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sábado, 26 de setembro de 2009

O que os pentecostais deveriam saber sobre línguas


O FALAR EM LÍNGUAS NO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS
Muito se tem feito em cultos pelo Brasil afora sob o pretexto de espiritualidade, e uma delas é o falar em línguas “estranhas”. Pentecostais dizem que tradicionais são frios e não tem experiência com Deus e estes dizem que aqueles estão equivocados quanto às suas experiências. Considerando que os protestantes afirmam desde o período da Reforma o princípio do SOLA SCRIPTURA, e que as experiências religiosas devem ser aferidas pela Palavra, pois até os espíritas e hindus tem experiências religiosas, então vamos analisar neste breve artigo a natureza das línguas faladas pelos cristãos segundo o texto neotestamentário, e depois observar se o que ocorre hoje é o mesmo fenômeno.
Pois bem, iniciemos com Atos dos apóstolos. Em At 2.1-11 podemos ver que o fenômeno produzido pelo Espírito Santo foi o falar nas línguas dos outros homens que haviam peregrinado até Jerusalém no Dia de Pentecostes para a adoração. Em At 2.8 encontramos: “e como os ouvimos falar em nossa própria língua (grego dialekto) materna?”. A palavra Gr. Dialekto, como já falado no artigo “e as línguas estranhas?”, é o que entendemos por dialeto no nosso bom português. Depois encontramos o v.11: “tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas (Gr. Glossais)...”. Já falamos também antes que a palavra Gr. Glossa é utilizada para idiomas humanos quando se refere ao ato de falar no Novo Testamento. Dessa forma, entende-se claramente que os discípulos naquele dia falaram em outros idiomas de um modo sobrenatural, pois eles não dominavam aquele saber. Eles não falaram “alabacanta alabaxéria”. Antes, glorificaram a Deus em “línguas idiomáticas”. Há quem pense que eles falaram em línguas ‘alabacânticas’ e os ouvintes miraculosamente entenderam a mensagem. Contudo, não devemos nos esquecer de que o Espírito havia descido sobre os discípulos e que a profecia de Joel 2.28,29 previa que os fenômenos se dariam sobre os agraciados.
Em seguida temos o texto de Atos 10.44,45, onde o Espírito Santo desce sobre os gentios e estes falam em línguas. Além da palavra língua ser a mesma que é utilizada noutros textos como idioma (Gr.glossa), o próprio Pedro diz aos crentes judeus que o fenômeno fora da mesma natureza que o do dia de Pentecostes, ou seja, eles também falaram IDIOMAS: “Quando... comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, COMO TAMBÉM SOBRE NÓS, no princípio”(Atos 11.15). Não aconteceu nada de diferente no que diz respeito à natureza das línguas. Há, por fim, o texto de At 19.1-6, onde aqueles discípulos dispersos de João Batista recebem a fé cristã e são novamente batizados, só que agora em nome de Jesus. Após a imposição de mãos de Paulo, eles recebem o Espírito e tanto falam em línguas (glossa) como profetizam (v.6). Lucas, como bom historiador que era, não deixaria de informar a Teófilo, o destinatário do manuscrito (At 1.1; Lc 1.3), caso as línguas aqui faladas fossem de natureza diferente das faladas em Atos 2 e 10. Por isso que simplesmente ele usa glossa , sem fazer nenhuma consideração. Portanto, não há dúvidas de que as línguas faladas na igreja apostólica foram idiomas humanos concedidos sobrenaturalmente pelo Espírito de Deus. Mas e as línguas de Corinto? Bem, abordaremos o texto de 1 Co 12-14 num outro artigo. Entretanto, se havia diferença entre as línguas da Igreja em Corinto e as relatadas nas passagens supracitadas (de Atos), creio que Lucas teria dado uma “escorregada” em não registrar isso, pois não se pode desconsiderar três coisas: primeiro, que antes de falar das línguas em Éfeso (At 19), Lucas registra que Paulo havia passado já pela cidade de Corinto (At 18.1,5-11) e pregado o Evangelho; segundo, há uma preocupação da parte de Lucas em relatar fielmente tudo o que diz respeito à história da igreja (At 1.1-8); terceiro, sabe-se que Lucas foi discípulo de Paulo, e que escreveu Atos por volta do ano 63 d.C., enquanto que o apóstolo já havia escrito 1 Co por volta do ano 55 d.C., ou seja, caso as línguas de Corinto registradas na carta de Paulo fossem diferentes das que Lucas ainda iria relatar em Atos, este certamente teria feito suas considerações quando falasse em Atos 18 da igreja em Corinto. SERIA UMA DISPLICÊNCIA SEM IGUAL OMITIR DETALHES ACERCA DE UM DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO! Assim, os crentes que hoje se dizem pentecostais, mas falam línguas diferentes das registradas em Atos, deveriam mudar a forma como se autodenominam, visto que os sons desconexos emitidos por eles quando alegam estar reproduzindo o dom nada tem a ver com os textos bíblicos analisados. No próximo artigo nos deteremos na primeira carta de Paulo aos coríntios.
Um forte abraço!


