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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A SUPREMACIA DA LEI DE DEUS

A SUPREMACIA DA LEI DE DEUS:
A IMPORTÂNCIA DO PREFÁCIO DOS DEZ MANDAMENTOS
PARA A IGREJA DE CRISTO.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.*

Texto Bíblico: “Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”.(Êxodo 20.1-2).
Introdução:
A Lei de Deus tem sido totalmente rejeitada em nossa sociedade atual, e o triste disso tudo é o fato de que tem sido rejeitada pela igreja atual também. A Influência dispensacionalista em nossos dias é muito grande. Muitos presbiterianos dizem que não são dispensacionalistas, mas todas as vezes que negligenciamos os mandamentos de Deus, por menor que nos pareça, ou mesmo, diminuímos o valor de qualquer destes mandamentos da Lei de Deus, já nos tornamos dispensacionalistas práticos.
Uma forma notória de dispensacionalismo é contemplada quando lemos comentários bíblicos sobre os Dez Mandamentos e não encontramos uma abordagem detalhada do prefácio ao Decálogo.
É aqui no prefácio à Lei de Deus que temos uma profunda visão da divindade que servimos; é precisamente aqui onde aprendemos mais sobre Deus do que imaginamos, pois, neste texto as verdades a respeito de Deus são colocadas de forma singular diante de nossos olhos, e assim, somos tomados por um senso de grande gratidão para com o Deus que a Bíblia de fato revela. A gratidão exercida em nossos corações não é por aquilo que Deus nos pode oferecer, mas pelo quê Ele é. Algumas verdades podem ser extraídas deste texto exegeticamente, e recebemos algumas informações fundamentais ao nosso cristianismo:
I – O TEXTO NOS INFORMA SOBRE A ORIGEM DA LEI.

Alguns intérpretes da Bíblia possuem o entendimento que a Lei deve ser considerada como tendo a sua origem em Moisés. É verdade que a Lei pode ser considerada assim, mas não significa que é fruto dele, mas que ele registrou a vontade de Deus, e apenas neste sentido a lei pode ser atribuída a Moisés.
Por que falamos isso? É porque os que dizem ser a lei fruto de Moisés tendem a rejeitá-la por sustentarem um conceito dispensacional das Escrituras; o texto que temos diante de nos indica a origem da Lei: “ então, falou Deus...” no texto hebraico nós temos: Vaydaber Elohim. E a idéia transmitida é a seguinte: “E verbalizou, proferiu, ditou como regra Deus....” O substantivo - Elohim – indica que a Lei tem um autor que é o próprio DEUS.
Então, as dez Palavras do Sinai não são frutos da criação legal de Moisés. Isso implica em algo fundamental ao cristianismo que tem sido a noção de que a Lei não é de origem humana, mas divina. Não é da terra, mas é celestial. O texto pressupõe o fato de que a Lei é revelacional, pois ela nasce em Deus.
Sendo uma revelação não é algo opcional. O homem não tem o direito de dizer qual mandamento deve guardar ou não. Devemos nos lembrar que para o cristianismo tradicional a revelação infalível é a essência do Teísmo. E o negar a revelação é o mesmo que negar a existência de Deus.

II – O TEXTO NOS INFORMA SOBRE A SUFICIÊNCIA DA REVELAÇÃO:

O segundo aspecto que devemos levar em consideração é que este prefácio do Decálogo nos informa a suficiência da revelação de Deus ao homem.
O texto nos diz que Deus não falou algumas palavras, mas o texto nos informa que ele falou “todas estas palavras”. No texto temos a expressão “Eth kol haddevarim”.
No texto hebraico a palavra “kol” aponta par a idéia de completude, este termo está no construto que indica uma relação de posse; em outras palavras, todas as palavras pertencem a Deus, e são suficientes. O termo “haddevarim” – regras, palavras – são suficientes para o homem viver no mundo, são suficientes para oferecer uma direção ao povo do pacto, eles não precisam ir em busca de novas revelações, de novas regras para viverem a vida, eles não precisam de novas revelações para saberem qual é a vontade de Deus para as suas relações com o divino e com o seu semelhante, pois, a Lei sumariza e revela tudo isso de forma clara.
O “êth” (vocábulo hebraico sem tradução) é colocado no inicio da sentença para indicar a diretividade, pois, ele serve para indicar o objeto direto da sentença. Os homens precisam apenas encontrar-se com Deus na Lei para conhecerem a vontade dEle para as suas vidas. A única regra de vida está sendo apresentada ao povo da aliança – O Decálogo.
Isto implica no fato de que não devemos aumentar nenhum “til” ou “iod” à Lei, pois ela é suficiente e pela mesma razão não podemos diminuir nada da Lei. Ela é suficiente para cada um de nós.
A Lei não pode ser substituída pela subjetividade profética vazia do conteúdo da Lei de Deus; um profeta que profetizasse algo que se cumprisse, mas que introduzia erros no povo da aliança, não levando em consideração o Decálogo, tal profeta deveria ser morto diante do povo da aliança este é o teste de Deuteronômio 18, a pedra de Toque é Lei de Deus.
Mas porque isso? Porque Deus falou tudo o que era suficiente para o seu povo e expressou isso em sua Lei. E o que nós aprendemos no prefácio desta Lei?

III – PODEMOS APRENDER A RESPEITO DA PESSOALIDADE DE DEUS.
O teísmo apresenta um Deus pessoal. Assim também o faz o Cristianismo. No prefácio aos dez mandamentos nós aprendemos sobre a pessoalidade de Deus nas palavras “Eu sou”, no texto hebraico nós temos um pronome independente na primeira pessoa do singular Anoki, este pronome é sempre usado para descrever a existência pessoal de alguém, é usado aqui para enfatizar a pessoalidade o soberano da terra.
Indica que Deus não é uma força ativa, uma energia elétrica, ou coisa do tipo, mas a designação pessoal diz que ele mantém um relacionamento com o seu povo. Devemos nos lembrar que os pronomes independentes “servem como substitutos para uma um substantivo antecedente ou implícito”. Deus está sendo o centro do texto logo ele deve ser visto como pessoa. Deus não é uma grande energia. Aqui o panteísmo é rejeitado e o teísmo bíblico é confirmado. Deus é pessoa no sentido mais pleno da palavra.
Outra verdade que podemos aprender aqui é o fato de que não é apenas o teísmo que tem sido confirmado aqui, mas o próprio monoteísmo que é o fundamento da verdadeira religião . Se existe um Deus Ele deve ser pessoal, pois, os homens inevitavelmente irão buscar refúgio nEle. Os homens orarão a Ele na mais solene convicção que hão de ser ouvidos em suas preces, e isto, só pode ser possível se Deus for uma pessoa.
IV – PODEMOS APRENDER QUE O NOME DESSA PESSOA REVELA UMA RELAÇÃO PACTUAL COM O SEU POVO.
O texto que temos diante de nós informa que o Deus que é pessoal é chamado de SENHOR no texto hebraico temos “yahweh”. Esse nome revela não só o próprio nome de Deus, mas aponta para o nome pactual no qual Deus tem se revelado através da história da redenção. Deus não é isolacionista – ele chama o homem a ter uma relação pactual consigo mesmo.
Mas algo precisa ser dito sobre esse nome Yahweh não significa somente uma relação pactual, mas indica também a existência eternidade desse Deus e aponta para a realidade de que Deus sempre existiu.
O nome “yahweh” é derivado a raiz hyh no hebraico que pode significar uma existência intemporal conforme Êxodo 3.13-14. O texto claramente indica que Deus é eterno, mas indica que ele é suficiente como Deus que é. A expressão “Eu sou o SENHOR” aponta para o fato de que o SENHOR E O QUE ENTRA EM ALIANÇA COM O POVO.

