rss
email
twitter
facebook

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Carta aberta aos interessados na excelência do testemunho cristão nas comunidades presbiterianas no Orkut


Levantando-se no meio do Areópago.

"Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade. Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam ali. E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição. Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas? Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber o que vem a ser isso. Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades. Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses!" (Atos 17:16-22, RA)

Quero agradecer o carinho que tenho recebido dos meus irmãos e irmãs de muitos lugares do Brasil através de emails que manifestam apoio ao que escrevemos em nosso blog, acerca das comunidades de presbiterianos no Orkut. Agradeço também a resposta daqueles que no exercício da liberdade manifestaram não concordância com os termos da minha opinião, usando de grande educação e respeito pelo ato de discorrer diferente.

No entanto, considerando a repercussão pertinente as dinâmicas das comunidades de presbiterianos no Orkut, no exercício da liberdade, eu tomei a decisão de ainda aprofundar o assunto, levando em conta alguns dados que considero basilares para testemunhar o Evangelho nas redes virtuais de relacionamentos.

A democratização da informação.

Primeiramente precisamos considerar que a “informação” é uma dos artigos mais democráticos e revolucionários dos nossos dias. O que se vê, e o que se lê nos meios de comunicação como rádio, TV, jornal em segundos torna-se objeto de conhecimento e debates em redes sociais de comunicação e relacionamentos.

A esfera de alcance sobre aquilo que pode e deve virar informação em nossos tempos, vai muito além daquilo que é noticiado na TV e no rádio, hoje qualquer pessoa pode fazer da sua própria vida um livro de domínio público, ainda que evidentemente isso não seja seguro, todavia sabemos que tais casos existem.

O fato é que as redes de relacionamentos virtuais se tornaram uma mega praça de debates e de informação, sendo o Orkut, apenas uma forma de mergulhar nessa democratização do conhecimento, onde membros, amigos e interessados definem um campo comum de debate e se reúnem em torno dele para gastar relativa parte do seu tempo interagindo sobre assuntos variados.

A esfera ou campo temático dos debates geralmente é construído em torno de temas polêmicos referentes a sexo, homossexualidade, ordenação feminina, predestinação, política partidária e eclesiástica, demonstrando antes de tudo que esses temas continuam vivos no imaginário público de pessoas ligadas de várias formas a IPB (e de outras denominações) e, além disso, deve-se considerar que as redes sociais tem se tornado aos poucos um grande fórum para desenvolver esses debates, numa atmosfera aberta e livre.

Embora os temas polêmicos ganhem popularidade, não podemos deixar de destacar tópicos que surgem como exposições escancaradas da alma através de confissões de pecado, denúncias, acusações, brigas, agressões verbais. Ainda que raro é possível ver a luz das palavras interessadas na candura e na alegria de almas curadas pela graça de Deus que constroem textos de encorajamento, aconselhamento e evangelização que nos enchem de esperança acerca da mordomia cristã nos espaços virtuais.

Isto posto, podemos afirmar que os cristãos estão cada vez mais adequados a essa grande praça mundial construída nas redes de relacionados virtuais. Por vezes essa praça traduz a agonia da alma de pessoas aflitas, machucadas, revoltadas com a vida, em outro momento manifesta um desejo intenso por debater, aprender, saber e compartilhar informações e ainda que seja raro, nas redes sociais é possível encontrar gente disposta a falar do grande amor de Deus.

As vozes

Nessa grande aldeia virtual, milhares de pessoas manifestam interesse pelo que de certa forma gera alguma notícia sobre o presbiterianismo e em especial a IPB, e sempre que podem ter acesso a essas janelas virtuais do saber, os internautas gastam alguns minutos a fim de interagir com quase tudo o que se relaciona com as questões de interesse comum. Como já descrevemos no artigo sobre as comunidades de presbiterianos no Orkut, existem três grandes comunidades que se identificam com a Igreja Presbiteriana do Brasil. Não vou repetir a mesma situação do primeiro artigo, mas explorando um novo ângulo de visão tenciono dissecar uma pluralidade de opiniões através de uma alegoria das “vozes”, as saber:

· A voz da amizade. As redes sociais de presbiterianos no Orkut revelam fortes laços de amizades reais frutos da vida em comunidade nos mais diferentes lugares do Brasil que são ampliados em termos nacionais e internacionais na medida em que se processa a dinâmica do conhecimento mútuo de experiências. Um exemplo dessa construção de amizade pode ser visto quando um membro abre um tópico pedido que outros possam orar em seu favor. Além do mais, outros assuntos manifestam grande carinho e amizade quando é lembrado datas de aniversários, atitudes de solidariedade em favor de pessoas enfermas e de socorro aos que foram atingidos por catástrofes naturais.