Anderson José Teixeira Cavalcanti de Barros.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Evangelismo e ministério



RESENHA
Frank de Melo Penha

BONAR, Horatius A. Um Recado para Ganhadores de Almas. São Paulo: Vida Nova, 2007, 64 pp.

Esta obra se reveste de caráter relevante para nós a começar pelo fato de ser uma das obras de caráter reformado-confessional na área de vida cristã-ministerial, para se ter uma idéia da relevância desta obra, deve-se atentar para o fato que está havendo um renascimento da preocupação com a pregação expositiva, doutrinária em nossos dias, livros com teologia sadia tem começado a encher as prateleiras das livrarias novamente, tem se escrito sobre a importância da boa instrução na fé, sobre a importância da fidelidade à Palavra e aos símbolos de fé, em outras palavras um ressurgimento de uma preocupação com uma ortodoxia cristã reformada, coisas excelentes, porém o livro em questão, irá tratar e nos dar um alerta ao fato de que podemos ser ortodoxos mas ainda sim frios na fé, distantes da vida com Deus, aliar ortodoxia à piedade este é o desafio do livro, este é o nosso desafio.
Sobre o Autor, o Rev. Horatius A. Bonar, foi ministro presbiteriano na Escócia, nascido em Edimburgo, no dia 19 de dezembro de 1808, e falecido em 31 de julho de 1889, compôs vários hinos e foi moderador da Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana em solo Escocês, grande pregador engajado na obra de evangelização, um verdadeiro “ganhador de almas”(pg.7).
O livro abarca as principais diretrizes que no ponto de vista do autor são essenciais a um ministério de sucesso e de conformidade com a vontade de Deus, começando ao chamar atenção para o que delineia como pastores “mornos”, que seriam aqueles que embora fossem ortodoxos na doutrina não colocam em prática uma vida de “zelo, fé e amor”. Em contraponto a isso Bonar cita o exemplo de Richard Baxter como estereótipo positivo para nós hoje, afirma que as pessoas ao ouvi-lo sentiam-se em contato com as “realidades infinitas”. (pgs.10,11)
Ao falar sobre o objetivo maior do ministério o Rev. Bonar lança uma advertência : “aplausos, fama, popularidade, honra e riquezas – tudo isso é vão. Se não se ganha vidas, se os santos não amadurecem, nosso ministério é um fracasso”. (pgs.12,13)
O leitor deve ser precavido ao ler isoladamente certos trechos do livro como: “Não a igreja, mas Cristo. Não a doutrina, mas Cristo. Não as cerimônias, mas Cristo” (pg.14). Alguns tomando apressadamente as palavras de Bonar poderiam pensar ser ele averso a Instituição Igreja, ou mesmo a doutrina ou ser descuidado com a liturgia...Nada mais longe da verdade! O que vemos é a sua preocupação pastoral em que tais zelos, sejam sacramentais, litúrgicos ou doutrinários viessem a nos desviar do objetivo maior, podemos perceber isso em dois aspectos principalmente; o primeiro é a profunda admiração e fonte de exemplo que Bonar tira da vida dos Puritanos Ingleses do Séc. XVII ao citar homens como John Owen, Richard Baxter, entre outros, homens estes que ”respiravam” Bíblia mas eram atentos aos seus deveres na vida pessoal e ministerial, em segundo lugar vemos o apego a sã doutrina de Deus contida na Palavra com seu alerta contra o escolasticismo protestante já em voga em seus dias ao afirmar: “devemos empunhar a verdade de Deus...contra as teorias do homem (orgulhosamente chamadas de opiniões)” (pg.15).