V – APRENDEMOS QUE ESSA PESSOA É O OBJETO DE CULO

O nosso texto nos informa que antes de considerarmos a lei precisamos entender que a pessoa que nos ordena estas dez palavras é digna de nosso culto e adoração. O texto diz: “Eu sou o SENHOR teu Deus...”
Chamo a atenção para a expressão “Teu Deus” no hebraico temos “elohika”,o termo é uma junção de um substantivo “Elohim” mais um sufixo “ka” que tem a função de indicar a posse, mas pode também apontar para a questão da autoridade. Aqui o termo pode ser entendido como colocando Deus como o objeto de todas as nossas afeições, ou seja, todo o sentimento religioso deve ser movido para ele somente – ele é o teu Deus.
Deus é ensinado nos dez mandamentos como sendo o único digno de louvor e da adoração – aqui se anula os ídolos e toda forma de objeto de culto que não seja Deus somente. Aqui Deus é contemplado como sendo suficiente como objeto de culto e o centro de nossas afeições. O texto nos diz que devemos ter confiança nEle somente, e sermos submissos a Ele somente. Não devemos olhar para outro objeto de culto, e por isso, devemos nos submeter à sua lei.
VI – APRENDEMOS QUE DEUS TEM SE REVELADO COMO DEUS SALVADOR E REDENTOR DO POVO SEU.
O prefácio dos dez mandamentos nos mostra que o Deus que declara a Lei é “Redentor”, penso que falar de Deus como sendo um resgatador é apropriado. Note como Moisés coloca-nos isso “teu Deus, que te tirei da terra do Egito da casa da servidão”.
A expressão hebraica “asher hotser’thika” que significa “te tirei” no original tem o sentido de “te fazer sair”, também pode ser entendido como “colocar a mão para tirar”, Deus manifesta a sua redenção ao libertar o povo do estado de escravidão. Aqui somos informados que o autor das dez palavras não é um tirano que impõe a Lei sobre um povo desconhecido, mas mostrar que é um Deus amoroso, libertador de um povo indigno que não merecia a revelação deste Deus que nos revela as Escrituras Sagradas.
Mas aqui não é somente um resgatador que se nos apresenta aos olhos, mas que Ele se envolve na história dos homens. Ele é o Senhor da história. A história é a manifestação dos atos redentivos de Deus. E o fato histórico narrado neste texto é a libertação do povo hebreu do cativeiro egípcio.
Isto indica que Deus se envolve na criação, age na história para salvar o seu povo. Os dez mandamentos são um resumo da verdade suprema de que Deus está no controle de tudo; da história do povo da aliança como da vida religiosa e moral deste mesmo povo. Deus governa as nossas vidas, o nosso culto até nosso comportamento na sociedade. Aqui se desprende as seguintes verdades:
• A soberania de Deus na salvação: Deus como salvador manifesta o seu braço redentor ao tirar o povo da casa da servidão. Aqui o prefácio nos diz que Deus dá a Lei ao povo regenerado, ou seja, foram resgatados para receberem a Lei de Deus como norma de vida. Isto indica que os dez mandamentos são dirigidos especificamente à Igreja.
• Que Deus é Senhor da História: O deísmo é condenado aqui porque o prefácio nos diz que Deus age no mundo para libertar o seu povo que estava oprimido.
• Que Deus é suficiente em si mesmo: O prefácio dos dez mandamentos nos ensina que Deus é suficiente, pois, é o único que pode dar sentido à nossa existência (Atos 17.24,28).
• Que Deus é o único que pode ser adorado: Deus como se revela a nós pecadores deve ser visto como nosso único objeto de culto. E precisamos desejar adorá-lo como prescreveu em sua Lei. Lc.1.74-75.
Conclusão:
O prefácio aos dez mandamentos nos aponta para que cada sentença que é mencionada em cada mandamento está centrada em Deus e não no homem. Cada mandamento deve ser obedecido e guardado porque Deus tem o direito de criação e redenção.
De criação porque como Deus único e soberano que é, trouxe esse mundo à existência, por isso, cada pessoa individualmente, deveria submeter-se à sua lei eterna; de redenção porque sempre se revelou redentor do seu povo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

GÊNESIS - UMA BREVE ABORDAGEM EXEGÉTICA DO CAPÍTULO 12

BREVE ESTUDO NO CAMPO DA TEOLOGIA EXEGÉTICA.
GÊNESIS 12.1-4.