· A voz do ressentimento. Em meio às vozes de amizade, solidariedade e carinho, surgem gritos de uma violência agitada e fomentada por almas feridas tragicomicamente por raízes de ódio e amargura. Parece estranho, mas alguns se sentem melhores (mais livres – verdadeiramente livres) quando criticam acidamente a igreja cristã, ainda que tenham deixando há muito a Igreja Presbiteriana do Brasil para viver uma mística dita “des-institucionalizada” ou para abraçarem outras confissões religiosas que melhor se encaixe em suas experiências religiosas. Essas “vozes” tentam se afirmar como arautos da liberdade, profetas de vanguarda, esquerda libertária, símbolos de autenticidade e resistência contra o formato do poder institucionalizado. Não fosse o ódio e a mágoa tão marcadamente pontuais tão presentes nessas vozes, talvez fossem mais bem discernidas, se e tão somente se, baixassem o tom de seus gritos repletos de revolta, mágoa e rancor. No meu entender essas pessoas, precisam de cuidados especiais que vão além da crítica ou da exortação, tendo em vista que uma palavra de exortação certamente seria absorvida por eles como combustível de uma identidade de minoria perseguida. Criticar cegamente em nome do zelo os que acoimam a IPB pelo lado de fora seria uma forma de alimentação retroativa dessa “nóia”. Penso que o melhor caminho é orar pelos que estão feridos, até o dia em que o diálogo maniqueísta ceda espaço para o amor que acolhe o mais fraco, no abraço carinho e afetuoso que celebra com alegria a ressurreição daqueles que estavam mortos.

· A voz da dúvida. Como há uma tendência majoritária das vozes de ressentimento, por vezes surgem umas vozes de dúvidas (quiçá susto), que questionam se tais espaços ostentam de fato a logomarca da IPB, ou seja, alguns entram nas comunidades a fim de aprender e debates sobre assuntos sobre a IPB, certamente o fazem em suas igrejas, mas por ter a internet como ferramenta de informação e diálogo eles sentem-se encorajados a procurar redes sociais que os identifiquem com a denominação, por isso mesmo pedem ingresso nas comunidades, no entanto quando se depara com palavras de baixo calão, propagandas pró-seitas, desrespeito aos líderes por meio de termos impróprios, apologia no mínimo dúbia acerca do sexo, consumo de álcool, descriminalização da maconha, homossexualidade e etc., no mínimo há uma estranheza, não pela liberdade de se debater tais temas, mas pela forma como são expostos com forte tendência de atacar a consciência do mais fraco, defender uma visão subjetiva e atomizada da interpretação das Sagradas Escrituras, tudo isso depositado na conta da liberdade de pensar. É obvio que ninguém é contra a liberdade de expressar o que se pensa, todavia o “susto” de alguns leitores das comunidades é ver uma comunidade com a identificação da IPB se prestar a ser veículo promotor de posições errôneas e sem fundamentação bíblica de temas pertinentes no cenário atual da Igreja.

· A voz que não é ouvida. De todo o Brasil se houve as vozes, mas existem outras vozes que sequer são ouvidas, pois certamente se trata dos que não querem ler, não querem ver e por isso não querem falar. Existe muito silêncio no Orkut, pois se pensarmos num imaginário de 50 mil presbiterianos conectados nas redes sociais, teremos apenas um porcentagem tímida de poucos postantes, que se fazem ouvir numa grande rede onde ainda não temos condições de mensurar o impacto da informação. Alguns colegas, inclusive me dizem que não porque se preocupar com as comunidades de presbiterianos no Orkut tomando por base a pouca interatividade, logo basta para a IPB a manutenção dos seus órgãos oficiais de informação. Nesse ponto, reafirmo que o silêncio da IPB é perigoso, tendo em vista que se dá de bandeja a vantagem de “ditar” os termos do diálogo para pessoas que nada tem haver com a IPB e que hoje nem mais estão a ela ligados. Esse silêncio não é bom para a IPB. Entendo que a Rede Presbiteriana de Comunicação pode muito bem criar um perfil ou uma comunidade oficial gerida e administrada por pastores devidamente comprometidos com a IPB, a exemplo de presbiterianos ilustres que já há alguns anos usam das redes sociais para expressar seus pensamentos. Tenho plena convicção de as redes sociais é hoje a grande praça de debates onde a informação é debatida com rapidez gigantesca, sendo, pois necessário uma presença audível da IPB nessas redes, como um canal a mais somando junto com outras que já existem.

