossa vida.

1. Que O cristo da cruz padeceu para termos liberdade.
2. Que o padecer de Cristo nos mostra a malignidade do pecado.
3. Que o seu sofrimento foi real e verdadeiro por causa de nossos pecados.
4. Que a descida ao inferno de Cristo refere-se a sua angústia na ausência de Deus na cruz; era cada um de nós que deveria sentir a ausência de Deus, mas ele sentiu isso em nosso lugar.

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Por Prof. João Ricardo Ferreira de França

2 comentários:

JULIANA disse...

Adoreei tudo isso ; Obrigada :DD

João Ricardo disse...

JULIANA É SEMPRE UM PRAZER AJUDAR A iGREJA DE DE CRIST, EM BREVE ESTAREI PUBLICANDO AS OUTRAS AULAS SOBRE O CREDO