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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Marcha para Jesus 2011, a Micareta Gospel !

Hoje, dia 23 /06/2011 foi realizada mais uma vez a micareta Marcha para Jesus.

Nomes como Renascer Praise, Regis Danese, André e Mariana Valadão, Lázaro, Thalles Roberto, Soraya Moraes, Kleber Lucas, Marcelo Aguiar, Chris Duran, Davi Sacer e muitos outros cantores gospel marcaram presença. Bastava apenas inscrever sua caravana e comprar seu abadá sua camiseta oficial.
Sei que falo isso todos os anos, mas é que realmente não consigo entender a razão de existir uma "marcha" que não tem nenhum sentido prático na pregação do Evangelho, que serve apenas para promover uma dúzia de pregadores e dezenas de cantores gospel que cobram cachês salgados para "marchar para Jesus".
Na minha opinião trata-se apenas de uma micareta gospel sem sentido, que vai mais uma vez causar um caos na cidade de São Paulo,  a serviço de alguns ministérios que querem mostrar ao catolicismo romano, a ministérios "concorrentes" e aos políticos sua força de influenciar e manipular massas mentecaptas aos seus objetivos.
Querem fazer uma marcha para Jesus? Então ajam como Jesus! Abandonem  o espetáculo e promovam uma marcha para resgatar vidas, levar esperanças aos perdidos, fazendo o bem aos pobres e aos necessitados. Promovam uma marcha aos hospitais, orfanatos e asilos. Organizem uma marcha para limpar a cidade, pintar as praças, plantar árvores, doar sangue ou mutirões de ajuda voluntária ou ainda mutirões de construção de casas populares as camadas mais necessitadas da sociedade. Doem cestas básicas com os cachês ou ajudem casas de recuperação com o dinheiro que será gastos com os artistas gospel. Levem esperanças as crianças que dormem todos os dias debaixo de pontes e marquises da cidade. 

Esta pode até ser uma marcha, mas não é para Jesus, pois ele não coabitaria com tamanho absurdo feito em nome de Deus. Se o objetivo é fazer um Show Gospel, chamem de "Show Gospel".
Jesus passou o seu ministério fazendo o bem, trazendo esperança para humanidade, libertando, ensinando sobre Deus Pai e seu estilo de vida, não fazendo eventos marketeiros para o "Reino de Deus". Seu trabalho foi feito debaixo de muito suor, lágrimas, perseguições e privações, e no fim pagou com a própria vida.
Ele disse: quer vir após mim? negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. minha ética cristã não me deixa acreditar que esta marcha é a maneira de fazer isso. Não enquanto tivermos nossos índices de violência, pobreza, favelas, pessoas morrendo nos corredores fétidos dos hospitais ou ainda sobrevivendo de maneira lastimante nesse país que dizemos ser do " Senhor Jesus", mas que, como igreja, não estamos fazendo nada para torná-lo melhor. Sei que não vou fazer falta, mas reitero: minha fé cristã não me deixa participar deste evento.

Flavio Alcantara

Fieis levam pedidos na sola do pé durante Marcha para Jesus em SP

Fieis escreveram pedidos a Deus que foram
colocados na sola de calçados
(Foto: Paulo Toledo Piza/G1)
Fisioterapeuta diz ter tido graças alcançadas em eventos anteriores.
Celebração começou por volta das 10h e deve durar até a noite.

Fieis que participavam da Marcha para Jesus, realizada desde as 10h desta quinta-feira (23) em ruas da Zona Norte de São Paulo, levavam na sola de seus calçados papéis com pedidos a Deus. A expectativa da organização é que cerca de 5 milhões de pessoas participem do evento, que conta com dezenas de shows e termina apenas por volta das 21h30.

A fisioterapeuta Vanessa da Silva Ramos, de 32 anos, garante que os pedidos são atendidos. “Essa é a oitava vez que venho na Marcha. Nesse tempo, perdi a conta dos milagres que recebi.” Entre as graças, ela destaca a estabilidade financeira e familiar. “Antes em casa era muita bagunça. Agora está tudo bem. Há muita paz em meu lar.”

Quem também acredita no poder espiritual da caminhada é a vendedora Márcia Rodrigues, de 40 anos. Ela conta que logo que meses após se converter e “entregar a vida a Deus”, há 11 anos, abandonou o vício no cigarro que a prejudicava havia 20 anos.

Milhares de pessoas caminhavam desde a estação de Metrô Tiradentes em direção à Praça Heróis da FEB, na Zona Norte, onde um palco estava montado para os shows de bandas e cantores evangélicos. Trios elétricos tocando música gospel era seguido de perto por uma multidão de crianças, adultos e idosos.

Famílias inteiras aproveitavam para agradecer o que consideram milagres. E aproveitavam para pedir mais graças. “Eu quero muita saúde e paz”, disse o vendedor Reginaldo Santana, de 25 anos. Ele e a mulher, a enfermeira Amanda Santana, de 25 anos, e o filho, Luiz, de 1 ano e 4 meses. “É uma verdadeira bênção essa caminhada. É um dia dos 365 do ano que separamos para Deus”, afirmou. “Vale a pena isso.”

Fonte: G1 Notícias

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Experiências Espirituais

Nosso contexto mundial de tanta pressão psicológica, tantos problemas econômicos, tantas doenças de toda ordem, que se agravam ainda mais com os meios de comunicação despejando sobre as massas humanas informações detalhadas sobre tudo o que acontece no universo, tem gerado um anseio quase incontido entre o povo religioso e, especialmente entre o povo evangélico, por experiências espetaculares com Deus.

Por todos os lados, surgem líderes movimentando as massas humanas e apelando para milagres, maravilhas e prodígios. Principalmente entre os grupos modernamente chamados "carismáticos", o dom de línguas, doutrina mal interpretada por uma grande maioria, é buscado com ansiedade. E nesse contexto de confusão, muitas das nossas igrejas Batistas estão sendo divididas e, em alguns casos, diluídas aos poucos.

Complexidade Do Assunto: "Experiência"
A natureza humana é passível de experiências, envolvendo os campos: neurológico (doenças e/ou disfunções cerebrais), fantasias mentais cridas como reais, e desajuste/perturbação emocional e mental capaz de criar um universo de experiências ilusórias, mas tidas pelo portador com reais.
Grande número de pessoas, principalmente entre nós, os brasileiros, tem muitos problemas de saúde.
- Partos mal feitos, subnutrição desde a infância, problemas hereditários de alcoolismo e outros fatos da área de saúde, fazem do nosso povo gente facilmente tangível e sugestionável.
Médicos neurologistas afirmam que grande parte da nossa gente hoje em dia é portadora de disritmia cerebral. Toda essa gente, quando emocionalmente excitada por manipulação de certas reuniões, pode sofrer certas "experiências", que poderão chegar até ao êxtase.

O Dr. Hélio Hiller, renomado médico neurologista em Araçatuba, São Paulo, professor universitário, convertido . ... estudou as experiências religiosas ou "pseudo-religiosas", analisando-as à luz da Bíblia e da neurologia.

Visões criadas por anomalias mentais. Uma experiência muito explorada pelos espíritas é aquela em que a pessoa está num lugar e, de repente tem a impressão de que já estivera ali antes. A neurologia explica isto como se o cérebro registrasse o fato de ver o lugar em duplicata, como se fosse uma foto batida em cima da outra. É uma anomalia, e há medicamento para curar este tipo de problema; não tem nada a ver com o campo espiritual.

Experiências sobrenaturais produzidas por disfunção cerebral - Relata ainda o referido médico que tumores no cérebro podem ocasionar experiências parecidas com experiências espirituais.

Experiências sobrenaturais produzidas por auto-sugestão - ... está provado que podemos ser auto-sugestionados. Se admitirmos em nossa mente que devemos e queremos ter certa experiência que alguém nos sugeriu ou que lemos em livros, isto acabará acontecendo conosco.

- A experiência do Rei Saul com a pitonisa de En-Dor, registrada em 1 Samuel 28. - Saul, querendo desesperadamente obter a resposta de Samuel, simulou tudo aquilo para ele mesmo, jogando com dados existentes no seu subconsciente - foi um fenômeno meramente mental (1 Sm. 18.20-25).

- Esse tipo de experiência poderá acontecer com milhares de crentes que estão ouvindo a todo o momento, por todos os meios de comunicação, dos lábios enganadores de pregadores inflamados, que eles precisam ver a glória de Deus; que precisam ver cair fogo do céu; que precisam falar "línguas estranhas" para comprovarem que receberam o "batismo no Espírito Santo". E, dependendo da pessoa e de sua estrutura emocional, isso vai acontecer.

Será que isto tudo vem de Deus?
Bem, a prova de que não é de Deus, é que tais experiências geram confusão, divisão e insatisfação em muitos crentes.

As denominações chamadas "carismáticas" se multiplicam dia a dia. Há, entre líderes destes movimentos, verdadeira competição para ver quem tem mais poder, mais gente nas suas igrejas e mais dinheiro para comprar grandes propriedades.

O apóstolo Paulo diz que "virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas..." (2 Tim. 4.3-4).

- A expressão "sã doutrina" refere-se à doutrina que procede de pessoa sadia. "Comichão nos ouvidos", refere-se à insatisfação. Este é, portanto o nosso tempo difícil. E é curioso que a doutrina regula a experiência.

- É por isso que a Bíblia fala muito da importância da doutrina. Por outro lado, quando a experiência começa a regular e a produzir doutrinas, aí saímos dos princípios da Bíblia.


Princípios Bíblicos De Experiências Com Deus
1. Na maioria dos casos, as pessoas que tiveram experiências especiais com deus, não às estavam pedindo ou buscando.
No Velho Testamento
Moisés, por exemplo, quando viu a sarça ardente no Monte Horebe, (Êxodo 3.1-22).
Jacó, diante de situação difícil, foi orar a Deus para resolver o seu problema, mas não estava pedindo nada semelhante à experiência que teve: a de lutar com o próprio Deus e ter até seu nervo da perna tocado pelo Senhor (Gen. 32.22-32).
Ezequiel, que teve aquelas experiências fabulosas relatadas no seu livro, igualmente, havia ido orar, quando as teve. Ele não tinha nada igual na sua mente antes (Ez. 1).
Da mesma maneira podemos pensar de Daniel, Isaías, Jeremias.
As exceções foram os casos de Gideão e Elias - nota-se que ambos pediram um sinal, já dentro de um seguimento de outras experiências e um contexto de exceção e não de regra. Mas em geral, vamos ver que os homens de Deus que tiveram certas experiências espetaculares, não as estavam pedindo, muito menos com modelos prévios em suas mentes.