O Autor prossegue afirmando que “ser um verdadeiro pastor é ser um verdadeiro Cristão” discorrendo da importância dos exercícios devocionais no ministério, seja através da oração logo cedo, do culto familiar, da meditação na Palavra, pois “o cuidado com sua alma deve ser o primeiro e o maior que você deve ter “ (pg.18).
Interessante é a colocação do autor em admoestar aos pastores de não pensar no ministério apenas no sentido quantitativo, ou seja, quantos sermões eu preguei, quantos sacramentos ministrei, quantos batismo realizei, mas questionar-se se as vidas daqueles que foram batizados foram realmente libertadas do pecado, trasnformadas em novas criaturas (pg.25,26). Muitas vezes na opinião do autor podemos descansar na soberania de Deus, empregando jargões sobre “usar os meios e deixar os resultados para Deus”, para implicitamente escondermos nossas mazelas, falta de renúncia e outros pecados sobre um manto de uma verdade (pgs.29-31).
A parte sem dúvida mais impactante do livro de Bonar é sem hesitação quando ele descortina os pecados que atacam de forma específica o ministério pastoral e em última análise qualquer liderança cristã em atividade, quais sejam : tendência a auto-justificação (pg.35), ser amante mais dos prazeres deste mundo do que de Deus (pg.37), sermos por demais auto-confiantes (pg.38), sermos amargos com os oponentes ao invés de tentar ganhá-los (pg.39) e por último deixar de fazer um auto-exame, pois através dele refletimos o quanto somos ”infiéis”(pg.41), temos um padrão de vida mundano (pg.43) sendo assim, “egoístas, preguiçosos e frios na fé” (pgs.44-46), evitando afirmar a verdade quando ela é necessária (pg.46), ou mesmo pregando apenas para nos auto-promover (pg.47), deixando assim de usar os meios de graça ao nosso dispor através da pouca busca tanto da Palavra de Deus quanto do poder do Espírito (pgs.49-51), obviamente estes fatores citados acima levam Bonar a uma frase de profundo sentido: “Quão distantes estamos dos Apóstolos , e mais ainda de Cristo, caminhamos longe até dos servos, e mais ainda do Mestre” (pg.52).
O autor conclui seu livro dando alguns conselhos sobre o que é avivamento e os elementos que fazem parte de um verdadeiro avivamento bíblico, entre eles citamos a constância em imitar a Cristo, a prontidão ao trabalho, a meditação na Palavra e mais tempo a oração, o autor dá sugestões de como colocar estes elementos em prática (pgs.55,56), finalizando com uma exortação ao serviço cristão, tendo por base o versículo bíblico ao afirmar “devemos trabalhar enquanto é dia, a noite vem quando ninguém mais poderá trabalhar”.(pg.64)
Como dito anteriormente é um livro desafiador, aquele que se aventura em suas páginas deve ter a ciência que será perscrutado em suas intenções ministeriais, suas atitudes para consigo mesmo, para com a igreja e para com o Senhor, sem dúvida um livro de grande valia hoje para o contexto brasileiro do Século XXI mesmo tendo sido escrito no século XVIII, visto que as mesmas mazelas encontradas no livro de Bonar, são encontradas hoje em nosso país, em nossa cidade e até mesmo em nossas igrejas locais. Conselhos seguros e bíblicos em ultima analise é o que espera o leitor que ansioso encontrará neste pequeno livro pois certeza é, que colocadas em prática segundo a vontade de Deus, será um ganhador de almas, a começar pela sua própria.


Soli Deo Gloria

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

São As Igrejas Reformadas uma Nova Seita?


