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segunda-feira, 18 de março de 2013

Por que não sou arminiano?


O propósito destes dois breves artigos é justificar porque não adoto o sistema teológico que ficou conhecido na história da igreja cristã como arminianismo, nome devido ao seu defensor, Tiago Armínio (1560-1609), em contraposição ao sistema oposto que foi cognominado de calvinismo, em homenagem ao grande reformador francês João Calvino (1509-1564). O presente artigo revelará para o leitor a primeira razão.

O sistema arminiano foi apresentado de forma sistemática à igreja holandesa em 1610, por discípulos de Tiago Armínio, na forma de cinco pontos que sintetizavam os ensinos do professor holandês e alteravam os ensinos dos reformadores, diferenciando deles não apenas em termos de ênfase, mas de conteúdo. Os cinco pontos do arminianismo apresentados na Remonstrance (Representação) são os seguintes: (1) Livre-Arbítrio (ou capacidade humana: o homem, mesmo caído, ainda tem condições de atender por si mesmo ao chamado do evangelho, vindo por seus próprios recursos a arrepender-se e exercer a fé; para os arminianos não existe morte espiritual em termos absolutos; (2) Eleição Condicional (Deus não teria marcado ninguém para salvar-se ou perder-se, mas a eleição antes da fundação do mundo seria baseada na presciência divina, que elegeria aqueles que de antemão previu que iriam arrepender-se e crer, sendo, portanto, o conjunto dos eleitos aberto, sem garantir a segurança de qualquer pessoa antes do encerramento de sua história; (3) Expiação Geral ou Ilimitada (Jesus Cristo não teria morrido por pessoas específicas, mas sim por toda a humanidade, apenas possibilitando a salvação de qualquer pessoa que, dentro da história, creia em sua morte expiatória, embora isso não seja suficiente para garantir-lhe a absoluta segurança, uma vez que a salvação depende da perseverança na fé, e não se sabe com certeza quem irá perseverar até o fim; (4) Graça Resistível (Na concepção arminiana, a graça de Deus pode ser resistida no ato da salvação e, quando o pecador aquiesce a ela, até mesmo depois de "salvo", o homem pode resistir a Deus de modo a vir a perder-se total e finalmente); (5) Insegurança da Salvação (Ninguém pode garantir que os que são verdadeiramente regenerados vão perseverar até o fim, ou seja, uma pessoa que hoje se presume salva, amanhã poderá vir a perder sua salvação). É bom lembrar que, do sistema arminiano formulado pelos remonstrantes, Armínio discordaria do 5o ponto, pois, apesar de toda a sua incapacidade de entender o que os reformadores ensinaram, jamais duvidou da Perseverança dos Santos.

Em 1618, um concílio internacional constituído de 84 renomados eruditos reformados reuniu-se na cidade de Dort, na Holanda, para analisar e responder aos remonstrantes, formulando, em 1619, após sete meses de discussões em 154 seções, os importantes Cânones de Dort, dispostos em cinco capítulos cujos títulos ficaram sendo conhecidos como os Cinco Pontos do Calvinismo, em homenagem ao grande reformador João Calvino. Esses cinco pontos, pois, são a síntese do ensino reformado, não apenas subscrito por João Calvino, mas por todas as confissões de fé históricas e catecismos reformados, a saber, Confissão de Fé dos Países Baixos, Catecismo de Heildelberg, Segunda Confissão Helvética e Confissão de Fé de Westminster, e, como bem ficou demonstrado nos Cânones de Dort, refletem o verdadeiro ensino das Escrituras reafirmado pelos reformadores e negado pelos remonstrantes.

Os Cinco Pontos do Calvinismo são os seguintes: (1) Depravação Total (Os homens não regenerados, após a queda, são totalmente incapazes de escolher o bem quanto a questões espirituais, visto que estão mortos em delitos e pecados, sendo habilitados apenas por um milagre de ressurreição espiritual, que ocorre quando da regeneração, veja Ef 2:1-10); (2) Eleição Incondicional (Deus, antes da fundação do mundo, em seu propósito eterno e soberano, segundo o conselho da sua vontade, em amor elegeu alguns pecadores para a salvação, independente de quaisquer méritos que neles se observassem, nem tampouco previsão de arrependimento e fé, veja Ef 1.3-12; 2Ts 2.13; Jo 6.37, 39, 6.65; At 13.48); (3) Expiação Limitada (Ao enviar seu Filho para ser morto por causa dos pecados dos homens, Deus, na verdade, tinha em mente propiciar o único meio para que seus eleitos pudessem ser salvos, o que lhes garante eterna salvação, enquanto a expiação arminiana é universal e, contudo, não garante a salvação de ninguém em termos absolutos; a melhor demonstração desta verdade foi feita por John Owen no livro Por quem Cristo morreu?, PES, e eu o aconselho a ler a discussão detalhada ali, inclusive as respostas às objeções a este ensino lógico e claro das Escrituras; Mc 10.45; Tt 2.14; Hb 9.28; At 20.28; Ef 5.25; Jo 17.6, 9; Hb 9.12; Ap 5.9); (4) Graça Irresistível (Os eleitos, dentro do tempo, serão chamados por Deus para sair de suas sepulturas espirituais, isto de um modo irresistível, no ato da aplicação da redenção pelo Espírito Santo (regeneração), uma vez que esta redenção eterna foi-lhes conquistada objetivamente por Deus Filho. O apóstolo Paulo diz Rm 8.28-30: Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Veja também Jo 6.37, 39, 65; Tt 3.3-6; Ef 2.1-10); (5) Perseverança dos Santos (A salvação do eleito é eterna, uma vez que a mesma graça de Deus que os salvou agirá eficazmente em suas vidas, de maneira que não poderão cair total e finalmente, pois justificação, regeneração e adoção são irreversíveis. É verdadeira a afirmação da Escritura que "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1). Veja também Jo 10.28-30: "25 Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. 26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. 29 Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. 30 Eu e o Pai somos um.").

Pois bem, ao analisar o que os reformadores ensinaram fundamentalmente, cujo resumo são os Cinco Pontos do Calvinismo, e constatar a total consistência desses ensinos com as Escrituras, não pude fazer outra opção e o meu pêndulo teológico se inclinou irresitivelmente para o Calvinismo.

No dizer de Paulo Anglada, em Calvinismo - As Antigas Doutrinas da Graça, Editora Os Puritanos, SP, 1996, "As antigas doutrinas da graça são um sistema lógico, coerente e harmonioso. Os assim chamados pontos do calvinismo revelam como é possível a redenção eterna de pessoas pecadoras totalmente depravadas, em conseqüência do pecado original, pelo Deus Triúno: o Pai elege incondicionalmente, o Filho redime objetivamente os eleitos, e o Espírito Santo aplica eficazmente a redenção ao coração daqueles por quem Cristo morreu". Por fim, Anglada diz: "A doutrina calvinista da perseverança dos santos é a conclusão inevitável e bíblica da obra da redenção. O homem, em seu estado natural, está totalmente depravado - isto é, teve suas faculdades espirituais completamente corrompidas, tornando-se inimigo de Deus, morto nos seus delitos e pecados. Deus o Pai movido pelo seu infinito amor escolheu, antes da fundação do mundo, alguns dentre estes para manifestar a sua misericórdia, elegendo-os para ser santos e irrepreensíveis. Vindo a plenitude dos tempos, o Senhor Jesus Se fez carne, cumpriu a lei e morreu na cruz pelos eleitos de Deus, expiando objetivamente a culpa que lhes fora imputada pelo pecado de Adão. Na época própria, aprouve a Deus chamá-los eficazmente, aplicando soberanamente a Sua graça especial para a salvação, independentemente de qualquer mérito da parte deles. Que absurdo imaginar que, depois de tudo isso, o redimido possa apartar-se totalmente da graça de Deus e perder a salvação!"

Assim, como estou convencido de que esses dois sistemas são os dois pólos em que podemos nos situar teologicamente, de modo que não se pode ser lógica, coerente e biblicamente, arminiano e calvinista, ou uma mistura "calviminiana" que contenha uma porcentagem de um e de outro sistema ao mesmo tempo, segue-se que tive de optar entre um e outro. Ou você é arminiano ou você é calvinista, e não uma mistura desses dois sistemas mutuamente exclusivos. Optei, como não poderia deixar de ser, pelo calvinismo, uma vez que ele reflete o sistema ensinado pelos apóstolos e pelo próprio Jesus. Não me envergonho de estar na companhia dos mais nobres santos da história da igreja, como Agostinho, Lutero, Calvino, John Knox, John Bunyan, John Gill, John Owen, George Whitefield, Jonathan Edwards, Spurgeon e outros. Estou em boa companhia, você não acha?

Agora, quando se fala em arminianismo, o sistema da incerteza, da dúvida, do pessimismo, do medo, da insegurança, só quem sofre dos mesmos problemas que seu articulador é que pode abraça-lo. Só pode ser calvinista quem tem fé suficiente para submeter-se à soberania de Deus e pode aceitar o que as Escrituras ensinam claramente, só os eleitos convictos de sua posição é que podem ser calvinistas.

Por séculos, os arminianos conviveram com seu sistema sem leva-lo aos seus extremos lógicos e, por conseguinte, sem revelar de fato a sua verdadeira face. Os cinco pontos que enumeramos são apenas a ponta do iceberg do arminianismo. Você quer saber o que realmente estava escondido no sistema arminiano e que hoje declaradamente está sendo defendido pelos arminianos que ousaram levar o arminianismo aos seus extremos lógicos? Uma frase só: Open theism (Teísmo aberto)! Sabe o que é isto? No próximo artigo eu explico. Esta será a segunda razão porque não sou arminiano. A ponta de seu iceberg já me afastou dele, e o corpo do iceberg, por certo, me manterá definitivamente no outro pólo, no porto seguro do calvinismo, em excelente companhia. Até o próximo número de Pregação Hoje.

2ª Parte

Neste segundo artigo, exponho a segunda razão que me distanciou definitivamente do arminianismo. O fato é que Deus, em todas as épocas, "precisou" de homens que nutriam uma correta perspectiva dele, de si mesmos e de seus semelhantes. Aliás, este é o alvo supremo da vida cristã e a meta da verdadeira espiritualidade. Homens que viam a Deus por uma correta perspectiva teológica, enxergando-o pela ótica da Escritura: um Deus infinito, soberano, onipotente, onisciente, onipresente, que rege o seu mundo criado com sabedoria infinita e que dispõe de meios eficazes de antemão planejados para levar a história ao fim que ele mesmo planejou, agindo sempre segundo o conselho de sua santa vontade.

Homens que se vejam como o grande apóstolo Paulo - e nesta santa fileira podemos colocar Lutero, Calvino, Jonathan Edwards, Matthew Poole, John Owen, John Gill, C. H. Spurgeon, D. M. Lloyd-Jones, Gerstner, R. C. Sproul, etc., e quem sabe eu e você, a história dirá -, que se considerava o mínimo entre os santos, o principal dos pecadores, exemplo daqueles que haveriam de crer em Deus, um verdadeiro referencial para os eleitos de Deus contemporâneos seus e seus sucessores. Que também via os homens por uma correta perspectiva espiritual, pela ótica da doutrina acerca do homem revelada na Escritura.

Para o apóstolo Paulo, os homens eram salvos ou não. Os salvos eram os eleitos de Deus, predestinados para filhos de adoção por Jesus Cristo, chamados eficazmente pelo evangelho, ressuscitados de suas sepulturas espirituais pela ação miraculosa do Deus triúno para tomarem assento nos lugares celestiais em Cristo, marcados para entrar na história humana como ovelhas do Pai e do Filho, resgatados pelo sacrifício expiatório, propiciatório e substitutivo do Filho na cruz do Calvário e regenerados pelo Espírito Santo em sua vocação eficaz e irresistível, e selados pelo mesmo Espírito para o dia da redenção. Sua mensagem era: Deus salva pecadores!

Os outros homens, segundo seu evangelho, eram eleitos ou reprovados, o que o motivava a pregar intensamente o evangelho a fim de ser o instrumento de Deus para a descoberta dos eleitos, que Deus soberanamente ia colocando em seu caminho, dentre os quais podemos citar a vendedora de púrpura Lídia e o carcereiro de Filipos.