No Novo Testamento.
No dia de Pentecostes, os discípulos não foram orientados a pedir o Espírito Santo, mas simplesmente a ficar em Jerusalém e esperar (Luc. 24.49).

Pedro - Quando foi orar no terraço da casa de Simão, o curtidor, ele não fazia nenhuma idéia de que iria ter uma visão de um lençol com animais de toda a espécie (Atos 10.9-17); Quando foi libertado da prisão por um Anjo (Atos 12.3-17),

Paulo e Silas, no cárcere de Filipos simplesmente cantavam hinos e oravam, quando Deus mandou um terremoto (Atos 16.23-34);

João, na Ilha de Pátmos, estaria louvando e adorando a Deus no dia do Senhor (domingo - Apoc. 1.9-10). De repente, Deus lhe deu a esplêndida experiência que deu origem à mensagem que temos no Apocalipse.

O Erro dos Líderes do Movimento Carismático

Incutem na mente do povo sofrido dos nossos dias a idéia de que devem pedir o Espírito Santo; que devem falar "línguas estranhas" e a buscar sinais maravilhosos.

Constantemente ouvimos de pessoas quase alucinadas em noitadas de jejum e oração. Elas estão pedindo a Deus que mande fogo do Céu, ou que lhe dê pelo menos um dente de ouro.


2. Uma segunda característica das experiências com Deus, é que nenhuma delas obedecia a um padrão, a um modelo único.
Cada uma delas acontecia de uma maneira, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

- ... chamada de Abraão não foi como a de Moisés. A de Isaías não foi como a de Jeremias, de Ezequiel, nem de Daniel.

No Novo Testamento, a coisa não é diferente.
Nas quatro manifestações históricas do Espírito Santo, não há duas experiências iguais.

- A vinda do Espírito Santo como cumprimento da promessa, foi de uma maneira única.




JERUSALÉM

Atos 2

SAMARIA

Atos 8.13-17

JUDEIA

Atos 10.44-46

DISCIPULOS DE ÉFESO - At 19.4-7

Destinados aos judeus

Destinados aos samaritanos

Destinados aos gentios

Destinados aos batizados por
João

Ação humana:

nenhuma

Sinais do Batismo do Espírito Santo:

Som (vento impetuoso);

Línguas de fogo (visíveis);

Falar em idioma não aprendido

Ação humana:

Imposição de mãos

Sinais do Batismo do Espírito Santo:

Não é mencionado nenhum sinal visível

Ação humana:

Pedro prega

De repente é dito que o Espírito Santo caiu sobre eles

Sinais do Batismo do Espírito Santo:

Falaram "Línguas”

Ação humana:

Imposição de mãos

Sinais do Batismo do Espírito Santo:

Falaram "Línguas”;

profetizaram





3 - Uma terceira característica das experiências com Deus, segundo a Bíblia, é que elas tinham uma finalidade no plano de Deus, e não visavam primeiramente o indivíduo que as experimentava.

No VT
Deus não deu a Moisés a experiência da sarça que ardia e não se consumia, só para satisfazer os caprichos do Seu servo. Antes, Deus tinha um propósito geral para o Seu povo no Egito.
Assim foram todas as outras experiências, como a de Gideão, Isaías, Jeremias, Daniel, e tantos outros.

No NT
A experiência inicial com o Espírito Santo em Atos 2, 8, 10 e 19 foi para demonstrar a todos, e não deixar dúvida, de que a promessa da vinda do Espírito Santo havia se cumprido, e incluía todos os que genuinamente cressem em Cristo, não só judeus, como também, samaritanos, gentios, e até aos batizados só batismo de João, depois não é mais registrada nem um sinal visível do Batismo do Espírito .

A experiência do dom de línguas, tinha apenas um propósito de falar por gente de outras línguas ao povo de Israel, conforme Isaías 28.11; 1 Cor. 14.21-22). - Este era o propósito. E, de acordo com as regulamentações dos "dons espirituais", que eram dados para o que fosse útil (1 Cor. 12.7), uma vez cumprida a profecia e afastada a sua utilidade, o dom cessaria.

4 - Um outro princípio sobre este assunto é que as experiências registradas pela Bíblia foram reais e não fruto de alucinação ou qualquer outro problema humano.
Moisés e a visão da sarça ardente - duas razões principais porque essa experiência foi real, por: a) Moisés, em toda a sua vida, evidenciou-se um homem mentalmente sadio. Com 120 anos de vida, o vigor não havia saído do seu rosto (Deut. 34.7). b) Por outro lado, as instruções dadas por Deus durante a visão, foram cabalmente cumpridas e registradas na Bíblia.
Saulo de Tarso no caminho de Damasco. A despeito de algumas diferenças pequenas nas três narrativas: Atos 9.1-18; 22.1-16 e 26.9-18, nota-se que a experiência não foi meramente mental ou subjetiva, porque: Os homens que estavam com ele viram a luz (22.9); Ouviram a voz que falava com ele; só não entenderam o significado das palavras, uma vez que se falava em Hebraico (Atos 9.7; 22.14); Todos caíram por terra juntamente com Paulo (22.14); Todos constataram que ele ficou cego durante algum tempo (9.8; 22.11).

Conclusão Sobre Experiências De Natureza Sobrenatural:
O que temos que fazer é deixar de procurar e buscar certas experiências e confiar ao Senhor a trajetória de nossas vidas. Na verdade, o crente vive pela fé: "Andamos por fé e não por vista", dizia Paulo (2 Cor. 5.7). E Jesus disse: "... Bem-aventurados os que não viram e creram" (João 20.29).

Fonte: Jornal Batista

terça-feira, 1 de março de 2011

Presbítero da Igreja Renascer comandará a bateria da escola de samba Mangueira durante Carnaval 2011

Presbítero da Igreja Renascer em Cristo, Ailton Nunes quer buscar a nota dez para a bateria da Mangueira. Cria da comunidade, ele vê a mão de Deus em seu dom de tocar. Quis o Criador abençoar o talento de Ailton André Nunes e ele acabou traçando seus passos no compasso do surdo de primeira. Ou melhor, da ‘Bateria Surdo Um’. Foi a paixão pelo ritmo, surgida quando ainda era moleque e rolava pelo lixão do Chalé, no Morro da Mangueira, em busca de latas e papelão para fazer tambores afinados com o calor de fogueiras, que fez o hoje presbítero, (uma espécie de líder) da Igreja ‘Renascer em Cristo’, aceitar o convite do presidente Ivo Meirelles e se tornar, há pouco mais de um mês, o novo mestre de bateria da Verde e Rosa.

Contradição com a fé? Não para Ailton, percussionista profissional, 39 anos, casado, pai de duas filhas e avô de outra menina. “Sou um servo de Deus e acredito que as pessoas têm um dom. E acredito no plano de Deus para a minha vida. E faz parte passar por isso, estar à frente da bateria”, explica o maestro, que também é um dos autores do samba que homenageia Nelson Cavaquinho, enredo da escola.

Antes de aceitar conduzir a bateria que ele conhece desde menino e da qual já chegou a ser um dos diretores — na época do primo Alcir Explosão, a quem elogia o talento —, além de primeiro repique, Ailton conversou com a família e seus orientadores na igreja.

A volta à escola, entretanto, levou 8 anos para acontecer. Foi quando, diz, “tinha outro tipo de conduta e estava perdendo a família”, acabou encontrando a igreja em seu caminho. Na caminhada de lá para cá, trabalhou com música, rodou a Europa como percussionista e reencontrou amigos no Brasil. Agora, só quer saber de unir a “Família Surdo Um” em torno de um objetivo: ganhar a nota dez para a Mangueira.

“Mas e as tentações do Carnaval?”, provoco eu ao entrevistado. “Todos nós somos pecadores. Só que tem um porém: eu tenho consciência que sou pecador, mas hoje não vivo pelo pecado”, responde, sem atravessar o discurso.

Texto de Fabiana Sobral publicado originalmente em O Dia.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os milagres do dinheiro e o dinheiro dos milagres

"A trajetória de vida de Macedo revela curiosa proximidade com números. Aos 17 anos ingressou como office-boy na Loterj - Loteria do Rio de Janeiro – trabalhando durante dezesseis anos como funcionário público. Deixou a carreira no funcionalismo somente em 1977, quando exercia a função de agente administrativo, para se dedicar exclusivamente à IURD. Diferentemente da maioria dos líderes pentecostais, freqüentou, no começo dos anos 70, os bancos universitários. Estudou Matemática na Universidade Federal Fluminense e Estatística na Escola Nacional de Ciência e Estatística, sem, contudo, concluir os respectivos cursos. Disto talvez decorra o fato de existir em Macedo, por trás da figura eclesiástica, também a de um empreendedor sempre à vontade com números e balanços contábeis. Tal preparo deve, naturalmente, ter contribuído para que viesse a ser reconhecido como negociador habilidoso, também no âmbito eclesiástico. Ricardo Mariano ainda observa tal característica, associando a projeção do movimento iurdiano à figura do seu líder, destacando a controvertida, mas funcional atuação desempenhada:


Parte do sucesso da IURD deve ser creditada a seu controverso líder, bispo Edir Macedo, sobre o qual não há unanimidade. Venerado por fiéis e subalternos, invejado e criticado por adversários religiosos e pastores concorrentes, acusado pela polícia, pela Justiça e pela imprensa de charlatanismo, estelionato, curandeirismo e de enriquecimento às custas da exploração da miséria, ignorância e credulidade alheias. Edir vai, em parte graças ao Diabo que tanto ataca, interpela e humilha, construindo a passos largos seu império.