Talvez você tenha ouvido falar de uma igreja reformada. Esta igreja tem um ensino, um padrão de culto, governo, e um estilo de vida bem diferente de muitas igrejas que se chamam evangélicas.


Talvez alguém já tenha lhe falado: “Cuidado! É uma seita, uma seita nova”.

Se você não tiver medo da verdade, convido-o a ler um pouco sobre o que são verdadeiramente as Igrejas Reformadas. Depois de tomar melhor conhecimento dos fatos, você pode tomar uma decisão sobre a pergunta que é tema desta postagem.

A Grande Reforma Protestante (1517)

Nos quase 1500 anos entre a Igreja Primitiva e a reforma Protestante, a Igreja estava se desviando mais e mais da Pureza da doutrina e da adoração que a Bíblia ensina. A Igreja através dos séculos estava afundando mais e mais na superstição da igreja Romana. Mas Deus sempre manteve um remanescente fiel que conhecia o verdadeiro evangelho: Que Deus salva pecadores por pura graça, não por obras.

Na grande Reforma protestante, Deus usou homens como Martinho Lutero e João Calvino para reformar a Igreja. O intuito dos reformadores em especial João Calvino e seus sucessores, nunca foi estabelecer uma nova Igreja. Eles entenderam que estavam reformando a única Igreja de Cristo e trazendo-a de volta à doutrina e práticas das Escrituras.

As Igrejas Reformadas do Brasil são ligadas pela historia e pela confissão de fé apostólica com todas as igrejas Fiéis que voltaram à pura doutrina e à verdadeira adoração bíblica na Grande Reforma. A Grande Reforma redescobriu a ligação Bíblica com a igreja primitiva apostólica, e assim as Igrejas Reformadas têm uma linhagem que vai até os tempos apostólicos.

As Igrejas Reformadas no Brasil: Primeira Igreja evangélica no País (1555-1558)

Em 1555, iniciou-se a colônia Francesa na Baía de Guanabara, onde hoje se encontra a cidade do Rio de Janeiro. Em 1557, chegou um grupo de Cristão reformado, junto com vários pastores mandados pelo reformador João Calvino. Assim os primeiros cultos evangélicos no país foram celebrados no Rio de Janeiro, por uma Igreja Reformada francesa.

A Igreja Reformada da Baía de Guanabara: primeiros mártires brasileiros (1558).

Infelizmente os reformadores foram traídos e perseguidos pelos romanistas franceses, assim a Igreja Reformada foi dizimada. Os primeiros mártires brasileiros pelo evangelho do Senhor Jesus Cristo forma membros da Igreja Reformada. Antes de morrerem, eles escreveram a confissão de Guanabara – A primeira confissão de fé do novo mundo.

As Igrejas Reformadas do Nordeste: Primeira Igreja missionária do Pais (1630-1654).

Muitos conhecem o nome Mauricio de Nassau, que governou o Brasil holandês com uma tolerância e sabedoria muito adiantada para sua época. Poucos sabem que o Conde Nassau fazia parte da família real da Holanda. A família Nassau estava sob juramento de defender a fé
reformada e promover a tolerância religiosa e liberdade de consciência.

Durante anos que Pernambuco e uma grande parte do Nordeste ficaram debaixo do governo holandês, as Igrejas Reformadas embarcaram num projeto missionário impressionante. Dezenas de pastores e missionários pregaram a fé reformada em vários idiomas: inglês, francês, espanhol, holandês, português, e até em Tupi (Língua Indígenas).

O catecismo de Heidelberg, que ensina o caminho da salvação, foi traduzido em tupi. Muitas aldeias conheceram a graça de Deus em Jesus Cristo, e muitos indígenas se converteram ao Senhor. Você já ouviu falar do famoso índio Poty? Ele foi membro da Igreja Reformada.

As Igrejas Reformadas e a Tradução da Bíblia em português (Séc XVII e XVIII).