Paulo era grato a Deus por ser colaborador de Deus e cooperador de Deus em favor da Senhora Eleita, a Igreja. Era humilde, como não poderia deixar de ser, por ter sido escolhido por Deus para fazer um grande serviço no seu reino, que ele sempre esteve consciente de que não era merecedor. Alegre ele dizia: "Mas Deus me escolheu desde o ventre" e em outro lugar, "Ele nos elegeu antes da fundação do mundo".

Diferentemente desta visão salutar da Escritura, ilustrada com um máximo exemplo, o do apóstolo Paulo, está a visão de mundo arminiana.

Até pouco tempo, o arminianismo, desde a sua concepção em contraposição ao calvinismo, conviveu com suas inconsistências lógicas internas, quando foi definitivamente levado aos seus extremos lógicos (2), através de seus proponentes mais aferrados no cenário evangélico canadense e americano, liderados por Clark Pinnock (3) - e já há representantes tupiniquins (4) do arminianismo levado aos seus extremos nesta terra brasili!-, e chegou a ponto de ver Deus com a imagem inversa daquela que é descrita na Escritura, esvaziando todos os seus atributos e criando um "Deus" finito e impotente (ou deus? ou um ídolo?), que nem ao menos sabe o que poderá acontecer no futuro, tendo em vista que há um ser no universo chamado homem, livre, dotado de um "livre-arbítrio", imprevisível, com ações não causadas e que é uma ameaça ao cumprimento de Suas predições na Escritura, por não permitir que Deus preveja nenhuma de suas ações futuras. Na visão arminiana extremada, que é totalmente humanista e antibíblica, assumindo uma postura quase liberal (no sentido acadêmico e histórico do termo), Deus é rebaixado quase à posição do próprio homem caído, ou talvez um pouco abaixo, e o homem sobe a uma estatura quase do Deus da Bíblia. Esta visão, obviamente, não passa de produto da imaginação do homem caído em seu projeto de autonomismo apóstata, inspirado, como não poderia deixar de ser, pelo arquiinimigo de Deus, que foi o primeiro a desejar essa autonomia rebelde. O autonomismo apóstata só poderia levar à desconstrução (5) da teologia, como já era previsto. De fato, o arminianismo, que enfatiza exageradamente o autonomismo, é a prova mais completa da depravação total do ser humano!

Quando o arminianismo extremado é assumido como visão de mundo e fornece os pressupostos para a análise da Escritura, o homem passa a ocupar o centro das atenções e Deus sai para segundo ou terceiro plano. Os superpoderes que os homens passam a ter são a evidência disso, pois até mesmo os homens não-regenerados que a Bíblia ensina estar mortos em delitos e pecados passam a não mais ser vistos assim, mas são vistos como capazes de ascender aos céus, se quiserem, e até mesmo sair de lá, caso entrem. Isso tudo nada mais é do que aquela antiga heresia que ficou sendo conhecida na história da igreja como pelagianismo (6) ou o seu alomorfe (outra forma), o semi-pelagianismo. De acordo com a visão arminiana, nem Deus pode deter um homem assim tão poderoso, mas tem de ficar sempre de plantão para poder contornar os problemas que o homem cria no universo, que podem até frustrar os seus planos, e forçosamente Ele tem de ficar costurando a história até ver se ele consegue fazer aquilo que antigamente predisse na Escritura, e talvez "impensadamente", por "não saber" do que o homem era capaz. Na visão da Escritura, todos os problemas que os homens causaram e irão causar, sob insinuação do arquiinimigo de Deus, são conhecidos exaustivamente por Deus e jamais o pegaram ou o pegarão de surpresa, pois Ele é onisciente e sabe para onde a história está indo e jamais perdeu ou perderá o controle de tudo o que acontece no mundo criado, como supõem os arminianos extremados. Mais ainda, a doutrina bíblica da providência divina ensina-nos que tudo está decretado pelo Deus Todo-Poderoso, de modo que não existe algo que ocorra sem ser produto de seu decreto eterno.

Por outro lado, no arraial evangélico, essa visão arminiana constrói os superpastores, os verdadeiros todo-poderosos que ameaçam tomar o lugar de Deus, que determinam, decretam, chamam à realidade as coisas que não são, abençoam, profetizam prosperidade e etc. Em suma, fazem coisas que antigamente só o Deus da Bíblia podia fazer. Quem sofre mais nisso tudo são as ovelhas fiéis e sinceras que são manipuladas por líderes com esse tipo de orientação arminiana extremada, que oferecem para elas ao invés de eleição e segurança eterna e absoluta, uma posição de candidatas ao reino dos céus, ameaçando-as por qualquer motivo, até os mais frívolos e banais, de perderem sua salvação. O arminianismo é um terrorismo espiritual pior do que o encabeçado por Osama bin Laden! É com tristeza profunda que eu constato e registro esta realidade.

Ao ler a biografia de Armínio e suas obras completas, desconfio de sua insanidade. Desconfio também da insanidade do sistema "teológico" que seus discípulos criaram, uma monstruosidade humanista resultante do autonomismo apóstata, que solapa a salutar visão da Escritura que, realmente, desde que humildemente abraçada, pode produzir instrumentos realmente poderosos nas mãos de Deus. A proposta teológica arminiana prefigurava embrionariamente a desconstrução da genuína teologia bíblica e, forçosamente, não poderia fazer outra coisa. Muito embora seus defensores hoje digam que não apóiam o desconstrucionismo, na prática, porém, eles estão desconstruindo toda a sã doutrina. Deus já se encontra desconstruído em seus atributos e, ao que tudo indica, a própria Trindade não poderá escapar das propostas insanas dos arminianos extremados.

Em contrapartida, para você recuperar o fôlego, a teologia bíblica genuína já invadiu as vidas de muitos pecadores na história e produziu santos na Igreja do Deus vivo, a ponto de um desses santos, Jonathan Edwards, poder soar o alerta em sua congregação, mostrando vividamente os perigos que correm os "Pecadores nas mãos de um Deus irado". (Com ar de zombaria, de repente, os liberais diriam que isso foi um dos "desatinos" do período pré-iluminista!). Ao que me parece, e também creio que a R. C. Sproul, a teologia arminiana e seu parceiro muito chegado, o liberalismo, refletem nada mais nada menos do que a cena de um "Deus (ou deus) nas mãos de pecadores irados!".

Que Deus nos guarde das idéias perniciosas desses pecadores irados, que estão imergindo muitos cristãos sinceros num verdadeiro buraco negro e a fé cristã num lago de areia movediça. Coisas estranhas estão surgindo por aí afora, como o teísmo libertário, a teologia do processo, a teologia da abertura de Deus (que implica num lógico e total esvaziamento da onisciência de Deus, a partir do qual Deus passa a não conhecer o futuro), a emergência veloz de um neo-gnosticismo gospel e a última novidade - digo última por que eu não sou onisciente como os arminianos extremados, graças a Deus, e não sei o que eles estão aprontando ao redor deste mundo - é que eles já estão trabalhando para esvaziar o inferno (7). Era só o que faltava. Será que eles, no fundo, não estão é com medo de ir para lá? Claro, pelo sistema arminiano extremado, ninguém pode ter certeza absoluta de salvação e de que não vai parar lá. Então, dizem eles agora, vamos construir um túnel "teológico" para resgatar aquelas pobres almas que supõem os adversários que estejam lá (bem baixinho: os calvinistas!) e comecemos a empreitada de diminuir sua temperatura, pois pode ser que paremos lá, ninguém sabe o futuro, nem Deus nem nós! Para os liberais a tarefa foi fácil, bastando desconstruir o inferno e pronto: problema resolvido!

O arminianismo extremado, querido leitor, é, na realidade, a "teologia" da incerteza, da insegurança e da desesperança: um buraco negro de areia movediça. Fortalece o homem e enfraquece ou quase extingue Deus. É antibíblico desde os seus fundamentos e inconsistente com a Escritura. Saiamos de sua região inóspita correndo, aborrecendo até a roupa manchada de suas nódoas miasmáticas e sigamos em direção aos pastos verdejantes da sã doutrina da Escritura, onde ouvimos a voz doce e suave do Bom Pastor, encontramos garantia de vida eterna, como também paz e segurança absolutas por estarmos seguros nas mãos Daquele de quem ninguém pode arrebatar suas ovelhas, porque Ele é maior do que todos e do que tudo. Nas mãos desse Deus verdadeiro, não nas de uma deidade desconstruída por pecadores irados, você pode ser realmente uma bênção!

Reafirmando os ideais da Reforma:

Sola Scriptura
Sola Gratia
Sola Fide
Solus Christue
Soli Deo Gloria

1. O Colégio dos Pastores na Obra da Restauração de Tudo tem sua sede na Rua Guaiuba, 231, Acari, Rio de Janeiro. Todas as últimas semanas de cada mês, os evangelistas e pastores se reúnem para Estudos Bíblicos e Teológicos Avançados e aulas de línguas, com o objetivo de manter os líderes na Obra da Restauração de Tudo bem informados sobre as principais tendências teológicas no evangelicalismo contemporâneo e para reciclagem e atualização nas disciplinas de Hermenêutica, Exegese do AT e do NT, Teologia Bíblica, Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Línguas Originais da Bíblia, Lingüística, Inglês e Língua Portuguesa.

* O autor é ministro na Obra da Restauração de Tudo e pastoreia a Igreja em Engenheiro Pedreira, no Rio de Janeiro. É bacharel e licenciado em matemática, especialista em línguas originais da Bíblia (hebraico, aramaico e grego), doutor em divindade pela Faculdade de Ciências Filosóficas e Teológicas do Rio de Janeiro, bacharelando em Português-Hebraico pela UFRJ, tradutor de inglês, hebraico e espanhol e faz mestrado em Antigo Testamento no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo. Leciona Teologia Bíblica, Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Hermenêutica, Exegese, Línguas Originais da Bíblia, Língua Portuguesa e Inglês no Colégio dos Pastores na Obra da Restauração de Tudo, no Rio de Janeiro. É 2o. vice-presidente da Academia Evangélica de Letras do Grande Rio.

2. Observe que nem todos os arminianos levam o arminianismo aos seus desdobramentos extremos, ficando com a forma mais branda não extremada do mesmo, não trabalhando suas inconsistências internas. Quando o arminianismo começou a resolver suas inconsistências lógicas internas, ele revestiu a forma extremada defendida por Clark Pinnock e seus confrades arminianos, no livro Grace of God and the Will of Man, que apresenta a verdadeira face do arminianismo.

3. Caso o leitor queira inteirar-se mais profundamente desses assuntos que abordarei de passagem neste artigo, leia os seguintes livros de Clark Pinnock (autor ou organizador), Grace of God and the Will of Man, The Opennes of God, A Wideness in God's Mercy, Most Moved Mover. Antes, eu o aconselho a vacinar-se com as seguintes respostas dadas a esses escritos arminianos extremados: R. K. Mc Gregor Wright, A Soberania Banida: Redenção para a cultura pós-moderna (Editora Cultura Cristã); Paulo Anglada, Calvinismo: As Antigas Doutrinas da Graça (Editora Puritanos); Os Cânones de Dort (Editora Cultura Cristã); Thomas R. Schreiner e Bruce A. Ware, Still Sovereign: Contemporary Perspectives on Election, Foreknowledge, and Grace; Bruce A. Ware, God's Lesser Glory: The Diminished God of Open Theism. Todas essas obras podem ser adquiridas no site www.amazon.com.

4. Ouça os 2 CD's de Ricardo Gondim sobre Predestinação e o leitor, após ter lido as obras de Clarck Pinnock citadas na nota anterior, verá que Gondim defende os pontos de vista do "open theism" (teísmo aberto, ou teísmo libertário, ou teologia da abertura de Deus), ainda que de um modo velado e disfarçado, pois não cita as fontes sobre as quais se apóia pesadamente. Contudo, é fácil perceber que os pressupostos nada ortodoxos de Gondim nesses CD's derivam dos teístas libertários, com os quais ele, como arminiano, se simpatiza, além de ser um passo à frente nos rasgos de liberalismo que demonstrou em É Proibido, o que a Bíblia permite e a Igreja proíbe. Mas o leitor deve seguir o seguinte conselho: ouça os CD's de Gondim assentado e bem apoiado, pois neles Gondim consegue a façanha de reverter a história, qualificando como ortodoxos Pelágio, Armínio e os arminianos em geral, até os do teísmo libertário, dos quais ele é um dos representantes no Brasil, e condenando e qualificando como hereges Agostinho, Calvino e todos os reformados que defendem, como diz ele, o predestinismo. Está pasmado? Vá conferir e depois me responda: Será Gondim o alter-ego ("outro eu") de Pinnock ou de Richard Rice no Brasil? O tempo nos dirá. Penso que quem tem visto com tão bons olhos a teologia de Charles Finney, como é o caso de Gondim, só pode usar o Soli Deo Gloria dos reformadores no final de seus artigos como um disfarce. Cuidado, leitor!