A projeção financeira da IURD, que acompanhou o ritmo acelerado da multiplicação dos seus templos, também suscitou inúmeras polêmicas. Reportagens do início da década de 90 calculavam a arrecadação financeira dos templos em “cerca de 150 milhões de dólares ao ano”. Na ocasião da aquisição da TV Record, estratégias de captação de recursos ainda mais agressivas vieram à tona, a fim de garantir a compra dessa emissora e de várias outras estações de rádio adquiridas no período. Mário Justino, então pastor da IURD, relata sobre um megaculto promovido pela IURD no estádio de futebol da Fonte Nova, em Salvador – BA, com a presença de Macedo:

O bispo, depois de recolher os envelopes com as ofertas, denominadas de “sacrifício”, e com os pedidos de oração, que seriam levados para o Monte das Oliveiras, em Jerusalém, pediu aos seus seguidores baianos uma oferta especial para comprar uma emissora de rádio em Salvador, assim como seus fiéis cariocas o haviam contemplado com a Rádio Copacabana. – “Será que os cariocas têm mais fé que os baianos?” – referindo- se à multidão. – Não! – a resposta retumbou como um trovão. As ofertas vieram então em forma de dinheiro e jóias. Passamos três dias trancados em umas ala contando os sacos de dinheiro levantados no Fonte Nova. No final, o dinheiro foi depositado na conta da Igreja, no Bradesco, em Salvador. O ouro foi levado para o Rio de Janeiro e transformado em barras.

Um verdadeiro frenesi também foi causado na mídia pelas palavras de Macedo, proferidas numa concentração de fiéis que lotou o Estádio do Maracanã, com capacidade para mais de cem mil pessoas, na cidade do Rio de Janeiro: “Sacudam bem obreiros [as sacolas de oferta], para eles verem que estão vazias e só voltem quando estiverem tão cheias quanto um saco de pipoca”. Também foram impactantes as imagens que mostraram Macedo – em uma gravação em fita de vídeo – orientando seus pastores sobre como mobilizar os fiéis da Igreja a aumentar as contribuições financeiras. Tais imagens mostravam Edir Macedo, numa chácara, jogando futebol juntamente com a maior parte da liderança de sua igreja. Ao final daquela atividade, informalmente, ele passou a orientar os pastores sobre como deveriam agir na arrecadação de ofertas e na ousadia de conduzir a massa de fiéis:

Você tem que chegar e dizer: ó pessoal! Você vai ajudar agora na obra de Deus. Se quiser ajudar, amém. Se você não quiser ajudar, então Deus vai ajudar outra pessoa a ajudar, amém! Ou dá ou desce! Entendeu como é que é? Porque aí o povo vê coragem em você. O povo tem que ter confiança no pastor. Quer ver o pastor brigando com demônio! Se você mostra aquela maneira “chocha”, o povo não vai confiar em você. (...) Tem que ser o super-herói para o povo e dizer: Olha pessoal, vamos fazer isto aqui? É o grande desafio. Eu fiz isso. Eu peguei a Bíblia e disse: Oh! Deus! Ou o Senhor honra a sua palavra (...) e então joguei a Bíblia, que se despedaçou no chão. Fiz isso na igreja e na televisão. Então isso chama a atenção. O povo diz: Esse aí, pô, briga até com Deus! Cuidado, heim! Então tem aqueles que são tradicionais e dizem: Hi! Esse aí é um falso profeta... esse aí, então, não vai ser abençoado. Agora, têm outros que dizem: Puxa, há quanto tempo que eu queria isso, “poxa”, eu estou cansado de ler a Bíblia, de ler tantas palavras e não acontecer nada na minha vida. Então esse vai ficar do nosso lado. É tudo ou nada! E ele põe tudo lá. Quem embarcar está abençoado. Quem não embarcar fica. Então você nunca pode ter vergonha, timidez. Peça, peça, peça. Se, tem alguém que não quer dar, há um montão que vai dar. (...) O povo está cansado de falsa humildade. O padre é tão humilde, e não dá nada, não oferece nada. O padre com aquela maneira (...) e nós vamos lá, é isso mesmo, (sic) e bota pra quebrar, e vira cambalhota, e faz o povo ficar louco (...). Vejam o caso de Moisés, que se apresentou perante o povo com um cajado na mão – aquele mesmo que ele havia usado para abrir o Mar Vermelho e fazer tantos milagres no deserto - e perguntou: “a caso pode sair água dessa pedra?” Ele bateu com o cajado na rocha e então jorrou água e o povo ficou maravilhado. É também isso que vocês precisam dizer ao povo: quem aqui tem um cajado? O cajado é a fé e o “toque na rocha” significa a oferta de dez mil, cinco mil ou dois mil cruzados novos... Desafiem: se você tem o cajado, então use-o agora! Assim, as pessoas vão dar a oferta e o milagre vai acontecer...

Vários jornais e revistas, na ocasião, reproduziram denúncias sobre esse tema, como por exemplo, a revista Isto É (27/01/1996) e a Folha de S. Paulo 02/01/1996), que publicaram reportagens, apontando aspectos empresariais e de exploração financeira praticados pela IURD e apresentando dados de arrecadações, consideradas “exorbitantes”, de vários templos iurdianos.

Edir Macedo juntamente com a IURD também têm sido alvo de diversos processos criminais sob acusações de práticas escusas envolvendo dinheiro, tais como charlatanismo, vilipêndio do culto religioso etc. Exemplo disso se deu no dia 24 de maio de 1992, quando Macedo foi preso em São Paulo, acusado de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. Sua prisão teve origem num inquérito aberto, em 1989, por cinco ex-fiéis alegando terem doado dinheiro e bens à igreja em troca de milagres, que não teriam ocorrido. O Ministério Público de São Paulo acatou a denúncia e determinou a prisão. Mas três dias antes de ser detido, Macedo também fora indiciado com base no artigo 15 da Lei do Colarinho Branco, acusado de usar a IURD como instituição financeira clandestina. A acusação principal era de que o bispo teria adquirido grande patrimônio, graças à sua atividade frente à Universal. Segundo o Ministério Público, o patrimônio pessoal de Macedo chegava, em 1992, ao equivalente a 100 milhões de reais. Vale observar que, antes, esse mesmo tribunal, a 21ª Vara Criminal de São Paulo, já havia absolvido Edir Macedo em outros dois processos. Um deles, que tratava de ataques contra cultos afro-brasileiros, acusava quatro pastores da IURD de terem invadido um templo de umbanda em Diadema, município da grande São Paulo, em abril de 1990. Nesse processo, Macedo foi acusado de estimular publicamente os ataques a adeptos daquela religião que, segundo ele, eram “adoradores do demônio”. Num outro inquérito, o bispo era acusado de vender “óleo bento” aos fiéis que participavam dos cultos de sua igreja.

Traduzida como símbolo da existência de perseguição religiosa no país, sua prisão também foi capaz de mobilizar fiéis, pastores e políticos evangélicos. Em primeiro de junho de 1992, preso há oito dias, “cerca de dois mil fiéis da IURD formaram uma corrente humana em volta da Assembléia Legislativa de São Paulo para protestar contra a sua detenção”. Entendendo ser esta uma questão de liberdade religiosa, líderes evangélicos também reagiram imediatamente. Logo vários políticos, evangélicos e não evangélicos, solidarizaram-se com Macedo. Curiosamente, até mesmo alguns dos segmentos religiosos que se sentiam concorrencialmente ameaçados pela atuação da IURD, uniram-se naquele momento, em prol de um interesse comum. Duzentos pastores protestaram na Assembléia Legislativa de São Paulo, argumentando que a prisão fora manipulada por grupos ligados ao setor de comunicações que a propriedade da Rede Record estava ameaçando, e os setores religiosos, que estavam tendo seus membros captados pelo discurso da Universal. Reunidos no interior da Assembléia, os pastores, representando 34 igrejas, e 30 deputados redigiram documento repudiando o ocorrido, o qual apresentava o seguinte teor:

O Brasil vive nos últimos dias momentos de preocupação no que diz respeito aos direitos de expressão religiosa e suas garantias constitucionais. Os 35 milhões de evangélicos em todo o país exigem o cumprimento da Constituição e o fim de todo tipo de discriminação religiosa.

Doze dias depois, Macedo foi solto. Vale ressaltar a habilidade sempre demonstrada por ele em lidar com as “regras do campo”, fato que lhe tem permitido grande capacidade de reverter obstáculos em benefício do grupo. Quando esteve preso, representou bem o papel de vítima, recorrendo comparativamente à imagem de sofrimento de Cristo e dos apóstolos. Dizia-se “orgulhoso de estar preso em nome de Deus”. Atrás das grades, ao conceder entrevistas ou deixar-se fotografar, aparecia lendo ou portando uma Bíblia. Até bem pouco tempo, quem tomava a Folha Universal para uma primeira leitura teria sua atenção despertada para uma imagem: em seu logotipo uma foto do bispo em uma cela de presídio, fazendo a leitura da Bíblia. A imagem no jornal ajuda a preservar e a manter vivo na memória dos fiéis o ato heróico do seu líder, cuja confiança se observa no depoimento de um obreiro da IURD:

O bispo não mente conforme as revistas e a televisão dizem por aí. Ele é um servo de Deus, dedicado, honrado, infelizmente, caiu nas garras da mídia, mas Deus fala através dele e as pessoas que têm fé crêem nisso. Eu a credito em tudo o que o bispo Macedo fala, pois sei que ele é iluminado, inspirado por Deus.

A confiança em seu líder, diante das experiências adversas que enfrentou, é destacada pela Igreja:

Calúnias, injúrias, difamações e ataques gratuitos somam-se a uma lista imensa de adversidades vividas pelo bispo Edir Macedo. Embora nunca se tenha aprovado nenhuma das acusações, ele não se deixou abater por nenhuma delas. Como lema principal de seu ministério, o bispo vive aquilo que prega e, diante das dificuldades, não se mostra nem mesmo cansado. O segredo, segundo ele é o emprego da fé sobrenatural, pois seus sonhos nunca foram baseados em emoções, mas sim na certeza de que com seu trabalho, aliado à ação do poder de Deus, tornariam-se realidade.