Convido a você a abrir sua bíblia nas primeiras páginas. A grande maioria das Bíblias usadas no Brasil faz uso da tradução de um tal de “João Ferreira de Almeida”. Quem foi este homem? Ele foi um dos primeiros portugueses a abraçar publicamente a fé reformada, em 1642. Mais tarde ele se tornou um pastor das Igrejas Reformadas numa região da Ásia onde se fala português, e iniciou o trabalho de traduzir a Bíblia para a língua portuguesa. A obra que se iniciou foi completada por outros pastores reformados no séc XVIII.

As Igrejas reformadas e a segunda Vinda da Igreja Evangélica para o Brasil (séc XIX).

No séc XIX, depois de muitos séculos, a igreja voltou para o Brasil. Foram os Presbiterianos e Congregacionais que trouxeram a Pregação reformada ao Brasil: Deus salva pecadores por pura graça não por obras. É importante observar que as igrejas Presbiterianas e Congregacionais originalmente foram herdeiras da Grande Reforma Protestante por meio de Genebra, que é o berço das Igrejas Reformadas.

As igrejas da reforma no continente da Europa costumam chamar-se “Igrejas Reformadas”, enquanto as igrejas da Grã Bretanha e nos Estados Unidos costumavam chamar-se de “Presbiteriana” ou “Congregacionais”.

As Igrejas Reformadas no Brasil (séc XX e XXI).

No decorrer do séc XX, várias Igrejas reformadas foram estabelecidas no Brasil por imigrantes vindo da Holanda. No ano de 1970 as Igrejas Reformadas do Canadá iniciaram trabalhos missionários em pequenas aldeias de pescadores entre Recife e Maceió, na mesma época, as Igrejas Reformadas holandesas iniciaram uma obra missionária no estado do Paraná. Hoje existem Igrejas Reformadas oriundas da Reforma Protestante continental em muitos estados e cidades do Brasil.

Qual sua Conclusão?

As Igrejas Reformadas vêm da Grande Reforma Protestante do séc XVI, e através desta reforma tem um ligação com a igreja primitiva apostólica. O primeiro culto evangélico no Brasil foi feito pela Igreja Reformada, já no séc XVI. Os primeiros mártires brasileiros forma membros da Igreja Reformada. A primeira confissão do novo mundo foram escritas, e desenvolvidas por membros da Igreja Reformada. A tradução da Bíblia em Português foi por um pastor reformado.

À luz deste fatos, o que você vai responder quando alguém, que faz parte de uma igreja que apareceu apenas a 100 anos atrás, lhe disser que as Igreja Reformadas são uma nova seita?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A ORAÇÃO NO ENSINO DE CALVINO.





Grupo de Estudos Bíblicos[1]
Tema das Aulas:
A Oração No Ensino de
Calvino[2]
Prof. João Ricardo Ferreira de França.*




Introdução:
Estamos vivendo uma época na qual os membros de nossas Igrejas tem negligenciado as nossas reuniões de orações; muitos desprezam a prática da oração na Igreja e consequentemente muitos a negligenciam em suas casas. E vendo isso ocorrer nos empreendemos em uma luta pelo resgate da prática da oração na vida das Igrejas Presbiterianas, das Igrejas herdeiras da Reforma.
A quem devemos chamar para tratar desta temática? Alguns chegariam a sugerir que devemos recorrer aos modernos escritores no campo da espiritualidade. Aliás, a espiritualidade tem sido alvo de interesse em nossos dias, todavia, percebemos que a temática da espiritualidade moderna não possui a profundidade que os antigos teólogos nos oferecem em seus escritos; dado a esta questão, nos aproximamos de Calvino sobre esta temática. E ao fazê-lo nos surpreendemos da grande profundidade com que ele aborda a questão da oração no seu livro terceiro das Institutas da Religião Cristã, no capítulo 20; alí nós temos de fato um tratamento bíblico aprofundado destas questões.
O alicerce de nosso pensamento reformado sobre a oração está neste grande reformador: João Calvino. E, neste sentido nós iremos estudar o ensino de Calvino sobre a oração tirando e aplicando tais ensinamentos à nossa realidade atual. A empreitada tornar-se difícil, mas será de fato proveitosa.