5. Segundo Ricardo Quadros Gouvêa em Fides Reformata 2/1, p. 64: "O desconstrucionismo é uma prática de leitura baseada em uma hermenêutica de suspeita em que o texto é entendido a partir da sua auto-desintegração teórica. A desconstrução implica na subversão, na descentralização de qualquer origem perceptível de discursos autoritativos associados a 'metanarrativas', isto é, macroestruturas teóricas como, por exemplo, sistemas filosóficos e teológicos".

6. Pelagianismo - a essência do ensino de Pelágio era sua idéia errônea de que o arbítrio, mesmo no estado caído dos homens, era essencialmente livre da corrupção do pecado e possuía a capacidade em si mesmo de escolher e realizar boas obras, conforme R. K. Mc Gregor Wright, A Soberania Banida, p.23. Também, segundo define este mesmo autor à p. 256, "o semipelagianismo foi uma teologia de acomodação surgida no séc. 5, que ensinava que a graça de Deus não era necessária para o livre-arbítrio começar a agir de modo correto."

7. PINNOCK, Clark H., A Wideness in God's Mercy.

Por Pr. Fabiano Antônio Ferreira, D.D *

Fonte: www.monergismo.com

sábado, 10 de julho de 2010

Arminianismo X Calvinismo

Quadro Comparativo:


ARMINIANISMO X CALVINISMO

Categoria

Arminianismo

Calvinismo



1. Livre-Arbítrio ou Capacidade
Humana

1. Incapacidade Total ou
Depravação Total

Depravação Total

(Is.55:7; Mt.25:41-46; Mc.9:47-48;
Rm.14:10-12; 2Co.5:10)

Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a
natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade
espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, por livre-arbítrio,
cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do
Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a
participação humana no novo nascimento.

O homem natural não pode sequer apreciar as coisas de
Deus. Menos ainda salvar-se. Ele é cego, surdo, mudo, impotente, leproso
espiritual, morto em seu pecado, insensível à graça comum. Se Deus não
tomar a iniciativa, infundindo-lhe a fé salvadora, e fazendo-o ressuscitar
espiritualmente, o homem natural continuará morto eternamente.
(Sl.51:5; Jr.13:23; Rm.3:10-12; 7:18; 1Co.2:14; Ef.1:3-12;
Cl.2:11-13)



2. Eleição Condicional

2. Eleição Incondicional

Eleição Incondicional

(Dt.30:19; Jo.5:40; 8:24;
Ef.1:5-6,12; 2:10; Tg.1:14; 1Pe.1:2; Ap.3:20;
22:17)

Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da
fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria
livremente a salvação e predestinou os salvos. A salvação ocorre quando o
pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador
deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se
perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo,
rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.

Deus elegeu alguns para a salvação em Cristo, reprovando
os demais. Aos eleitos Deus manifesta a Sua misericórdia e aos reprovados
a Sua justiça. Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, nem homens nem
anjos decaídos. Resolveu soberanamente salvar alguns homens (reprovando
todos os demais) e torná-los filhos adotivos quando eram filhos das
trevas. Teve misericórdia de algumas criaturas, e deixou as demais
(inclusive os demônios) entregues às suas próprias paixões pecaminosas. A
salvação é efetuada totalmente por Deus. A fé, como a salvação, é dom de
Deus ao homem, não do homem a Deus. (Ml.1:2-3; Jo.6:65; 13:18;
15:6; 17:9; At.13:48; Rm.8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef.1:4-5; 2:8-10;
2Ts.2:13; 1Pe.2:8-9; Jd.4)



3. Redenção Universal ou Expiação Geral

3. Redenção Particular ou Expiação
Limitada

Expiação Limitada

O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer
pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os
que crêem nEle, e todos os que crêem, serão salvos. (Jo.3:16;12:32; 17:21; 1Jo.2:2; 1Co.15:22; 1Tm.2:3-4; Hb.2:9; 2Pe.3:9;
1Jo.2:2)

Segundo Agostinho, a graça de Deus é "suficiente para
todos, eficiente para os eleitos". Cristo foi sacrificado para redimir Seu
povo, não para tentar redimi-lo. Ele abriu a porta da salvação para todos,
porém, só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram.
(Jo.17:6,9,10; At.20:28; Ef.5:15;
Tt.3:5)



4. Pode-se Efetivamente Resistir ao Espírito
Santo
4. A Vocação Eficaz do Espírito
ou Graça Irresistível

Graça Irresistível
(Lc.18:23; 19:41-42; Ef.4:30;
1Ts.5:19)

Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes,
porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não
reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça
de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade
de Deus para sua salvação.
(Jr.3:3; 5:24; 24:7; Ez.11:19; 20; 36:26-27; 1Co.4:7;
2Co.5:17; Ef.1:19-20; Cl.2:13; Hb.12:2)

A graça de Deus é infalível: acaba convencendo o pecador
de seu estado depravado, convertendo-o, dando-lhe nova vida, e
santificando-o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. É como um rapaz
apaixonado que ganha o amor de sua eleita e ela acaba casando-se com ele,
livremente. Deus age e o crente reage, livremente. Quem se perde tem
consciência de que está livremente rejeitando a salvação. Alguns
escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros adiam a decisão, outros
demonstram total indiferença para as coisas sagradas. Todos, porém, agem
livremente.



5. Decair da Graça

5. Perseverança dos Santos

Perseverança dos Santos

(Lc.21:36; Gl.5:4;
Hb.6:6; 10:26-27; 2Pe.2:20-22)

Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e
nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só
quem perseverar até o fim é que será salvo.

(Is.54:10; Jo.6:51; Rm.5:8-10;
8:28-32, 34-39; 11:29; Fp.1:6; 2Ts.3:3; Hb.7:25)

Alguns preferem dizer "perseverança do Salvador". Nada há
no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor.
O Espírito é quem persevera pacientemente, exercendo misericórdia e
disciplina, na condução do crente. Quando ímpio, estava morto em pecado, e
ressuscitou: Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de
Deus infundiu-lhe fé em para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o
processo de salvação é obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a
Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha a perder sua salvação.
Poderá até pecar e morrer fisicamente (1Co.5:1-5). Os apóstatas nunca
nasceram de novo, jamais se converteram.



Rejeitado pelo Sínodo de Dort

Este foi o sistema de pensamento contido na
"Remonstrância" (embora originalmente os cinco pontos não estivessem
dispostos nessa ordem). Esse sistema foi apresentado pelo arminianos à
Igreja na Holanda em 1610, mas foi rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619
sob a justificativa de que era anti-bíblico.

Reafirmado pelo Sínodo de Dort

Este sistema de teologia foi reafirmado pelo Sínodo de
Dort em 1619 como sendo a doutrina da salvação contida nas Escrituras
Sagradas. Naquela ocasião, o sistema foi formulado em "cinco pontos" (em
resposta aos cinco pontos apresentados pelos arminianos) e desde então tem
sido conhecido como "os cinco pontos do
calvinismo".




segunda-feira, 28 de junho de 2010

Livre-arbítrio: Afinal, temos ou não temos?

Por: Rev. Waldemar Alves da Silva Filho


Introdução

Neste estudo, iremos procurar entender a questão que envolve o termo “Livre-arbítrio”.

Trata-se de um tema que trouxe grande discussão durante alguns períodos da História. O entendimento diferente acerca deste tema, ou seja a defesa da existência de um “livre-arbítrio” ou a sua negação, tem divido pessoas até hoje.

Mas, afinal temos ou não temos livre-arbítrio? É isto mesmo que iremos verificar, não só analisando as posições teológicas acerca do assunto, mas, buscando luz da Bíblia para clarear nosso entendimento.

Antes de mais nada precisamos definir o que seja esse tal “Livre-arbítrio”:



1. Livre-arbítrio

“Livre-arbítrio”, tem sido definido, como a capacidade dada ao homem, por ocasião de sua criação, para escolher entre o bem e o mal, entre agradar a Deus ou desobedecê-Lo. Seria o “livre poder de eleger o bem ou o mal”.

Héber Carlos de Campos também a define como tendo sido a capacidade que o homem teve, “de escolher as coisas que combinavam com a sua natureza santa, mas que, mutavelmente, pudesse escolher aquilo que era contrário à sua natureza santa”.

Vejam que tais definições, estão de acordo com o que prescreve a nossa Confissão de Fé:

O homem em seu estado de inocência , tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder.



É importante dizermos que quanto a definição, não existe dificuldade. O problema todo que envolve o tema, é se o homem hoje, depois da queda , possui ou não esse tal de livre-arbítrio.

Antes mesmo de entrar propriamente na discussão, se o homem ainda dispõe dessa capacidade, precisamos dizer algo acerca de uma faculdade natural e inalterada no homem, mesmo depois da queda, chamada de “livre agência” ou “capacidade de escolha”.



2. Livre Agência ou Capacidade de Escolha

Existe no homem uma capacidade tal que lhe dá condições de fazer escolhas, de acordo com o que lhe é agradável. O homem sempre e em qualquer condição, faz as suas escolhas, de tal forma que ele é responsabilizado por elas. “Essa capacidade ou aptidão é um aspecto inalienável da natureza humana normal”. Ele é livre para escolher o que lhe agrada, de acordo com suas inclinações.

Sobre este aspecto da existência humana a CFW diz o seguinte:

Deus dotou a vontade do homem com tal liberdade natural, que ela nem é forçada para o bem nem para o mal, nem a isso determinada por qualquer necessidade absoluta de sua natureza. Ref. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7.



Comentando acerca desta seção da CFW, A. A. Hodge diz o seguinte:

...que a alma humana, inclusive todos os seus instintos, idéias, juízos, emoções e tendências, tem o poder de decidir por si mesma; isto é, a alma decide em cada caso como geralmente lhe agrade.



O homem é livre para escolher, sendo que nada externamente pode forçar suas escolhas. Isto é essencial no homem, faz parte da sua criação a imagem e semelhança de Deus. “À parte dela, não pode haver qualquer responsabilidade, confiança ou planejamento. À parte dela, não pode haver educação, religião ou adoração. À parte dela, não pode haver qualquer arte, ciência ou cultura. A capacidade de escolher é uma condição sine qua non de toda a vida humana”.

A definição de Campos sobre este assunto é também esclarecedora:

Livre Agência, por outro lado, poderia ser definida como a capacidade que todos os seres racionais têm de agir espontaneamente, sem serem coagidos de fora, a caminharem para qualquer lado, fazendo o que querem e o que lhes agrada, sendo, contudo, levados a fazer aquilo que combina com a natureza deles.



Campos ainda falando sobre este aspecto, enfatizando a responsabilidade humana em suas escolhas diz:

É importante que o ser racional que ele aja sempre movido pelo seu ego. A responsabilidade dele sempre estará diretamente ligada à voluntariedade do seu ato. Todos os atos dele devem ser auto-inclinados e auto-determinados.



Portanto, para que haja responsabilidade, não é necessário que haja o poder de escolha contrária, mas sim, que haja o poder de auto-determinação, que a ação seja nascida nas inclinações do ser racional.



Pelo que ficou demonstrado, em qualquer época o homem é livre para agir conforme sua condição, sua natureza, ou seja, ele sempre faz o que quer conforme a sua inclinação.



3. A queda do homem: O que aconteceu ao livre-arbítrio?

Como dissemos acima, na criação o homem recebeu a capacidade de fazer escolhas e possuía também a liberdade de fazer escolhas certas, ou seja podia escolher agradar a Deus, de tal forma que pudesse cair desse estado em que foi criado. O homem foi criado totalmente santo, integro, contudo podia escolher algo que fosse contrário a essa sua natureza. E foi isso o que aconteceu, ou seja, escolheu pecar. “No princípio, portanto, o homem não era um ser neutro, nem bom nem mau, mas um ser bom que era capaz de, com a ajuda de Deus, viver uma vida totalmente agradável a Deus”. Como dizia Agostinho, o homem tinha a “capacidade de não pecar” (posse non peccare).