Ao se sentir afrontada pelas acusações de charlatanismo e abuso da fé popular, pela mídia e demais segmentos religiosos, a IURD também reagiu. Nos cultos, os jornalistas passaram a ser identificados como enviados do Diabo. Os fiéis receberam expressas orientações para não lerem nem darem crédito às notícias veiculadas na imprensa sobre a Igreja Universal e seus pastores, e de igual forma, para também não concederem entrevistas ou emitirem opinião a jornalistas sobre a Igreja:

Em meados de 1994, convictos ou tomados por paranóia de que havia uma conspiração em andamento para destruir a Universal, líderes da denominação proibiram todo e qualquer membro ou pastor de dar entrevistas ou esclarecimentos a quem quer que solicitasse. Além de jornalistas, pesquisadores passaram a não ser benquistos.

Em um grande evento realizado no estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, na ocasião, Edir Macedo, em tom combativo e convocatório, exclamou: “Estamos sendo castigados e perseguidos pela imprensa como cão danado. Eles querem arrancar nossa cabeça. Mas isto só aumenta a nossa fé”.

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É isso!

Fonte:

WANDER DE LARA PROENÇA: “SINDICATO DE MÁGICOS: Uma história cultural da Igreja Universal do Reino de Deus - 1977-2006”. (Tese apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis – UNESP – Universidade Estadual Paulista para a obtenção do título de Doutor em História. Orientador: Prof. Dr. Milton Carlos Costa. Assis, 2006.

Nota:

A imagem inserida no texto não se inclui na referida tese.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Denominacionalismo

por

Presb. Anamim Lopes Silva

O que define em essência uma igreja? Não é um grupo de pessoas salvas, em comunhão, que interagem para prestar culto e serviço a Deus? É, "bão", "mas", "bem"... "tá, concordo". Mas, em "essência", a Igreja é, por definição, "a invisível". Dela, portanto, fazem parte somente os salvos, eleitos. Estes, e somente estes, comungam invisivelmente mediante o mesmo Espírito que em todos o salvos habita. Agora, quando "interagem para prestar culto e serviço a Deus", a coisa "cumprica". Podemos cercear a presença de Judas, Alexandre, o latoeiro (por chamado Xandão Ferro Velho), Demas e outros? Exatamente, neste "culto e serviço a Deus" que, muitas vezes, como dizem os católicos de minha terra (o Mato Grosso) "o diabo entra na casa do terço".

Administrar, na realidade de "Deus que está no seu santo templo!" como o "diabo que está na casa do terço!", é papel do homem que se diz cristão, comprometido em primeiro lugar com o Reino de Deus, mas cônscio de que vai governar a Igreja Visível, acidental, incidental e, parodiando, por "exibimento", (por que assim é a Igreja dos Homens, "exibida") e conforme Nietzche, "humana, demasiadamente humana".

Até onde eu sei, o ensino bíblico desconhece a igreja denominacional. Acho que esse negócio de "denominação" é o maior contra-senso. Em via de regra, os nomes das denominações - a redundância é obrigatória - refletem muitas coisas. Vou listar algumas, e você pode complementar depois com outras:

Começando pelas negativas, pecaminosas até: 1) sectarismo; 2) exclusivismo; 3) bairrismo; 4) pretensão; 5) vaidade - o velho "exibimento"; 6) orgulho; 7) ódio teológico; 8) preconceito religioso; de raça; de classe; de região etc.; 9) discriminação; 10) misticismo.

Refletem coisas indiferentes: 1) jogada de marketing; 2) política de marketing; 3) estratégia de marketing; 4) marketing de marketing.

Incidentalmente, pode refletir algozinho positivo: o distintivo adotado por uma Igreja Local, Regional, Nacional ou até Mundial ("Universal" não, por favor; estou falando de "igreja visível").

O contra-senso nos nomes das pessoas jurídicas (censores: eu disse pessoas jurídicas e não pessoas físicas, eu não quero agredir ninguém) dessas denominações são gritantes. A começar pela inventora do costume de denominar, alcunhar, apelidar o grupo dos crentes com outra alcunha que não o de "cristãos", a veneranda Igreja Católica Apostólica Romana, a qual 1) autodenominou-se católica para diferenciar-se das seitas heréticas pululantes naquel'outros tempos e lugares; 2) chamou-se apostólica por que se presumiu a "sucessão" apostólica dos bispos aderentes ao de Roma e 3) Romana por que era a religião obrigatória do Império Romano e tinha a sua sede na Cidade das Setes Colinas a "Eterna" Roma dos Césares.

São inescapáveis às observações argutas, as eivas de pretensão, de contenda, de preconceito com inúmeros outros cristãos não aderentes ao Papa. Porventura deixaram de ser Católicos os irmãos sírios, coptas e egípcios? São menos apostólicos os irmãos jerusalemitanos, antioquianos, bereanos, tessalonicenses, gregos ... Bem, não eram romanos. E que importância tinha isso para a economia da salvação... Mancada que deu azo a outras e outras...

As outras igrejas ditas "Ortodoxas", por que se alcunharam assim? Resposta, desconcertante, sem embargo, por que só elas eram as tais, as ortodoxas, as outras, inclusive, a intocável ICAR (Igreja Católica Romana) eram heréticas. Percebeu que tem "treta" nisso?

Passados muitos bois e muitas boiadas, uma dita e cuja comunidade resolveu se chamar "batista". Sim, Igreja Batista. Uai, para quê? Para congregar os "batistas", uai. Mas, toda a cristandade já não era batista? E até todos os cristãos não são batistas? Ou seja, não adotam o Batismo Cristão como ordenança de Cristo? Sim, mas ESTÃO TODOS ERRADOS, o único grupo que batiza, de verdade, é esse grupo aqui ó, que não aceita batismo infantil. Não, o batismo por imersão não é o grande problema; se fosse só isso os ortodoxos estariam sendo "um dos nossos" pois eles batizam por imersão, mas estes também cometem o sacrilégio do batismo infantil.

Bem, insisto em dizer que sou BATISTA BÍBLICO apesar de não pertencer a Igreja Batista. Daí achar que esse grupo denominacional continua espraiando suas mancadas por aí! Não justifica uma Igreja Batista, ou então tinha que estender "Igreja Batista Imersionista Antipedobatista".

Alguns irmãos já nos chamaram a atenção para a proliferação desses nomes esdrúxulos "Igreja Subindo com Jesus", "Igreja Evangélica Pentecostal Jesus Vem Se Não Vigiar Você Fica — sigla: IEPJVSNVV", que encerram, por vezes motes, lemas, (O Brasil para Cristo, Deus é Amor). Irmão, só marketing, isso é de menos! Grave eu acho foi a brincadeira inventada por ministro presbiteriano no Século XIX que chamou a sua grei de "Discípulos de Cristo". Barbaridade, tchê! "Discípulos de Cristo", não somos todos nós? Não, só os asseclas daquele "beleza"!

Hoje temos no Brasil duas denominações, dentre outras, uma se chama "Igreja de Cristo" a outra "Igreja de Deus". Como se a Igreja do Filho fosse rival da Igreja do Pai. Em Fortaleza o Pastor Carlos Magno saiu da Igreja Universal (a Católica tupiniquim) e fundou a Igreja do Espírito Santo. É mole, ou quer mais!?! E outras, as nossas outras? Bem, de certo, são Igrejas de Baal, de Astarot, de Mamon ... É cômico? Seria, se não fosse exatamente a idéia dos seus fundadores. As outras estão todas erradas!

Você sabe a diferença entre a Igreja de Cristo e a de Deus? É que a de Cristo aceita que os fiéis vão à piscina e a de Deus não, isso está inclusive no livrinho de doutrinas deles. Ora, se é assim por que uma não se chama Igreja Piscineriana e ou Igreja Antipiscineriana? O distintivo de ambas não é isso?

Outra, a Assembléia de Deus se chama assim. E, por causa disso, a minha Igreja deixou de ser assembléia. E essa assembléia, a minha, é do capeta? Deus me livre e guarde! Tá doido irmão!

A Igreja que é do Evangelho Quadrangular, foi fundada por Aimée Simple McPherson... sim, e as outras são de Evangelho Triangular? Redondo? Circular? Poligonar? Bem, eu fui batizado lá, saí de lá e vim para a presbiteriana, e meu Evangelho, que, aliás, não é meu é de Cristo, continuou sendo quadrangular, nos termos da Irmã McPherson, ou seja, "Jesus Salva, Jesus Cura, Jesus Batiza com Espírito Santo e Jesus Voltará", só que não acho tão relevante a figura geométrica ... ou tem algo a ver?

Até as organizações interdenominacionais trazem essas eivas de denominaciolismo. Por exemplo, a nossa impagável ADHONEP - Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno. Eis aí o preconceito, a discriminação, a pretensão. Quer dizer que tem por aí um Evangelho que não é pleno, um Evangelho Parcial? Evoca a problemática quadrangular! É o velho ranço pentecostal ... E por falar em pentecostal. Que alcunha boba, eu acho... Quem não é pentecostal? Eu sou, o metodista é, o católico, nós somos, todos os cristãos são, meus irmãos de Deus!!!

Está acabado de crer! Tudo é, no mínimo, MARKETING! Não faz muito sentido.

Agora, seria razoável dar a opção de arrumar as malas para aqueles que possuem irmãos, amigos, parentes e toda uma história de vida dentro de uma igreja só porque discordam de algum ponto, por sinal controvertido?

Ninguém é obrigado, em qualquer Igreja a ser oficial dessa Igreja (pastor, seminarista, presbítero e/ou diácono). Para o assembleiano, por exemplo, é obrigatório o assentimento ao pré-milenismo anti-tribulacional, ao batismo de adulto exclusivamente por imersão, ao homem tricotômico, ao batismo com Espírito Santo assinalado com a evidência inicial de falar em línguas, ao portar a Harpa Cristã e ao adotar a Edição Revista e Corrigida SBB ou Editora Vida (preferível com as palavras de Cristo em vermelho) e, agora a Bíblia de Estudo Pentecostal. Bem, esses últimos pontos são negociáveis para os egressos da chamada Igreja Tradicional, mas ser batizado com o Espírito Santo, a la pentecostal, é "conditio sine que non" para ser obreiro, diácono, presbítero, pastor auxiliar e, para chegar a pastor presidente então tem de derrubar gente e fazer predições!