Quem fala pela IPB

Em breve teremos mais uma reunião do supremo concílio da IPB e dentre temas relevantes espero que as comissões de direito possam tratar com carinho não a questão específica de uma comunidade no Orkut, todavia espero que haja um debate amplo sobre a democratização da informação e a necessidade da presença rápida e ágil da Igreja Presbiteriana do Brasil através de resoluções sábias de seus concílios a fim de que a glória de Deus seja manifesta também nas redes sociais de relacionamentos.

A IPB deve fazer ouvir sua voz em todas as mídias que estiverem disponíveis para tal e isso inclui das comunidades do Orkut que hoje reúne milhares de presbiterianos de todo o Brasil, manter o silêncio obsequioso, pode trazer enorme prejuízo para jovens, adolescentes e novos na fé que mergulham no universo virtual e são muitas vezes laçados por vãos doutrinamentos fundamentados numa lógica mundana que em nada lembra o Evangelho de Jesus Cristo.

Não faz sentido que pessoas descomprometidas com a paz assentem na marca da IPB para patrocinar tudo o que vai de encontro ao nosso legado de 150 anos de pregação do evangelho no Brasil.

Lembro a nossa constituição:

CI/IPB, cap. I, Art.1

A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma federação de Igrejas locais, que adota como única regra de fé e prática as Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamento e como sistema expositivo de doutrina e prática a sua Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve; rege-se pela presente Constituição; é pessoa jurídica, de acordo com as leis do Brasil, sempre representada civilmente pela sua Comissão Executiva e exerce o seu governo por meio de Concílios e indivíduos, regularmente instalados.
CI/IPB, cap. V, Art.70,71

Compete aos Concílios:

a) dar testemunho contra erros de doutrina e prática;

b) exigir obediência aos preceitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme a Palavra de Deus;

c) promover e dirigir a obra de educação religiosa e evangélica da comunidade sob sua jurisdição, escolhendo e nomeando pessoas idôneas para ministrá-las;

d) velar pelo fiel cumprimento da presente Constituição;

e) cumprir e fazer cumprir com zelo e eficiência as suas determinações, bem como as ordens e resoluções dos Concílios superiores;

f) excetuados os sínodos, nomear representantes aos Concílios superiores e suplentes que correspondam ao número e ofício, custeando-lhes as despesas de viagem;

g) propor aos Concílios superiores quaisquer assuntos que julguem oportunos;

h) determinar planos e medidas que contribuam para o progresso, paz e pureza da comunidade sob sua jurisdição;

i) receber e encaminhar ao Concílio imediatamente superior os recursos, documentos ou memoriais que lhes forem apresentados com esse fim, uma vez redigidos em termos convenientes;

j) fazer subir ao Concílio imediatamente superior representações, consultas, referências, memoriais, que julgarem oportunos;

l) enviar ao Concílio, imediatamente superior por seus representantes, o livro de atas, o relatório de suas atividades e a estatística do trabalho sob sua jurisdição;

m) examinar as atas e relatórios do Concílio imediatamente inferior;

n) tomar conhecimento das observações feitas pelos Concílios superiores às suas atas, inserindo o registro desse fato na ata de sua primeira reunião;

o) julgar as representações, consultas, referências, recursos, documentos e memoriais de seus membros ou que subirem dos Concílios inferiores;

p) tomar medida de caráter financeiro para a manutenção do trabalho que lhes tenha sido confiado.

Art.71 - Quando um Concílio tiver de decidir questões de doutrina e prática, disciplinares ou administrativas, a respeito das quais não haja lei ou interpretação firmada, resolverá como julgar de direito, devendo contudo submeter o caso ao Concílio superior.


Parágrafo Único - São considerados assunto dessa natureza:

a) casos novos;

b) matéria em que o Concílio esteja dividido;

c) matéria que exija solução preliminar, ou seja, do interesse geral.


Que nossos concílios tenham sabedoria do alto para divulgar a graça de Deus através de todos os meios possível para a glória de Deus e edificação do corpo de Cristo.

No amor Daquele que efetua em vós tanto o querer como o realizar.

Por Rev. Francisco Macena da Costa.
http://observareformado.blogspot.com/

Um comentário:

Gilberto disse...

Entendo bem as linhas... As entrelinhas...