Neste sentido, até antes de sua queda podemos dizer, o homem possuía o livre-arbítrio, contudo com a desobediência, ele perdeu tal capacidade, sendo que não mais consegue fazer escolhas certas, não consegue agradar a Deus. Suas escolhas serão sempre determinadas pelo estado em que caiu. Suas escolhas serão de acordo com a sua natureza.

É neste ponto que surgem então discussões, pois, diferente da posição Reformada Calvinista, os Arminianos irão afirmar que o homem ainda possui o livre-arbítrio. Ele pode sem a intervenção de Deus, em seu estado natural, fazer escolhas espirituais acertadas.

Para os arminianos a queda do homem, embora tenha trazido algum prejuízo não afetou totalmente o homem, sendo que, continua em seu estado natural a ter habilidades para escolher a salvação, para escolher agradar a Deus. Desta forma, a depravação não foi total.

Vejam mais detalhadamente a posição dos arminianos quanto a depravação do homem:

Embora a natureza humana tenha sido seriamente afetada pela queda, o homem não ficou reduzido a um estado de incapacidade total. Deus, graciosamente, capacita todo e qualquer pecador a arrepender-se e crer, mas o faz sem interferir na liberdade do homem. Todo pecador possui uma vontade livre (livre arbítrio), e seu destino eterno depende do modo como ele usa esse livre arbítrio. A liberdade do homem consiste em sua habilidade de escolher entre o bem e o mal, em assuntos espirituais. Sua vontade não está escravizada pela sua natureza pecaminosa.. O pecador tem o poder de cooperar com o Espírito de Deus e ser regenerado ou resistir à graça de Deus e perecer. O pecador perdido precisa da assistência do Espírito, mas não precisa ser regenerado pelo Espírito antes de poder crer, pois a fé é um ato deliberado do homem e precede o novo nascimento. A fé é o dom do pecador a Deus, é a contribuição do homem para a salvação.



O ensino arminiano segue o raciocínio de Pelágio, com diferença apenas no fato de que este, dizia que a queda não afetou em nada a humanidade, de tal forma que “o homem continua nascendo na mesma condição em que Adão estava antes da queda. Esta isento não só de culpa, como também de polução.” Por isso, os arminianos são considerados semi-pelagianos, pois pensam que o homem depois da queda tenha capacidade para fazer escolhas certas.

Os reformados calvinistas, em contra partida, afirmam que a queda incapacitou totalmente o homem, afetando todas as suas faculdades. O homem após a queda perdeu tal liberdade, sendo agora escravo do pecado, morto espiritualmente.

Vejam mais detalhadamente o pensamento calvinista sobre a depravação total

Devido à queda, o homem é incapaz de, por si mesmo, crer de modo salvador no Evangelho. O pecador está morto, cego e surdo para as coisas de Deus. Seu coração é enganoso e desesperadamente corrupto. Sua vontade não é livre, pois está escravizada à sua natureza má; por isso ele não irá - e não poderá jamais - escolher o bem e não o mal em assuntos espirituais. Por conseguinte, é preciso mais do que simples assistência do Espírito para se trazer um pecador a Cristo. É preciso a regeneração, pela qual o Espírito vivifica o pecador e lhe dá uma nova natureza. A fé não é algo que o homem dá (contribui) para a salvação, mas é ela própria parte do dom divino da salvação. É o dom de Deus para o pecador e não o dom do pecador para Deus.



Os calvinistas neste sentido, seguem os ensinos de Agostinho, que por sua vez combateu os ensinamentos de Pelágio. Agostinho ensinou que quando os seres humanos “pecaram, embora não perdessem a sua capacidade de fazer escolhas, perderam a sua capacidade de servir a Deus sem o pecado – em outras palavras, a sua verdadeira liberdade. O homem tornou-se, então, um escarvo do pecado; ele passou ao estado de ‘não ser capaz de não pecar’ (non posse non peccare).”

A CFW afirma o seguinte acerca disso:

O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Ref. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5.



Calvino também disse o seguinte acerca desta situação do homem:

As Escrituras atestam que o homem é escravo do pecado; o que significa que seu espírito é tão estranho à justiça de Deus que não concebe, deseja, nem empreende coisa alguma que não seja má, perversa, iníqua e impura; pois o coração, completamente cheio do veneno do pecado, não pode produzir senão os frutos do pecado.



O homem, após a queda não possui mais o livre-arbítrio, não pode mais escolher algo que é contrário a sua natureza pecaminosa. Ele está morto, cego, é escravo do pecado.

Esta doutrina defendida pelos calvinistas, pelos reformados, que por sua vez é negada pelos arminianos, não se trata apenas de uma posição teológica diferente, e sim de afirmação bíblica. Nega-la é o mesmo que renunciar a Palavra de Deus neste assunto.

São inúmeros os textos que afirmam tal verdade, falando que o homem está incapacitado totalmente de atender ao convite de salvação, de atender as exigências divinas. Isto acontece por seu próprio pecado, por sua própria inclinação e desejo. À parte da graça de Deus o homem, por sua própria iniciativa não pode salvar-se, ou escolher isto.

Vejamos textos que servem de base para a doutrina calvinista:

1. O homem está morto, incapaz de qualquer bem, precisando da intervenção divina: Jr 13.23; Ef. 2.1-10; Rm 3.9-18, 23; Cl 2.13; Tt 3.3-5.

2. O homem não consegue ir até Jesus, senão com a ajuda somente de Deus: Jo 6.44, 65; Rm 9.16.

3. O homem precisa nascer de novo, contudo, isto só aconteça através da atuação do Espírito Santo, que age soberanamente: Jo 3.1-15.

4. O homem não pode compreender as coisas espirituais, senão pelo Espírito: I Co 2.14-16.

5. A Bíblia declara que o homem está cego, é escarvo do pecado. Não pode fazer outra coisa senão pecar, a não ser que Deus mude seu estado: Ef. 4.18; Jo 8.31-36; Jo 9.35-41; Rm 6.15-23; 2 Tm 2.26.

6. O homem não pode apresentar um fruto diferente daquilo que ele é: Mt 7.16-18; Tg 1.16-18.

Percebam que, afirmar que o homem tem o livre-arbítrio, é o mesmo que ignorar tais textos da Bíblia.

É importante enfatizar que, o homem mesmo neste estado, continua ser um agente livre, ou seja, ele exerce “a livre agência”. Isto quer dizer que continua a fazer as suas escolhas, contudo, não escolhe nada que seja contrário a sua natureza pecaminosa (Jo 5.40; Tg 1.14; Mt 17.12; At 7.51; Ef 2.3). O homem nunca é forçado a fazer algo que não deseja. Faz sempre aquilo que lhe traz prazer.

Sobre isto, diz Calvino:

Não pensemos, entretanto, que o homem peca como que impelido por uma necessidade incontrolável; pois peca com o consentimento de sua própria vontade continuamente e segundo sua inclinação. Mas, visto que, por causa da corrupção de seu coração, odeia profundamente a justiça de Deus; e, por outro lado, atrai para si toda sorte de maldade, por isso afirmamos que não tem o livre poder de eleger o bem ou o mal – que é o que chamamos livre-arbítrio.



Campos diz também o mesmo:

Originalmente, antes da queda, o homem teve tanto o livre arbítrio como a livre agência. Depois da queda o homem ficou somente com a livre agência, pois perdeu tanto o desejo quanto a capacidade de fazer o bem, isto é, o poder de agir contrariamente à sua natureza.



Assim, é o homem quem escolhe continuar no pecado, contudo, não tem capacidade, por causa do seu próprio pecado e maldade, para escolher coisa diferente a não ser que suas inclinações e vontade sejam transformadas por Deus, recebendo habilidade para escolher o que é bom e reto. Por isso o homem é sempre responsabilizado por seus atos, pois, sempre escolhe o que lhe agrada.



4. Na Redenção do Homem: O que acontece ao livre-arbítrio?

Quando Deus em sua livre graça, resolvendo salvar o homem, age em seu coração, pela ação do Espirito lhe implanta vida, o que acontece é que o homem recebe habilidade para escolher o que é reto e bom. A Bíblia descreve este ato, como o da libertação de um escravo, dando-lhe liberdade para escolher o que é agradável a Deus, contudo, muito embora liberto, pode ainda inclinar-se para o pecado. O homem passa a desejar o que é bom. Isto não significa que não deseje o pecado, pois, ainda permanece nele a imperfeição.

Sobre isto diz a CFW:

Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o liberta da sua natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o habilita a querer e fazer com toda a liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrupção, ainda nele existente, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau. Ref. Col.1: 13; João 8:34, 36; Fil. 2:13; Rom. 6:18, 22; Gal.5:17; Rom. 7:15, 21-23; I João 1:8, 10.



Estaria o homem regenerado na mesma condição de Adão antes da queda, ou seja, teria ele agora novamente o livre-arbítrio? Não, pois, não voltamos a ser como era Adão. Ele era perfeitamente reto, santo, e podia escolher algo que fosse contrário ao que era a sua natureza. O homem regenerado, recebe liberdade para escolher o que é bom, contudo, não tem o livre arbítrio, pois não escolhe algo contrário ao que ele é. Ou seja, quando escolhe o que é bom, faz isso de acordo com a sua nova natureza criada em Cristo e quando escolhe pecar, faz isso, conforme a sua natureza carnal. Esta é a luta que reside dentro do homem restaurado. Ele não pode dar lugar ao velho homem (Ef 4.17-24; Cl 3.1-11).

É importante ressaltar que, sendo regenerado o homem recebe habilidade, que antes não tinha, para escolher a Deus. Conforme Agostinho, o homem recebe a capacidade de não pecar (posse non peccare). Por isso, e somente assim, pode atender ao convite do Evangelho para a sua salvação. O homem na regeneração, continua a exercer a sua “livre agência”.

Vejam como a CFW, fala da condição que o homem para fazer escolhas espirituais, como um ser ativo:

Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça. Ref. João 15:16; At. 13:48; Rom. 8:28-30 e 11:7; Ef. 1:5,10; I Tess. 5:9; 11 Tess. 2:13-14; IICor.3:3,6; Tiago 1:18; I Cor. 2:12; Rom. 5:2; II Tim. 1:9-10; At. 26:18; I Cor. 2:10, 12: Ef. 1:17-18; II Cor. 4:6; Ezeq. 36:26, e 11:19; Deut. 30:6; João 3:5; Gal. 6:15; Tito 3:5; I Ped. 1:23; João 6:44-45; Sal. 90;3; João 9:3; João6:37; Mat. 11:28; Apoc. 22:17.



Esta vocação eficaz é só da livre e especial graça de Deus e não provem de qualquer coisa prevista no homem; na vocação o homem é inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e a receber a graça nela oferecida e comunicada.

Ref. II Tim. 1:9; Tito 3:4-5; Rom. 9:11; I Cor. 2:14; Rom. 8:7-9; Ef. 2:5; João 6:37; Ezeq. 36:27; João5:25.



É o homem que diz sim a Deus, que diz sim ao chamado do Evangelho, depois de Ter sido habilitado, libertado do pecado. O abrir do olhos, a nova criação, o nascer de novo, é obra da livre graça de Deus e se não for assim, ninguém poderá crer em Cristo. Se não recebermos a fé que vem do Senhor, nunca poderemos crer. Maravilhosa graça!



5. Na glorificação do Homem: Terá o livre-arbítrio?

Quando formos glorificados, por ocasião da vinda de Cristo e completação de nossa salvação, teremos de volta o livre-arbítrio? Não, na glorificação, não voltaremos a ser como Adão, estaremos à frente dele, pois, ele quando criado não gozava de uma perfeição permanente, ou seja, podia cair de tal estado. Ele podia escolher algo contrário a sua natureza, contudo, se tivesse sido obediente poderia Ter alcançado a perfeição permanente. Os crente glorificados alcançarão o que Adão não pode alcançar. Teremos perfeita liberdade para servir a Deus. Continuaremos a ser agentes livres, pois, escolheremos o que estará de acordo com a nossa natureza perfeita. Nunca escolheremos pecar, pois, não haverá tal possibilidade, então, nunca mais teremos o livre-arbítrio.