Lá o negócio é assim, não tem ponto controverso (é certo o que está no "Cremos"; pag. do Mensageiro da Paz, o resto o que se ensina "por aí" está errado). Aceita, sobe! Não aceita, senta, fica no banco! ... se chia vai para o "monte" fazer "reeducação", "lavagem cerebral", "consagração" se não se adapta: rua! Nem fora da Igreja está, apostatou-se, caiu da graça, tá no inferno!

Alguns insistem em que tudo seria mais fácil se Deus jogasse do céu, de pára-quedas, um manual de batismo cristão, definindo a quantidade de água, a temperatura, a idade dos batizados, as palavras que deveriam ser proferidas, o tipo de xampu etc).

Acho "tomém"! E não sei por causa de que Nosso Senhor não fez isso. Ficaria bem mais fácil. Não precisava nem um "livro" daquele tamanhão, a Bíblia, "isclusivis" tem dia que dá uma preguiça de ler a Bíblia. Olha, tem dia que eu tô tão preguiçoso que mando minha mulher passar o feijão no liquidificador para eu não precisar mastigar. Então, por que o Nosso Senhor não dá para mim tudo mastigadinho? Não sei, de fato não sei... Mas, posso arriscar um "zóio", um "parpite".

Quem sabe Deus não o fez por que quis contar com pessoas humanas, de boa-fé, livres, inteligentes e crentes que tivessem a capacidade de discernir "todo o conselho de Deus concernentes às coisas necessárias para a glória dele e para salvação, fé e vida do homem". Conselho esse que é "ou expressamente declarado na Escritura", como é caso da ordenança do batismo (Mt. 28:19-20 e Mc. 16:15), do dízimo (Ml. 3:10), dos deveres sociais e espirituais (Hb 12-13. Rm. 12-15, Ef. 4-6 etc) etc; "ou pode ser lógica e claramente deduzido dela" (como é claramente o caso do batismo cristão - infantil ou adulto), a desnecessaridade da imersão como forma de administrá-lo, o domingo como o sábado cristão, a necessidade da educação cristã no lar, na escola e na Igreja (base para a Escola Dominical) o apoio financeiro a missões (você já na Bíblia a ordem explícita para financiar missões?) e outros assuntos.

"À Escritura nada se acrescentará" em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens", entretanto bênçãos maravilhosas estão para serem descortinadas ou redescobertas pela Igreja, como a belíssima doutrina da Aliança da Graça, bibliquíssima base para o batismo infantil.

Mas é debalde discutir. Quando levantamos um ponto, vem a suave "inquisição" querendo nos condenar ao silêncio obsequioso. Devo reconhecer, "não ser por força ou poder", mas é absolutamente necessária "íntima iluminação do Espírito de Deus. PARA A SALVADORA COMPREENSÃO DAS COUSAS REVELADAS, E QUE HÁ CIRCUNSTÂNCIAS, QUANTO AO CULTO DE DEUS E AO GOVERNO DA IGREJA, COMUNS ÀS AÇÕES E SOCIEDADES HUMANAS, AS QUAIS TÊM DE SER ORDENADOS PELA LUZ DA NATUREZA E PELA PRUDÊNCIA CRISTÃ, SEGUNDO REGRAS DA PALAVRA, QUE SEMPRE DEVEM SER OBSERVADAS.

A todos que me acompanharam até agora, meu cordial agradecimento e o reconhecimento da paciência. Sei que abusei da "patentia" de nossos censores de plantão. Sei "isclusivis", que até o sereníssimo total, sumo e poderosíssimo Lorde Pontície Majordomo de certa lista de discussão teológica que quando soube de minhas intermináveis incursões, meneando a cabeça expressou: "Quanquon tanden, Anamim (quid esquisitum nomine), putieri patienti nostra". Já fiquei exilado outras vezes e senti muito, por favor não me excluam, senhor censores! Eu prometo ficar mais calmo!

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Anamim Lopes Silva, presbítero da I. Presbiteriana do Sudoeste e membro da Comissão Executiva do Presbitério do Distrito Federal, em Brasília - DF.

Fonte: Monergismo

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brasil: um protestantismo neoanabatista?

Robinson Cavalcanti

Samuel Escobar, um dos fundadores da Fraternidade Teológica Latino Americana (FTL), escreveu sobre a “anabatistização” do protestantismo do nosso continente, não importando a denominação. Não é só o fato de apenas aqui as igrejas evangélicas rebatizarem católicos romanos e ortodoxos orientais, contrariando os reformadores e sua prática em outros continentes. Trata-se do anabatismo como ideologia, formada a partir da Reforma Radical, com desdobramentos históricos. Vejamos suas marcas.

1. A “apostasia da igreja” como leitura histórica. Da morte de João ao nascimento de Lutero, tudo o que a igreja fez foi errado e a fez se afastar de sua “pureza” original. Isso se chocava com a Primeira Reforma (Lutero, Cranmer) e a Segunda (Calvino), que consideravam os velhos corpos cristãos não-reformados, a despeito de seus “erros, desvios e superstições”, autênticas expressões do Corpo de Cristo. Essa ideologia desqualifica quinze séculos de história e retira dela a presença do Espírito Santo.

2. O “restauracionismo” como princípio re-fundante. Se todo o passado foi de erros, o novo grupo vai “restaurar” a pureza da igreja, segundo entende (séculos depois) o que era a igreja primitiva. Temos tido ciclos de expressões restauracionistas, dentro do espectro da igreja, na fronteira (adventismo) e fora dela (Testemunhas de Jeová).

3. O “presentismo”. C. S. Lewis denuncia as gerações que, movidas por um sentimento anti-histórico, não levam em conta a tradição apostólica nem o consenso dos fiéis, e querem reinventar a roda, em sua superficialidade.

4. Uma eclesiologia dualista e minimalista. Um dualismo neoplatônico entre organismo (bom, de Deus) e instituição (má, dos homens), entre “igreja invisível” e “igreja visível” que, em uma concepção minimalista, é a “igreja local” (congregação), crendo em uma Igreja de Jerusalém regida pelas regras parlamentares de Westminster. Um conjunto dessas “igrejas locais”, com suas peculiaridades, forma uma “denominação” (conceito novo e extrabíblico), com a demonização das organizações históricas, a negação dos sacramentos e o desprezo pela hierarquia ministerial.

5. Iconoclastia. Rejeição de toda a arte sacra: arquitetura, escultura, pintura, símbolos, vestes, ritos. O inestético é o espiritual; a informalidade, a recuperação da pureza. A psicanálise tem estudado a relação entre neuroses e rejeição à arte, por repressão ao prazer. O “teológico” como fachada para o psicológico. A ideologia anabatista perpassou vários momentos na história da igreja, desde os “entusiastas”, encontrados (e combatidos) no luteranismo e no anglicanismo do século 16, ao menonismo de vários matizes (Amish, huteritas), o pietismo, os Quackers, os Irmãos Livres (Irmãos de Plymouth), o “Pequeno Rebanho” (Watchman Nee/Witness Lee) e suas “igrejas locais”, “igrejas sem nome”, “comunidades evangélicas”, “igrejas nos lares” (House Churches), igrejas emergentes e novas iniciativas. Algumas dessas expressões se pretendem pós-denominacionais, ou não-denominacionais (são apenas variações de igrejas batistas e/ou pentecostais), sem usar esse título, outras mantêm vínculos mínimos, ou estão “hospedadas” nas igrejas históricas ligadas a movimentos ou redes de ideologia de fundo anabatista, que poderíamos denominar de neoanabatismo. Algumas mantêm uma ênfase nas doutrinas históricas, outras afirmam que “as pessoas querem saber de vida e não de doutrinas”, havendo até quem negue o apóstolo Paulo e se resuma à pretensa radicalidade do reino, aos ensinos de Jesus. Uma das marcas do neoanabatismo contemporâneo foi herdada do liberalismo: tornar o evangelho palatável para o homem pós-moderno, como aqueles pretendiam fazer para o moderno. A cultura secular termina por impor a agenda da igreja, na linguagem, nos métodos, nas abordagens e no próprio conteúdo. “O homem pós-moderno não aceita essas coisas. Não faz sentido.” Um setor tem a preocupação em estabelecer “igrejas locais” para as tribos urbanas. E se esses jovens amadurecerem? Billy Graham, sem menosprezar a importância da comunicação transcultural, diz que atrás de qualquer “casca” está um pecador que necessita se arrepender e depositar a sua fé em Jesus Cristo, e que para todas as culturas há um eterno evangelho a ser anunciado. Será que as pessoas mais refinadas, artisticamente sensíveis, terão de ficar presas aos extremos da idolatria e da iconoclastia, sem lugar para uma igreja reformada valorizadora da história, do consenso dos fiéis, da reverência e da beleza na adoração, incluindo os símbolos e a liturgia? Quem rejeita a idolatria está condenado ao empobrecimento estético, à iconoclastia do presentismo informalista? O pretensamente “novo” não é apenas um “remake” de velhas iniciativas. O neoanabatismo é um fenômeno crescente, que atinge, mais ou menos, todas as denominações, como rolo compressor em nosso continente e nosso país. Os histórico-estéticos, porém, insistem em sua identidade. As outras expressões do protestantismo, histórico-estéticas, continuam a afirmar outras alternativas para a fé reformada.

Edward Robinson de Barros Cavalcanti é um teólogo, político e bispo da Igreja Anglicana do Cone Sul da América, comandando a diocese de Recife. Foi professor da Universidade Federal de Pernambuco e escreveu dez obras sobre religião. Em 1997 foi eleito bispo da diocese de Recife. Como bispo diocesano, ordenou 57 diáconos e 49 presbíteros. Nesses sete anos foram abertas 34 das presentes 44 comunidades da Diocese Anglicana do Recife.