Prof. João Ricardo Ferreira de França.*
“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; 2 de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! 3 Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. 4 Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o SENHOR, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã.”

Introdução:
A teologia Bíblica se insere em nosso contexto como uma resposta aos desafios que a sistematização das Escrituras parece sugerir. A revelação veterotestamentária precisa se entendida e avaliada para que haja uma apologética cristã; uma catequização sólida e por fim, haja uma aplicação prática da Palavra de Deus em nossa época e para o nosso povo. Esta é de fato a tarefa do teólogo Bíblico.
O presente estudo visa trabalhar questões no campo da teologia exegética visando ajudar aos leitores na compreensão da Palavra de Deus. Visando assim uma valorização pelo Antigo Testamento e a sua mensagem.
É bom que se diga que o livro do Gênesis tem sido estruturado de diversas formas. Alguns tem sugerido que o livro possui várias seções, embora tais estruturas, não sejam facilmente percebida em nosso idioma. “Isso ocorre porque, na maioria das traduções, a palavra hebraica toledoth é traduzida por mais de uma expressão em português. A expressão hebraica completa ’elleh toledoth, que aparece onze vezes no livro de Gênesis.” (LONGMAN III, 2009, p.72). Tal estrutura nos apresenta um breve esboço para todo o livro, e assim, podemos de fato trabalhar a interpretação textual do mesmo. Conforme se observa no esquema abaixo.

"ESSAS SÃO AS GERAÇÕES DE..."
Fórmula Conteúdo Referência
No princípio, criou Deus... Criação 1.1 – 2.3
Esta é a gênese dos céus e da terra Criação 2.4 – 4.26
Este é o livro da genealogia de Adão Genealogia de Sete a Noé 5.1 – 6.8
Eis a história de Noé. Dilúvio & Aliança 6.9 – 9.29
São estas as gerações dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafé Base das nações & Babel 10.1 – 11.9
São estas as gerações de Sem Genealogia de Sem a Abrão. 11.10-26
São estas as gerações de Tera. História de Abrão 11.27 – 25.11
São estas as gerações de Ismael, filho de Abraão, Genealogia de Ismael 25.12-18
São estas as gerações de Isaque, filho de Abraão. Transmissão de bênção de Isaque para Jacó 25.19 – 35.29
São estes os descendentes de Esaú Genealogia de Esaú 36.1-43
Esta é a história de Jacó José & Israel no Egito 37.1 – 50.26

A segunda abordagem que tem sido sugerida é que este livro deve ser divido em três níveis ou seções conforme o sistema apresentado abaixo.
NOMENCLATURA DOS PERÍODOS PASSAGEM
BÍBLICA BREVE DESCRIÇÃO.
I – História Primeva. Gn.1-11. Cobre o período de tempo entre a criação e a torre de Babel.
II – As Narrativas Patriarcais. Gn.12-36 A narrativa se desenvolve e gira em torno de um personagem central que é Abraão.
III – A História de
José. Gn.37-50. A história de José manifesta uma transição entre uma família com 75 anos que foi para o Egito e uma nação que, 400 anos depois.

I – ABORDAGEM EXEGÉTICA SIMPLIFICADA.
Esta estrutura pode nos ajudar no entendimento da passagem que estamos considerando. Vamos considerar alguns termos chaves na narrativa patriarcal da vida de Abraão:
VS 1 - Waiomer (e disse) - Um verbo que se encontra no qal com o vav consecutivo indicando um padrão narrativo estabelecido pelo autor; os fatos narrados serão viso como sendo históricos.

YAHWEH - descreve o nome pactual de Deus. Ou como coloca um erudito do Antigo Testamento:
[...] a idéia contida no nome de Yahweh insiste num risco essencial que aparece em qualquer aspecto da fé mosaica em Deus, estar sob o impacto da presença, algumas vezes terrível, outras benévola, mas sempre comovedora e eficaz, do Deus que com incríveis demonstrações de poder afirma seu senhorio e garante a vitória. (EICHRODT, 2004, p.165 – ênfase dele.).