I – A PRÁTICA DA ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ:

Calvino nos aponta “o lugar da Oração no Conjunto da Vida Cristã”[3] ele inicia esta seção nos seguintes termos:
Pelo que até o presente temos exposto se vê claramente quão necessitado está o homem e quão desprovido de toda sorte de bens, e como lhe falta tudo o quanto é necessário para a sua salvação. Por tanto, se procura os meios para remediar sua necessidade, deve sair de si mesmo e buscá-los em outra parte.[4]
O estado de total depravação e miséria no qual o homem por natureza está mergulhado tem sido uma das importantes pressuposições teológicas para a vida prática de oração; Calvino aqui nos lembra estas verdades ao nos mostrar quatro realidades sobre o homem:
O homem é necessitado: A carência do homem atual é devido ao seu estado de pecado.
O homem está desprovido de toda bondade: Nada no homem é bom. No que diz respeito a sua existência espiritual.
Lhe falta tudo necessário a sua salvação: Ele não tem os bens e dons necessários que possa lhe conduzir à vida espiritual ( Ef.2.1). E isto o faz inventar uma religião que o possa tirar deste estado.
O homem só encontra tais dons fora de si mesmo: O pressuposto é que apenas em Deus o homem pode de fato buscar o que é necessário a sua vida e piedade.

II – DEFINIÇÃO, NECESSIDADE E UTILIDADE DA ORAÇÃO.

2.1 – A Definição:
Neste momento Calvino nos apresenta uma definição de oração seguida de sua necessidade e utilidade na vida cristã. “Assim que por meio da oração conseguimos chegar até aquelas riquezas que Deus tem depositadas em si mesmo”[5]. O que a oração para Calvino? A resposta dele é interessantíssima:
Porque ela [a oração] é uma espécie de comunicação entre Deus e os homens, mediante a qual entram no santuário celestial, [onde] lhe relembram suas promessas e lhe instam a que lhes mostre na realidade, quando a necessidade o requer, que o que tem crido simplesmente em virtude de sua Palavra é verdade, e não mentira e nem falsidade.
A definição apresentada por Calvino pode ser esboçada do modo como segue:
A oração é:
a) Comunicação: Deus e o homem se relacionam na oração demonstrando assim intimidade.
b) A liberdade que homem tem de “relembrar” as promessas pactuais a Deus: Calvino aqui nos informa que a oração consiste em apoiar-se nas promessas pactuais de Deus. Não que Deus tenha esquecido, mas para que nós como seus filhos não deixemos de falar-lhe da promessa pactual que o próprio Senhor de todas as coisas nos fez em seu Filho Jesus Cristo. E são promessas verdadeiras baseadas na palavra de Deus.
2.2 – A Necessidade e Utilidade da Oração:
Calvino assegura sua definição de oração dizendo que “com a oração encontramos e desenterramos os tesouros que se mostram e descobrem a nossa fé pelo Evangelho”.[6] Então, ele passa a demonstrar a necessidade e utilidade da oração:
Não existem palavras bastante eloqüentes para expor quão necessário, útil e proveitoso exercício é orar ao Senhor. Certamente não é sem motivo [que] assegura o nosso Pai Celestial que toda a segurança de nossa salvação consiste em invocar seu nome (Jl.2.32); pois, por ela adquirimos a presença de sua providência, com a qual vela, cuidando e provendo tudo quanto é necessário; e de sua virtude e poder, com o qual nos sustem a nós [que somos] fracos e sem forças; e assim mesmo a presença de sua bondade pela qual a nós miseravelmente subjugados pelos pecados, nos recebe em sua graça e favor; e, por dize-lo em uma palavra, o chamamos, a fim de que nos mostre que nos é favorável e que está sempre conosco.
O grande reformador nos mostra quão é útil e necessário a prática de oração; ele não se desgasta em mostra exemplos supérfluos, pois, aqui entendemos que pela oração temos:
a) A assistência da Providência de Deus: Esta providência é retratada por Calvino no fato de invocarmos ao Deus de nossa salvação, nisto vemos e sentimos a mão da providência sobre cada um de nós; a oração, quando dirigida a Deus, é uma das demonstrações mais seguras de que confiamos na providência de Deus.
b) A certeza de que o Poder de Deus nos Sustenta: A oração é necessária porque nela podemos ter ciência de que o poder de Deus nos mantem diante das dificuldades da vida cristã. Se Deus não é poderoso não há porque orar a ele. Precisamos de fato olhar que Deus em seu eterno poder e pode de fato nos sustentar. Não há nada que nos garanta mais segurança que o fato de que o Deus Todo-Poderoso nos ouve em oração.
c) A Presença da Bondade de Deus: Aqui Calvino é insuperável! Ele consegue nos colocar diante de Deus de uma forma singular, ele ensina que mesmo o homem sendo pecador, miseravelmente perdido e subjugado pelo seu pecado; Deus “nos recebe em sua graça e favor”! Nossa! Deus recebe pecadores quando batem a porta de sua graça através da oração, aquele que “bate a porta se abre” e quem “pede recebe”. Deus não nos recebe por causa de nossos méritos, ele não nos ouve porque somos melhores que outros ou porque temos alguma virtude provinda de nós, mas ele nos “recebe em sua graça e favor”; o simples fato de Deus ouvir e atender as nossas orações consiste em um ato de graça imerecido de sua parte. E a nossa oração implica que necessitamos de sua bondade, para que ele se mostre favorável a nós pecadores. E manifeste sua bondade sobre as nossas vidas.
O resultado da oração: Calvino encerra esta segunda seção nos indicando o resultado da oração:
Daqui nos provem uma singular tranqüilidade de consciência, porque havendo exposto ao Senhor a necessidade que nos angustiava, descansamos plenamente nEle, sabendo que conhece muito bem todas as nossas misérias Aquele de quem estamos seguro de que nos ama e que pode absolutamente suprir a todas as nossas necessidades.
Quais são resultados advindos da prática de oração? Segundo Calvino temos pelos cinco resultados que são manifestos na vida prática de oração:


1. Uma Consciência Tranqüila: Não vivemos perturbados quando apresentamos diante de Deus todas as nossas necessidades. Isto nos lembra o que disse o salmista: “deito e pego no sono porque o Senhor me faz repousar seguro” (Sl.4.8)


2. A certeza de que Deus conhece as nossas misérias: A oração nos motiva a crer em um Deus onisciente que conhece tudo o que precisamos e esta certeza nos motiva ao fato de falar-lhe com mais intimidade a respeito de nossas mais profundas necessidades.


3. A certeza de Deus nos preserva: A oração nos motiva a crermos que em Deus estamos seguro, pois, ele é o nosso “refúgio e fortaleza no dia da angústia” (Sl.46.1). A oração é o primeiro indicador que cremos na preservação dos santos, pois, somente em Deus encontramos refúgio seguro.


4. A certeza do amor de Deus: Calvino nos relembra que a oração resulta na certeza de que Deus nos ama; isto é notório, pelo fato de pedirmos a ele com confiança de que ele de fato nos responderá, pois, o amor de um pai pelo seu filho o fará atender aquela oração.


5. A certeza da Soberania de Deus em relação as nossas necessidades:

Quando oramos a Deus estamos crendo que ele pode absolutamente suprir o que nos falta. Esta soberania de Deus é ressaltada de forma surpreendente quando dobramos os nossos joelhos e pedimos a Deus que salve os pecadores.
[1] Esta sala de Estudos ocorrem todas as sexta-feira às 19:30 no bairro do Ibura na comunidade 27 de Novembro, na Rua Apocalipse – na Escola da Rosa.
[2] Estes Estudos estão baseados nas Institutas da Religião Cristão. No 3º Livro, Capítulo 20, se houver necessidade de citar outra obra de Calvino o faremos informando a devida fonte, todavia, o nosso propósito é explorar apenas as Institutas quanto a este assunto.
* O autor destes estudos é Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil. Atualmente está bacharelando em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte em Recife – PE.
[3] CALVINO, João. Intituición de la Religión Cristiana. Tradutor: Casidoro de Valera. Barcelona: Felire, 1999, Livro 3 , Capítulo 20, seção 1, p.663.
[4] Ibid, p.663-664.
[5] Livro III, Cap. 20, Seção. 2.
[6] Idem.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Calvino 500 anos


terça-feira, 8 de setembro de 2009

ANÁLISE DE ATOS 13.48

Ocorrências do verbo e variantes

Mt 28.16
Etaksato. 3ª, sg, aor 1, ind, med de tássô = ordenou, designou

At 22.10
Tétaktai. 3ª, sg, perf, ind, pass de tássô = foram ordenados, foram mandados