Fonte: Ultimato

domingo, 5 de dezembro de 2010

Kaká rompe oficialmente com a Igreja Renascer

Kaká e Caroline durante o casamento na Igreja
Renascer (Foto: Getty Images)

Kaká e sua mulher Caroline Celino romperam com a Igreja Renascer em Cristo. A informação é da revista "Veja", em reportagem publicada neste domingo. A própria igreja confirmou que, na última quinta-feira, Kaká ligou para Estevam Hernandes e comunicou sua saída por motivos pessoais. De acordo com a publicação, eles se afastaram no último mês de agosto. Carol foi quem confirmou a saída dos dois.




- O meu tempo na Igreja Renascer acabou. E o que posso afirmar é que hoje minha busca constante é somente por Deus - disse esposa de Kaká à revista.

O craque do Real Madri, que teve a cerimônia de casamento na Renascer, sempre demonstrou sua proximidade com a instituição. Em 2007, depois de receber o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa, ofereceu o troféu para ser exposto na igreja em São Paulo.

Donos da Renascer foram condenados em 2009

Estevam e Sonia Hernandes, fundadores da Renascer, foram condenados em dezembro de 2009 pela Justiça Federal, em São Paulo, a quatro anos de reclusão pelo crime de evasão de divisas. A condenação se referiu ao fato de o casal ter deixado o país com destino aos Estados Unidos, em janeiro de 2007, com US$ 56,4 mil (R$ 95,5 mil atualmente).

Estevam e Sonia esconderam o dinheiro em uma bolsa, na capa de uma Bíblia, em um porta-CD. Ao chegarem em Miami, os dois foram detidos e depois condenados pela Justiça local pelos crimes de contrabando e conspiração de dinheiro.

No mesmo ano, em 18 de janeiro, o teto da antiga sede da igreja desabou, deixando sete mortos e mais de 100 pessoas feridas no local. O lançamento da pedra fundamental do novo templo aconteceu em setembro de 2009, com um valor de R$ 10 milhões. Kaká esteve presente na cerimônia ao lado dos líderes Estevam e Sônia. Segundo o jornal "O Dia", jogador teria contribuído com pelo menos US$1,4 milhão (R$ 2,3 milhões atualmente) de dízimo para a igreja.

Fonte: Globo Esporte

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ninguém nunca viu um milagre

Os movimentos de sinais e maravilhas estão se alastrando por todo o Brasil. Como cria do movimento pentecostal, os pastores milagreiros estão invadindo o cenário religioso nacional e ocupando grandes espaços nos veículos de comunicação. Tais milagreiros garantem que curam todos os tipos de doenças e resolvem todos os tipos de problemas que assolam os brasileiros. A proposta deles é a mesma do catolicismo de massas do Juazeiro do Norte-CE, do espiritismo, do esoterismo, da umbanda e candomblé, bem como dos pentecostais protestantes e católicos carismáticos. Para credenciar seus movimentos curandeiros, eles usam os milagres como forma de atestar que eles são verdadeiros e que o movimento é de Deus. Mas esses movimentos não resistem a uma boa análise, por mais simples que seja, em comparando-se o que os apóstolos fizeram nos tempos bíblicos com o que esses falsos apóstolos modernos afirmam fazer. Nos tempos bíblicos era possível VER o milagre sendo realizado por Cristo e pelos apóstolos; nos dias de hoje, NINGUÉM vê qualquer milagre desses milagreiros sendo realizado na hora. O que se presencia nessas reuniões de supostas curas é o relato que as pessoas contam que foram curadas. Essa é a razão principal porque eles não se aventuram em visitar um hospital para curar pessoas doentes lá. Suas curas são sempre histórias de pessoas que dizem que foram curadas. Todo mundo acredita nessas histórias porque aquela “verdade” só é crida naquele momento em que a pessoa conta. Como ninguém vai atrás de quem contou, nem acompanha a vida da pessoa que disse que foi curada, as pessoas acreditam numa “verdade” sem ser investigada. Na maioria, esses milagres contados não passam de interpretações particulares de pessoas cheias de doenças psicossomáticas. É possível observar na televisão que as curas de R.R. Soares são apenas de dores musculares ou ósseas; os milagres são contos e histórias mirabolantes que as pessoas atribuem aos curandeiros. Como todos estão dentro do movimento de curas, qualquer coisa que acontece em suas vidas é interpretada como milagre, e é atribuído ao movimento. Essas são as mesmas histórias contadas pelos seguidores do padre Cícero, pelos católicos carismáticos, e pelos espíritas. Para quem vive naquele universo, tudo na vida deles é interpretado como milagre. Há muitos casos de pessoas que estão em tratamento médico ao mesmo tempo em que freqüentam as reuniões de curas; se o tratamento médico surtir efeito, ou o diagnóstico tinha sido errado, ou a doença não era o que se pensava, ainda assim tais pessoas dizem que foram curadas pelos curandeiros, e levam seus exames para mostrar nas reuniões. Assim, os milagres modernos é uma questão de interpretação, e não de visão. Os milagres são interpretados, mas nunca foram vistos.


Por: Rev. Moisés Bezerril

Fonte: Teologia Hoje

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A mediunidade protestante

Robinson Cavalcanti

Quando tive a honra de ser professor do Seminário Presbiteriano do Norte (SPN), no Recife, conheci um aluno que nos dias de semana passava a tarde dormindo ou jogando futebol na quadra, enquanto deveria pregar nas congregações. O mesmo era conhecido por se pretender “espiritual” e “renovado”. Intrigados, procuramos saber se ele não estudava as Escrituras e preparava os sermões com antecedência. O mesmo considerou tal expediente muito “carnal”. Ao dormir a tarde toda ou jogar bola, ele acreditava deixar a mente limpa para o Espírito Santo “baixar” com seu recado, de forma pura e cristalina, logo mais à noite...

Devemos reconhecer a força cultural do espiritismo e dos cultos de origem afro-ameríndia, e como eles influenciaram a percepção de espiritualidade de algumas igrejas protestantes. O Espírito Santo e os anjos funcionam como espécies de “orixás evangélicos”, “baixando” sobre pastores e missionários, qual “médium protestante”. Isso sem falar em “profetas”, principalmente “profetizas”, com suas revelações particulares sobre saúde, família e negócio, tomando o lugar simbólico das benzedeiras do catolicismo popular, das cartomantes e dos pais e mães-de-santo. Há uma forte equivalência simbólica.

Nos cultos, ou se tem os “médiuns” ou se tem os “artistas”, que lideram o show-da-fé, no centro do palco e das atenções, promovendo o entretenimento.

C.S. Lewis denunciava as gerações que desprezam as outras do passado, supervalorizando o presente (presentismo). Isso não somente atenta contra a herança apostólica e o consenso dos fiéis, vivenciado através dos séculos, como também pretende ser melhor: restauradores da “pureza” e outras formas de arrogância espiritual, que rompem a unidade mística da “comunhão dos santos” (conforme confessamos nos Credos).

John Stott diz que o que faz uma liturgia viva ou morta, seja ela mais ou menos estruturada (não há liturgia informal, pois o “informal” é, apenas, uma outra forma), é o fato de os fiéis serem convertidos ou não e acreditarem ou não no que se pronuncia. A entonação, os sentimentos, a fé fazem a diferença. Foi o mesmo Stott quem disse que “um anglicano carismático não é um pentecostal”.

Somos carismáticos porque acreditamos que não há igreja sem o Espírito Santo, e não há presença do Espírito Santos sem carismas. Se Hans Kung disse que uma das marcas do anglicanismo era a sua aversão a extremismos, alguém também afirmou que “na Igreja Anglicana o Espírito Santo sopra como um gentil cavalheiro”.

Somos uma igreja que preza dois mil anos de herança litúrgica da igreja, católica e reformada. Herança que é o conjunto do que foi, nas diversas etapas e lugares, fruto da ação do Espírito Santo nas comunidades de fé. Daí o Livro de Oração Comum -- Bíblia pura, ortodoxia pura -- ser uma das marcas distintivas do anglicanismo. Os seus diversos ritos não engessam os crentes, antes os edificam, e podem ser intercalados com orações espontâneas, cantos, declamações, teatro, testemunho, em uma convergência com um presente que não rompe com o passado. Uma das maiores contribuições que a Diocese do Recife está fazendo para a maturidade da igreja no Brasil é a edição (ora no prelo) do Livro de Oração Comum Brasileiro (LOCb).

Há quem goste de culto batista tradicional, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para adorar em uma Igreja Batista. Há quem gosta de culto pentecostal “clássico”, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para ir, por exemplo, e adorar na Assembléia de Deus. Há quem goste do culto neo (pós) pentecostal, com apóstolos, banhos de descarrego, retirada de encostos e três recolhimentos de ofertas, e nós os respeitamos. Quem gosta desse tipo de culto é livre para ir à Igreja universal, Internacional ou Mundial. Agora, pelo amor de Deus, deixem o anglicanismo em paz, com sua liberdade litúrgica, com sua diversidade, sim, porém “com ordem e decência”, com a alegria do Espírito Santo e o LOCb na mão. E isso não é “anúncio de missa de sétimo dia” para se adotar como “um doloroso dever”, mas uma adesão livre, convicta e entusiástica.

Somos uma igreja sem mediunidade, sem estrelismo e sem “showbiz”, graças a Deus!

Edward Robinson de Barros Cavalcanti é um teólogo, político e bispo da Igreja Anglicana do Cone Sul da América, comandando a diocese de Recife. Foi professor da Universidade Federal de Pernambuco e escreveu dez obras sobre religião. Em 1997 foi eleito bispo da diocese de Recife. Como bispo diocesano, ordenou 57 diáconos e 49 presbíteros. Nesses sete anos foram abertas 34 das presentes 44 comunidades da Diocese Anglicana do Recife.

Fonte: Genizah

terça-feira, 6 de julho de 2010

Apóstolo é pouco! Renê Terranova agora é Patriarca!