Desta forma, como disse Agostinho, alcançaremos o estado “não posso pecar” (non posse peccare).

Diz a CFW:

É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o bem só. Ref. Ef. 4:13; Judas, 24; I João 3:2.



Comentando a CFW, Hodge diz:

Quanto ao estado dos homens glorificados no céu, nossa Confissão ensina que continuam, como antes, agentes livres; contudo, os restos de suas velhas tendências morais corruptas, sendo extirpadas para sempre, e as graciosas disposições implantadas na regeneração, sendo aperfeiçoadas, e o homem todo, sendo conduzido à medida da estatura do varão perfeito, à semelhança da humanidade glorifica de Cristo, permanecem para sempre perfeitamente livres e imutavelmente dispostos à perfeita santidade. Adão era santo e instável. Os homens não regenerados são impuros e estáveis; isto é, são permanentes na impureza. Os homens regenerados possuem duas tendências morais opostas, digladiando-se pelo domínio em seus corações. São lançadas entre elas, contudo a tendência graciosamente implantada gradualmente por fim prevalece perfeitamente. Os homens glorificados são santos e estáveis. São todos livres e, portanto, responsáveis.



Portanto na glorificação, seremos para sempre livres, sem também o livre-arbítrio para sempre.







Conclusão

Os reformados, os calvinistas crêem no livre-arbítrio, como tendo sido uma habilidade concedida a Adão e perdida na queda. Desde então o homem ficou desprovido de qualquer habilidade para fazer escolhas santas, agradáveis a Deus. Não lhe resta outro desejo senão o de pecar, conforme as inclinações de seu próprio coração, sendo assim, um agente livre e responsável.

Cremos que, nunca mais tal habilidade fará parte da existência humana. O fato de Deus nos libertar do pecado nos habilitando a fazer escolhas acertadas, não é o mesmo que dizer que temos o livre-arbítrio. As escolhas sempre estarão de acordo com a nossa natureza, ou naturezas.

Nem antes, nem depois, voltaremos a ser como era Adão. Na glorificação estaremos à frente dele, num estado em que o pecado não será possível.

Dizermos que existe um tal de livre-arbítrio, seria o mesmo que dizer que Deus não é soberano sobre a salvação do pecador, que Ele está sujeito ao querer do homem.

Se não fosse Deus, sua graça o que seria de nós, nunca escolheríamos a Ele.

Que o estudo acerca desse tema, possa-nos motivar a glorificar a Deus por causa da sua graça que, agindo em nós mudou nos inclinações e vontade, fazendo-nos querer, desejar, o que não queríamos nem desejávamos.



Sola Gratia!

Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Soberania de Deus e os erros doutrinários da CPAD


Este artigo é uma resposta à lição A Soberania e a Autoridade de Deus

Tive contato com a revista Lições Bíblicas da CPAD, usada na EBD das Assembléias de Deus no Brasil e outras denominações pentecostais, através do meu sogro que é membro desta denominação. Ao folhear essa revista, meio que por acaso, enquanto o esperava chegar do culto no domingo, dei de cara com a lição de n° 6 que será utilizada dia 9 de maio deste ano, intitulada: A Soberania e a Autoridade de Deus. Imediatamente, como bom calvinista, o tema me chamou a atenção, e mais ainda o texto áureo: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso? Rm 9:21” que estava em destaque. Em um primeiro momento fiquei surpreso e feliz, por ver um verso desse como tema de uma lição bíblica em uma igreja pentecostal e tendo em vista o grande número de pentecostais que têm entendido e subscrito a soteriologia reformada, imaginei que com esse tema e texto base, não tinha como não se curvar diante da clareza bíblica da soberania divina na eleição. Mas não durou muito a minha alegria, logo na introdução li a expressão: Calvinistas Extremados, então por estar acostumado aos constantes ataques de arminianos em fóruns, artigos e livros, já sabia que tipo de fundamento nortearia todo aquele estudo. Ao continuar a intrigante leitura, as minhas suspeitas se confirmaram, não era um ataque ao hiper-calvinismo, era uma afronta a soteriologia reformada e bíblica, comumente chamada de calvinismo.

A acusação inicial da lição desta revista de lições bíblicas é de que os calvinistas, ignoram o ensinamento bíblico de que Deus age e determina de acordo com seus santos e perfeito atributos, como bondade e santidade, esquecendo-se, como sempre, que a justiça é um dos atributos de Deus. Deus é Justo Juiz e conforme o contexto da parábola do oleiro em Jeremias, Deus retribui a cada um, segundo o proceder, segundo o fruto de suas as ações (Jr. 17:9). Isto também inclui a justa condenação, a reprovação divina é de acordo com o mérito humano, neste caso, a reprovação divina é de acordo com o demérito humano. Até esse ponto parecem todos estarem de acordo, mas o erro está em supor que alguém possa ser um não merecedor da condenação eterna, todos, inclusive os eleitos, são filhos da ira por natureza (Ef. 2:3), ninguém será salvo por mérito próprio . Assim Deus sempre é o Justo Juiz, diante da condição da criatura humana, mesmo que a todos encerrar-se debaixo da condenação eterna, Deus apenas estaria sendo Justo.

O calvinismo ensina que todos os seres humanos são agentes livres no sentido de que eles podem tomar suas próprias decisões a respeito daquilo que querem fazer, escolhendo de acordo com sua própria natureza e consciência. Ai está o problema do homem natural, segundo as Escrituras ele sempre escolhe mal, a não ser que Deus intervenha de forma soberana, quebrando o coração de pedra e dando-lhe o arrependimento para a vida, este continuará em sua rebeldia contra Deus, morto espiritualmente e não podendo escolher as coisas que dizem respeito a salvação da alma, o homem caído ama somente as trevas e jamais escolhe ser de Deus, não pode por si mesmo buscar o bem espiritual (Rom 3:10).
Então as Escrituras ensinam bem mais que somente o cuidado de Deus pelo seu povo, por aqueles a quem molda para serem vasos de honra, exalta também sua soberania, quando de sua livre vontade, resolve endurecer e não usar de misericórdia com alguém (Rom 9:13-18), e acertadamente, diz o autor da lição que para entender a predestinação é necessário ler romanos capítulos 9-11.
O amor de Deus pelos seus, está fundamentado em sua soberana escolha, “Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.” (Rom 9:13), e este aborrecer é mais que “amar menos” conforme Ml 1:3-4 deixa bem claro, ele traz o sentido de rejeição e antipatia.

Curiosamente a revista traz além de vários textos bíblicos maravilhosamente esclarecedores como: ”... O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade” ( Is 46:10), uma definição bíblica e ortodoxa da soberania de Deus, contudo, como é de praxe aos arminianos tentar, a todo custo, condicionar a escolha divina dos que serão salvos ao pré-conhecimento das ações de suas criaturas, isso está também presente no estudo em questão, expresso na frase “levando sempre em conta, naturalmente, o livre-arbítrio com que Ele nos dotou”. Ensino esse que não encontra fundamento nas Escrituras. A eleição segundo a presciência de Deus de que fala as Escrituras, não diz respeito as ações das pessoas, aliais, “presciência” nunca é empregada nas Escrituras em relação a eventos ou ações; em lugar disso, sempre se refere a pessoas. Pessoas é que Deus declara que “de antemão conheceu” (pré-conheceu), não as ações dessas pessoas, vejamos o texto usado na revista:
“Nossa eleição, portanto, tem como base a soberania e a presciência divinas: eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas (1Pe 1:2)”
Quem são “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”? O versículo anterior nô-lo diz: a referência é aos “estrangeiros dispersos”, isto é, a Diáspora, a Dispersão, os judeus crentes. Portanto, aqui também a referência é a pessoas, e não aos seus atos previstos. Se Deus escolhesse os homens baseado nas futuras ações humanas, a salvação seria por méritos previstos, mas o certo é que para as boas obras fomos escolhidos e não por causa delas. (Ef 1:4).

A revista parece mais confusa ainda, quando resolve definir predestinação e como que fugindo do argumento da eleição condicionada ao pré-conhecimento, agora usa João 3:16 para afirmar que Deus predestinou todos os seres humanos à vida eterna, é isso mesmo, o texto usado para falar de predestinação é exatamente o que nada fala sobre isso, mesmo tendo a Bíblia mais de 50 versículos que claramente fazem referência a escolha de Deus daqueles a quem soberanamente salvaria, o único texto que o autor consegue enxergar como resposta a este dilema milenar da cristandade segundo ele de fácil compreensão é que “Deus amou o mundo” como se a expressão de sua benevolência significasse que Deus ama com amor eletivo toda e cada criatura humana, inclusive Esaú, enquanto que nem o verso e nem o contexto a nada disso sugere, pelo contrário, é onde Jesus a muitos confunde com sua assertiva de que ninguém pode ver o reino de Deus, sem antes nascer de novo. Outros textos que falam claramente que os nomes dos eleitos estão escritos no livro da vida antes da fundação do mundo (Ap 17:8), propositalmente ficam fora do estudo que ainda afirma que Deus jamais predestinaria alguém para a condenação eterna, contrariando claramente textos como 1Pe 2:8, Rom 9:22, Jd 1:4, At 13:48 e Prov 16:4.

A predestinação sugerida pelo autor não é a mesma ensinada pelas Escrituras, aquilo que Deus determina, ordena, predestina, tem um fim certo e não pode ser mudado, nem mesmo pela livre agência humana, que não é o mesmo que o livre arbítrio arminiano, onde supostamente Deus abre mão de sua jurisdição e governo para dar ao homem a real oportunidade de escolher e criar realidades, sendo assim uma espécie de co-criador, mas a verdade é que o homem nunca é livre metafisicamente de Deus. A revista ensina que a predestinação para a salvação (mesmo sendo baseada na onisciência como defendido antes), não é garantia de nada, não implica em uma certeza absoluta que aquela pessoa predestinada será salva, enquanto isso as Escrituras Sagradas declaram: Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Rom 8:29-30).
Podemos facilmente perceber que os indivíduos são os mesmos, do início ao fim do processo, desde o conhecimento de nossas pessoas por Deus na eternidade, que entendemos ser o amor eletivo de Deus (pois conhecer no sentido de “tomar ciência”, à todos e tudo Deus conhece) até à justificação, existe uma corrente onde os elos são os mesmos, inquebráveis até o fim, ou seja, os mesmo que são predestinados para a salvação são definitivamente glorificados e levados ao céu, não pode falhar porque faz parte do plano eterno e perfeito de Deus para sua própria glória, e Jesus certamente tem poder para cumprir a vontade do Pai: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.” (Jo 6:39).

A lição da revista Lições Bíblicas da CPAD é uma tentativa tímida e inútil de conciliar doutrinas inconciliáveis, à saber, o ensino clássico da Soberania de Deus com a tese arminiana do livre-arbítrio, para tal, é capaz de recorrer à métodos, em muito, parecidos com o das literaturas sectárias, como a revista sentinela dos Testemunhas de Jeová, onde é comum encontrarmos afirmações teológicas fundamentadas em textos claramente distorcidos, fora de seus contextos ou que simplesmente nada falam sobre o assunto ao qual é associado.
É lamentável ver uma revista aparentemente séria como esta da CPAD, além de claramente distorcer textos bíblicos para sustentar sua posição e de vetar com esse discurso autoritário qualquer possibilidade de debate, e a liberdade de pensamento e consciência de cada crente que se utiliza de seu material para estudar as Escrituras, ainda com tom de chacota distorce as palavras de Calvino, insulta os calvinistas, e estigmatiza em sua literatura a posição soteriológica reformada, sustentada por diversas denominações sérias e históricas de nosso país, isso me faz lembrar as palavras de queixa do irmão A. S. Pettie, quando ele diz: "De lábios hostis, uma afirmação justa e correta da doutrina, nunca é ouvida".

Por Djalma Oliveira Santiago

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DESSA VEZ DEIXO DE SER CALVINISTA...



KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!

domingo, 23 de agosto de 2009

Os Cinco Contraditórios Pontos do Arminianismo!!!


a)O dogma do livre arbítrio


Como resultado da queda de Adão no Éden, a Bíblia diz que nEle, toda a raça humana está espiritualmente morta(Gn 2:17; Ef 2:1,5; Cl 2:13). Estando espiritualmente mortos, todos os filhos de Adão tendem a refletir a atitude de seu pai: como caído, fugirem da presença de Deus(Gm 3:8-10)e não se reconhecerem como culpados(pecadores)diante de Deus(Gn 3:11-13), razão pela qual, o Espírito Santo têm que convencê-los de seu pecado(Jo 16:7-9) Ora, se houvesse, após a queda, a capacidade de escolher a Deus por parte do homem espiritualmente morto, certamente Adão procuraria a Deus, e não Deus a Adão! E o resultado da queda de Adão sobre os seus descendentes é que segundo a Bíblia, "viu o SENHOR... que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração ERA SÓ MÁ continuamente"(Gn 6:5 ACF). Embora as Escrituras digam que após a queda no Éden, o homem está total e completamente morto(totalmente depravado) e arruinado; todavia, à revelia da Bíblia, os arminianos dizem que "a natureza humana foi indubitavelmente prejudicada pelo pecado, PORÊM NÃO ARRUINADA TOTALMENTE"(Rev. José G. Salvador; Arminianismo e Metodismo, p.87). Não só o dogma do livre arbítrio é falso e blasfemo, como tambem contraditório. Ele entra em contradição com o segundo ponto do arminianismo - a eleiçaõ condicional. Os arminianos dizem que desde a fundação do mundo, Deus sabia quem iria crer ou não crer em Cristo, e que, com base nessa presciência, elegeu os que iriam crer para a salvação, e da mesma forma, predestinou, designou, recusou ou reprovou de antemão[desde a eternidade] os que não iriam crêr, para a condenação(Pr. Raimundo Ferreira de Oliveira; Lições Bíblicas[CPAD], Quarto Trimestre de 1987, pp.32-33). Ora, com base nisto, perguntamos: aqueles que, pela presciência de Deus, não crerão em Cristo e que foram de antemão por Deus predestinados, designados e reprovados para a condenação, tem a capacidade para escolherem a Deus??? Se têm essa capacidade, onde fica então a presciência de Deus?


A Harpa Cristã, hinário das Assembléias de Deus, canta a doce melodia da total depravação do homem(esmigalhando o dogma do livre arbítrio), dizendo:


"Longe do Senhor, andavaNo caminho do horror,POR JESUS NÃO PERGUNTAVA,NEM QUERIA O SEU AMOR'NO JUÍZO NÃO PENSAVA,NEM NA MINHA PERDIÇÃONEM MINHA ALMA DESEJAVA A ETERNA SALVAÇÃO"(169:1,2)


Tais frases refletem o ensino bíblico. Os ímpios, antes de serem regenerados pelo Senhor, não tem nenhum interesse por Deus(Rm 10:20). Nenhum deles tem ou podem ter qualquer desejo de ir até Cristo(Jo 3:20; 5:40; Jó 21:14-15). E o ímpio não pensa no juízo nem em sua perdição, uma vez que, em seu estado de total morte espiritual, ele não se julga um pecador(Mt 23:30; Lc 18:11-12); devido a seu estado caído(a sua natureza pecaminosa), ele não entende que o juízo de Deus está sobre ele(Pv 28:5 comp.com Sl 7:11; Rm 1:18). E por que os ímpios não estão convencidos de que estão debaixo do juízo(ira)de Deus? Porque, estando espiritualmente mortos, "ELES NADA SABEM, NEM ENTENDEM; VAGUEIAM EM TREVAS"(Sl 82:5 ARA); "OS PERVERSOS SÃO INIMIGOS DA LUZ, NÃO CONHECEM OS SEUS CAMINHOS"(Jó 24:13 ARA). Os ímpios estão totalmente impossibilitados e incapacitados de chegarem a esta conclusão por si mesmos. O Espírito Santo têm que convencê-los disso(Jo 16:7-8). Agora imaginem alguém que têm condições de chegar as suas próprias conclusões, necessitar da ajuda de outro alguém para chegar a estas conclusões? Complicado, não???Os ímpios não podem jamais desejar a salvação, visto que eles odeiam tanto a Deus(Rm 5:10; 8:7; Cl 1:21), que reputam as trevas como "luz"!(Is 5:20). Em suma, o dogma do livre arbítrio, não encontra respaudo nas Escrituras!


(b)O dogma da eleição condicional


A Bíblia diz que a eterna eleição para a salvação(Ef 1:4) é "a eleição da graça"(Rm 11:5,6), e se 'graça' é 'favor imerecido', como ela pode ser condicionada a qualquer futura atitude do homem? Embora a Bíblia diga que a eleição é da graça(isto é - incondicional = At 13:48); os arminianos, à revelia das Escrituras, dizem que ela é condicional. Não só este dogma é blasfemo e antibíblico, como tambem contraria o terceiro ponto do arminianismo. Ora, se em sua presciência, Deus já sabia quem vai crêr e quem não vai crêr em Cristo, elegendo os futuros crentes em Cristo para a salvação, bem como predestinando, designando, recusando ou reprovando de antemão os que não crerão em Cristo, como então Cristo poderia morrer por aqueles que de antemão Ele próprio havia predestinado, designado, recusado e reprovado para a condenação? Poderia Cristo morrer por aqueles que de antemão sabia que jamais creriam nEle? Morreria Cristo em vão? E onde estaria a sua presciência? Justamente por isso, cantamos com a Harpa Cristã, a doce melodia da eleição incondiconal(que é a eleição da graça):


"FOMOS NÓS PREDESTINADOS,PARA CRERMOS EM JESUS"(236:3)


As palavras da Harpa Cristã ensinam o que a Bíblia ensina: que a fé é a consequência, não a causa da eleição para a salvação. Em outras palavras: fomos eleitos para crermos, e não porque creríamos!(At 13:48)


(c)Expiação Geral


Enquanto a Bíblia explicitamente diz que Cristo não morreu por todos os homens, sem exceção((Mt 26:28; Mc 14:24), e que seu sangue foi derramado em favor apenas dos eleitos(1 Pd 1:2); os arminianos, em revelia à Biblia, dizem que Ele morreu por todos os homens sem exceção - por cada indivíduo. Ora, tal dogma arminiano é uma blasfêmia, pois se é verdade que era parte do plano de Deus que Cristo morresse por toda a raça humana sem exceção(com o objetivo de salvar a todos), e se todos não foram salvos, então o plano de Deus foi frustrado, não alcançou o seu objetivo, não teve êxito. Só que de acordo com a Bíblia, NUNCA, JAMAIS, nenhum plano de Deus ficou sem ter o seu objetivo alcançado, antes todos os seus planos se realizaram perfeitamente(Jó 42:2; Sl 135:6; Is 46:10). Além do mais, a Bíblia diz que Cristo ficaria satisfeito com o resultado de sua obra expiatória(Is 53:11), e qual foi o por quê desta sua satisfação? Porque o plano de Deus era que Cristo morresse pelos eleitos, para que estes obtivessem a vida eterna - algo que efetiva eficazmente ocorreu!(Is 53:11; Dn 12:10; Mt 20:28; Jo 17:2,4,6). Agora, não só o dogma arminiano(expiação geral) é blasfemo e antibíblico, como entra em contradição com o quarto ponto do arminianismo. Ora, o quarto ponto do arminianismo(resistibilidade da graça divina) ensina que a graça de Deus pode ser resistida não só por uma parte da raça humana(os eleitos), mas por toda as duas partes(eleitos e não eleitos[reprovados]). Neste sentido, se Cristo morreu por toda a raça humana para dar-lhe a vida eterna, e se qualquer uma das partes da humanidade(os eleitos ou os reprovados) pode lhe resistir(ao seu chamado interno), isto faria com que o Salvador morresse em vão!!!


Mas, à revelia do do herético terceiro ponto do arminianismo, prefiro abria a Harpa Cristã e cantar a doce melodia da "Expiação Particular":


"Só mesmo o tão profundo amor Do nosso bendito Deus,Mandava ao mundo de horror,O Seu Filho, PRA SALVAR OS SEUS"(475:4)


"Por Ele abençoada é toda a nação,QUE FOI PREDESTINADA A GRANDE VOCAÇÃO"(135:3)


"JÁ DANTES DESTA CRIAÇÃOJESUS ME PREPARAVAA MAIS PERFEITA SALVAÇÃO;Oh! Quanto a mim amava"(219:2).


A estrofe 3 do hino 135 ensina que somente a nação predestinada(ou escolhida)por Deus, recebia a benção da vida eterna, como diz a Bíblia(1 Cr 17:21-22; 2 Sm 7:23). A estrofe 4 do hino 465 ensina que Cristo foi enviado para morrer pelos eleitos, conforme diz a Bíblia(Jo 10:11,14-16; 17:2,6,9). A estrofe 2 do hino 219 nos ensina que Cristou amou os seus escolhidos, bem antes da fundação do mundo, com o amor de um Salvador, conforme diz a Bíblia.


(e)Cair da graça ou perder a salvação


A Bíblia ensina explicitamente que é impossível um cristão ser enganado pelos ministros de Satã(Jo 10:4,5), ser arrebatado das mãos de Cristo e do Pai(Jo 10:28-29)e que nenhum dos regenerados poderão ser derrotados pelo malígno mundo(1 Jo 5:4). Mas, à revelia das Escrituras, os arminianos dizem que é possível um cristão perder a salvação. Todavia, este dogma arminiano, não só é falso e blasfemo, como tambem entra em contradição com o segundo ponto do arminianismo. Ora, se desde a eternidade Deus sabia quem ia crer nele e perseverar até o fim, e que, com base nesta presciência, os elegeu para a salvação, como é possível eles se perderem? Este dogma resultaria tanto em negar a presciência de Deus, como tambem a negar o dogma arminiano da eleição condicionalContinuaçãoMas, rejeitando o quinto dogma arminiano(remonstrante), prefiro abrir a Harpa Cristã e cantar a doçe melodia do "UMA VEZ SALVO, PARA SEMPRE SALVO"!!!


"NUNCA JAMAIS HEI DE PERECER"(146:2)


"ME GUARDARÁS POR TEU AMOR,FIEL ATÉ O FIM"(229:3)


"Vem a Cristo, sem tardar,Com seus dons te quer fartar,COM RIQUEZAS QUE JAMAIS SE PERDERÃO"(281:3)


"PRA ESCRAVIDÃO DO EGITO NUNCA MAIS EU VOLTAREI"(316:3)


"JESUS PRA SEMPRE ME SALVOU"(424).


A estrofe 2 do hino 146 revela que é impossível um cristão perecer(Jo 10:28). A estrofe 3 do hino 281 revela que é impossível as riquezas da salvação serem perdidas. E sabe por que? Porque se a nossa eleição para a salvação e se a nossa vocação para a salvação são ambas dons de Deus(Ef 2:8-9; 2 Tm 1:9) e se "OS DONS E A VOCAÇÃO DE DEUS SÃO IRREVOGÁVEIS"(Rm 11:29 ARA), como entãio poderia Deus anular o seu chamado(interno) para a salvação e anular a própria salvação? Como poderia Ele retirar de nós a fé salvífica?(Hb 12:2). A estrofe 3 do hino 316 diz que uma vez libertos da escravidão do pecado, jamais poderemos outra vez nos tornarmos seus escravos totalmente(Jo 8:36; 2 Co 3:17). Paulo chega até a ensinar que os verdadeiros cristãos jamais se desviam para a perdição(Hb 10:39). O hino 424 simplesmente está ensinando e afirmando: "Uma vez salvos, para sempre salvos"!(Jo 5:24; 10:28-29). E a estrofe 3 do hino 229, nos ensina a coroa da doutrina reformada-protestante da perserverança dos santos. Tal estrofe nos diz que a nossa perseverança final é um produto, não de nossos esforços, mas da graça de Deus!(Jr 32:40; Fl 1:6; 1 Co 1:8).


Em suma: além dos quatro pontos do arminanismo remonstrante não se sustentarem biblicamente e de serem uma herança da Contra Reforma(através dos canônes do Concílio de Trento, 1547 d.C); para piorar ainda mais a sua situação vexatória, eles se contradizem a si mesmos - um ao outro.


Que Deus abençoe a todos.

Jailson Serafim

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A Réplica......