É o nome da revelação de Deus ao patriarca do profetismo em Israel. O termo hebraico deveria “fazer referência a afirmação contida no mome de Yahweh, do Deus próximo e cuja ação é poderosa; igualmente a expressão tão freqüente ‘sabereis que sou Yahweh’, tanto em tom de ameaça quanto de consolo, alude à presença de Deus, que aflige ou bendiz”. (EICHRODT, 2004, p.165 – ênfase dele.).
Me’artsek (tua terra) – É uma construção gramatical rara. Ocorre duas vezes no Pentateuco; a primeira é aqui e a segunda vez é em Deuteronômio 26.2; o termo está prefixado com a preposição que indica origem seguida que de um prefixo que indica posse. “Tua terra”. A terra onde o pecado da idolatria era notório.
O termo é repetido novamente com uma preposição que indica localidade, mobilidade e o contraste é curioso; pois, o primeiro termo indica a “terra de Abrãao” e a segunda referência do mesmo termo temos o conceito de “terra de Deus” – este conceito nasce em Gênesis 1.1 – “no princípio criou Deus os céus e a terra” ( criação e consumação).;( ’ar’eka - Novamente nos deparamos com um termo raro nas Escrituras. Este vocábulo ocorre apenas três vezes nas Escrituras; esta é a primeira vez que este vocábulo aparece na Palavra de Deus, as outras vezes em que ocorre este termo são em 2 Reis 3.14 – com o sentido de contemplar. E última vez que o termo aparece é em Zacarias 1.9 e o conceito ali diz respeito a receber uma “visão” ou “revelação”. Este verbo está no hiphil indicando que é Deus quem vai produzir tal visão. (de forma intensa e singular).
Vs.2 - we’e‘esek (ti farei) - O termo significa criar fazer de forma manufaturada. Conotação de empregar algum poder. Este termo aparece em Gênesis 1.26-27. “Façamos o homem...” A narrativa está oferecendo a idéia de um novo começo.
Gadol - Esta palavra carrega conceitos gramaticais de importância substancial para a teologia Bíblica:
A raiz [desta palavra] é usada para crescimento físico das pessoas e outras coisas vivas como também para o aumento de coisas tangível e intangível se [for] objetos, sons, sentimentos ou autoridade. Sobrepõe significando com rabab e rabâ, mas distinto,pois, estas raízes que nunca se refere a algo numeroso, só indica para ser grande em tamanho,e, de muita importância etc. É combinado com o nome divino para dar nomes pessoais, o mais freqüente de ser Gedaliah que significa "o Deus é grande."(2 Reis.25.22-25).Em 1 Samuel 26.24 a palavra pretende fixar um valor alto na vida da pessoa. [...] A "causa de significado para crescer" ou "criar" as crianças, plantas etc. é limitado ao tronco do Piel. “Ambos Piel e Hiphil indicam origem de, porém, carrega o significado para aumentar" ou "considerar grande.” Isto é como os salmistas freqüentemente usam a palavra, enquanto convocam o adorador para designar grandeza ao Deus e exaltar seu nome (Salmo 35.27; Salmo 40. 16 [no hebraico 17] Salmo 70.4 [no hebraico 5]) ( TWOT, 2007, in: Bible Works7)

Waavarekek- O termo aqui tem um palavra de promessa. A promessa da benção.
Esta raiz e seus derivado ocorrem 415 vezes. “A maioria está no tronco do Piel (214) que é traduzido por abençoar." O Qal com particípio passivo "abençoado" acontece que ocorre sessenta e uma vez. “O significado para se ajoelhar” aparece só três vezes, duas vezes no Qal(2 Crônicas 6.13; Salmo 95.6) e uma vez em Hiphil (Gênesis.24.11).Nesta base alguns discutem aquele barak para ajoelhar" é um verbo denominativo de "joelho" de berek e é sem conexão a barak abençoar." Porém, pode ter havido uma associação entre ajoelhar e a recepção de uma bênção (cf. também baraka árabe que mostra a mesma gama de significados). Abençoar nos meios do AT para dotar poder por sucesso, prosperidade, fecundidade, longevidade, etc." Freqüentemente é contrastado com qalal para estimar ligeiramente, maldição" [...]( TWOT, 2007, in: Bible Works7)


II – A TEOLOGIA BÍBLICA DO TEXTO DE FORMA SIMPLIFICADA.