PATRIARCAS de uma Visão


Na noite em que se comemorava o 49o. aniversário do apóstolo Renê Terra Nova, 19 de junho, durante a programação do 13o. Congresso Internacional da Visão Celular, no MIR, em Manaus, líderes do Brasil e das nações reconheceram publicamente diante da igreja, o papel de patriarca o qual o apóstolo Renê tem exercido no Brasil e nas nações por onde tem passado.



O cerimonial do reconhecimento público emocionou a todos os líderes reunidos no MIR. Após a entrada dos estandartes que representam as 12 tribos, das bandeiras dos 27 Estados brasileiros, e dos representantes internacionais, foi exibido um vídeo mostrando as marcas do patriarcado na vida dos apóstolos do MIR, culminando no ato profético do manto sacerdotal, em cor púrpura, sobre a vida do casal de apóstolos, Renê e Ana Marita Terra Nova.



O apóstolo Fabio Abud, de São Paulo, foi o primeiro a falar, declarando que reconhecia o manto de Patriarca sobre a vida do apóstolo Renê e agradecia pelo pai espiritual que tem a Visão Celular no Brasil. Em seguida, o presidente da ICEJ, Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém, Malcolm Hedding,declarou que Israel reconhecia o legado patriarcal que possui o apóstolo, lembrando o chamado de Abraão.



Em mensagem exibida no vídeo, a apóstola Valnice Milhomens, que esteve ontem no MIR, declarou a importância do apóstolo Renê Terra Nova para o Brasil, devido a sua liderança de amor, dedicação, e seriedade no que faz. O apóstolo Marcel Alexandre representou a voz local, e emocionado declarou em nome de todo o MIR, e igrejas de Manaus, o reconhecimento de que há um Patriarca de uma visão no Brasil, e mentor de uma nova geração de líderes desatados na Visão.



A família do casal, representada pela filha mais velha, Larrissa Terra Nova, também reconheceu o legado patriarcal que há na vida de seus pais, e muito emocionada declarou que nunca conheceu alguém com tamanha integridade, amor e seriedade, com que seu pai se dedica ao ministério. Dona Guiomar, mãe do apóstolo, não conseguiu dizer muitas palavras, mas agradeceu a Deus pelo filho que tem, e pela resposta da liderança de seu filho, demonstrada pela multidão de discípulos que há no Brasil.



Os pastores e líderes das equipes do apóstolo Renê Terra Nova subiram ao altar do MIR para profeticamente colocarem o manto de púrpura, que representava a unção patriarcal. Os apóstolos deitaram sobre os ombros do casal Terra Nova, orando para que Deus derramasse uma nova unção sobre eles. Um novo tempo chega para a Visão Celular no Brasil e no mundo.

Fonte: Vigiai

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O que aconteceu com os evangélicos?


Quando Paulo Romeiro escreveu Evangélicos em Crise em meados da década de 90, ele apenas tocou em uma das muitas áreas em que o evangelicalismo havia entrado em colapso no Brasil: a sua incapacidade de deter a proliferação de teologias oriundas de uma visão pragmática e mercantilista de igreja, no caso, a teologia da prosperidade.




Fica cada vez mais claro que os evangélicos estão atualmente numa crise muito maior, a começar pela dificuldade – para não falar da impossibilidade – de ao menos se definir hoje o que é ser evangélico.



Até pouco tempo, “evangélico” indicava vagamente aqueles protestantes de entre todas as denominações – presbiterianos, batistas, metodistas, anglicanos, luteranos e pentecostais, entre outros, que consideravam a Bíblia como Palavra de Deus, autoritativa e infalível, que eram conservadores no culto e nos padrões morais, e que tinham visão missionária.



Hoje, no Brasil, o termo não tem mais essa conotação. Ele tem sido usado para se referir a todos os que estão dentro do cristianismo em geral e que não são católicos romanos: protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais, igrejas emergentes, comunidades dos mais variados tipos, etc.



É evidente a crise gigantesca em que os evangélicos se encontram: a falta de rumos teológicos definidos, a multiplicidade de teologias divergentes, a falta de uma liderança com autoridade moral e espiritual, a derrocada doutrinária e moral de líderes que um dia foram reconhecidos como referência, o surgimentos de líderes totalitários que se auto-denominam pastores, bispos e apóstolos.



A conquista gradual das escolas de teologia pelo liberalismo teológico, a falta de padrões morais pelos quais ao menos exercer a disciplina eclesiástica, a depreciação da doutrina, a mercantilização de várias editoras evangélicas que passaram a publicar livros de linha não evangélica, e o surgimento das chamadas igrejas emergentes. A lista é muito maior e falta espaço nesse post.



Recentemente um amigo meu, respeitado professor de teologia, me disse que o evangelicalismo brasileiro está na UTI. Concordo com ele. A crise, contudo, tem suas raízes na própria natureza do evangelicalismo, desde o seu nascedouro.



Há opiniões divergentes sobre quando o moderno evangelicalismo nasceu. Aqui, adoto a opinião de que ele nasceu, como movimento, nas décadas de 50 e 60 nos Estados Unidos. Era uma ala dentro do movimento fundamentalista que desejava preservar os pontos básicos da fé (veja meu post sobre Fundamentalismo), mas que não compartilhava do espírito separatista e exclusivista da primeira geração de fundamentalistas.



A princípio chamado de “neo-fundamentalismo”, o evangelicalismo entendia que deveria procurar uma interação maior com questões sociais e, acima de tudo, obter respeitabilidade acadêmica mediante o diálogo com a ciência e com outras linhas dentro da cristandade, sem abrir mão dos “fundamentos”.



Eles queriam se livrar da pecha de intransigentes, fechados, bitolados e obscurantistas, ao mesmo tempo em que mantinham doutrinas como a inerrância das Escrituras, a crença em milagres, a morte vicária de Cristo, sua divindade e sua ressurreição de entre os mortos. Eram, por assim dizer, fundamentalistas esclarecidos, que queriam ser reconhecidos academicamente, acima de tudo.



O que aconteceu para o evangelicalismo chegasse ao ponto crítico em que se encontra hoje? Tenho algumas idéias que coloco em seguida.



1. O diálogo com católicos, liberais, pentecostais e outras linhas sem que os pressupostos doutrinários tivessem sido traçados com clareza. Acredito que podemos dialogar e aprender com quem não é reformado. Contudo, o diálogo deve ser buscado dentro de pressupostos claros e com fronteiras claras. Hoje, os evangélicos têm dificuldades em delinear as fronteiras do verdadeiro cristianismo e de manter as portas fechadas para heresias.



2. A adoção do não-exclusivismo como princípio. Ao fazer isso, os evangélicos começaram a abrir a porta para a pluralidade doutrinária, a multiplicidade de eclesiologias e o relativismo moral, sem que tivessem qualquer instrumento poderoso o suficiente para ao menos identificar o que estivesse em desacordo com os pontos cruciais.



3. O abandono gradual da aderência a esses pontos cruciais com o objetivo de alargar a base de comunhão com outras linhas dentro da cristandade. Com a redução cada vez maior do que era básico, ficou cada vez mais ampla a definição de evangélico, a ponto de perder em grande parte seu significado original.



4. O abandono da confessionalidade, dos grandes credos e confissões do passado, que moldaram a fé histórica da Igreja com sua interpretação das Escrituras. Não basta dizer que a Bíblia não tem erros. Arminianos, pelagianos, socinianos, unitários, eteroteólogos, neopentecostais – todos afirmarão isso.



O problema está na interpretação que fazem dessa Bíblia inerrante. Ao jogar fora séculos de tradição interpretativa e teológica, os evangélicos ficaram vulneráveis a toda nova interpretação, como a teologia relacional, a teologia da prosperidade, a nova perspectiva sobre Paulo, etc.



5. A mudança de uma orientação teológica mais agostiniana e reformada para uma orientação mais arminiana. Isso possibilitou a entrada no meio evangélico de teologias como a teologia relacional, que é filhote do arminianismo. Permitiu também a invasão da espiritualidade mística centrada na experiência, fruto do reavivalismo pelagiano de Charles Finney. (Nota do CACP*: Aqui o autor critica a exacerbação do arminianismo... entendemos que tanto o radicalismo arminiano como o calvinista é contraproducente)



Essa mudança também trouxe a depreciação da doutrina em favor do pragmatismo, e também o antropocentrismo no culto, na igreja e na missão, tudo isso produto da visão arminiana da centralidade do homem.



Mas talvez o pior de tudo foi a perda da cosmovisão reformada, que serviria de base para uma visão abrangente da cultura, ciência e sociedade, a partir da soberania de Deus sobre todas as áreas da vida. Sem isso, o evangelicalismo mais e mais tem se inclinado a ações isoladas e fragmentadas na área social e política, às vezes sem conexão com a visão cristã de mundo.



6. Por fim, a busca de respeitabilidade acadêmica, não somente da parte dos demais cristãos, mas especialmente da parte da academia secular. Essa busca, que por vezes tem esquecido que o opróbrio da cruz é mais aceitável diante de Deus do que o louvor humano, acabou fazendo com que o evangelicalismo, em muitos lugares, submetesse suas instituições teológicas aos padrões educacionais do Estado e das universidades.



Padrões esses comprometidos metodológica, filosófica e pedagogicamente com a visão humanística e secularizada do mundo, em que as Escrituras e o cristianismo são estudados de uma perspectiva não cristã. Abriu-se a porta para o velho liberalismo.



Não há saída fácil para essa crise. Contudo, vejo a fé reformada como uma alternativa possível e viável para a igreja evangélica brasileira, desde que se mantenha fiel às grandes doutrinas da graça e aos lemas da Reforma, e que faça certo aquilo que os evangélicos não foram capazes de fazer:



(1) dialogar e interagir com a diversidade delineando com clareza as fronteiras do cristianismo;



(2) abandonar o inclusivismo generalizado e adotar um exclusivismo inteligente e sensível;



(3) voltar a valorizar a doutrina, especialmente os pontos fundamentais da fé cristã expressos nos credos e confissões, que moldaram os inícios do movimento evangélico.



Talvez assim possamos delinear com mais clareza os contornos da face evangélica em nosso país.