Caros leitores , o nosso blog através deste artigo visa responder aos questionamentos do artigo: Determinismo e a agenda oculta de Deus do site; http://www.arminianismo.com/index.php?option=com_content&view=article&id=835:o-determinismo-e-a-agenda-oculta-de-deus&catid=142&Itemid=28




Segue agora a "Réplica" , por Sérgio Moreira




ANÁLISE DO TEXTO
O DETERMINISMO E A AGENDA OCULTA DE DEUS


O que é dito sarcasticamente de agenda oculta, é na verdade o decreto de Deus, que de fato só conhecemos o que Ele nos revela na Sua Palavra, agora, se não é suficiente, reclame a Deus por que Ele não fez do jeito que você queria.
Vou fazer três destaques e tratá-los:


- Portanto, se este Decreto Incondicional de “tudo” quanto acontece existe de fato e que por isso o homem não tem o livre-arbítrio, deve ser entendido também que este não poderia ser responsabilizado por nada do que fizesse, nem sequer ser repreendido, pois foi Deus quem o determinou que fizesse tudo isso de acordo com a lei da lógica conhecida como Antecedente-Consequente. Se o “antecedente” é que “foi Deus quem determinou”, “consequentemente”, o homem não tem culpa e não poderia ser responsabilizado. Vejamos alguns textos que não deveriam estar na Bíblia da maneira como estão;
- Se Deus determina, logo não sou responsável;
-- Se o “decreto” é eficaz e determinista, o “livre-arbítrio humano é um mito”;
-
-Estas premissas lógicas não se aplicam a Deus, como muitas outras coisas: mortalidade, limitação, pecabilidade, envelhecimento, arrependimento, multiplicidade, temporalidade...
-Se usarmos a lógica do "antecedente/conseqüente", então Deus seria culpado (segundo a conclusão do texto refutado) de todo jeito, pois quem criou o homem, os anjos..., segundo esta lógica, se o fabricante coloca alguma coisa no mercado que venha a causar danos, o próprio fabricante é o responsável, são os casos em que ocorrem "recalls", é do fabricante a responsabilidade de reparar o erro do produto que colocou no mercado. O que muda então, se as criaturas de Deus estão causando problemas? Vamos explicar isto de outra forma: Se Deus criou o homem, e o homem destrói o planeta, então Deus é responsável pela destruição do planeta. Isto é a lei do antecedente/consequênte, ou podemos chamá-la também de causa e efeito. Vejam que estas leis não se aplicam a Deus, pois teríamos de tratá-lo como um de nós.

-Onde é que responsabilidade pressupõe liberdade? Responsabilidade pressupõe ordem, mandamento, soberania.
-1. Se Deus é injusto por ter eleito uns para usar de misericórdia e outros para demonstrar Sua ira, então, que diríamos de um Deus amoroso e bondoso, que também é Todo-poderoso, sabendo de antemão tudo o que iria acontecer (que Adão iria pecar, que todo o sofrimento e morte iria se instalar) e nada fez para impedir, logo, Deus pecou por omissão, não teve compaixão, foi um Deus mauzinho???
-2. Ouço dizer que, “se Deus predestina, logo o homem não pode ser responsabilizado por nada”. De fato, isto e incompatível, mas para os falsos humanistas, os antropocentristas, porém, Deus revela que Ele predestina e o homem é o responsável. Vamos fazer uma perguntar a Deus: QUEM MATOU JESUS?
-- Ele diz que foi Ele mesmo: Is. 53.1-12; MT. 16.21; 17.12,22; 20.20.28; 26.28; Mc. 14.36; Jo. 5.30,36; 6.38; At. 2.23;3.17,18; 4.27,28; Rm. 8.10; AP.13.8. E Deus DETERMINOU a morte de Cristo.
-- Ele diz que foram os homens: At. 2.23; 3.13-15; 4.10,27,28; 5.30; 7.52. E Deus RESPONSABILIZA os homens.
-Se Deus predestina e ao mesmo tempo responsabiliza o homem, logo o livre-arbítrio sem a qual não posso ser responsabilizado, não passam de mero silogismo falacioso desprovido da verdade.
-- Que dizer do "coitado", do "injustiçado" do faraó? Êx. 4.21;5.1,2,6-9;6.10; 7.4,5,14; 8.1,2,15,19-21,32; 9.1-3,7,12,13,16; 14.4-8,17,18, que temos aqui? Deus endureceu o coração de faraó e o castiga por isto. Onde está a "deusa" liberdade das criaturas.
-- Onde está o julgamento com base na liberdade? Saul e Daví que o digam, 2 Sm. 24.1,10-24; 1 Cr. 21; 1 Sm. 26.19; 18.6-11; 16.14,15.
Nos dias hodiernos, a teologia relacional, que nada mais é do que uma mistura de falso humanismo, antropocentrismo e racionalismo disfarçado, distitui Deus de sua singularidade e atributos, relegando-o aos deuses pagãos feitos a imagem do homem. Os liberais tentaram reinventar Deus, os "pentecostais" também o fizeram, mas só conseguiram gerar os herdeiros neopentecostais. Isto lembra o momento em que o povo hebreu estava ao pé do monte Sinai, enquanto esperava Moisés descer do monte, produziram um deus para adorar, um deus paupável que eles pudesse manipular, Paulo fala disto aos romanos no capítulo 1.
- O texto de Gn. 2.16,17, é o que já falamos antes, o entendimento de que responsabilidade pressupõe liberdade, e que não é verdade, RESPONSABILIDADE PRESSUPÕE SOBERANIA, ORDEM, MANDAMENTO.
- Gn. 4.7, a premissa que falamos, RESPONSABILIDADE PRESSUPÕE SOBERANIA, pode ser usada para todos os textos, pois na verdade dizem a mesma coisa. Porém, neste necessita de haver uma argumentação a mais: O caso em que um texto esteja na condicional, não significa que qualquer criatura está em condição de escolher o certo, 1 Co.2,14; Rm.3.9-12; Fl.2.13. Por exemplo, no caso quando Deus chama o povo ao arrependimento, At. 2.37,38 com At. 11.18; 2 Tm. 2.25, a causa do arrependimento é o próprio homem ou Deus? Isto de fato é um dilema para àqueles que partem do homem para entender Deus e não da revelação Bíblica.
- Gn. 6.11-13, o arranjo feito para "inocentar" Deus e colocar a responsabilidade no livre-arbítrio é desesperador, citamos a pouco os episódios de faraó, Saul, Davi, Paulo..., onde parte de Deus o decreto e Ele responsabiliza o homem. É por isso que alguns liberais e ateus intelectuais colocam a triunidade no divã de Freud. Pense num cachorro quebrando tudo, atacando pessoas, descontrolado e o dono desesperado por não ter mais domínio sobre ele, é o deus frustrado moldado pelos homens.
Os defensores do livre-arbítrio, pensam estar fazendo um favor para Deus, mas que na verdade isto tem surte efeito contrário. Como é o deus pelagiano? Bem, ele criou tudo bonitinho, certinho, e de repente, alguma coisa ficou descontrolada pegando-o de surpresa, agora vive frustrado, deprimido, adulando sua criação para obedeçê-lo. É patético, mas é verdade, esta é mais uma das religiões pagãs dos homens.

O material refutado, na verdade, é um texto feito apartir do livro de Normam Geisler, eleitos mais livres, e que carrega também os mesmos defeitos, Clark Pinnok limita a onisciência de Deus para dar ao homem uma liberdade que ele não tem, e o Geisler, limita a soberania de Deus para dar liberdade ao homem. A forma com que Geisler manipula e mutila os textos dos teólogos que ele cita, é também usado no texto refutado. Muitas palavras são usadas querendo paracer a posição Bíblica, porém só existe duas condições: ou Deus é Soberano ou o homem é livre, um anula o outro, mas sempre aparece alguém achando que descobriu uma doutrina nova ou nova condição. Deus sempre tem os remanescentes que não silenciarão.

Se estes mesmos forem coerentes com o pricípio que defendem, como irão explicar, sem comprometer o que defendem, passagens como:
Gn. 3.8-11 “esconderan-se da presença do SENHOR Deus… e lhe perguntou: onde estás?… Perguntou-lhe Deus: Quem ti fez saber que estavas nu?…”, isto quer dizer que Deus simplesmente não sabia?;
Gn. 6.5-7 “…então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isto lhe pesou o corração… por que me arrependo de os haver feito…”, também há outros testos semelhantes. Se nós formos ver a palavra arrependimento, pedro a usa para dizer que os homens mudem suas atitudes, seus atos, deixem de continuar no caminho errado, então, Segundo os critérios usados pelos defensores do livre arbítrio, Deus simplesmente pecou;
Êx. 2.24 “Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão…”, seguindo o mesmo entendimento, Deus simplesmente esquece; etc…

Se você entender a trilogia do filme matrix, verá que se trata do delirio pelágio/arminiano, que não muda em nada do texto refutado. O que temos na trilogia?, um arquiteto que perdeu o controle sobre o mundo criado; temos um oráculo, que tenta reparar as falhas; temos um escolhido que se sacrifica para salvar o restante da humanidade; temos um programa criado pelo arquiteto para proteger que se tornou um virus incontrolável, ameaçando até mesmo o mundo do próprio arquiteto, que impotente a isto, aceita a proposta do escolhido como o único capaz de destruir o programa que se rebelou. Este é o mundo e o deus do livre arbítrio.

Não se engane, velhas heresias com roupagens que parece diferente, não há nada de novo.


Por Sérgio Moreira.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Réplica...


Caros leitores , o nosso blog através deste artigo visa responder aos questionamentos do artigo: A INTERPRETAÇÃO DE ROMANOS 9 À LUZ DA ORTODOXIA. Artigo este publicado no site arminianismo.com. Devido a ambos os textos serem longos, segue o link onde pode ser lido o artigo do Ebenezer . http://www.arminianismo.com/index.php?option=com_content&view=article&id=759:a-interpretacao-de-romanos-9-a-luz-da-ortodoxia&catid=158&Itemid=28



Segue agora a "réplica", por Sérgio Moreira.

“A INTERPRETAÇÃO DE ROMANOS 9 À LUZ DA ORTODOXIA”. Mas, qual ortodoxia??

“Como a Bíblia não é um livro de cunho científico e sistemático, porque foi escrita com objetivo final de alcançar o povão, por isso não é tão simples interpretar exatamente de acordo com que cada autor quis transmitir, como muitos imaginam”. Esta é a retórica da interpretação alegórica.

“Como a Bíblia não é um livro de cunho científico e sistemático”... “A regra máster da hermenêutica é: a Bíblia explica a Bíblia”. A menos que meu 0,05 por cento de QI não funcione, vejo aqui uma contradição fatal. Como pode a hermenêutica ser rejeitada num parágrafo e no seguinte ser usada como meio de interpretação de texto. Hermenêutica é uma ciência usada para interpretar textos, utilizando um conjunto de outras ferramentas como: lingüística, situação social, situação cultural, aspecto geográfico, aspecto político... claro que a Bíblia não é um tratado científico sobre física, ecologia, biologia, e outras logias, porém, a hermenêutica é uma ciência para interpretar textos. Este argumento é nulo para ser incluso nesta discussão. Concordaria, se estivéssemos falando da teoria da evolução, da teoria do “big-ban”, existência de vida extraterrestre, etc.

”mas pelo Seu absolutismo (predestinação incondicional), todas estas são de cunho liberal”. A doutrina da predestinação incondicional defendida pelos reformados não tem nada a ver com o liberalismo teológico, é muito pelo contrário. Como uma pessoa, que não consegui diferenciar as correntes teológicas, pode argumentar teologia??

“Deus seria injusto (porque condenaria com penas eternas a quem Ele mesmo programou, inelutavelmente, para uma vida de impiedade). Poderíamos dizer, pela análise desta teoria calvinista, que Deus seria tão imperfeito moralmente quanto o homem”. Os termos “fatalismo, determinismo, livre-arbítrio, Deus respeita a liberdade do homem...”, São palavras usadas pejorativamente (como o termo usado contra os reformados na Inglaterra, “puritanos”), argumentos falaciosos, meros silogismos dos inimigos da graça de Deus, fruto de mentes carregadas do falso humanismo.

Queria falar de pelo menos 2 dilemas insolúveis para os inimigos de Deus:

1. Se Deus é injusto por ter eleito uns para usar de misericórdia e outros para demonstrar Sua ira, então, que diríamos de um Deus amoroso e bondoso, que também é Todo-poderoso, sabendo de antemão tudo o que iria acontecer (que Adão iria pecar, que todo o sofrimento e morte iria se instalar) e nada fez para impedir, logo, Deus pecou por omissão, não teve compaixão, foi um Deus mauzinho???