At 28.23
Taksamenoi. Nom, pl, masc, part, aor 1, med de tássô = tendo marcado, arranjar, apontar, assinalar

Rm 13.1
Tetagmenai. Nom, pl, fem, part, perf, pass de tássô = ordenados, instituidos

At 15.2
Etaksan. 3ª pl, aor 1, ind, méd de tássô = ordenaram, decidiram

Lc 7.8
Tassomenos. Nom, sg, masc, part, pres, pass de tássô = colocado, nomear, encarregar

1Co 16.15
Etaksan. 3ª pl, aor 1, ind, méd de tássô = puseram, se consagraram

1Co. 16.16
Hipotassêsthe. 2ª pl, pres, imper, méd de tássô = vos subordineis


Depois de ter visto outras ocorrências do verbo e variantes, vamos analisá-lo neste texto que nos diz o verbo em questão:

At. 13.48. tetagmenoi. Nom, pl, masc, part, perf, pass de tássô = tendo sidos arrolados, ordenados, inscritos...

Há uma interpretação que diz que tetagmenoi esta na voz média. Pois bem, vamos contruir a frase nesta perspectiva: e creram tantos quantos estavam se dispondo (se ordenando) para a vida eterna. Faz sentido?

Possíveis traduções: designado, ordenado, marcado, sujeito, dedicado... Primeiro, precisamos ver que a voz manifestada pelo verbo, sofre a ação; segundo, o tempo deste verbo indica uma ação que já se completou no passdo, mas os resultados se faz sentir no presente, ou seja, a permanência de uma ação que já aconteceu, ou ainda, um estado presente resultado de uma ação passada; terceiro, a ação deste verbo indica que o verbo principal crêr (episteisan = creram - 3ª pl, aor 1, ind, at de pisteiô), é a continuação da ação do perfeito, ou seja, o crêr daqueles gentios(paciente) é o resulta de Deus(agente) tê-los ordenados antes, por isto que o entendimento de pré-ordenação está presente neste verso, e que não é nenhum exagero como alguns dizem, mas é o que o texto quer dizer.

Sobre a melhor tradução para o termo e a voz. No vs. 47 o termo entétaltai. 3ª sg, perf. Ind, pass, de entéllomai = tenho sido ordenado. Será que Paulo ordenou a si próprio (voz média e não passiva), este mesmo Deus que ordenou a Paulo anunciar o evangelho aos gentios, também ordenô-os a crêr, ou para ser mais exato, pré-ordenô-os a crêr e não que eles se dispuseram por eles mesmos a crêr. Agora não importa se alguém quer traduzir por ordenar ou dispor, pois resumisse ao ato da vontade soberana de Deus em decretar na eternidade, sem sofrer influência daquilo que alguns entendem por “presciência”, pois Ele não decreta com base em algo previsto que os homens fariam.

Mais dois detalhes interessantes: 1. os três verbos relacionados, são do tempo passado; 2. a melhor tradução para o imperfeito êsan é estavam (3ª pl. imperf, ind, at de eimi), confirmando ainda mais que a ordenação dos que creram, foi bem antes. Portanto, a tradução interpretativa pré-ordenação, é perfeitíssima.

Alguns dizem, que Lucas não quis falar de atuação prévia da parte de Deus para a salvação, dois capítulos antes, ele diz que “Deus deu o arrependimento para a vida” (11.18). Então, no entendimento de Lucas, Deus dá o arrependimento para aqueles que Ele ordenou para a salvação.

Na verdade, o problema nem está nas possibilidades do texto (que está claro), mas em pressupostos errados, como: extenção da morte em Adão; relação de fé e obras; graça “salvadora” e pecadores condenados...
Sérgio Moreira.