Depois, de observamos algumas palavras significativas na narrativa do chamado de Abrão. Precisamos levar em consideração a teologia bíblica encontrada neste trecho das Sagradas Escrituras.
A história de Abrão está estruturada de uma forma bem significativa. O texto sagrado nos diz:
Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; 2 de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! 3 Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. 4 Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o SENHOR, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã.

Longman comenta isso de forma significativa: “É difícil aquilatar a importância dessas palavras para a teologia bíblica.” (LONGMAN III, 2009, p.155). Isto é verdadeiro, pois, como vimos Abraão passa a ser o personagem central na narrativa. A linguagem da benção conforme encontrada aqui nos faz “olhar para Gênesis 1-2, quando Deus abençoou Adão e Eva, colocando-os no Jardim e lhes dizendo para serem frutíferos e multiplicarem-se e explorarem aquele lugar, mas devido ao pecado foram expulsos do jardim”. (LONGMAN III, 2009, p.155-156)
O conceito que parece ser dominante aqui é o epangelismo e Kaiser se aferra a este conceito para dizer: “O vínculo óbvio entre Gênesis 1-11 e a era patriarcal é um que o próprio texto faz com suas cinco repetições da ‘Benção’ dada a Abraão em Gênesis 12.1-3.” (KAISER, 1984, p.59). A promessa subjacente ao foco central do texto é que Deus há de manifestar bênçãos singulares na vida de Abraão e por meio de Abrão na humanidade.
Quando Deus estabeleceu a sua aliança com Abraão, incluiu uma promessa de terra. Deus chamou Abraão para que saísse para a terra que Deus lhe mostraria (Gn 12.1). Depois da cerimônia pactual na qual Deus passou entre as porções dos animais partidos, Deus prometeu a Abraão: “Aos seus descendentes dou esta terra” (15.18, “NIV”). Outra vez, quando Abraão tinha noventa e nove anos de idade, Deus renovou a promessa da aliança: “Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus” (17.8). Assim, a aliança com Abraão foi atada a esta terra e dizia respeito a tê-la como herança. A promessa da terra é central para a promessa de salvação.
Todavia, a focalização pactual também inclui a promessa de um mediador singular. A importância de Abraão neste conceito histórico-redentivo é interessante para a teologia Bíblica do texto sagrado, pois, Deus em sua revelação aproxima-se de Abraão. Groningen nos diz que o texto de Gênesis 12.1-3 é um “importante texto profético é a palavras de Deus a Abraão” (GRONINGEN, 2003, p.128). Pois, este texto tem sido estruturado para a teologia pactual da seguinte forma:
1. Deus chamou e separou Abraão (vs1)
2. Deus fez promessas a Abraão (VS.2)
3. Deus coloca as estipulações pactuais diante de Abraão (VS. 2b)
4. Deus falou de Bênçãos e Maldições futuras (VS.3).
Dentro desta estrutura pode-se construir uma teologia coesa e segura no escopo canônico das Escrituras.
Toda a linguagem empregada nestes textos nos transporta para os primeiros capítulos do Gênesis. A narrativa inicia a história como se fosse um novo Gênesis. O patriarca Abraão é chamado à existência pela palavra divina. Este chamado implicava em ser uma benção de Deus neste mundo. Isso apontava para manifestação visível das estipulações pactuais.
Estreitamente relacionadas às promessas a Abraão eram as estipulações enunciadas por Deus – ele seria uma benção. Nessa afirmação foi dito ao patriarca que ele estaria a serviço, que seria uma agente ou canal de benção. Os que seriam “todos os povos. A benção a ser concedida não procederia de Abraão mesmo, pois ele próprio seria primeiro abençoado. A estipulação exigia que Abraão se submetesse a Deus, recebesse e se apropriasse da benção prometida e a transmitisse aos demais seres humanos. Portanto, foi ordenado a Abraão que servisse como um mediador entre Deus e os homens. (GRONINGEN, 2003, p.129).