2. Ouço dizer que, “se Deus predestina, logo o homem não pode ser responsabilizado por nada”. De fato, isto dá um nó na mente, porém, Deus revela que Ele predestina e o homem é o responsável. Vamos fazer uma perguntar a Deus: QUEM MATOU JESUS?
-Ele diz que foi Ele mesmo: Is. 53.1-12; MT. 16.21; 17.12,22; 20.20.28; 26.28; Mc. 14.36; Jo. 5.30,36; 6.38; At. 2.23;3.17,18; 4.27,28; Rm. 8.10; AP.13.8. E Deus DETERMINOU a morte de Cristo.
Ele diz que foram os homens: At. 2.23; 3.13-15; 4.10,27,28; 5.30; 7.52. E Deus RESPONSABILIZA os homens.
Se Deus predestina e ao mesmo tempo responsabiliza o homem, logo os termos comumente usados, fatalismo, determinismo, livre-arbítrio sem a qual não posso ser responsabilizado, não passam de meros silogismos falaciosos desprovidos da verdade.


Entendo ser desnecessário refutar todos os parágrafos, irei fazê-la na análise do próprio livro de romanos.

Romanos 1
Vs. 2,3 “o qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras, com respeito a seu filho, o qual, segundo a carne , veio da descendência de Davi”; vs. 5 “por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé entre os gentios”; vs. 7 “A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”; vs. 16 “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”

Romanos 2
Vs. 9-11 “tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também do grego; glória, porém, e honra, e a paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego. Porque para Deus não há acepção de pessoas”; vs. 17 “se, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus”; vs. 25 “Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, a tua circuncisão já se tornou incircuncisão”; vs. 28,29 “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus”

Romanos 3
Vs. 1 “qual é pois a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus. E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus?” vs. 9-11 “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus”; vs. 21,22 “ Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem, porque não há distinção”; vs. 27-30 “ Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei ? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios, visto que Deus é um só, o qual justificará, por fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso”

Romanos 4
Vs. 1,2 “Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça”; Vs. 10-21 “Como, pois, lhe foi atribuída? Estando ele já circuncidado ou ainda incircunciso? Não no regime da circuncisão, e sim quando incircunciso. E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado. Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí.), perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem. Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera”

Romanos 8
Vs. 15-17 “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados”.

Romanos 9
Vs. 3-6 “porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne. São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém! E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas”. Com esta conjunção explicativa, o apóstolo começa a discorrer fatos do povo de Deus na antiga aliança, falando justamente de pacto e promessas, mostrando que estas não perderam suas validades, e continuam, não para uma etnia de raça, mas uma “etnia” de fé. Este processo de continuidade e descontinuidade, Paulo já vem preparando desde o capítulo 1, versos 3 “veio da descendência de Davi”, 5 “para a obediência por fé entre os gentios", 16 “para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”; 3.1,9,10; 4.21-23; 9.8, continuando em textos posteriores 9.23-27,30; 1 Cor.12.12-14; Ef. 2.11-22; Col. 2.11.

Com este entendimento de Paulo, do verdadeiro Israel de Deus, entraremos nos capítulos 10 e 11, com ele, usando exemplos e uma linguagem pactual (esta linguagem os dispensacionalistas nunca entenderam, por isso, criaram dois povos e duas igrejas para Deus).


Rm. 9.23,24 “Vasos de misericórdia ... os quais somos nós ... os judeus, mas também os gentios”


Romanos 10
Rm. 10.1 “a favor deles”. Paulo tem um público gentio. Vs. 12 “Pois não há distinção entre judeus e gregos”. 1.16; 2.9,11; 2.25-29; 3.9,22,29; 9.24; 10.12;

Romanos 11
Vs. 1,2 “Pergunto, pois: terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura refere a respeito de Elias, como insta perante Deus contra Israel, dizendo:”
Vs. 1,2. Paulo aqui, liga ao que disse em (9.6 “não pensemos que a palavra de Deus haja falhado”)
Vs. 5,6 “remanescente segundo a eleição da graça ... se é pela graça, já não é pelas obras”. Paulo já falou disto no capítulo 9 verso 11 “para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama” e 4.4 “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida”
Vs. 7 “O que Israel busca, isso não conseguiu” (9.25,30,32 “Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada ... Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé ... Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras.”)
Vs. 7 “e os mais foram endurecidos”. Por quem foram endurecidos? Vs. 8 “Deus lhes deu espírito de entorpecimento” como se deu isto? “olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje. Vs. 9 “Torne-se-lhes a mesa em laço e armadilha, em tropeço e punição”; Vs. 10 “escureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam, e fiquem para sempre encurvadas as suas costas”, o apóstolo no capítulo 9.31,32 diz “Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido”, que também não está solto, pois a causa primeira é Deus, como foi dito por Paulo no verso 8 e no capítulo 9.12-33 (22) “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição” e para que isto aconteceu? “Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios”. Dt. 29.3,4; Is. 6.9,10,13; 1Pe.2.8; Rm. 9.17,18,22
Vs. 26 “todo o Israel”. No verso 27 “endurecimento em parte a Israel...” entrado (enxertado) na plenitude dos gentios. Essa parte de Israel que foi endurecida, é parte da etnia de Israel. Este “todo o Israel” só tem sentido e cumprimento cabal, se entendermos como no capítulo 9.6-8; 1Pe. 2.4-10 (povo e nação aqui, não significam etnia, mas o grupo dos fieis)

Na verdade, Paulo, desde o capítulo 1, vem mostrando que o povo de Deus não se resume mais a raça e sim a fé, a circuncisão do coração, onde nos capítulos 9,10 e 11, é afunilado, revelando como se deu este processo. Nunca existiu dois povos de Deus, isto faz parte dos delírios dos despensacionalistas.

No Capítulo 1, Paulo diz que Deus veio da descendência de Davi para o Judeu e também para o grego.

No 2, diz que Deus não faz acepção de pessoas, e isto, fala de judeus e gregos, que vivem as mesmas tribulações e angústias, que circuncisão e incircuncisão da carne (sarke) nada é, mas a circuncisão do coração, que é a fé.

No 3, Paulo começa perguntando, qual a vantagem do judeu? Ele mesmo responde que não há vantagem na etnia da carne, mas na etnia da fé.

No 4, dia que a justiça recebida pelo pai Abraão não veio pela lei da circuncisão, mas da fé, sendo assim, as promessas e a herança pertencem aos da fé, vs. 11-14. Nos versos 19-22, Paulo fala que os filhos da promessa, são os filhos de Abrão, são os que crêem.

Agora podemos ver no capítulo 9, Paulo deixa claro que, foi por meio da nação judia que Deus revelou e estabeleceu as leis e as promessas. Porém, deixa claro que a etnia judia não é exclusiva, a luz do que já vinha falando, mas que o direito era para os filhos de Abraão pela fé, que são os filhos da promessa, são a sua descendência. Isto deixa claro que o povo de Deus, os filhos de Abraão não são os da raça, e sim os da fé, onde, como lemos nos capítulos anteriores e também no 9,10 e 11, esta é a motivação de Paulo ao escrever mais da metade da carta. Fala também, que os filhos da promessa são os da fé, são os escolhidos soberanamente, não por causa da lei (Sara e Hagar); Jacó é escolhido ao invés do primogênito Esaú, mesmo sem obras (conhecimento prévio), logo após, Paulo lança a inevitável pergunta: “Há injustiça da parte de Deus?”. Esta pergunta é feita a respeito dos dois filhos que nasceram primeiro e não tiveram a preeminência, face a eleição soberana e graciosa de Deus. Esta pergunta, nós também fazemos aos inimigos de Deus. O próprio apóstolo responde a pergunta, Deus não é injusto, Ele usa de misericórdia com quem quer independentemente da moral, da liberdade, das obras do homem. Além de dizer que Deus não é injusto, diz que também não pode se queixar da vontade, dos propósitos e da eleição Dele, donde ELE MESMO, preparou vasos para a perdição e vasos para a glória, dizendo que são de entre judeus e gentios (isto está seguindo rigorosamente, o que Paulo vem falando nos capítulos 1,2,3,4. No verso 25, diz que vai chamar de meu povo os gentios, porém, absolutamente não são todos os gentios, da mesma forma, nos verso 27, só os remanescentes, ou melhor, poucos, os da fé entre os da raça judia, serão também seu povo. Desta forma, no verso 28, Paulo diz que a promessa de Deus se cumprirá (vs. 6) como Seu povo, Israel da fé, da promessa, que está EM Cristo.

A IGREJA DE DEUS

-MT. 1.21; Gl. 3.15-29; 1Pe. 2.4-10 “são estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos” (Rm. 9.22);
-Gl. 4.21-31 (Rm. 9.6-9)
-Ef. 2.11-22. a igreja que é família de Cristo, é formada somente pela família da fé, que são judeus e gentios crentes EM Jesus Cristo.
-Ef. 3.4-13. “Os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa EM Cristo Jesus por meio do evangelho” (vs. 6)”; Rm. 9.8 “mas devem ser considerados os filhos da promessa”
-Rm. 10.4 “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de TODO aquele que crê”; vs. 12 “Pois não há distinção entre judeu e grego”; vs. 21 “Todo o dia estendi as mãos a um povo rebelde e contradizente” (9.16,21-24,32).

Bem, dentro do tema principal, que é a JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ, onde o apóstolo já vem, desde o capítulo 1, mostrando que somente pela fé judeus e gentios são justificados e isto se faz mais detalhadamente nos capítulos 9,10 e 11, onde o apóstolo deixa claro que a promessa, a filiação e a aliança não foram dadas quando da circuncisão (etnia da carne), mas quando da incircuncisão (antes da etnia da carne), mostrando que foi feita pela fé. Paulo não poderia usar outro povo, pois foi este mesmo que Deus usou para se revelar e revelar o plano da redenção. Podemos usar como exemplo, os elementos da ceia, que sendo pão e vinho comuns em si mesmos, só alimentam o estômago, mas quando é ministrado no culto representando o corpo e o sangue de Cristo, então alimenta a fé do fiel. E Paulo diz que, tanto judeus quanto gregos são pecadores, mas quando JUSTIFICADOS PELA FÉ estão EM Cristo, são herdeiros das bênçãos e promessas feitas ao pai Abraão.

Isolar romanos 9,10 e 11 dos capítulos anteriores, é o mesmo que começar a ler um livro a partir da metade.

William Hendriksen, em seu comentário aos romanos, do capítulo 2 ao 11, nos esboços iniciais sempre repete o tema JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ.
Calvino, em seu comentário do livro aos romanos, no ponto argumento, que vai da página 23 a 31, ele também usa a JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ como base dos capítulos 1 ao 11.

Quanto aos títulos usados pelos comentaristas da Bíblia de Genebra (títulos que não fazem parte do texto original, porém são postos para orientar o desenvolvimento da leitura), não traz nenhum problema, pois os textos falam do processo ocorrido com a etnia judia, que são as referências histórico/redentivas usadas por Paulo.

No esboço trazido pela Bíblia de Genebra, o tema principal é “A justiça de Deus para judeus e gentios”. Agora observe a seção VI deste esboço, as letras A, B e C:
A justiça de Deus estabelecida na história (cap. 9)
A justiça de Deus recebida somente pela fé (cap. 10)
A justiça de Deus revelada nos judeus e gentios (cap. 11)

Isto uni os tópicos aos sub-temas e o tema principal da carta. E no meio de tema, sub-temas e tópicos, é revelada, muito claramente, a soberana e graciosa eleição de Deus segundo o conselho da Sua vontade.

Conclusão:
Tenho lido alguns textos aventureiros como este que, para parecer acadêmico, erudito e teológico, usam literatura teológica reformada, porém não valem de nada, no fundo são meninos brincando com fogo, e todos sabem o resultado disto. Dizem usar a própria literatura reformada para disqualificá-la, isto é o resultado de um cego alienado guiando outro cego. Teologia não é coisa para menino. Qualquer pessoa séria não chegará a outra conclusão. Confesso que não empreguei o melhor do meu tempo de leitura para escrever esta refutação, pois não merece mais atenção do que esta.
Por Sérgio Moreira!!