Rev. Augustus Nicodemus Lopes



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Augustus Nicodemus Lopes é pastor presbiteriano. Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte (Recife), mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul) e doutor em Interpretação Bíblica pelo Westminster Theological Seminary (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). É chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro.

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Fonte: CACP

terça-feira, 8 de junho de 2010

SEMINÁRIO DE ATIVAÇÃO PROFÉTICA, O ENGODO.

"Bem-vindo,

Estes são tempos de uma importância profética extrema sobre as nações da terra onde o Senhor está levantando um exército de “águias proféticas” que vivem nas alturas (dimensão sobrenatural do Reino dos Céus), e dessa maneira governam desde os Céus (assentados nas regiões celestiais ) e são predadores de serpentes na terra (tem autoridade para pisar serpentes e escorpiões e toda força do inimigo).


Neste seminário seremos profeticamente ativados na dimensão sobrenatural e receberemos as estratégias proféticas para desfazer as obras do diabo sobre o território em que nos encontramos. Por isso, os anjos de Deus tocam as suas trombetas e convocam a todas as águias do norte, sul, leste e oeste de nossa nação a se ajuntarem nesses dias a fim de serem treinados e adestrados a levarem o grande e verdadeiro mover profético do Reino de Deus ao redor da terra".

Realmente a simplicidade da Palavra de Deus foi totalmente abandonada. Levar o povo de Deus a crer em algo tão estapafúrdio é no mínimo desprezar completamente a racionalidade. É crer que Deus tem revelado algo totalmente novo para este tempo. Isso contradiz a Palavra em 100% por cento. É crer que se é muito especial para ter uma nova revelação e consequentemente ter autoridade para implantar estas coisas. Qualquer estudante de psicologia vai nominar estas coisas de NPD. Megalomania é um transtorno de personalidade onde a pessoa se vê acima das demais capaz de realizar coisas grandiosas. Megalomania é normalmente entendido como um comportamento mental caracterizado por um excessivo desejo de poder e de glória, é ilusório sentimento de onipotência . Este último pode ser expressa na forma psicopatológica de delírio de grandeza". 1



É preocupante esta forma de comportamento, pois, adoece quem ouve e fomenta uma expectativa interminável. Gostaria de analisar alguns pontos da fala do pretenso "apóstolo". Quero ressaltar que não conheço tal pretenso "apóstolo" pessoalmente e somente pondero idéias.



1 - "Estes são tempos de uma importância profética extrema sobre as nações da terra".



Se o apóstolo Paulo ouvisse uma coisa dessas diria ok? I. Tm. 1:4 "Nem se dêem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora". I Tm. 4:7 "Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade". II Tm. 4:4 " E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas". Pedro chega a dizer que são fábulas artificialmente compostas.



Tal afirmação por parte do pretenso "apóstolo" é sem fundamentação teológica e bíblica, pois, a escatologia do Novo Testamento apontava para um retorno de Cristo imediatamente, naquela geração. Para os escritores do Novo Testamento o tempo do fim já havia sido iniciado com a vinda de Cristo e para eles aqueles eram dias finais. Como pode esse pretenso "apóstolo" afirmar que esses dias em que vivemos são de extrema importância profética para as nações se vivenciamos o tempo do fim? Talvez queira dar um ar de urgência ou importância para sua fala. Tal afirmação é no mínimo infantil para não dizer inócua. Querem sempre trazer uma revelação diferente ou nova e assim querem conseguir se manter em evidência por algum tempo. Já percebeu que todos os anos tais "apóstolos" têm uma nova palavra profética? Ao terminar um ano ou no máximo no início do novo ano lá vem a palavra profética e sempre são coisas faraónicas, estratosféricas e megalomaníacas. Estou pensando em criar um banco de dados com tais palavras proféticas de depois tabular para ver o percentual de cumprimento de tais profecias. Com certeza será zero %.



2 - "onde o Senhor está levantando um exército de “águias proféticas” que vivem nas alturas (dimensão sobrenatural do Reino dos Céus), e dessa maneira governam desde os Céus (assentados nas regiões celestiais ) e são predadores de serpentes na terra (tem autoridade para pisar serpentes e escorpiões e toda força do inimigo).



Essa mania de dizer que os cristãos governam o mundo é algo ridículo. Não encontramos isso no Novo Testamento. Isso somente reflete esse transtorno de personalidade. Tais pretensos "apóstolos" nunca falam de humildade, mansidão, sofrer os danos, suportar as provas etc. Somente falam de conquistas, visões astronómicas e mirabolantes. Agora fico a me perguntar: Deus está levantando um exército de águias proféticas? Cristãos que vivem nas alturas? Que vivem na dimensão sobrenatural de Deus? Vale lembrar que a posição do cristão em Cristo é estar juntamente com Ele nas regiões celestiais, então Deus não precisa levantar ninguém nestas dimensões, pois, eles já estão lá. Só que o pretenso "apóstolo" se esquece que vivemos é neste mundo e a realização das regiões celestiais é o ainda não da teologia. Veja bem que a fala é esquizofrênica. Predadores de serpentes? Quando Cristo disse que pisaríamos serpentes e escorpiões, Ele estava somente encorajando a igreja a nada temer e fazer a obra de pregação do Evangelho rapidamente. Mas os megalomaníacos querem atribuir algo sensacional ao que é simples. Tais disfunções comportamentais somente levam a distorções bíblicas. Para tais profetas a batalha espiritual somente se dá lutando contra o Diabo e suas hostes. Quanta ignorância na Palavra! Existem outras dimensões onde essa batalha se dá, mas eles nada dizem e creio é que porque desconhecem. Esquecem-se que o diabo é criatura debaixo da vontade de Deus e que não pode fazer nada sem que o Senhor permita. Esquecem-se que Satanás já foi derrotado na cruz e que Cristo é o Senhor para todo sempre. Esquecem-se da Soberania de Deus.



3 - "Neste seminário seremos profeticamente ativados na dimensão sobrenatural".



Gostaria de perguntar: Onde está o botão para que eu aperte? Onde está a chave de ignição para esta ativação? Mais uma vez vem a fala descabida: Seremos ativados profeticamente. Parece que toda igreja dorme um sono letárgico. Parece que o pretenso "apóstolo" descobriu a roda em pleno século XXI. Isso somente traz para tais pessoas uma importância que elas não têm. Eles vão mostrar o segredo da ativação profética, pois, somente eles o conhecem, são especiais e os iniciados não o possuem. Isso cheira a gnosticismo puro. Os gnósticos, nos tempos apostólicos e pós apostólicos, afirmavam que haviam recebido um conhecimento especial de Cristo ou de seus apóstolos e assim podiam repassar isso para os outros cristãos, pois, os novos cristãos não o possuíam e precisavam receber diretamente deles. Eles eram os guardiões do conhecimento libertador ou promovedor. Vejo exatamente isto na fala do pretenso "apóstolo", gnosticismo. Tais pretensos "apóstolos" dizem que possuem o conhecimento secreto, talvez revelados a eles por Deus e somente eles podem repassar isso para a igreja. Paulo nos diz em Col. 2: 2-10 "Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo, 3 Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência. 4 E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas. 5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo. 6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, 7 Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças. 8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; 9 Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; 10 E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade".



Que simplicidade de Paulo! Nada de ativação profética, conhecimento sobrenatural ou profecias abjetas. É assim que precisamos nos comportar.



4 - "e receberemos as estratégias proféticas para desfazer as obras do diabo sobre o território em que nos encontramos". Que afirmação infantil. Tudo o que foi criado pertence a Deus. Não existem territórios que são dos demônios e outros não. Não existem demônios territoriais. Isso é invenção! Creio que o maior divulgador dessa heresia de demônios territoriais foi Peter Wagner. Hoje Wagner é "apóstolo" nos E.U.A. e dissemina tais ensinos por onde passa e vai conseguindo adeptos. Vale perguntar: "Quais são as novas estratégias proféticas que serão ensinadas que sobrepõem às do Novo Testamento". Cuidado para que não haja acréscimos ao que já está revelado.

5 - "Por isso, os anjos de Deus tocam as suas trombetas e convocam a todas as águias do norte, sul, leste e oeste de nossa nação a se ajuntarem nesses dias a fim de serem treinados e adestrados a levarem o grande e verdadeiro mover profético do Reino de Deus ao redor da terra".

Onde está no Novo Testamento que os anjos de Deus convocam a igreja para alguma coisa? Isso é um absurdo. Anjos são ministradores para aqueles que hão de herdar a salvação. Heb. 1:14.

Treinados e adestrados em que e através do que? Adestramento é para animais. Para mim basta II Tm. 3:16-17. Fica a pergunta que não quer se calar: "Qual é o grande e verdadeiro mover profético do Reino de Deus ao redor da terra?" Para mim não passam palavras soltas ao vento, ou seja, nada. Qual o peso dessa afirmação? Existe realmente mover profético? Que coisa descabida e horrível essa.

Por que durante mais de 2000 anos de cristianismo Deus não revelou estas coisas para os cristãos que vieram antes de nós? Deus fez ou faz acepção de pessoas? Deus foi um covarde com aqueles que nos precederam reservando somente para os cristãos atuais tais conhecimentos sensacionais?

O que realmente precisamos é de Palavra de Deus em nossos púlpitos. O que realmente precisamos é de homens que preguem a genuína Palavra de Deus para alimentos do povo de Deus.

Você pode perguntar: Pr. Luiz Fernando o senhor irá? Não, obrigado.



Ministério Força Para Viver

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OLHA OS TEMAS:



1- Como ouvir a vóz de Deus (Eu respondo: Nas Escrituras)

2- Sonhos e visões (Deus dá a quem quiser, não tem botão para ativar isso)

2- Lutando contra os flecheiros (Não lutamos contra od indios)

4- Os selos de Jezabel (Invenção gospel)

5- O espirito de piton (Invenção gospel)

EU TAMBÉM ESTOU FORA! FICO PENSANDO COMO É FÁCIL TIRAR DINHEIRO DOS QUE NÃO CONHECEM UM POUQUINHO SÓ, AS ESCRITURAS.

Pr. Luis Fernando de Souza
 
Fonte: Graça Plena