Ao usar o termo para abençoar o autor sagrado está trabalhando o antecedente das Escrituras conforme conhecido (conhecimento partilhado) pelo povo da aliança; este termo aparece em Gênesis 1.26-28.
O termo estava relacionado com o mandato cultural que perpassa o social, e assim, segue para o espiritual. Aqui no texto de Gênesis 1.28 o termo “abençoou-os” devem ser entendidos nesta perspectiva dos três mandatos.
O Senhor deu a sua benção à humanidade assegurando-lhe deste modo que sob o controle soberano e por meio de seu poder sustentador e capacitador, a humanidade seria capaz de cumprir as ordens (notem-se os imperativos) que Deus deu à humanidade e que ele espera que ela cumpra. A ênfase da passagem é sobre o mandado a ser assumido e cumprido mediante a benção sustentadora de Deus. Isto aplica-se às criaturas vivas nas águas e às aves (Gn. 1.20-22), a Noé e aos outros mencionados nas passagens relacionadas para estudo comparativo. (GRONINGEN, 2003, p.100).

A mesma tônica é repetida em Gênesis 12.1-4. As responsabilidades pactuais que se estabeleceu em Gênesis 1 seguem à narrativa de Gênesis 12.1-4; e o papel destes representantes pactuais é ser benção e fazer o reino de Deus dilatar-se neste mundo.
O conceito de fazer “uma grande nação” de um patriarca como Abraão relembra-nos o conceito de descendência conforme entendido em Gn.3.15. a descendência de Abraão implica que haverá um mediador entre o homem e Deus; todavia, tal mediador deverá ser um descendente de Abraão.
No decorrer da história redentiva nós somos informados que esta promessa fora cumprida em Isaque e posteriormente em Cristo Jesus. Na leitura veterotestamentária pela analogia da fé. Entende-se que em Cristo, descendente de Abraão, Deus tem abençoado toda a humanidade – os eleitos de Deus consistem na nova humanidade restaurada.
Longman nos lembra que
Em Gênesis 12, Deus promete a Abraão que ‘de ti farei uma grande nação’(vs. 2). Essa promessa deixa implícitas tanto uma terra quanto descendentes. E, que diz respeito a descendentes, a promessa é, com freqüência, explicada de conformidade com as idéias encontradas em Gênesis 15.5: ‘Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade.’Em outras palavras, o cumprimento dessa promessa será claramente associado à multiplicação dos descendentes de Abraão, mais tarde conhecidos como Israelitas. Por esse motivo é surpreendente encontrar Paulo elaborando o seguinte raciocínio em Gálatas 3.15,16: "15 Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa. 16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo."(LONGMAN,2009, p. 202).

Esta abordagem nos ajudar a entender o seguinte princípio: a analogia fidei – analogia da fé – que vê o evento escatológico – Cristo; como sendo algo central à história da redenção do homem pecador.
É por esta perspectiva que a Igreja deve viver e fazer ressoar a sua proclamação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

* O autor é membro da Igreja Presbiteriana do Brasil e atualmente leciona línguas bíblicas no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil.
1. LONGMAN III, Tremper. Como Ler Genesis. Tradutor: Marcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 2009.
2. GRONINGEN, Gerard Van. Revelação Messiânica No Antigo Testamento – A Origem do Conceito Messiânico e o seu Desdobramento Progressivo. Tradutor: Claúdio Wagner. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.
3. KAISER, Walter. Teologia do Antigo Testamento. Tradução: Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1984
4. HARRIS, at als, Theological Wordbook of the OT in: Bible Works7, 2007.
5. EICHRODT, Walther. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Hagnos, 2004


terça-feira, 8 de setembro de 2009

ANÁLISE DE ATOS 13.48

Ocorrências do verbo e variantes

Mt 28.16
Etaksato. 3ª, sg, aor 1, ind, med de tássô = ordenou, designou

At 22.10
Tétaktai. 3ª, sg, perf, ind, pass de tássô = foram ordenados, foram mandados

At 28.23
Taksamenoi. Nom, pl, masc, part, aor 1, med de tássô = tendo marcado, arranjar, apontar, assinalar

Rm 13.1
Tetagmenai. Nom, pl, fem, part, perf, pass de tássô = ordenados, instituidos

At 15.2
Etaksan. 3ª pl, aor 1, ind, méd de tássô = ordenaram, decidiram

Lc 7.8
Tassomenos. Nom, sg, masc, part, pres, pass de tássô = colocado, nomear, encarregar

1Co 16.15
Etaksan. 3ª pl, aor 1, ind, méd de tássô = puseram, se consagraram

1Co. 16.16
Hipotassêsthe. 2ª pl, pres, imper, méd de tássô = vos subordineis


Depois de ter visto outras ocorrências do verbo e variantes, vamos analisá-lo neste texto que nos diz o verbo em questão:

At. 13.48. tetagmenoi. Nom, pl, masc, part, perf, pass de tássô = tendo sidos arrolados, ordenados, inscritos...

Há uma interpretação que diz que tetagmenoi esta na voz média. Pois bem, vamos contruir a frase nesta perspectiva: e creram tantos quantos estavam se dispondo (se ordenando) para a vida eterna. Faz sentido?

Possíveis traduções: designado, ordenado, marcado, sujeito, dedicado... Primeiro, precisamos ver que a voz manifestada pelo verbo, sofre a ação; segundo, o tempo deste verbo indica uma ação que já se completou no passdo, mas os resultados se faz sentir no presente, ou seja, a permanência de uma ação que já aconteceu, ou ainda, um estado presente resultado de uma ação passada; terceiro, a ação deste verbo indica que o verbo principal crêr (episteisan = creram - 3ª pl, aor 1, ind, at de pisteiô), é a continuação da ação do perfeito, ou seja, o crêr daqueles gentios(paciente) é o resulta de Deus(agente) tê-los ordenados antes, por isto que o entendimento de pré-ordenação está presente neste verso, e que não é nenhum exagero como alguns dizem, mas é o que o texto quer dizer.

Sobre a melhor tradução para o termo e a voz. No vs. 47 o termo entétaltai. 3ª sg, perf. Ind, pass, de entéllomai = tenho sido ordenado. Será que Paulo ordenou a si próprio (voz média e não passiva), este mesmo Deus que ordenou a Paulo anunciar o evangelho aos gentios, também ordenô-os a crêr, ou para ser mais exato, pré-ordenô-os a crêr e não que eles se dispuseram por eles mesmos a crêr. Agora não importa se alguém quer traduzir por ordenar ou dispor, pois resumisse ao ato da vontade soberana de Deus em decretar na eternidade, sem sofrer influência daquilo que alguns entendem por “presciência”, pois Ele não decreta com base em algo previsto que os homens fariam.

Mais dois detalhes interessantes: 1. os três verbos relacionados, são do tempo passado; 2. a melhor tradução para o imperfeito êsan é estavam (3ª pl. imperf, ind, at de eimi), confirmando ainda mais que a ordenação dos que creram, foi bem antes. Portanto, a tradução interpretativa pré-ordenação, é perfeitíssima.

Alguns dizem, que Lucas não quis falar de atuação prévia da parte de Deus para a salvação, dois capítulos antes, ele diz que “Deus deu o arrependimento para a vida” (11.18). Então, no entendimento de Lucas, Deus dá o arrependimento para aqueles que Ele ordenou para a salvação.

Na verdade, o problema nem está nas possibilidades do texto (que está claro), mas em pressupostos errados, como: extenção da morte em Adão; relação de fé e obras; graça “salvadora” e pecadores condenados...
Sérgio Moreira.